{"id":3222,"date":"2017-05-22T10:01:34","date_gmt":"2017-05-22T13:01:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=3222"},"modified":"2017-05-31T15:13:32","modified_gmt":"2017-05-31T18:13:32","slug":"e-possivel-retomar-o-controle-economico-do-pais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2017\/05\/22\/e-possivel-retomar-o-controle-economico-do-pais\/","title":{"rendered":"\u00c9 poss\u00edvel retomar o controle econ\u00f4mico do pa\u00eds?"},"content":{"rendered":"<p><em>Por Carolina Medeiros <\/em><\/p>\n<p>Entre os anos de 2003 e 2013, a economia brasileira conheceu um modelo de desenvolvimento composto por um conjunto de programas econ\u00f4micos e sociais, eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, amplia\u00e7\u00e3o das aposentadorias, expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os de sa\u00fade, amplos investimentos em infraestruturas e outros programas que ampliaram a demandam para as empresas gerando mais de dez milh\u00f5es de empregos formais no pa\u00eds. Sobre este modelo e os fatores associados a ele o economista Ladislau\u00a0Dowbor, da Faculdade de Economia e Administra\u00e7\u00e3o, da PUC-SP, publicou a an\u00e1lise <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/s0103-40142017.31890010\">\u201cEntender a crise, retomar as conquistas\u201d<\/a>, na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da revista <em>Estudos Avan\u00e7ados<\/em>, (v. 31, n. 89, 2017), que tamb\u00e9m traz um dossi\u00ea sobre <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0103-401420170001&amp;lng=en&amp;nrm=iso\">\u201cSa\u00eddas para a crise econ\u00f4mica\u201d<\/a> atual.<\/p>\n<p>Segundo o economista, a situa\u00e7\u00e3o vivida pelo pa\u00eds nesse per\u00edodo, tratado por ele como um c\u00edrculo virtuoso, era mais do que um modelo a ser mantido, tratava-se de um caminho, no qual a economia deve responder \u00e0s necessidades da popula\u00e7\u00e3o, tendo o estado como um articulador importante. \u00a0Por\u00e9m, o autor analisa que \u201ca apropria\u00e7\u00e3o privada da pol\u00edtica e a apropria\u00e7\u00e3o da economia pelos intermedi\u00e1rios financeiros provocaram a ruptura\u201d deste modelo, gerando uma instabilidade econ\u00f4mica sentida at\u00e9 os dias de hoje.<\/p>\n<p>Diante disso, Dowbor explicita as causas dessa ruptura e elenca poss\u00edveis alternativas para a economia brasileira. Inicialmente ele trata da influ\u00eancia do mercado externo, enfatizando que as exporta\u00e7\u00f5es representam apenas 10% de toda a economia brasileira. Com isso, n\u00e3o \u00e9 de responsabilidade do mercado externo suprir as demandas que o mercado interno n\u00e3o consegue resolver. Ou seja, \u201cas solu\u00e7\u00f5es no curto e no m\u00e9dio prazos para a economia brasileira concentram-se no mercado interno, no consumo das fam\u00edlias, nas atividades empresariais e nos investimentos p\u00fablicos em infraestruturas e pol\u00edticas sociais\u201d, defende.<\/p>\n<figure id=\"attachment_3223\" aria-describedby=\"caption-attachment-3223\" style=\"width: 690px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/05\/naufragio-3.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3223\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/05\/naufragio-3.jpg\" alt=\"\" width=\"690\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/05\/naufragio-3.jpg 662w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/05\/naufragio-3-300x131.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 690px) 100vw, 690px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3223\" class=\"wp-caption-text\">Navio Naufragando &#8211; Imagem de Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p>Outro elemento que precisa de aten\u00e7\u00e3o quando o assunto \u00e9 a retomada do controle econ\u00f4mico \u00e9 a demanda da popula\u00e7\u00e3o, em outras palavras trata-se de um ciclo, a baixa na economia afeta o consumo da popula\u00e7\u00e3o, e este leva \u00e0 uma queda da demanda de produtos. Esta por sua vez leva \u00e0s empresas a produzirem mesmo, o que afeta diretamente a oferta de emprego; e por consequ\u00eancia aumentam as d\u00edvidas da popula\u00e7\u00e3o. Segundo o autor, os juros para pessoa f\u00edsica no Brasil s\u00e3o um \u201cassalto\u201d atingindo a m\u00e9dia de 156% ao ano, frente a uma m\u00e9dia de 3,5% na Europa. Neste cen\u00e1rio, a d\u00edvida das fam\u00edlias cresceu de 19,3% da renda familiar em 2005, a 46,5% em 2015. J\u00e1 no in\u00edcio de 2017, 58 milh\u00f5es de adultos, e quase a metade da popula\u00e7\u00e3o entre 30 e 39 anos, se declaravam \u201cnegativados\u201d.<\/p>\n<p>A an\u00e1lise traz ainda um panorama dos efeitos dos investimentos p\u00fablicos na estagna\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds. Segundo o economista, \u201co gasto com a d\u00edvida p\u00fablica atingiu 8,5% do PIB em 2015, s\u00e3o cerca de 500 bilh\u00f5es de reais dos nossos impostos transferidos essencialmente para os grupos financeiros. Com isso se esteriliza parte muito significativa da capacidade de o governo financiar infraestruturas e pol\u00edticas sociais, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e seguran\u00e7a\u201d.<\/p>\n<p>O economista da PUC-SP defende como medidas principais para a solu\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica do pa\u00eds a promo\u00e7\u00e3o da <em>redu\u00e7\u00e3o gradual e sistem\u00e1tica dos juros<\/em><em>, <\/em>uma <em>reforma tribut\u00e1ria, e gera\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00f5es transparentes sobre os fluxos financeiros. \u201c<\/em>Batalhar juros decentes tornou-se t\u00e3o estrat\u00e9gico como batalhar sal\u00e1rios decentes e pol\u00edticas sociais inclusivas\u201d, conclui.<\/p>\n<p>Dowbor atribui aos grupos financeiros a responsabilidade desta situa\u00e7\u00e3o, uma vez que, em sua vis\u00e3o, trata-se de um grupo que n\u00e3o produz, mas promove a explora\u00e7\u00e3o das popula\u00e7\u00f5es e ainda lucra com esta situa\u00e7\u00e3o. \u201cO sistema n\u00e3o \u00e9 apenas escandalosamente injusto, \u00e9 economicamente inoperante\u201d, conclui.<\/p>\n<p><strong>Para saber mais:<\/strong><\/p>\n<p>Leia o artigo completo<\/p>\n<p>Dowbor, Ladislau. Entender a crise, retomar as conquistas. <em>Estud. Av.\u00a0<\/em>vol.31\u00a0no.89.\u00a0S\u00e3o Paulo\u00a0Jan.\/Apr.\u00a02017.<br \/>\n<a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/s0103-40142017.31890010\">http:\/\/dx.doi.org\/10.1590\/s0103-40142017.31890010<\/a><\/p>\n<p>Acompanhe o blog do economista Ladislau Dowbor<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/dowbor.org\">http:\/\/dowbor.org<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Carolina Medeiros Entre os anos de 2003 e 2013, a economia brasileira conheceu um modelo de desenvolvimento composto por um conjunto de programas econ\u00f4micos e sociais, eleva\u00e7\u00e3o do sal\u00e1rio m\u00ednimo, amplia\u00e7\u00e3o das aposentadorias, expans\u00e3o da educa\u00e7\u00e3o e dos servi\u00e7os de sa\u00fade, amplos investimentos em infraestruturas e outros programas que ampliaram a demandam para as&#8230;<\/p>\n","protected":false},"author":33,"featured_media":3223,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[10,1],"tags":[],"class_list":["post-3222","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-novos-artigos","category-sem-categoria"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/05\/naufragio-3.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3222","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/users\/33"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3222"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3222\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3244,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3222\/revisions\/3244"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3223"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3222"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3222"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3222"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}