{"id":3137,"date":"2017-01-26T14:29:12","date_gmt":"2017-01-26T17:29:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=3137"},"modified":"2017-02-07T21:54:16","modified_gmt":"2017-02-08T00:54:16","slug":"febre-amarela-ja-tinha-crescimento-previsto-em-zona-urbanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2017\/01\/26\/febre-amarela-ja-tinha-crescimento-previsto-em-zona-urbanas\/","title":{"rendered":"Febre amarela j\u00e1 tinha crescimento previsto em zona urbanas"},"content":{"rendered":"<p><em><span style=\"font-weight: 400\">Por Germana Barata<\/span><\/em><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A febre amarela fica normalmente restrita a regi\u00f5es pr\u00f3ximas a florestas, como nossa gigante Amaz\u00f4nia. Quem j\u00e1 visitou a regi\u00e3o teve que se imunizar e agora respira aliviado nas cidades de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, as mais atingidas. O r\u00e1pido crescimento de casos de febre amarela t\u00eam preocupado a popula\u00e7\u00e3o pelas altas taxas de mortalidade e a falta de imunidade. Para Karina Ribeiro Cavalcante e Pedro Luis Tauil, autores de um artigo publicado na revista <\/span><a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2237-96222016000100011&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt\"><i><span style=\"font-weight: 400\">Epidemiologia e Servi\u00e7os de Sa\u00fade<\/span><\/i><\/a><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0(v.25, no.1) no in\u00edcio de 2016, as an\u00e1lises de surtos anteriores no Brasil j\u00e1 alertavam para aumento de casos da doen\u00e7a. \u201cPersiste o risco de transmiss\u00e3o urbana da febre amarela, pois a incid\u00eancia silvestre da doen\u00e7a tem se expandido para regi\u00f5es onde existe alta infesta\u00e7\u00e3o do <em>Aedes aegypti<\/em>, mosquito transmissor do ciclo urbano da doen\u00e7a<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201d, conclu\u00edram os autores. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Em 2016, o pa\u00eds registrou 1,5 milh\u00e3o de casos de dengue e outros 480 mil prov\u00e1veis de chikungunya e zika, de acordo com <\/span><a href=\"http:\/\/www.combateaedes.saude.gov.br\/images\/boletins-epidemiologicos\/2016-Dengue_Zika_Chikungunya-SE51.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">Boletim Epidemiol\u00f3gico<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\"> do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Com um ver\u00e3o particularmente chuvoso na regi\u00e3o Sudeste e um sistema de sa\u00fade que acompanha a crise econ\u00f4mica do pa\u00eds, temos uma ideia da gravidade do cen\u00e1rio em que a febre amarela ressurge.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"http:\/\/portalsaude.saude.gov.br\/index.php\/situacao-epidemiologica-dados-febreamarela\">Dados<\/a> do mesmo\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Minist\u00e9rio confirmaram 797 casos no pa\u00eds<\/span><span style=\"font-weight: 400\">, entre 1980 e 2016 com altas taxas de mortalidade, m\u00e9dia de 51,8% dos casos. O estudo de\u00a0Karina, do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, e Pedro Luis Tauil, da Universidade de Bras\u00edlia,<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a0indica, entre os anos de\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u00a02000 a 2012, 326 casos confirmados de febre amarela no Brasil, com 156 \u00f3bitos, ou seja, taxa de letalidade m\u00e9dia de 47,8%.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">At\u00e9 o momento, 70 casos j\u00e1 foram confirmados apenas no primeiro m\u00eas do ano, com 3 mortes confirmadas em S\u00e3o Paulo e 38\u00a0em Minas Gerais. O maior surto recente, em 2000, somou 85 casos durante o per\u00edodo de 12 meses. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3138\" aria-describedby=\"caption-attachment-3138\" style=\"width: 404px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Bugios-febreamarela.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-3138\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Bugios-febreamarela.jpg\" alt=\"\" width=\"404\" height=\"269\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Bugios-febreamarela.jpg 720w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/01\/Bugios-febreamarela-300x200.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 404px) 100vw, 404px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3138\" class=\"wp-caption-text\">Bugio est\u00e1 entre as esp\u00e9cies de macacos com casos de febre amarela no estado de SP. Cr\u00e9dito: Marcelo Cruzeta\/Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n<h4><b>Hist\u00f3ricos de surtos em S\u00e3o Paulo<\/b><\/h4>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Os surtos de febre amarela no estado de S\u00e3o Paulo n\u00e3o s\u00e3o novidade. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Leila Saad e Rita Barradas Barata, especialistas da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas da Santa Casa de S\u00e3o Paulo, publicaram <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S2237-96222016000300531&amp;lng=en&amp;nrm=iso&amp;tlng=en\">artigo <\/a>na mesma revista (v.25, no.3, 2016) com an\u00e1lise de tr\u00eas surtos de febre amarela nos anos de 2000, 2008 e 20o9 no estado mais populoso do pa\u00eds.\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400\">Os surtos somaram\u00a032 casos confirmados que resultaram em 15 mortes. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA letalidade esperada da doen\u00e7a, em todas suas formas, \u00e9 de 5 a 10% e valores acima deste indicam baixa capacidade da vigil\u00e2ncia em detectar casos leves\u201d, afirmaram as autoras do estudo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rita e Leila tamb\u00e9m verificaram, como em outras an\u00e1lises, que os homens s\u00e3o os mais acometidos pela doen\u00e7a, sendo que em S\u00e3o Paulo a incid\u00eancia foi duas vezes maior do que em mulheres.<\/span> <span style=\"font-weight: 400\">Segundo as autoras do artigo, \u201ca quase totalidade desses casos ocorreu em indiv\u00edduos n\u00e3o vacinados e nenhum caso foi observado em indiv\u00edduo comprovadamente vacinado\u201d.<\/span><\/p>\n<p>Especialistas descrevem a ocorr\u00eancia de surtos e casos em primatas a cada ciclo de cinco a sete anos em regi\u00f5es consideradas end\u00eamicas. \u201cEsta periodicidade deve-se, provavelmente, \u00e0 renova\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es de PNH [primatas n\u00e3o humanos], essenciais para a amplifica\u00e7\u00e3o viral\u201d, explicaram Rita e Leila. O acompanhamento de primatas tem sido uma forma de prevenir o crescimento da dissemina\u00e7\u00e3o do v\u00edrus da febre amarela.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O governo federal anunciou ontem que vai refor\u00e7ar a vacina\u00e7\u00e3o em 11,5 milh\u00f5es de doses, das quais a metade deve chegar nos pr\u00f3ximos dias. \u201cEmbora casos de rea\u00e7\u00e3o adversa possam ser associados \u00e0 vacina, esta ainda se mostra como a melhor forma de prevenir a doen\u00e7a e a circula\u00e7\u00e3o viral\u201d, conclu\u00edram as autoras.<\/span><\/p>\n<p>Para saber mais:<\/p>\n<ul>\n<li>Veja quais os <a href=\"http:\/\/portalsaude.saude.gov.br\/index.php\/descricao-da-doenca-febreamarela\">sintomas e caracter\u00edsticas da febre amarela<\/a> no site do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade<\/li>\n<\/ul>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Germana Barata A febre amarela fica normalmente restrita a regi\u00f5es pr\u00f3ximas a florestas, como nossa gigante Amaz\u00f4nia. Quem j\u00e1 visitou a regi\u00e3o teve que se imunizar e agora respira aliviado nas cidades de S\u00e3o Paulo e Minas Gerais, as mais atingidas. 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