{"id":3170,"date":"2017-03-03T20:34:36","date_gmt":"2017-03-03T23:34:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=3170"},"modified":"2017-03-03T20:41:52","modified_gmt":"2017-03-03T23:41:52","slug":"internacionalizacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2017\/03\/03\/internacionalizacao\/","title":{"rendered":"Internacionaliza\u00e7\u00e3o para al\u00e9m dos artigos em ingl\u00eas"},"content":{"rendered":"<p>Por Carolina Medeiros<\/p>\n<p>As revistas de psicologia brasileiras, na \u00faltima d\u00e9cada, adotaram um novo compromisso com seus leitores: investir na internacionaliza\u00e7\u00e3o. A prova disso \u00e9 que resumos, t\u00edtulos e materiais\u00a0suplementares dos artigos agora s\u00e3o publicados tamb\u00e9m em ingl\u00eas. Por\u00e9m, para Chris Fradkin, professor de psicologia da Universidade da Calif\u00f3rnia, para que haja\u00a0uma internacionaliza\u00e7\u00e3o de sucesso, os peri\u00f3dicos devem assumir dois caminhos: aumentar o n\u00famero de artigos publicados em l\u00edngua inglesa e a colabora\u00e7\u00e3o com\u00a0autores nativos de l\u00edngua inglesa. Esta \u00e9 uma das\u00a0conclus\u00f5es de um <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1982-43272766201702\">artigo<\/a> publicado\u00a0por Fradkin na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista <em>Paid\u00e9ia<\/em> (v.27, n.66, 2017).<\/p>\n<p>O\u00a0psic\u00f3logo analisou a rela\u00e7\u00e3o entre v\u00e1rios \u00edndices de internacionaliza\u00e7\u00e3o e os comparou com as revistas de psicologia brasileiras. O estudo analisou 672 artigos de 17 peri\u00f3dicos brasileiros de psicologia considerados de destaque (por terem maior <a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Fator_de_impacto\">fator de impacto<\/a>\u00a0no Journal of Citation Reports) e os codificou\u00a0segundo texto em ingl\u00eas, composi\u00e7\u00e3o de conselho editorial, institui\u00e7\u00e3o do autor principal e estilo de estudo.<\/p>\n<p>Para Fradkin a internacionaliza\u00e7\u00e3o bem-sucedida, al\u00e9m do conte\u00fado em ingl\u00eas de boa qualidade deve contemplar tr\u00eas elementos: a institui\u00e7\u00e3o do primeiro autor e os membros do conselho editorial pertencem a\u00a0um pa\u00eds nativo de l\u00edngua inglesa, e os artigos descrevem estudos emp\u00edricos. Em compara\u00e7\u00e3o com as revistas internacionais de psicologia, as revistas brasileiras analisadas\u00a0receberam 2.8 cita\u00e7\u00f5es, em m\u00e9dia, ficando\u00a0abaixo da m\u00e9dia internacional de 7.36. O aumento nas cita\u00e7\u00f5es \u00e9 um dos objetivos que a pol\u00edtica cient\u00edfica brasileira tem almejado. No caso das revistas brasileiras.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3175\" aria-describedby=\"caption-attachment-3175\" style=\"width: 421px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/02\/transnacionais_brasileiras_expandem.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3175 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/02\/transnacionais_brasileiras_expandem.jpg\" width=\"421\" height=\"257\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/02\/transnacionais_brasileiras_expandem.jpg 421w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/02\/transnacionais_brasileiras_expandem-300x183.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 421px) 100vw, 421px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3175\" class=\"wp-caption-text\">A internacionaliza\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m visa ampliar a visibilidade e cita\u00e7\u00e3o de artigos de revistas cient\u00edficas brasileiras no exterior (imagem de divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<h3>Diferentes crit\u00e9rios de internacionaliza\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Desde 2016 o SciELO estabeleceu <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/avaliacao\/20141003NovosCriterios_SciELO_Brasil.pdf\">novos crit\u00e9rios<\/a> de internacionaliza\u00e7\u00e3o que tendem a aumentar, progressivamente, a visibilidade e impacto de artigos de revistas no cen\u00e1rio internacional. Dentre os fatores estrat\u00e9gicos est\u00e1 o aumento no percentual de artigos em ingl\u00eas nas revistas cient\u00edficas indexadas, com diferen\u00e7as que variam de acordo com a \u00e1rea do conhecimento, de modo a motivar a leitura e cita\u00e7\u00f5es aos artigos no exterior. No entanto, diferentemente do que sugere Fradkin, a exig\u00eancia \u00e9 que se fortale\u00e7a a participa\u00e7\u00e3o e colabora\u00e7\u00e3o de autores e\u00a0especialistas nos comit\u00eas editoriais\u00a0com afilia\u00e7\u00e3o estrangeira. Ou seja, para que a ci\u00eancia alcance a internacionaliza\u00e7\u00e3o n\u00e3o se coloca os especialistas nativos de pa\u00edses de l\u00edngua inglesa como centrais.<\/p>\n<p>Na \u00e1rea de humanidades, a qual pertence a psicologia, o debate fica ainda mais acalorado. A comunidade tem constantemente se reunido para questionar o foco na l\u00edngua inglesa. Para os editores de revistas da \u00e1rea de humanas, como j\u00e1 retratamos neste <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2016\/07\/06\/revistas-das-ciencias-humanas-sob-pressao-para-internacionalizar-seus-conteudos\/\">blog<\/a>, \u00e9 preciso valorizar\u00a0o uso do espanhol como l\u00edngua influente, sobretudo considerando a ci\u00eancia latino americana, al\u00e9m de outras l\u00ednguas que s\u00e3o relevantes para determinadas \u00e1reas do conhecimento, como o franc\u00eas para a sociologia e lingu\u00edstica, ou o alem\u00e3o para a filosofia &#8211; para dar apenas algumas exemplos.<\/p>\n<p>Fradkin destaca que \u201co fato de uma revista cient\u00edfica publicar seus artigos em ingl\u00eas n\u00e3o garante ci\u00eancia forte, e que o compromisso do Brasil deve ir mais longe, em termos de qualidade e legibilidade de seu ingl\u00eas\u201d. A partir dos dados da pesquisa, o autor faz uma rela\u00e7\u00e3o com uma tend\u00eancia atual: o Brasil e outras na\u00e7\u00f5es emergentes est\u00e3o publicando mais em ingl\u00eas. Segundo dados do SciELO, \u00a0entre os anos de 2011 e 2015, houve um aumento de 48% para 62% no n\u00famero de artigos publicados em ingl\u00eas indexados na base; e o objetivo \u00e9 que este percentual chegue \u00e0 75% at\u00e9 <a href=\"http:\/\/blog.scielo.org\/en\/2016\/05\/10\/the-adoption-of-english-among-scielo-brazil-journals-has-been-increasing\/#.WLNLaoErLMw\">2019<\/a>. No caso das ci\u00eancias humanas o m\u00ednimo\u00a0de conte\u00fado em ingl\u00eas \u00e9 de 25%, mas o recomendado\u00a0chega a 30%.<\/p>\n<p>Em 2015, Fradkin publicou artigo na <em><a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1678-7153.20152840014\">Revista Psicologia: Reflex\u00e3o e Cr\u00edtica<\/a><\/em> em que analisou a qualidade dos t\u00edtulos e resumos em ingl\u00eas de cinco revistas cient\u00edficas brasileiras de psicologia e concluiu que \u00e9 preciso cuidar da qualidade, uma vez que v\u00e1rios erros de conte\u00fado foram identificados por acad\u00eamicos nativos.<\/p>\n<p>Mais do que analisar o processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o das revistas brasileiras de psicologia, acredita o autor do artigo, o foco de seu estudo \u00e9 alertar os cientistas de todas as \u00e1reas para a necessidade da pr\u00f3 atividade internacional, visando a qualidade no processo de internacionaliza\u00e7\u00e3o. \u201cA chave para a internacionaliza\u00e7\u00e3o das revistas brasileiras envolve o aporte brasileiro \u00e0 expertise de l\u00edngua-franca [ingl\u00eas]. Especializa\u00e7\u00e3o, em termos de editores experientes, revisores, editores e autores. S\u00e3o necess\u00e1rios profissionais do mundo l\u00edngua-franca para elevar os padr\u00f5es das revistas no Brasil\u201d, conclui Chris Fradkin.<\/p>\n<h3><strong>Leia\u00a0os artigos completos:<\/strong><\/h3>\n<p>Fradkin, C. &#8220;<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1982-43272766201702\">The internationalization of Psychology journals in Brazil: a\u00a0bibliometric examination based on four indices<\/a><span style=\"font-size: 13.3333px\">&#8220;.\u00a0<\/span><em>Paideia<\/em>;v. 27, n. 66, jan\/abr. 2017.<\/p>\n<p>Fradkin, C.\u00a0<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/1678-7153.20152840014\">A summary evaluation of the top-five Brazilian Psychology journals by native english-language scholars.<\/a><em>\u00a0<\/em><em>Psicol. Reflex. Crit.<\/em>\u00a0[online]. 2015, vol.28, suppl.1, pp. 99-111.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carolina Medeiros As revistas de psicologia brasileiras, na \u00faltima d\u00e9cada, adotaram um novo compromisso com seus leitores: investir na internacionaliza\u00e7\u00e3o. A prova disso \u00e9 que resumos, t\u00edtulos e materiais\u00a0suplementares dos artigos agora s\u00e3o publicados tamb\u00e9m em ingl\u00eas. Por\u00e9m, para Chris Fradkin, professor de psicologia da Universidade da Calif\u00f3rnia, para que haja\u00a0uma internacionaliza\u00e7\u00e3o de sucesso,&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":3175,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[10],"tags":[1009,1037,1036,749,819],"class_list":["post-3170","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-novos-artigos","tag-internacionalizacao","tag-lingua-inglesa","tag-periodicos-de-psicologia","tag-psicologia","tag-revistas-cientificas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/02\/transnacionais_brasileiras_expandem.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3170"}],"version-history":[{"count":12,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3188,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3170\/revisions\/3188"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3175"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3170"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3170"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3170"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}