{"id":3196,"date":"2017-03-27T15:02:49","date_gmt":"2017-03-27T18:02:49","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=3196"},"modified":"2017-03-27T15:02:50","modified_gmt":"2017-03-27T18:02:50","slug":"impactos-da-publicidade-infantil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2017\/03\/27\/impactos-da-publicidade-infantil\/","title":{"rendered":"Os impactos f\u00edsicos e psicol\u00f3gicos da publicidade infantil"},"content":{"rendered":"<p>por Carolina Medeiros<\/p>\n<p>A crian\u00e7a brasileira passa\u00a0uma m\u00e9dia de 5h35min por dia em frente \u00e0 televis\u00e3o, e 77% das crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o usu\u00e1rios da internet, dados que as deixam expostas a grande quantidade de publicidade. O\u00a0estudo <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.11606\/issn.2316-9044.v17i3p160-184\">&#8220;A regula\u00e7\u00e3o da publicidade de alimentos e bebidas n\u00e3o alco\u00f3licas para crian\u00e7as no Brasil&#8221;,<\/a> publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da <em>Revista de Direito Sanit\u00e1rio<\/em>\u00a0(v.17 n.3, nov. 2016.\/fev. 2017), analisou o impacto da publicidade de alimentos e bebidas nas crian\u00e7as.<\/p>\n<p>O\u00a0estudo traz\u00a0um alerta do Conselho Federal de Psicologia do Brasil sobre o impacto da publicidade em crian\u00e7as at\u00e9 12 anos, idade na qual as crian\u00e7as ainda n\u00e3o t\u00eam condi\u00e7\u00f5es de compreender as mensagens publicit\u00e1rias ou mesmo entender seu car\u00e1ter persuasivo. Segundo o Conselho, at\u00e9 esta faixa et\u00e1ria o p\u00fablico infantil se revela alvo de f\u00e1cil convencimento, por n\u00e3o conseguir lidar\u00a0com a alta complexidade das estrat\u00e9gias empregadas pela publicidade.<\/p>\n<p>Com\u00a0uma popula\u00e7\u00e3o de pouco mais de 200 milh\u00f5es de pessoas, \u00a029,7% delas est\u00e3o na faixa entre zero a\u00a017 anos, por\u00e9m que vivem uma realidade de extrema vulnerabilidade: 29% da popula\u00e7\u00e3o vive em fam\u00edlias pobres, mas, entre as crian\u00e7as, esse n\u00famero chega a 45,6%. E segundo os autores da\u00a0pesquisa, a\u00a0publicidade dirigida a este p\u00fablico agrava ainda mais esse cen\u00e1rio: consumismo, a erotiza\u00e7\u00e3o precoce, os transtornos de comportamento, o estresse familiar, o alcoolismo, a viol\u00eancia, a obesidade infantil, dentre outros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3197\" aria-describedby=\"caption-attachment-3197\" style=\"width: 450px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/03\/assistindo-tv-g.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3197 size-full\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/03\/assistindo-tv-g.jpg\" alt=\"\" width=\"450\" height=\"250\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/03\/assistindo-tv-g.jpg 450w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/03\/assistindo-tv-g-300x167.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/03\/assistindo-tv-g-128x72.jpg 128w\" sizes=\"(max-width: 450px) 100vw, 450px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3197\" class=\"wp-caption-text\">(Imagem de divulga\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m dos problemas de fundo psicol\u00f3gico que as propagandas causam na vidas das crian\u00e7as e jovens, o estudo aborda um problema de sa\u00fade p\u00fablica gerado por meio das propagandas: as\u00a0doen\u00e7as cr\u00f4nicas n\u00e3o transmiss\u00edveis (DCNT), em especial a obesidade. Isso porque, de acordo com os\u00a0relat\u00f3rios t\u00e9cnicos da Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade (OMS), as\u00a0crian\u00e7as de 6 a 11 anos de idade\u00a0comp\u00f5em o perfil de consumidores de\u00a0guloseimas (73%), salgadinhos (47%), sorvetes (44%) e bebidas (29%), exatamente\u00a0os principais produtos alvos das propagandas voltadas para o p\u00fablico infantil.<\/p>\n<p>Diante disso, a OMS faz um alerta:\u00a041 milh\u00f5es de crian\u00e7as com menos de 5 anos de idade no mundo inteiro estavam com sobrepeso ou eram obesas no ano de 2014. No Brasil, o excesso de peso e a obesidade s\u00e3o encontrados com grande frequ\u00eancia, a partir dos 5\u00a0anos, em todos os grupos de renda e em todas as regi\u00f5es do pa\u00eds, sendo que a faixa et\u00e1ria de 5\u00a0a 9\u00a0anos foi a que apresentou o maior aumento de peso (33,5%) em 2008. O que leva os pesquisadores a defenderem que uma das solu\u00e7\u00f5es para controlar e reverter esse cen\u00e1rio \u00e9 a aplica\u00e7\u00e3o de medidas regulat\u00f3rias sobre o marketing de\u00a0produtos aliment\u00edcios, especialmente para crian\u00e7as.<\/p>\n<p>Atualmente no Brasil a legisla\u00e7\u00e3o determina que a publicidade direcionada \u00e0 crian\u00e7a em qualquer meio de comunica\u00e7\u00e3o \u00e9 abusiva, \u00a0portanto, ilegal, o que foi confirmado pela recente decis\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a, em caso espec\u00edfico envolvendo produto aliment\u00edcio. O objetivo desta medida \u00e9 proteger a sa\u00fade da crian\u00e7a, seja no \u00e2mbito f\u00edsico ou psicol\u00f3gico e, consequentemente, a regula\u00e7\u00e3o efetiva da publicidade direcionada \u00e0s crian\u00e7as. Ou seja, \u00e9 preciso\u00a0cumprir as leis atualmente vigentes e fazer sua\u00a0efetiva fiscaliza\u00e7\u00e3o pelos \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos competentes na defesa dos direitos de crian\u00e7as e consumidores. &#8220;O olhar priorit\u00e1rio deve estar na crian\u00e7a e em seu peculiar processo de desenvolvimento&#8221;, concluem os pesquisadores.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h4>Leia o artigo completo em:<\/h4>\n<p>Hartung, Pedro Afonso Duarte; Karageorgiadis, Ekaterine Valente. <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.11606\/issn.2316-9044.v17i3p160-184\">A regula\u00e7\u00e3o da publicidade de alimentos e bebidas n\u00e3o alco\u00f3licas para crian\u00e7as no Brasil<\/a>. <em>Revista de Direito Sanit\u00e1rio<\/em>, v.7, n.3, 2017.<\/p>\n<p><strong>Contato com a autora<\/strong><\/p>\n<p>Ekaterine Valente Karageorgiadis por email:\u00a0<a href=\"mailto:ekaterine.karageorgiadis@usp.br\">ekaterine.karageorgiadis@usp.br \u00a0<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>por Carolina Medeiros A crian\u00e7a brasileira passa\u00a0uma m\u00e9dia de 5h35min por dia em frente \u00e0 televis\u00e3o, e 77% das crian\u00e7as e adolescentes s\u00e3o usu\u00e1rios da internet, dados que as deixam expostas a grande quantidade de publicidade. 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