{"id":3245,"date":"2017-06-16T15:53:09","date_gmt":"2017-06-16T18:53:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=3245"},"modified":"2017-06-16T15:57:16","modified_gmt":"2017-06-16T18:57:16","slug":"morte-de-pacientes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2017\/06\/16\/morte-de-pacientes\/","title":{"rendered":"Como os m\u00e9dicos lidam com a morte de seus pacientes?"},"content":{"rendered":"<p>Lidar com a morte n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para ningu\u00e9m. Mas como fazem os m\u00e9dicos que s\u00e3o treinados para salvar vidas e, eventualmente, perdem seus pacientes?\u00a0<a href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/revistadc\/article\/view\/121660\/129428\">Artigo<\/a> publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da <em>Revista de Medicina<\/em> da USP (v.96, no.2, 2017) traz relatos de nove m\u00e9dicos sobre o processo de morte. Segundo os autores, com o avan\u00e7o cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico melhoram o diagn\u00f3stico, as possibilidades de tratamento e preven\u00e7\u00e3o, mas por outro lado, \u201cpode trazer uma maior sensa\u00e7\u00e3o de fracasso quando o paciente morre\u201d.<\/p>\n<p>Fruto de uma pesquisa de inicia\u00e7\u00e3o cient\u00edfica na Universidade Mogi das Cruzes, o estudo procurou entender se os m\u00e9dicos disp\u00f5em de t\u00e9cnicas, durante sua forma\u00e7\u00e3o, para lidar com a morte, e como fazem para enfrentar a morte que tamb\u00e9m causa estresse emocional nos profissionais.<\/p>\n<p>Os m\u00e9dicos entrevistados pertencem a especialidades que lidam mais frequentemente com a morte, entre eles cirurgi\u00f5es, socorristas, cardiologistas e intensivistas (ue atuam na UTI). O question\u00e1rio semi-estruturado baseou-se em tr\u00eas blocos: forma\u00e7\u00e3o e aprendizados para lidar com a morte; rela\u00e7\u00e3o com a profiss\u00e3o e os pacientes, e atividades com a fun\u00e7\u00e3o de renovar as energias e lidar com o estresse emocional.<\/p>\n<p>Os participantes da pesquisa t\u00eam forma\u00e7\u00f5es e tempos de forma\u00e7\u00e3o distintos, mas todos atuam no Alto Tiet\u00ea (SP), em hospitais p\u00fablicos ou privados, e s\u00e3o formados por institui\u00e7\u00f5es paulistas.<\/p>\n<h3>Rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente<\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_3247\" aria-describedby=\"caption-attachment-3247\" style=\"width: 414px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/06\/Screen-Shot-2017-06-16-at-11.38.50-AM.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3247 \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/06\/Screen-Shot-2017-06-16-at-11.38.50-AM-300x202.png\" alt=\"\" width=\"414\" height=\"279\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/06\/Screen-Shot-2017-06-16-at-11.38.50-AM-300x202.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/06\/Screen-Shot-2017-06-16-at-11.38.50-AM-768x518.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2017\/06\/Screen-Shot-2017-06-16-at-11.38.50-AM.png 901w\" sizes=\"(max-width: 414px) 100vw, 414px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3247\" class=\"wp-caption-text\"><a href=\"http:\/\/www.tate.org.uk\/art\/artworks\/fildes-the-doctor-n01522\">&#8220;The Doctor&#8221; (1891),<\/a> de Sir Luke Fildes (1844-1927), museu Tate Modern, Londres. Imagem: CC-BY-NC-ND<\/figcaption><\/figure>\n<p>\u201cO cotidiano de profissionais revela que quanto mais intenso o v\u00ednculo com o paciente maior o sentimento de impot\u00eancia e a inevitabilidade da morte desperta sentimentos de fracasso como se a morte tivesse sobrepujado a dedica\u00e7\u00e3o de toda a equipe\u201d, relata Jacqueline Tamada, autora principal e estudante de medicina da Universidade de Mogi das Cruzes (SP), e co-autores do artigo. O envolvimento com pacientes (sobretudo os de tratamentos mais longos ou terminais), a perda inesperada ou a morte de jovens trazem maior dificuldade para os m\u00e9dicos lidarem com a perda.<\/p>\n<p>Cinco dos m\u00e9dicos entrevistados disseram que n\u00e3o receberam qualquer preparo em sua formac\u00e3o para lidar com a morte, mas aprenderam com a pr\u00e1tica. Os demais relatam uma forma\u00e7\u00e3o conquistada de acordo com seu interesse e n\u00e3o necessariamente do curr\u00edculo formal, como terapia, leitura de livros e cursos para lidar com cuidados paliativos, por exemplo. Os autores e m\u00e9dicos apontam a necessidade de reformular o curr\u00edculo de medicina para inclus\u00e3o de um melhor preparo, com enfoque durante a resid\u00eancia, quando se d\u00e1 a pr\u00e1tica com os pacientes e aperfei\u00e7oamento da t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>A busca por atividades para renovar as energias se mostrou chave para lidar com o estresse emocional e f\u00edsico dos m\u00e9dicos. \u201cPelo posicionamento dos profissionais, entendeu-se que a presen\u00e7a de v\u00e1lvulas de escape \u00e9 imprescind\u00edvel para liberar um pouco da tens\u00e3o\/preocupa\u00e7\u00e3o criada pelo trabalho, evitando grande estresse e sobrecargas emocionais\u201d, concluem os autores. Muitos relataram ter hobbies, ou buscar apoio na religi\u00e3o ou na fam\u00edlia e nos amigos.<\/p>\n<p>\u201cA manuten\u00e7\u00e3o da integridade da rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente, principalmente nestes casos em que h\u00e1 morte e sofrimento, \u00e9 fortificada quando o profissional privilegia o doente sobre sua doen\u00e7a, minimizando sua dor como um todo e focando o tratamento na pessoa mais do que na doen\u00e7a\u201d, enfatizam os pesquisadores.<\/p>\n<p>Apesar do estudo trazer baixo n\u00famero de entrevistas ele chama aten\u00e7\u00e3o para o fato de que \u00e9 preciso cuidar da sa\u00fade do paciente, mas tamb\u00e9m da sa\u00fade de m\u00e9dicos e profissionais da sa\u00fade que lidam em seu dia a dia com a morte e precisam manter a humanidade e a qualidade na rela\u00e7\u00e3o m\u00e9dico-paciente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>Para ler o artigo completo acesse:<\/strong><\/h3>\n<ul>\n<li>Tamada, J.K.T.; Dalaneze, A.S.; Bonini, L.M.M. e Melo, T. R. C. (2017) <a href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/revistadc\/article\/view\/121660\/129428\">Relatos de m\u00e9dicos sobre a experi\u00eancia do processo de morrer e a morte de seus pacientes<\/a>. <strong>Rev Med<\/strong> (S\u00e3o Paulo). abr.-jun.;96(2):81-7.<\/li>\n<\/ul>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>Contato com os autores<\/strong><\/p>\n<ul>\n<li>Autora principal Jacqueline Tamada, email: <a href=\"mailto:jacquelinetozaki@yahoo.com.br\">jacquelinetozaki@yahoo.com.br<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Lidar com a morte n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil para ningu\u00e9m. Mas como fazem os m\u00e9dicos que s\u00e3o treinados para salvar vidas e, eventualmente, perdem seus pacientes?\u00a0Artigo publicado na \u00faltima edi\u00e7\u00e3o da Revista de Medicina da USP (v.96, no.2, 2017) traz relatos de nove m\u00e9dicos sobre o processo de morte. 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