{"id":340,"date":"2018-07-26T21:47:24","date_gmt":"2018-07-27T00:47:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/?p=340"},"modified":"2018-07-26T21:57:49","modified_gmt":"2018-07-27T00:57:49","slug":"mundo-interior-microbiota","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2018\/07\/26\/mundo-interior-microbiota\/","title":{"rendered":"Um mundo em cada um"},"content":{"rendered":"<p class=\"western\">Microbiota \u00e9 uma palavra muito em alta atualmente entre os cientistas. No entanto, boa parte da popula\u00e7\u00e3o nunca, ou quase nunca, ouviu falar dela.<\/p>\n<p class=\"western\">Apesar de n\u00e3o muito comentada fora dos c\u00edrculos acad\u00eamicos, a microbiota (ou microbioma) \u00e9 algo que tem uma influ\u00eancia t\u00e3o grande sobre n\u00f3s que n\u00e3o ser\u00edamos quem somos se n\u00e3o fosse por ela.<\/p>\n<p class=\"western\">Mas afinal, quem \u00e9 ela?<\/p>\n<p class=\"western\">Microbiota \u00e9 o nome dado a um conjunto de micro-organismos que habitam determinado ambiente e estabelecem rela\u00e7\u00f5es entre si e com este ambiente. E \u2013 adivinha! &#8212; voc\u00ea, ser humano, \u00e9 um ambiente perfeito para muitos micro-organismos viverem. Por isso, nosso corpo abriga uma microbiota pr\u00f3pria, que chamamos de microbiota humana.<\/p>\n<p class=\"western\">Nossa microbiota \u00e9 algo t\u00e3o expressivo, que podemos dizer que somos tanto humano quanto bact\u00e9ria!<\/p>\n<h3 class=\"western\">Eu n\u00e3o sou eu?<\/h3>\n<p class=\"western\">Voc\u00ea n\u00e3o \u00e9 <em>apenas<\/em> voc\u00ea.<\/p>\n<p class=\"western\">No <a href=\"http:\/\/www.esextante.com.br\/livros\/10-humano\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">livro<\/a> <em>10% Humano<\/em>, a escritora brit\u00e2nica Alanna Collen defende essa ideia. Baseando-se em estudos cient\u00edficos, ela nos explica que o n\u00famero total de c\u00e9lulas de micro-organismos em nosso organismo \u00e9 maior do que o n\u00famero de c\u00e9lulas humanas propriamente ditas (na verdade, equivalente: <a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosbiology\/article?id=10.1371\/journal.pbio.1002533#sec016\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">estudos<\/a> mais recentes mostram que o t\u00edtulo do livro est\u00e1 superestimado \u2013 melhor seria 50% humano).<\/p>\n<p class=\"western\">Eles est\u00e3o por toda parte, em nossa pele, boca, sangue, \u00f3rg\u00e3os genitais (sobretudo na vagina) e, principalmente, em nossos intestinos.<\/p>\n<p class=\"western\">Resumindo, n\u00f3s somos a \u201csoma\u201d de nossas pr\u00f3prias c\u00e9lulas e dos trilh\u00f5es de c\u00e9lulas de bact\u00e9rias (e, em menor n\u00famero, <a href=\"http:\/\/journals.plos.org\/plosone\/article?id=10.1371\/journal.pone.0066019\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">fungos, arqueias<\/a> e protistas) que escolheram morar em nosso corpo.<\/p>\n<h3 class=\"western\">As belezas do interior<\/h3>\n<p class=\"western\">A no\u00e7\u00e3o de que bact\u00e9rias e micro-organismos em geral s\u00e3o algo mau \u00e9 equivocada. Elas podem ser boas ou m\u00e1s para nossa sa\u00fade dependendo da esp\u00e9cie e do tamanho de sua popula\u00e7\u00e3o. A presen\u00e7a das bact\u00e9rias \u201ccertas\u201d em nosso corpo \u00e9 essencial, pois nos possibilita diversas fun\u00e7\u00f5es essenciais, como produ\u00e7\u00e3o de vitaminas, quebra de nutrientes e estimula\u00e7\u00e3o do sistema imunol\u00f3gico, entre outras. Os meios pelos quais elas fazem isso s\u00e3o alvo de amplo estudo e podem ser lidos detalhadamente no livro de Collen.<\/p>\n<p class=\"western\">Por outro lado, se os seres microsc\u00f3picos que nos habitam forem de tipos \u201cerrados\u201d ou sua popula\u00e7\u00e3o estiver em maior n\u00famero do que deveria, podemos ter problemas de sa\u00fade. Al\u00e9m da presen\u00e7a ou aus\u00eancia, o\u00a0equil\u00edbrio entre diferentes tipos de micro-organismos \u00e9 o que faz a diferen\u00e7a em nossa sa\u00fade.<\/p>\n<p class=\"western\">O ponto central do livro, no entanto, \u00e9 explicar que n\u00e3o somos s\u00f3 uma casa que os micro-organismos usam. N\u00f3s, de fato, somos em grande parte moldados pela nossa comunidade microbiana. Se vamos ou n\u00e3o desenvolver <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC4674907\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">alergias<\/a>, <a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC5082693\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">obesidade<\/a>, doen\u00e7as intestinas e outras enfermidades pode depender imensamente das condi\u00e7\u00f5es da nossa microbiota. Inclusive, sugere a autora, seus <a href=\"http:\/\/www.comciencia.br\/microbiota-intestinal-influencia-o-comportamento\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">tra\u00e7os psicol\u00f3gicos<\/a> podem ser influenciados pelas criaturas microsc\u00f3picas que est\u00e3o a\u00ed dentro de voc\u00ea neste momento.<\/p>\n<h3>Uma fonte de conhecimento<\/h3>\n<p>A magnitude da import\u00e2ncia da nossa microbiota \u00e9 o que tem atra\u00eddo tanto o olhar dos cientistas, a ponto de existir, desde 2008, o <a href=\"https:\/\/hmpdacc.org\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Projeto Microbioma Humano<\/a> &#8211; compar\u00e1vel em relev\u00e2ncia ao bem mais famoso Projeto Genoma Humano. O projeto visa, entre outras coisas, identificar quais s\u00e3o os componentes da microbiota dos seres humanos e o que diferencia uma &#8220;microbiota saud\u00e1vel&#8221; de uma &#8220;n\u00e3o-saud\u00e1vel&#8221;, para, a partir da\u00ed, propor estrat\u00e9gias para combater diversas doen\u00e7as.<\/p>\n<p>Apesar de ainda ter muito caminho pela frente, estes estudos t\u00eam dado dicas valiosas sobre como nossa comunidade interior de micr\u00f3bios se forma e como podemos &#8220;melhor\u00e1-la&#8221;, se necess\u00e1rio.<\/p>\n<p class=\"western\">Ent\u00e3o, o que fazer para que os micro-organismos \u201cbonzinhos\u201d venham morar em n\u00f3s e para manter a popula\u00e7\u00e3o deles equilibrada?<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o tema da segunda parte desse texto! At\u00e9 l\u00e1!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Cr\u00e9dito da imagem de capa: <a href=\"https:\/\/www.flickr.com\/photos\/niaid\/16598492368\/in\/photolist-rhKBuU-c9uWe5-j3FQJf-fsWEQg-9Zcz7Y-dYBMYW-4ZbANn-nSfRQh-aiWTJt-9pante-d6nF3E-3jZieh-5u6X9G-mn51B-dPVRYG-o8ma2j-9g7M5-cUNkGA-cUJvk5-5CwEnP-7KW31b-cDPQ69-dRaBMt-artW8z-d6nEk1-5f4rir-aiZFvj-5XKEFZ-b1CU3x-63xSa-aiWSCP-aiZG1q-aiZFCb-aiZFQs-d6nGCb-87vv3w-d6nJnY-dpBr3D-d6nCom-d6nGiu-gxWyER-ajC7ZP-4RXZfV-fentcu-5LtioL-fe8cav-bViwxs-8g4yc1-iKNqt-5xqDDt\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">NIAID<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<div class=\"mh-excerpt\"><p>Microbiota \u00e9 uma palavra muito em alta atualmente entre os cientistas. No entanto, boa parte da popula\u00e7\u00e3o nunca, ou quase nunca, ouviu falar dela. Apesar <a class=\"mh-excerpt-more\" href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/2018\/07\/26\/mundo-interior-microbiota\/\" title=\"Um mundo em cada um\">[&#8230;]<\/a><\/p>\n<\/div>","protected":false},"author":130,"featured_media":344,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[2,39,68,33,11],"tags":[25,56,4,67,66,31],"class_list":["post-340","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-alimentos","category-ecologia","category-microbiologia","category-nutricao","category-sugestoes-de-leitura","tag-alimentacao","tag-bacterias","tag-fungos","tag-micro-organismos","tag-microbiota","tag-nutricao"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/users\/130"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=340"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":347,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/340\/revisions\/347"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/media\/344"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=340"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=340"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaemsi\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=340"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}