{"id":249,"date":"2017-03-30T14:59:47","date_gmt":"2017-03-30T17:59:47","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/?p=249"},"modified":"2017-03-30T15:06:06","modified_gmt":"2017-03-30T18:06:06","slug":"economia-ecologia-equacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2017\/03\/30\/economia-ecologia-equacao\/","title":{"rendered":"Economia e Ecologia &#8211; a necessidade de se resolver a equa\u00e7\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Os impactos ambientais das atividades humanas sempre existiram. Praticamente desde a consolida\u00e7\u00e3o da agricultura, o que levou a cria\u00e7\u00e3o das primeiras sociedades sedentarizadas, o ser humano tem extra\u00eddo recursos e devolvido rejeitos ao ambiente. N\u00e3o que as sociedades n\u00f4mades n\u00e3o exercessem seu impacto, mas, de acordo com a maior parte dos estudiosos do tema, apenas com o estabelecimento das popula\u00e7\u00f5es humanas em local fixo isso atingiu escala consider\u00e1vel, se dando de maneira que o meio natural n\u00e3o tivesse tempo para se recompor das agress\u00f5es (\u201cnecess\u00e1rias\u201d ou n\u00e3o) que sofria.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Com o advento da Primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial \u2013 e intensificada pelas seguintes \u2013 a quest\u00e3o tomou, entretanto, outra propor\u00e7\u00e3o. Consonante ao surgimento das sociedades industriais e, depois, da sociedade de mercado, os recursos ambientais passaram a ser vistos como t\u00e3o somente isso: recursos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Os modelos cl\u00e1ssicos de economia consideram o ambiente pouco mais do que uma fonte de mat\u00e9ria-prima para a produ\u00e7\u00e3o de bens. Os impactos decorrentes da super-explora\u00e7\u00e3o desses recursos, assim como os res\u00edduos de toda a produ\u00e7\u00e3o do sistema capitalista \u2013 lixo em grande quantidade, compostos qu\u00edmicos lan\u00e7ados em \u00e1guas, solo e ar, etc &#8211; s\u00e3o apenas levados em conta se atrapalham o desenrolar das atividades produtivas de gera\u00e7\u00e3o de mercadorias. Os problemas s\u00f3cio-ambientais foram por muito tempo \u2013 e continuam sendo para muitos economistas \u2013 apenas\u00a0<a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Externalidades\" target=\"_blank\">externalidades<\/a>.<\/p>\n<figure id=\"attachment_253\" aria-describedby=\"caption-attachment-253\" style=\"width: 418px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-253\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-content\/uploads\/sites\/95\/2017\/03\/23908876962_4624f6c34b_z-300x150.jpg\" alt=\"\" width=\"418\" height=\"209\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-content\/uploads\/sites\/95\/2017\/03\/23908876962_4624f6c34b_z-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-content\/uploads\/sites\/95\/2017\/03\/23908876962_4624f6c34b_z.jpg 640w\" sizes=\"(max-width: 418px) 100vw, 418px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-253\" class=\"wp-caption-text\">P\u00f4ster ambientalista: &#8220;Isso n\u00e3o \u00e9 uma externalidade. \u00c9 hora de colocar de volta a natureza na economia&#8221;. Cr\u00e9dito: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/pagedooley\/23908876962\/in\/photolist-CqKf9A-8Kgz8h-pw7Jk6-68orek-qgynC-8Kh4W2-8sDqh-RcmmPC-8bFBU8-bpmyz4-nXtqQw-6KcXZQ-3kvFCC-dyybBU-9Ume8x-3kvwkJ-3krb6X-67gyDY-8WV37S-3krLcV-6JVfGy-27oEcB-3kvygJ-rRFQp1-3krqqi-nXPDEb-27t4wd-pw7xcz-e8pYtn-3kwTPy-27oDji-jALtQY-peUHkC-dzhbsR-7uaCj3-9YnAeY-pumo93-3kvYbW-3krC7M-pwpd5M-7JV24P-8Kh4YX-pw7PcF-8LScbK-CqK7u7-BCNcKu-68orqR-BCMYQb-7FzSU-ByKzB\" target=\"_blank\">Kevin Dooley<\/a><\/figcaption><\/figure>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Dado o atual estado ambiental a n\u00edvel mundial: cr\u00edtico e em processo de agravamento, na opini\u00e3o de muitos cientistas, esse tipo de modelo econ\u00f4mico, baseado na ideia de crescimento infinito num planeta finito, vem se tornando mais invi\u00e1vel conforme se escasseiam, progressivamente, as fontes naturais de recursos. Obviamente, o contexto ecol\u00f3gico \u00e9 apenas um na cadeia de problemas, uma vez que est\u00e1 totalmente ligado ao \u00e2mbito social.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Uma mudan\u00e7a na maneira como concebemos o ambiente urge, portanto.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Pensando a economia verde<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Sobre o tema, a Unicamp sediou, no \u00e2mbito do F\u00f3rum Pensamento Estrat\u00e9gico \u2013 PENSES, o \u201cF\u00f3rum Capitalismo e Meio Ambiente, Crescimento Zero e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel\u201d, que ocorreu no \u00faltimo dia <a href=\"http:\/\/www.gr.unicamp.br\/penses\/?p=1750\" target=\"_blank\">27 de mar\u00e7o<\/a>.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">As mesas redondas, que reuniram importantes expoentes de n\u00edvel nacional e internacional no tema da economia ambientalmente sustent\u00e1vel, versaram sobre qual \u00e9 a verdadeira dimens\u00e3o da crise ecol\u00f3gica a n\u00edvel mundial e quais seriam as poss\u00edveis alternativas \u2013 e sua factibilidade- para conciliar-se acesso a n\u00edveis adequados de conforto material com distribui\u00e7\u00e3o de renda e preserva\u00e7\u00e3o ambiental. A discuss\u00e3o desemboca na chamada Macroeconomia Ecol\u00f3gica; um novo modelo macroecon\u00f4mico onde o meio ambiente seja, efetivamente, levado em considera\u00e7\u00e3o. O Prof. Peter Victor, refer\u00eancia e um dos precursores da ideia a n\u00edvel global, participou do evento do Canad\u00e1, via internet.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Uma nova teoria macroecon\u00f4mica dessa magnitude exigiria o emprego de indicadores de desenvolvimento mais abrangentes, suplantando o PIB (Produto Interno Bruto), para o qual apenas a gera\u00e7\u00e3o de riqueza financeira \u00e9 par\u00e2metro avaliado. Um dos poss\u00edveis substitutos seria o chamado GPI (<i>Genuine Progress Indicator<\/i>, ou Indicador de Progresso Genu\u00edno), criado na d\u00e9cada de 80, que elenca os fatores sociais e ambientais como fundamentais na mensura\u00e7\u00e3o do progresso das na\u00e7\u00f5es. Dois pesquisadores brasileiros, Daniel Andrade e J\u00fanior Garcia, do Grupo de Estudos em Macroeconomia Ecol\u00f3gica &#8211; <a href=\"https:\/\/macroeconomiaecologica.wordpress.com\/\" target=\"_blank\">GEMAECO<\/a>, publicaram um trabalho onde se propuseram a calcular o GPI do Brasil de 1970 \u00e0 2010. O resumo do artigo pode ser acessado <a href=\"http:\/\/www-sciencedirect-com.ez88.periodicos.capes.gov.br\/science\/article\/pii\/S0921800915003092\" target=\"_blank\">aqui<\/a>.<\/p>\n<h3>Crescer ou n\u00e3o crescer? Eis a quest\u00e3o<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Uma das teses debatidas no f\u00f3rum foi a do chamado crescimento zero. Resumidamente, a ideia \u00e9 a de que nos pa\u00edses onde a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 tem acesso garantido aos servi\u00e7os essenciais -sa\u00fade, habita\u00e7\u00e3o, transporte, cultura, etc &#8211; e condi\u00e7\u00f5es adequadas de conforto material, a economia n\u00e3o necessita de mais crescimento. Deste modo, tais pa\u00edses poderiam se empenhar a dedicar recursos no aux\u00edlio dos pa\u00edses que, por outro lado, n\u00e3o possuem servi\u00e7os b\u00e1sicos e condi\u00e7\u00f5es materiais garantidas, propiciando que se desenvolvam de uma <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2017\/01\/26\/ecovilas-o-que-sao-e-o-que-nao-sao\/\" target=\"_blank\">maneira sustent\u00e1vel<\/a> &#8211; social e ecologicamente. N\u00e3o \u00e9 preciso dizer que tal planejamento ainda est\u00e1 longe de ser efetivado, mas a macroeconomia ecol\u00f3gica poderia utiliz\u00e1-lo como um norte.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">A denomina\u00e7\u00e3o \u201ccrescimento zero\u201d atribu\u00edda a esta proposta \u2013 que j\u00e1 vem sendo discutida em diversos pa\u00edses \u2013 pode n\u00e3o ser a mais adequada para descrever o que realmente advoga, no entanto. Essa parece ser a opini\u00e3o de um dos especialistas constantes do debate, o Prof. Jos\u00e9 Eli da Veiga, da USP, refer\u00eancia mundial no tema da economia sustent\u00e1vel. Segundo ele, dever\u00edamos tratar de \u201cvaria\u00e7\u00e3o zero no PIB\u201d dos pa\u00edses desenvolvidos, por\u00e9m n\u00e3o de uma aus\u00eancia da atividade econ\u00f4mica e produ\u00e7\u00e3o de bens \u2013 o que levaria ao decr\u00e9scimo dos indicadores e n\u00e3o \u00e0 estabiliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">O tamanho do problema<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Num outro momento importante, o Prof. Luiz Marques, da Unicamp, apresentou muitos dos dados que compilou em seu livro <em>Capitalismo e Colapso Ambiental<\/em> (Ed. Unicamp, 2015) no intuito de tra\u00e7ar um panorama de qual seria a real <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2016\/08\/25\/colapso-antropocentrico\/#comment-48\" target=\"_blank\">situa\u00e7\u00e3o ambiental<\/a> que enfrentamos a n\u00edvel mundial. Aquecimento global, polui\u00e7\u00e3o e perda de florestas e biodiversidade foram alguns dos mais s\u00e9rios <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2016\/12\/14\/alem-aquecimento-global\/\" target=\"_blank\">problemas<\/a> levantados.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Do debate que se seguiu, duas quest\u00f5es, no entanto, parecem ter ficado sem resposta \u2013 n\u00e3o por falta de inten\u00e7\u00e3o, mas pela real complexidade que ensejam:<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Quanto tempo temos para reverter o panorama de degrada\u00e7\u00e3o ambiental e evitar um colapso?<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Para a humanidade conseguir alcan\u00e7ar de fato o desenvolvimento sustent\u00e1vel \u2013 com equil\u00edbrio do trip\u00e9 econ\u00f4mico, ambiental e social \u2013 ser\u00e1 necess\u00e1rio acabar com o capitalismo ou transform\u00e1-lo, adequando-o \u00e0 uma nova realidade?<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Fato \u00e9 que uma mudan\u00e7a ampla de consci\u00eancia a n\u00edvel mundial se faz necess\u00e1ria no que diz respeito a rever os n\u00edveis de consumo e proteger o ambiente. O quanto isso \u00e9 fact\u00edvel, \u00e9 dif\u00edcil precisar. A conclus\u00e3o do evento parece ter sido, muito embora, que outro caminho talvez n\u00e3o haja.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Cr\u00e9dito da imagem de capa: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/swan-scot\/1858954924\/in\/photolist-3QgCwY-4T6YBQ-T9CK8C-4T2Hog-eBVLYH-67cm18-5jKXxC-TbVF8a-TbVJpa-RxtoNN-TbVMig-SX6JEG-TbVJ1z-hEaqBC-hykTSn-hEbtzM-7W7dNM-hEaqAA-aKUdkX-7W7ddX-hEbtyK-hEaqqf-nVj5Zd-hEa56M-gdmL3y-oiztMJ-h9Ps4h-a1PK1J-8Kkq4y-gd8LsX-ppfmJU-hEaNvA-nXy7h2-hEaP6U-aKCgtT-bpiWFt-TbVDqc-67ckJF-dysEnv-67cjWn-oiJq77-fRSWMS-4yXAWQ-67gyTQ-oiztuj-9Ume2g-e8vDrG-5Zn9jy-aNr7gc-bqRoJM\" target=\"_blank\">Sheila<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Os impactos ambientais das atividades humanas sempre existiram. 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