{"id":900,"date":"2015-03-09T15:58:38","date_gmt":"2015-03-09T15:58:38","guid":{"rendered":"https:\/\/blogdivulgaciencia.wordpress.com\/?p=900"},"modified":"2015-03-09T15:58:38","modified_gmt":"2015-03-09T15:58:38","slug":"divulga-cientista-nise-da-silveira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/2015\/03\/09\/divulga-cientista-nise-da-silveira\/","title":{"rendered":"Divulga Cientista &#8211; Nise da Silveira"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_901\" aria-describedby=\"caption-attachment-901\" style=\"width: 540px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/03\/nise-da-silveira.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-901\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/03\/nise-da-silveira.png\" alt=\"Cr\u00e9dito: Museu da Rep\u00fablica\/RJ\" width=\"540\" height=\"382\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/03\/nise-da-silveira.png 540w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemrevista\/wp-content\/uploads\/sites\/13\/2015\/03\/nise-da-silveira-300x212.png 300w\" sizes=\"(max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-901\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Museu da Rep\u00fablica\/RJ<\/figcaption><\/figure>\n<p>O<strong> Divulga Ci\u00eancia<\/strong> tra\u00e7a o perfil de Nise da Silveira, importante m\u00e9dica psiquiatra brasileira, aluna do renomado psiquiatra e psicoterapeuta su\u00ed\u00e7o Carl Jung.<\/p>\n<p>Nascida em Macei\u00f3, em\u00a015 de fevereiro\u00a0de\u00a01905, Nise dedicou sua vida \u00e0 psiquiatria e manifestou-se radicalmente contr\u00e1ria \u00e0s formas agressivas de tratamento de sua \u00e9poca, tais como o confinamento em hospitais psiqui\u00e1tricos,\u00a0eletrochoque,\u00a0insulinoterapia\u00a0e\u00a0lobotomia.<\/p>\n<p>Em 1926 se formou em Medicina pela Faculdade de Medicina da Bahia \u2014 a \u00fanica mulher entre os 157 homens desta turma, e uma das pioneiras na profiss\u00e3o no Brasil.<\/p>\n<p>Um ano ap\u00f3s o t\u00e9rmino da gradua\u00e7\u00e3o, e j\u00e1 casada com o sanitarista M\u00e1rio Magalh\u00e3es da Silveira, se muda para o\u00a0Rio de Janeiro, onde engajou-se nos meio art\u00edstico e liter\u00e1rio. \u00c9 na capital fluminense onde come\u00e7a atuar como psiquiatra, ap\u00f3s ser aprovada num concurso para psiquiatra e a trabalhar no Servi\u00e7o de Assist\u00eancia a Psicopatas e Profilaxia Mental do\u00a0Hospital da Praia Vermelha.<\/p>\n<p>Durante a\u00a0Intentona Comunista \u2014 tentativa de golpe contra o governo de\u00a0Get\u00falio Vargas\u00a0realizado em novembro de\u00a01935\u00a0pelo\u00a0 Partido Comunista do Brasil\u00a0\u2014 foi denunciada por uma enfermeira pela posse de livros\u00a0marxistas. A den\u00fancia levou \u00e0 sua pris\u00e3o em\u00a01936\u00a0no\u00a0pres\u00eddio\u00a0da Frei Caneca por 18 meses.<\/p>\n<p>No pres\u00eddio ela conheceu\u00a0Graciliano Ramos, tornando-se uma das personagens de seu livro\u00a0<em>Mem\u00f3rias do C\u00e1rcere<\/em>. De 1936 a\u00a01944,\u00a0Nise da Silveira permaneceu com seu marido na semi-clandestinidade, afastada do servi\u00e7o p\u00fablico por raz\u00f5es\u00a0pol\u00edticas.<\/p>\n<p>Em\u00a01944\u00a0Silveira foi reintegrada ao\u00a0servi\u00e7o p\u00fablico\u00a0e iniciou seu trabalho no Centro Psiqui\u00e1trico Nacional Pedro II, no\u00a0Engenho de Dentro, no Rio de Janeiro. Era o retorno \u00e0\u00a0sua luta contra as t\u00e9cnicas psiqui\u00e1tricas que considerava agressivas aos pacientes.\u00a0Como exemplo, recusando-se a aplicar eletrochoques em pacientes.<\/p>\n<p>Por sua atua\u00e7\u00e3o contra os m\u00e9todos psiqui\u00e1tricos da \u00e9poca, a cientista foi transferida para o trabalho com\u00a0terapia ocupacional, atividade ent\u00e3o menosprezada pelos m\u00e9dicos. Assim em\u00a01946\u00a0fundou nesta institui\u00e7\u00e3o a Se\u00e7\u00e3o de Terap\u00eautica Ocupacional.<\/p>\n<p>Come\u00e7ava ent\u00e3o a revolu\u00e7\u00e3o do modelo de tratamento psiqui\u00e1trico praticado no pa\u00eds: no lugar das tradicionais tarefas de\u00a0limpeza\u00a0e\u00a0manuten\u00e7\u00e3o\u00a0que os pacientes exerciam sob o t\u00edtulo de terapia ocupacional, ela criou\u00a0ateli\u00eas\u00a0de\u00a0pintura\u00a0e modelagem,\u00a0com a inten\u00e7\u00e3o de possibilitar aos doentes reatar seus v\u00ednculos com a\u00a0realidade\u00a0atrav\u00e9s da express\u00e3o simb\u00f3lica e da criatividade.<\/p>\n<p>Nise da Silveira tamb\u00e9m introduziu e divulgou no Brasil a psicologia junguiana. Interessada em seu estudo sobre os\u00a0mandalas, tema recorrente nas pinturas de seus pacientes, ela escreveu em\u00a01954\u00a0a Carl Gustav Jung, iniciando uma proveitosa troca de correspond\u00eancia.<\/p>\n<p>Nise da Silveira estudou no Instituto Carl Gustav Jung em dois per\u00edodos: de 1957 a\u00a01958; e de\u00a01961\u00a0a\u00a01962. Retornando ao Brasil ap\u00f3s seu primeiro per\u00edodo de estudos junguianos, formou em sua resid\u00eancia o Grupo de Estudos\u00a0Carl Jung, que presidiu at\u00e9\u00a01968.<\/p>\n<p>Durante sua carreira, Nise foi membro fundadora da Sociedade Internacional de Express\u00e3o Psicopatol\u00f3gica (<em>Societ\u00e9 Internationale de Psychopathologie de l&#8217;Expression<\/em>), sediada em\u00a0Paris.<\/p>\n<p>Sua pesquisa em terapia ocupacional e o entendimento do processo psiqui\u00e1trico atrav\u00e9s das imagens do inconsciente deram origem a diversas exibi\u00e7\u00f5es, filmes, document\u00e1rios, audiovisuais, cursos, simp\u00f3sios, publica\u00e7\u00f5es e confer\u00eancias.<\/p>\n<p>Em reconhecimento a seu trabalho, Nise foi agraciada com diversas condecora\u00e7\u00f5es, t\u00edtulos e pr\u00eamios em diferentes \u00e1reas do conhecimento, como a Ordem do Rio Branco no Grau de Oficial, pelo Minist\u00e9rio das Rela\u00e7\u00f5es Exteriores (1987); Pr\u00eamio Personalidade do Ano de 1992, da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Cr\u00edticos de Arte; Medalha Chico Mendes, do grupo Tortura Nunca Mais (1993); Ordem Nacional do M\u00e9rito Educativo, pelo Minist\u00e9rio da Educa\u00e7\u00e3o e do Desporto (1993), entre outros.<\/p>\n<p>Escreveu, entre outros, o importante livro <em>Jung: vida e obra<\/em>, publicado em primeira edi\u00e7\u00e3o em 1968. Nise da Silveira morreu no Rio de Janeiro, em\u00a030 de outubro\u00a0de\u00a01999, aos 94 anos.<\/p>\n<p>O <strong>Divulga Ci\u00eancia\u00a0<\/strong>sugere tr\u00eas artigos sobre a obra e carreira de Nise de Silveira, a cientista da semana.<\/p>\n<p><strong>Artigo:<\/strong>\u00a0<a title=\"SciELO\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1415-47142013000400005&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\">Cl\u00ednica, pesquisa e ensino: Nise da Silveira e as muta\u00e7\u00f5es na psiquiatria brasileira<\/a><br \/>\n<strong>Autores:<\/strong>\u00a0Walter Melo\u00a0e\u00a0Ademir Pacelli Ferreira<br \/>\n<strong>Revista:<\/strong> Revista Latino Americana de Psicopatologia Fundamental (vol. 16, n. 4, 2013 \u2014\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Universit\u00e1ria de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental)<\/p>\n<p><strong>Artigo:<\/strong>\u00a0<a title=\"ScIELO\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-81232007000200029&amp;lng=pt&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\">Sobre o tempo da loucura em Nise da Silveira<\/a><br \/>\n<strong>Autoras:<\/strong>\u00a0Jacileide Guimar\u00e3es e Toyoko Saeki<br \/>\n<strong>Revista:<\/strong>\u00a0Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva\u00a0(vol. 12, n. 2, 2007 \u2014\u00a0Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Sa\u00fade Coletiva)<\/p>\n<p><strong>Artigo:<\/strong>\u00a0<a title=\"SciELO\" href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0103-40142003000300012&amp;script=sci_arttext\" target=\"_blank\">Nise da Silveira: imagens do inconsciente entre psicologia, arte e pol\u00edtica<\/a><br \/>\n<strong>Autoras:<\/strong>\u00a0<span style=\"font-family:Verdana, Arial, Helvetica-Normal, sans-serif;font-size:small\">Jo\u00e3o A. Frayze-Pereira<\/span><br \/>\n<strong>Revista:<\/strong>\u00a0Estudos Avan\u00e7ados (vol. 17, n. 49, 2003 \u2014 USP)<\/p>\n<h3><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Divulga Ci\u00eancia tra\u00e7a o perfil de Nise da Silveira, importante m\u00e9dica psiquiatra brasileira, aluna do renomado psiquiatra e psicoterapeuta su\u00ed\u00e7o Carl Jung. Nascida em Macei\u00f3, em\u00a015 de fevereiro\u00a0de\u00a01905, Nise dedicou sua vida \u00e0 psiquiatria e manifestou-se radicalmente contr\u00e1ria \u00e0s formas agressivas de tratamento de sua \u00e9poca, tais como o confinamento em hospitais psiqui\u00e1tricos,\u00a0eletrochoque,\u00a0insulinoterapia\u00a0e\u00a0lobotomia. 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