{"id":270,"date":"2017-06-09T19:36:22","date_gmt":"2017-06-09T22:36:22","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/?p=270"},"modified":"2017-06-23T19:32:37","modified_gmt":"2017-06-23T22:32:37","slug":"alimentando-a-violencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2017\/06\/09\/alimentando-a-violencia\/","title":{"rendered":"Alimentando a viol\u00eancia -1\/2"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">A viol\u00eancia \u00e9 sem d\u00favida um problema disseminado em diversas sociedades, incluindo &#8211; n\u00e3o \u00e9 preciso dizer &#8211; a brasileira. O porqu\u00ea dos comportamentos violentos existirem e estarem, em muitos lugares, fora de controle \u00e9 tema para pesquisas nas mais diversas \u00e1reas: sociologia, psicologia, criminal\u00edstica, psiquiatria, pedagogia entre outras. Parece ser cada vez mais consenso que entender o que est\u00e1 por tr\u00e1s da viol\u00eancia e propor estrat\u00e9gias para minimiz\u00e1-la \u00e9 uma quest\u00e3o multidisciplinar e exige m\u00faltiplas abordagens. N\u00e3o \u00e9 tarefa f\u00e1cil.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">H\u00e1, no entanto, um campo cient\u00edfico que \u00e9 frequentemente ignorado pelas discuss\u00f5es que envolvem o tema, mas que come\u00e7a a ser, cada vez mais, reconhecido: a nutri\u00e7\u00e3o. Se a viol\u00eancia pode estar relacionada a fatores sociais, problemas psicol\u00f3gicos\/psiqui\u00e1tricos ou \u2013 n\u00e3o se pode desconsiderar \u2013 interfer\u00eancia dos genes, qual seria a influ\u00eancia da alimenta\u00e7\u00e3o no comportamento humano violento?<\/p>\n<h3 class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Voc\u00ea \u00e9 o que voc\u00ea come<\/h3>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">A frase do grego Hip\u00f3crates, apesar de clich\u00ea, n\u00e3o poderia estar mais correta. Todas as fun\u00e7\u00f5es que nosso organismo realiza s\u00e3o diretamente dependentes dos diferentes nutrientes que absorvemos daquilo que comemos. Por que, ent\u00e3o, deveria ser diferente com as fun\u00e7\u00f5es cerebrais que, de um modo ou de outro, influenciam nosso comportamento, pensamento e sentimentos? N\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 diferente; a qualidade e quantidade dos alimentos presentes em nossa alimenta\u00e7\u00e3o ajudam a definir &#8211; como mostram diversas <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?pid=S0100-879X1998001200002&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=pt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">pesquisas<\/a> &#8211; caracter\u00edsticas de nossa personalidade e comportamento. Quando consumimos alguns nutrientes em demasia em detrimento de outros, esse desbalan\u00e7o pode-se fazer sentir no modo como agimos; tanto a n\u00edvel individual quanto de sociedade.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Um <a href=\"http:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0091743509002643\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">trabalho<\/a> de 2009, utilizando dados de mais de 1300 adolescentes australianos, mostrou que os indiv\u00edduos que estavam submetidos a uma dieta rica em a\u00e7\u00facar, carne vermelha, alimentos industrializados e <i>fast-food<\/i> tendiam a apresentar mais problemas comportamentais, como agress\u00e3o e epis\u00f3dios de delinqu\u00eancia, que outros cujas dietas eram mais saud\u00e1veis, contemplando frutas, verduras, etc. Os resultados indicam, nas palavras dos autores, que &#8220;os dados comportamentais est\u00e3o relacionados aos padr\u00f5es diet\u00e9ticos&#8221; da popula\u00e7\u00e3o avaliada.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">Outros trabalhos, indo ainda mais longe, dizem que o que comemos desde que nascemos \u2013 ou ainda antes \u2013 tem a capacidade de influenciar nossos padr\u00f5es comportamentais por muitos anos depois. Como mostraram o pesquisador J. Liu e seus colaboradores em <a href=\"http:\/\/ajp.psychiatryonline.org\/doi\/full\/10.1176\/appi.ajp.161.11.2005\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/a> de 2015, a aus\u00eancia de nutrientes importantes ainda na primeira inf\u00e2ncia pode ocasionar problemas comportamentais e desordens psicol\u00f3gicas que perduram por toda inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia; agressividade, hiperatividade e dist\u00farbios de comportamento foram detectados. Um outro experimento, utilizando animais, mostrou que f\u00eameas de ratos prenhas que recebiam dietas pobres em certos nutrientes importantes durante a gesta\u00e7\u00e3o, tendiam a gerar filhotes muito mais agressivos do que as que recebiam alimenta\u00e7\u00e3o equilibrada. Ou seja, guardadas as devidas ressalvas quanto \u00e0 extrapola\u00e7\u00e3o destes dados para seres humanos, \u00e9 prov\u00e1vel que o que as mulheres comam durante a gravidez ajude a determinar um futuro temperamento agressivo e\/ou violento dos filhos.<\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">&#8211; \u00a0<em>Ah, t\u00e1 certo! Mas essa influ\u00eancia da m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o em nosso comportamento n\u00e3o quer dizer que haver\u00e1 mais crimes por causa disso. N\u00e3o \u00e9?<\/em><\/p>\n<p class=\"western\" align=\"JUSTIFY\">\u00c9 a\u00ed que entra um outro estudo bastante interessante &#8211; e impactante. Um <a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007%2Fs11745-004-1349-5?LI=true\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo<\/a> publicado na revista <i>Lipids<\/i>, em 2004, correlacionou as taxas de homic\u00eddios durante 40 anos (1961-2000) em 5 pa\u00edses com o consumo de \u00f3leo refinado (n\u00e3o \u00f4mega-3) derivado de gr\u00e3os nessas na\u00e7\u00f5es. Os resultados mostraram que o aumento do consumo dos \u00f3leos foi acompanhado pelo do n\u00famero de homic\u00eddios. Ou seja, sociedades que, hoje, consomem muita gordura vinda de frituras, produtos ultra-processados, etc, apresentaram maior risco de mortes por assassinato do que antes, quando o consumo era menor. Apesar de n\u00e3o ser, ainda, conclusivo, o trabalho sugere poder haver uma rela\u00e7\u00e3o entre os dois fatores que n\u00e3o deve ser ignorada.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\">Na <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2017\/06\/23\/alimentando-violencia-22\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">parte II<\/a> vamos ver mais sobre como a alimenta\u00e7\u00e3o deficiente pode estar relacionada \u00e0 viol\u00eancia; e como as pesquisas podem nos ajudar a combater o problema.<\/p>\n<p align=\"JUSTIFY\"><em>Cr\u00e9dito imagem de capa: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/nebarnix\/5443768310\/in\/photolist-9i3JEj-qPyxQC-6EvMcP-9sd9nH-auZrDK-b77MPa-7uCpfq-67DFPP-a4dc7W-RhCVt3-pbCZTN-duWq1U-b4QZCc-fL5WB5-UpKEBS-brzmnF-hTBNEJ-bGrXEp-STZy1p-dLe4Lf-potNBn-pkrzpi-bxaeWy-ctcoyQ-bjMaKF-5n49LF-gqrjV6-6u5pj-cvnwRw-dy1oz4-8yuhrp-UHxedp-Uepb2f-q5tKzY-7zhxL9-btx8FL-54qVyh-pVYoLE-pmeCbB-eeradx-6G6LqQ-eSUc1w-943rbP-fz3ixh-r3XN8z-9buN9p-abU2Wc-j8dS1K-7gtx2H-dAUPMK\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jasper Nance<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>A viol\u00eancia \u00e9 sem d\u00favida um problema disseminado em diversas sociedades, incluindo &#8211; n\u00e3o \u00e9 preciso dizer &#8211; a brasileira. O porqu\u00ea dos comportamentos violentos <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2017\/06\/09\/alimentando-a-violencia\/\" title=\"Alimentando a viol\u00eancia -1\/2\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":130,"featured_media":271,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[2,33],"tags":[8,31,32,59],"class_list":["post-270","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentos","category-nutricao","tag-alimentos","tag-nutricao","tag-saude","tag-violencia"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-content\/uploads\/sites\/95\/2017\/06\/5443768310_c872a7cf84_z.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/270","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/130"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=270"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/270\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":285,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/270\/revisions\/285"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/271"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=270"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=270"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=270"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}