{"id":14,"date":"2016-06-06T16:24:53","date_gmt":"2016-06-06T19:24:53","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/?p=14"},"modified":"2016-06-08T18:14:57","modified_gmt":"2016-06-08T21:14:57","slug":"micotoxinas-riscos-subestimados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2016\/06\/06\/micotoxinas-riscos-subestimados\/","title":{"rendered":"Micotoxinas &#8211; riscos subestimados?"},"content":{"rendered":"<p>Muitos s\u00e3o os fatores que podem comprometer a qualidade dos alimentos que consumimos. Alguns, no entanto, s\u00e3o mais aparentes que outros. Certas toxinas, produzidas por fungos, podem n\u00e3o causar altera\u00e7\u00f5es percept\u00edveis nos alimentos, mas podem ser bastante perigosas, principalmente quando consumidas por longos per\u00edodos de tempo. No Brasil, nossa legisla\u00e7\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 suficientemente r\u00edgida a este respeito e discuss\u00f5es sobre o tema merecem espa\u00e7o.<\/p>\n<p>Micotoxina \u00e9 o nome que recebem determinados compostos org\u00e2nicos produzidos por fungos e que, em diferentes graus de intensidade, s\u00e3o potencialmente nocivas \u00e0 <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0300483X01004711\" target=\"_blank\">sa\u00fade humana e animal<\/a>. Por muito tempo desconhecidas, estas toxinas podem estar, historicamente, na base de uma quantidade incalcul\u00e1vel de doen\u00e7as que muito frequentemente causavam a morte. Um exemplo bastante emblem\u00e1tico \u00e9 o do ergotismo, doen\u00e7a que na Idade M\u00e9dia era um problema importante de sa\u00fade p\u00fablica. Em per\u00edodos mais recentes descobriu-se que o respons\u00e1vel era o fungo <em>Claviceps purpurea<\/em>, que produz a chamada toxina de ergot (al\u00e9m de outra\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/LSD\" target=\"_blank\">conhecida subst\u00e2ncia<\/a>). Esta toxina \u00e9 produzida pelo fungo no centeio armazenado, quando as condi\u00e7\u00f5es de umidade e temperatura s\u00e3o favor\u00e1veis. Em virtude das t\u00e9cnicas bastante deficit\u00e1rias de colheita, transporte e &#8211; principalmente- armazenamento de gr\u00e3os e cereais na \u00e9poca medieval, essas condi\u00e7\u00f5es eram bastante comuns, e a dissemina\u00e7\u00e3o do fungo e produ\u00e7\u00e3o da toxina frequentes e consistentes. Os exemplos podem se estender para outros tipos de produtos armazenados e outras esp\u00e9cies de fungos, dentre as quais cabe destacar\u00a0<em>Aspergillus flavus<\/em>, cuja toxina, chamada aflatoxina, est\u00e1 entre as subst\u00e2ncias mais potencialmente carcinog\u00eanicas produzidas por um ser vivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: center\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignnone  wp-image-68 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-content\/uploads\/sites\/95\/2016\/06\/399896146_ba8933645c_z-225x300.jpg\" alt=\"399896146_ba8933645c_z\" width=\"252\" height=\"336\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-content\/uploads\/sites\/95\/2016\/06\/399896146_ba8933645c_z-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-content\/uploads\/sites\/95\/2016\/06\/399896146_ba8933645c_z.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 252px) 100vw, 252px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Nos dias atuais, com a evolu\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre a contamina\u00e7\u00e3o de alimentos, tecnologias de armazenamento sob condi\u00e7\u00f5es controladas e pr\u00e1ticas p\u00f3s-colheita, torna-se cada vez mais poss\u00edvel evitar essa contamina\u00e7\u00e3o, ou, ao menos, identific\u00e1-la nos casos em que j\u00e1 aconteceu. No entanto, o problema de micotoxinas em alimentos continua presente em regi\u00f5es do globo onde certos [simple_tooltip content=&#8217;sistemas de secagem, ventila\u00e7\u00e3o etc&#8217;]<strong>recursos<\/strong>[\/simple_tooltip]\u00a0ainda n\u00e3o existem. Al\u00e9m disso algumas ag\u00eancias de vigil\u00e2ncia da seguran\u00e7a dos alimentos promovem crit\u00e9rios discut\u00edveis para a libera\u00e7\u00e3o de lotes de produtos armazenados. Entre esses crit\u00e9rios, cabe destaque os limites de aceita\u00e7\u00e3o, baseados em estudos de toxicidade e na sensibilidade de m\u00e9todos de detec\u00e7\u00e3o. Deste modo, \u00e9 necess\u00e1rio que avaliemos se o fato de os padr\u00f5es brasileiros \u00a0serem mais permissivos que os da Comunidade \u00a0Europeia ou Jap\u00e3o, por exemplo, pode ou n\u00e3o causar impactos \u00e0 seguran\u00e7a alimentar de nosso pa\u00eds.<\/p>\n<p>Cr\u00e9dito foto:\u00a0Lindsey Turner<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Muitos s\u00e3o os fatores que podem comprometer a qualidade dos alimentos que consumimos. Alguns, no entanto, s\u00e3o mais aparentes que outros. 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