{"id":39,"date":"2015-11-18T14:16:55","date_gmt":"2015-11-18T14:16:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/?p=39"},"modified":"2015-11-18T15:32:37","modified_gmt":"2015-11-18T15:32:37","slug":"por-que-investir-em-revistas-cientificas-brasileiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2015\/11\/18\/por-que-investir-em-revistas-cientificas-brasileiras\/","title":{"rendered":"Por que investir em revistas cient\u00edficas brasileiras?"},"content":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 a primeira postagem do blog Ci\u00eancia em Revista, abrigado neste belo Portal de Blogs da Unicamp, em uma iniciativa pioneira e que ainda vai semear muitas ideias parecidas.<\/p>\n<p>Fruto de um projeto de pesquisa que come\u00e7ou em 2013, com financiamento da Fapesp, este blog traduz o cuidado e a aten\u00e7\u00e3o que sempre tive com as revistas cient\u00edficas brasileiras enquanto jornalista em ci\u00eancia. Me incomodava a aten\u00e7\u00e3o desproporcionada que as revistas estrangeiras recebiam no notici\u00e1rio, sobretudo algumas poucas que praticamente monopolizavam as se\u00e7\u00f5es de ci\u00eancia. Ser\u00e1 que elas s\u00f3 publicavam conte\u00fado de m\u00e1 qualidade ou desinteressantes? Ou seria porque nosso complexo de vira-lata valorizava mais o que os pa\u00edses desenvolvidos est\u00e3o fazendo? <\/p>\n<figure id=\"attachment_38\" aria-describedby=\"caption-attachment-38\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/cropped-Captura-de-tela-2015-11-16-09.28.06.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/cropped-Captura-de-tela-2015-11-16-09.28.06-300x237.png\" alt=\"Voc\u00ea conhece algumas dessas revistas?\" width=\"300\" height=\"237\" class=\"size-medium wp-image-38\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/cropped-Captura-de-tela-2015-11-16-09.28.06-300x237.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/cropped-Captura-de-tela-2015-11-16-09.28.06-1024x810.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/cropped-Captura-de-tela-2015-11-16-09.28.06.png 1260w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-38\" class=\"wp-caption-text\">Voc\u00ea conhece algumas dessas revistas?<\/figcaption><\/figure>\n<p>Formada em biologia e com pai qu\u00edmico, comecei a acessar algumas publica\u00e7\u00f5es que tinha mais familiaridade e interesse natural, uma delas a <em>Qu\u00edmica Nova<\/em>, da Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica, \u00e0 \u00e9poca publicada em portugu\u00eas. De l\u00e1 descobri um fascinante <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-40422004000200031\" target=\"_blank\">artigo<\/a><figure id=\"attachment_40\" aria-describedby=\"caption-attachment-40\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.33.21.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.33.21-300x241.png\" alt=\"Cr\u00e9dito: Artigo de Carlos Filgueiras, Qu\u00edmica Nova vol.27 (2), 2004\" width=\"300\" height=\"241\" class=\"size-medium wp-image-40\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.33.21-300x241.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.33.21.png 451w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-40\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Artigo de Carlos Filgueiras, Qu\u00edmica Nova vol.27 (2), 2004<\/figcaption><\/figure> de Carlos Filgueiras, da UFRJ, que tratava sobre a educa\u00e7\u00e3o cient\u00edfica que D.Pedro II destinou \u00e0 princesa Isabel, sabendo da import\u00e2ncia que a educa\u00e7\u00e3o teria na vida de sua futura sucessora, e que inspirou uma mat\u00e9ria que publiquei na revista <a href=\"http:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2004\/06\/01\/sem-tempo-para-o-principe-encantado\/\" target=\"_blank\">Pesquisa Fapesp<\/a> em co-autoria com Renata Saraiva na edi\u00e7\u00e3o no. 100. Como esta, as revistas cient\u00edficas brasileiras, muitas vezes o principal ve\u00edculo de difus\u00e3o cient\u00edfica de \u00e1reas como as ci\u00eancias humanas, algumas das ci\u00eancias sociais aplicadas, artes, letras e lingu\u00edstica, guardam resultados de pesquisa, an\u00e1lises e discuss\u00f5es que interessam, e muito, a nossa sociedade.<\/p>\n<p>Os dossi\u00eas da revista <em>Estudos Avan\u00e7ados <\/em>da USP, por exemplo, trazem an\u00e1lises sobre quest\u00f5es de extrema relev\u00e2ncia e que podem subsidiar a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, debates em salas de aula ou simplesmente na emiss\u00e3o de uma opini\u00e3o mais embasada sobre o nosso cotidiano. Exemplo disso \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_issuetoc&amp;pid=0103-401420150002&amp;lng=en&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\">\u00faltima edi\u00e7\u00e3o <\/a>que agrega artigos de especialistas sobre a crise h\u00eddrica na regi\u00e3o Sudeste e os usos da \u00e1gua.<\/p>\n<p>Alguns podem alegar, como j\u00e1 ouvi de jornalistas de ci\u00eancia, que n\u00e3o h\u00e1 nada in\u00e9dito ou relevante nos artigos cient\u00edficos brasileiros, e, portanto, n\u00e3o interessa \u00e0 m\u00eddia. Mas muitas pesquisas e, portanto, a publica\u00e7\u00e3o de seus resultados em revistas s\u00f3 interessam a n\u00f3s brasileiros, como o artigo &#8220;<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0034-89102014000400692&amp;lng=pt&amp;nrm=iso&amp;tlng=pt\" target=\"_blank\">Consumo de bebidas alco\u00f3licas e dire\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos, balan\u00e7o da lei seca, Brasil 2007 a 2013<\/a>&#8220;, da <em>Revista de Sa\u00fade P\u00fablica<\/em> e que gerou <a href=\"http:\/\/www.usp.br\/agen\/?p=188694\" target=\"_blank\">not\u00edcia<\/a> de Carolina Medeiros (aluna de mestrado do Labjor\/Unicamp e jornalista de ci\u00eancia) na Ag\u00eancia USP &#8211; como parte do projeto de pesquisa que citei no in\u00edcio desta postagem &#8211; e que depois pautou Luiz Fernando Toledo em <a href=\"http:\/\/brasil.estadao.com.br\/noticias\/geral,lei-seca-faz-consumo-abusivo-de-alcool-cair-45-entre-2007-e-2013,1570530\" target=\"_blank\">not\u00edcia<\/a> no <em>Estado de S.Paulo<\/em> e que provocou efeito cascata em in\u00fameros outros ve\u00edculos.<\/p>\n<p>N\u00e3o me entendam mal. O fato de investir em revistas cient\u00edficas genuinamente brasileira n\u00e3o quer dizer que todas as nossas publica\u00e7\u00f5es estejam em um grau de maturidade acad\u00eamica ou tenham alto n\u00edvel de qualidade &#8211; o mesmo vale para revistas estrangeiras, ok jornalistas?. Estamos, a cada ano, aprimoramento a qualidade de nossas publica\u00e7\u00f5es e \u00e9 ineg\u00e1vel o avan\u00e7o nos \u00faltimos 15 anos, fruto de investimentos e incentivos \u00e0 indexa\u00e7\u00e3o de revistas em reposit\u00f3rios (bancos de dados) como o <a href=\"http:\/\/www.scielo.org\/php\/index.php\" target=\"_blank\">SciELO<\/a> (Scientific Eletronic Library Online) que estabeleceu crit\u00e9rios indexa\u00e7\u00e3o que acabaram pressionando as publica\u00e7\u00f5es a melhorarem sua qualidade. Hoje os crit\u00e9rios caminham para a internacionaliza\u00e7\u00e3o crescente das revistas brasileiras, mas gera cada vez mais perguntas sobre a necessidade de todas as revistas precisarem atender a eles independente de sua miss\u00e3o.<\/p>\n<figure id=\"attachment_45\" aria-describedby=\"caption-attachment-45\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.34.26.png\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.34.26-300x224.png\" alt=\"A fam\u00edlia imperial na biblioteca do Imperador, em litografia de Sisson de 1860. Os quatro membros da fam\u00edlia foram representados segurando um livro ou objeto de estudo. Arquivo do Museu Imperial. Cr\u00e9dito: Artigo de C. Filgueiras, Qu\u00edmica Nova \" width=\"300\" height=\"224\" class=\"size-medium wp-image-45\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.34.26-300x224.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/11\/Captura-de-tela-2015-11-17-18.34.26.png 451w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-45\" class=\"wp-caption-text\">A fam\u00edlia imperial na biblioteca do Imperador, em litografia de Sisson de 1860. Os quatro membros da fam\u00edlia foram representados segurando um livro ou objeto de estudo. Arquivo do Museu Imperial. Cr\u00e9dito: Artigo de C. Filgueiras, Qu\u00edmica Nova<\/figcaption><\/figure>\n<p>Ao longo de meu trajeto como divulgadora de ci\u00eancia, topei com revistas brasileiras centen\u00e1rias e que guardam tesouros em suas p\u00e1ginas, como o <em>Boletim do Museu Paraense Em\u00edlio Goeldi<\/em>, fundada em 1894, e a <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/revistas\/mioc\/iaboutj.htm\" target=\"_blank\">Mem\u00f3rias do Instituto Oswaldo Cruz<\/a>, criada em 1909, e que at\u00e9 os dias atuais s\u00e3o publica\u00e7\u00f5es relevantes de nossa produ\u00e7\u00e3o. Exemplo fresco desta relev\u00e2ncia est\u00e1 em <a href=\"https:\/\/blogdivulgaciencia.wordpress.com\/2015\/06\/19\/primeira-descricao-de-casos-do-zika-virus-transmitidos-no-pais-alerta-para-crescimento-da-doenca\/\" target=\"_blank\">postagem<\/a> que fiz em junho no blog Divulga Ci\u00eancia (blog irm\u00e3o deste) sobre a descri\u00e7\u00e3o dos primeiros casos de zika virus no Brasil, pautada em artigo publicado do Mem\u00f3rias do Instituto Oswaldo Cruz no mesmo m\u00eas. Uma leitora nos escreveu em setembro dizendo que, a partir da leitura da postagem, ela teria conclu\u00eddo que os danos cerebrais irrevers\u00edveis diagnosticados em seu bebe (ainda em gesta\u00e7\u00e3o) poderiam estar relacionados ao fato de ter contra\u00eddo o zika quando j\u00e1 tinha 3 meses de gesta\u00e7\u00e3o e morava em Natal. \u00c0 \u00e9poca, os m\u00e9dicos n\u00e3o lhe informaram se tratar do zika virus. Agora, o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade acaba de anunciar que a principal hip\u00f3tese relacionada ao grande n\u00famero de nascimentos de bebes com microencefalia (399 em 7 estados at\u00e9 o momento) seria justamente a contra\u00e7\u00e3o do zika virus durante o per\u00edodo gestacional. <\/p>\n<p>Resultados e informa\u00e7\u00f5es cient\u00edficas interessantes e importantes socialmente n\u00e3o faltam. A quest\u00e3o que esbarrei &#8211; e ainda esbarramos &#8211; vai al\u00e9m do percep\u00e7\u00e3o negativa dessas revistas, mas chega \u00e0 dificuldade do jornalista em acessar as novas edi\u00e7\u00f5es, selecionar artigos interessantes e contatar os autores das pesquisas. Nestes tr\u00eas quesitos, algumas revistas cient\u00edficas se destacam, pois j\u00e1 perceberam &#8211; h\u00e1 tempos &#8211; que a divulga\u00e7\u00e3o de seu conte\u00fado para a m\u00eddia e para o p\u00fablico mais amplo \u00e9 uma estrat\u00e9gia para manterem sua visibilidade em meio a centenas de publica\u00e7\u00f5es que com a internet passaram a batalhar por leitores.<\/p>\n<p>Em dois anos de projeto entendi as principais barreiras que os jornalistas enfrentam para acessar o conte\u00fado de nossas revistas, contatar seus autores e &#8211; num curto espa\u00e7o de tempo &#8211; produzir suas not\u00edcias. De outro lado, o trabalho com editores cient\u00edficos brasileiros da USP e de outras institui\u00e7\u00f5es iniciou uma conscientiza\u00e7\u00e3o sobre o papel da divulga\u00e7\u00e3o dos conte\u00fados das revistas, acostumadas a ser um ve\u00edculo de comunica\u00e7\u00e3o restrito aos pares.<\/p>\n<p>Este blog pretende divulgar n\u00e3o apenas os avan\u00e7os nessa \u00e1rea, mas se deter\u00e1 em apresentar o desafio de revistas e editores cient\u00edficos brasileiros, e artigos que podem enriquecer as pautas jornal\u00edsticas ou mesmo as not\u00edcias de nosso cotidiano. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 tamb\u00e9m contar com colabora\u00e7\u00f5es de especialistas.<\/p>\n<p><strong>Mais informa\u00e7\u00f5es sobre a divulga\u00e7\u00e3o de revistas cient\u00edficas brasileiras podem ser acessadas no blog &#8211; que deu origem a este &#8211; <a href=\"https:\/\/blogdivulgaciencia.wordpress.com\" target=\"_blank\">Divulga Ci\u00eancia<\/a> ou na p\u00e1gina do <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/divulgacienciaoficial\/?ref=hl\" target=\"_blank\">Facebook<\/a>.<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Esta \u00e9 a primeira postagem do blog Ci\u00eancia em Revista, abrigado neste belo Portal de Blogs da Unicamp, em uma iniciativa pioneira e que ainda vai semear muitas ideias parecidas. 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