{"id":1101,"date":"2026-01-12T14:56:52","date_gmt":"2026-01-12T17:56:52","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/?p=1101"},"modified":"2026-01-12T18:38:17","modified_gmt":"2026-01-12T21:38:17","slug":"cop30-experiencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/2026\/01\/12\/cop30-experiencia\/","title":{"rendered":"COP 30: ci\u00eancia, pol\u00edtica e experi\u00eancia."},"content":{"rendered":"\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">No dia 10 de novembro de 2025, iniciou-se a COP 30 no Brasil. COP \u00e9 a sigla para Confer\u00eancia das Partes (<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Conference of the Parties<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">).<\/span> Existem tr\u00eas COP principais: uma sobre biodiversidade, uma sobre desertifica\u00e7\u00e3o e uma sobre mudan\u00e7a do clima. \u00c9 esta \u00faltima que trato neste texto e que teve grande repercuss\u00e3o jornal\u00edstica no \u00faltimo ano.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">O \u00f3rg\u00e3o que organiza as reuni\u00f5es sobre mudan\u00e7a do clima \u00e9 a Conven\u00e7\u00e3o-Quadro das Na\u00e7\u00f5es Unidas sobre Mudan\u00e7a do Clima (UNFCCC). <\/span>Como sugere a pr\u00f3pria denomina\u00e7\u00e3o \u201cCOP 30\u201d, o evento j\u00e1 teve at\u00e9 o momento 30 edi\u00e7\u00f5es, desde 1995, quando ocorreu pela primeira vez em Berlim.<\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">A import\u00e2ncia da confer\u00eancia<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">As COP s\u00e3o importantes porque \u00e9 nelas que os pa\u00edses negociam metas, responsabilidades e recursos frente \u00e0 crise clim\u00e1tica. Desde compromissos de redu\u00e7\u00e3o de emiss\u00f5es, at\u00e9 financiamento para adapta\u00e7\u00e3o, perdas e danos e coopera\u00e7\u00e3o internacional. Mas elas s\u00e3o importantes tamb\u00e9m por algo menos mensur\u00e1vel e igualmente decisivo: pelo que produzem simbolicamente. <\/span>Durante alguns dias, a crise clim\u00e1tica deixa de ser apenas um problema t\u00e9cnico, distante ou abstrato e ocupa o centro da cena pol\u00edtica global. Chefes de Estado, diplomatas, cientistas, organiza\u00e7\u00f5es da sociedade civil, povos ind\u00edgenas, ativistas e jornalistas se deslocam para um mesmo lugar, f\u00edsica e simbolicamente, reconhecendo (ainda que de forma desigual e por vezes contradit\u00f3ria) a exist\u00eancia de um problema comum que exige resposta coletiva.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Esse movimento n\u00e3o resolve a crise, n\u00e3o garante justi\u00e7a clim\u00e1tica nem assegura o cumprimento das promessas. Mas torna vis\u00edvel um campo de disputas em torno do clima, no qual diferentes projetos de mundo, interesses econ\u00f4micos, saberes cient\u00edficos, reivindica\u00e7\u00f5es pol\u00edticas e formas de vida entram em confronto.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A COP \u00e9, assim, ao mesmo tempo um espa\u00e7o de negocia\u00e7\u00e3o concreta e um ritual pol\u00edtico global. Nela se encena a ideia de que a humanidade \u00e9 capaz  (ou ao menos tenta se convencer disso) de agir conjuntamente diante de uma amea\u00e7a que ultrapassa fronteiras nacionais, gera\u00e7\u00f5es e territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar disso tudo, s\u00f3 fui conhecer esse evento h\u00e1 cerca de tr\u00eas anos, mesmo sendo formada em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela UNICAMP. Imagino, portanto, que pessoas de fora da \u00e1rea pouco ou quase nada tenham ouvido falar dessas reuni\u00f5es. Ainda assim, no \u00faltimo ano houve um grande movimento de discuss\u00e3o em torno da COP que ocorreu no Brasil, tanto pelas altas taxas de di\u00e1rias em Bel\u00e9m durante o per\u00edodo da confer\u00eancia quanto pelas contradi\u00e7\u00f5es do cen\u00e1rio pol\u00edtico interno brasileiro e pela presen\u00e7a internacional que o evento mobiliza.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Uma bi\u00f3loga na COP 30<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No ano passado, tive a oportunidade de participar da COP 30 em Bel\u00e9m como representante do Blogs de Ci\u00eancia da Unicamp. Realizei a cobertura do evento em tempo real. <span style=\"font-weight: 400\">Entrei no site da UNFCCC e me inscrevi como imprensa para cobrir o evento. <\/span>Minha inscri\u00e7\u00e3o foi aceita nos \u201c45 do segundo tempo\u201d. Com medo, surpresa e as passagens compradas h\u00e1 semanas, num ato de confian\u00e7a, fui at\u00e9 esse grande evento. <span style=\"font-weight: 400\">Os v\u00eddeos, as fotos e os relatos produzidos podem ser encontrados na p\u00e1gina do <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/blogsunicamp\/\" data-type=\"link\" data-id=\"https:\/\/www.instagram.com\/blogsunicamp\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Instagram do Blogs<\/a> .<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">A COP 30 teve grande repercuss\u00e3o na m\u00eddia brasileira. <\/span>Os corredores da zona azul da confer\u00eancia estavam repletos de pessoas com c\u00e2meras, microfones e gravadores. Elas realizavam entrevistas, produziam relatos e se comunicavam com a imprensa do mundo todo.<span style=\"font-weight: 400\"> Assim, o intuito aqui n\u00e3o \u00e9 trazer nenhum furo de reportagem, nenhuma informa\u00e7\u00e3o nova ou ultrassecreta (ainda mais quase dois meses depois do evento)<\/span>.<span style=\"font-weight: 400\"> <\/span>\u00c9, sim, <span>compartilhar reflex\u00f5es e estudos de uma bi\u00f3loga que ama escrever e que se aventurou, pela primeira vez, em um evento desse porte como jornalista cient\u00edfica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Um olhar situado<\/h4>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 importante ressaltar que, para realizar a cobertura jornal\u00edstica para o blog, me inspirei em ferramentas da etnografia. Ou seja, busquei nos estudos metodol\u00f3gicos da antropologia, a organiza\u00e7\u00e3o para um exerc\u00edcio de observa\u00e7\u00e3o atenta, registro e reflex\u00e3o situada sobre pr\u00e1ticas, discursos e intera\u00e7\u00f5es. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Uma pr\u00e1tica de campo que articulou meus conhecimentos como bi\u00f3loga que est\u00e1 atuando no campo da comunica\u00e7\u00e3o cient\u00edfica e \u00e9 pesquisadora de doutorado.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Nas pr\u00f3ximas semanas trarei reflex\u00f5es que se esparramam no meu caderno de campo (o qual escrevi com voracidade). Mas tamb\u00e9m de conversas, entrevistas, registros fotogr\u00e1ficos e v\u00eddeos produzidos ao longo dos dias intensos na COP. Todos esses registros partem da minha bagagem pessoal e formativa\u2026 Como mulher, filha de paraguaios, artista, bi\u00f3loga, mestre, doutoranda e, agora, jornalista cient\u00edfica.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\"><mark style=\"background-color:#2a2160\" class=\"has-inline-color has-secondary-color\">Este texto focar\u00e1 na experi\u00eancia em si, nas observa\u00e7\u00f5es feitas nos corredores e no espiar das conversas e intera\u00e7\u00f5es.<\/mark><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m disso, ao escrever agora estes textos, o olhar anal\u00edtico que os orienta est\u00e1 maturado (e tamb\u00e9m saturado) pela sequ\u00eancia de eventos que ocorreram ap\u00f3s a COP 30 no cen\u00e1rio da pol\u00edtica brasileira e internacional. Para compreender melhor meus pontos de vista, convido quem l\u00ea a acessar tamb\u00e9m os seguintes textos j\u00e1 publicados neste blog: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/2025\/07\/31\/meio-ambiente-e-conceito\/\">Meio Ambiente \u00e9 conceito!<\/a> e <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/2025\/10\/09\/do-palco-internacional-ao-congresso-nacional-o-desafio-da-politica-ambiental-brasileira\/\">Do palco internacional ao Congresso nacional: o desafio da pol\u00edtica ambiental brasileira<\/a>.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">A experi\u00eancia&nbsp;<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Neste momento quero falar da experi\u00eancia da participa\u00e7\u00e3o da COP 30. N\u00e3o apenas como um experimento, ou fonte de informa\u00e7\u00e3o. Mas, sim, uma rela\u00e7\u00e3o, um momento de atravessamento de afetos. Segundo Larrosa (2002),&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\">A palavra experi\u00eancia tem o ex de exterior, de estrangeiro,de ex\u00edlio, de estranho e tamb\u00e9m o <em>ex<\/em> de exist\u00eancia. A experi\u00eancia \u00e9 a passagem da exist\u00eancia, a passagem de um ser que n\u00e3o tem ess\u00eancia ou raz\u00e3o ou fundamento, mas que simplesmente \u201c<em>ex<\/em>-iste\u201d de uma forma sempre singular, finita, imanente, contingente. Em alem\u00e3o, experi\u00eancia \u00e9<em> Erfahrung<\/em>, que cont\u00e9m o <em>fahren<\/em> de viajar. E do antigo alto-alem\u00e3o <em>fara<\/em> tamb\u00e9m deriva <em>Gefahr<\/em>, perigo, e <em>gef\u00e4hrden<\/em>, p\u00f4r em perigo. Tanto nas l\u00ednguas germ\u00e2nicas como nas latinas, a palavra experi\u00eancia cont\u00e9m inseparavelmente a dimens\u00e3o de travessia e perigo. (Larrosa, 2002, p.25)<\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c9 interessante pois em muitos momentos me senti ali como uma estrangeira, uma bi\u00f3loga se aventurando como jornalista de campo pela primeira vez. As primeiras vezes carregam significativamente a ideia de experi\u00eancia, o padecer a algo desconhecido. <\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">E foi justamente nesse lugar que minhas reflex\u00f5es se tornaram significativas\u2026 N\u00e3o por sua grande import\u00e2ncia em si, mas por carregarem os sentidos pr\u00f3prios de uma primeira vez. N\u00e3o por trazerem mais informa\u00e7\u00f5es do que outros canais de m\u00eddia, nem por apresentarem mais conhecimentos (n\u00e3o tenho essa ilus\u00e3o), mas pela pr\u00f3pria posi\u00e7\u00e3o e pelo olhar de uma pesquisadora que observa tudo com curiosidade, e n\u00e3o apenas no autom\u00e1tico.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><b><mark style=\"background-color:#2a2160\" class=\"has-inline-color has-secondary-color\">Um olhar que se deixa afetar, que se deixa deslocar, e que, por isso mesmo, talvez consiga ver coisas que passam despercebidas quando tudo j\u00e1 se tornou rotina.<\/mark><\/b><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Ser\u00e1 que todos v\u00e3o pelo clima?<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">No dia 17 de novembro de 2025, j\u00e1 na segunda semana da COP 30, comecei a me perguntar quem, afinal, estava participando daquele evento e se todos estavam ali pelo clima e pelo meio ambiente. <a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-11\/em-protesto-pacifico-indigenas-munduruku-cobram-participacao-na-cop30\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Essa reflex\u00e3o surgiu a partir do que havia acontecido alguns dias antes, em 14 de novembro, quando ind\u00edgenas Munduruku realizaram uma manifesta\u00e7\u00e3o nos port\u00f5es da Zona Azul da confer\u00eancia.<\/a><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">A manifesta\u00e7\u00e3o teve como objetivo reivindicar a presen\u00e7a dos povos ind\u00edgenas nos espa\u00e7os onde as decis\u00f5es sobre o clima s\u00e3o tomadas. Tamb\u00e9m buscava abrir um canal direto de di\u00e1logo com o presidente Lula, que naquele momento n\u00e3o estava presente em Bel\u00e9m. O protesto foi coletivo, articulado com outros povos e apoiadores, e aconteceu de forma pac\u00edfica: cerca de 90 pessoas formaram um cord\u00e3o humano que impediu temporariamente a entrada na Zona Azul (espa\u00e7o onde ocorriam as negocia\u00e7\u00f5es oficiais da confer\u00eancia). Ainda assim, o gesto carregava uma cr\u00edtica forte: a de que, mesmo sendo diretamente afetados pela crise clim\u00e1tica e pelas pol\u00edticas ambientais, os povos ind\u00edgenas continuam tendo pouca voz efetiva nos espa\u00e7os formais de negocia\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar do car\u00e1ter pac\u00edfico do protesto, houve forte rea\u00e7\u00e3o institucional. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/reel\/DRCZwRQkQij\/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=MzRlODBiNWFlZA==\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ao chegar ao local, um grande n\u00famero de militares e viaturas policiais se posicionou diante do cord\u00e3o humano.<\/a> A imagem de corpos ind\u00edgenas bloqueando o acesso \u00e0 confer\u00eancia e, diante deles, policiais militares, tornou vis\u00edvel uma assimetria no debate ambiental: quem pode falar, quem pode circular, quem pode decidir e quem precisa interromper o fluxo para ser notado.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Muitas an\u00e1lises poderiam ser feitas a partir desse epis\u00f3dio, como a aus\u00eancia sistem\u00e1tica de representantes ind\u00edgenas da Amaz\u00f4nia nas principais mesas de negocia\u00e7\u00e3o clim\u00e1tica. Mas naquele dia uma pergunta me atravessou de modo mais forte: ser\u00e1 que todos estavam ali, de fato, pela quest\u00e3o do clima?<\/span><\/p>\n\n\n\n<h3 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Quanto vale um registro ?<\/span><\/h3>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Essa d\u00favida se intensificou ao observar o movimento de fot\u00f3grafos em busca do melhor enquadramento, do \u201cregistro do dia\u201d, pouco importando em quem esbarravam ou o que precisavam atravessar para conseguir a imagem desejada. Lembrei, por exemplo, da fotografia amplamente divulgada do presidente da COP30 segurando uma crian\u00e7a Munduruku no colo <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DRDrxxTDsmv\/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">(<\/a><\/span><b><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/p\/DRDrxxTDsmv\/?utm_source=ig_web_copy_link&amp;igsh=NTc4MTIwNjQ2YQ==\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">a foto da COP 30)<\/a><\/b><span style=\"font-weight: 400\">. Mas me perguntei: em que contexto aquela cena foi produzida? O que aconteceu antes e depois do clique? Quem foi deslocado para que aquela imagem pudesse existir?<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Estar na COP era como entrar em uma sala que continha o mundo inteiro. Pessoas de todos os lugares, com diferentes roupas, idiomas, gestos, ritmos, objetivos. \u00c0s vezes isso produzia uma sensa\u00e7\u00e3o de integra\u00e7\u00e3o global. Mas, na pr\u00e1tica, o que se via era uma<strong> coexist\u00eancia de interesses muito distintos<\/strong>. Havia quem buscasse o melhor registro, quem buscasse a fala exclusiva de uma autoridade nos corredores, quem negociasse acordos em nome de Estados e empresas, quem tentasse garantir recursos naturais para sua na\u00e7\u00e3o&nbsp; e havia tamb\u00e9m quem simplesmente tentasse existir ali como sujeito pol\u00edtico, fazendo-se ouvir por meio de manifesta\u00e7\u00f5es, cantos e cartazes.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Como discuto no texto <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">\u201cMeio ambiente \u00e9 conceito!\u201d<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, o meio ambiente n\u00e3o \u00e9 apenas uma realidade natural, mas um construto social: uma forma hist\u00f3rica e cultural de nomear, organizar e se relacionar com o mundo. E, em um contexto de vozes cada vez mais plurais (amplificadas tamb\u00e9m pelas redes sociais) esse conceito entra em disputa. Ele \u00e9 tensionado, apropriado, redefinido.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">COP 30: um campo de colis\u00f5es<\/h4>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote eplus-wrapper is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p class=\" eplus-wrapper\"><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Na COP 30, isso se tornava vis\u00edvel a cada passo. <\/span>Para alguns, o meio ambiente aparecia como territ\u00f3rio a ser administrado; para outros, como estoque de recursos a ser garantido. Havia ainda quem o percebesse como condi\u00e7\u00e3o de exist\u00eancia, como vida, como casa. <span style=\"font-weight: 400\">E, para muitos, tamb\u00e9m como oportunidade,&nbsp; de visibilidade, de prest\u00edgio, de ascens\u00e3o profissional ou pol\u00edtica em torno de um tema que ganhou centralidade global.<\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\"><mark style=\"background-color:#2a2160\" class=\"has-inline-color has-secondary-color\"><strong>Talvez, ent\u00e3o, a pergunta n\u00e3o seja apenas se todos estavam ali \u201cpelo clima\u201d, mas pelo qu\u00ea exatamente cada um entendia quando dizia estar ali por ele. A COP n\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o de uma causa \u00fanica, mas um campo de disputas sobre o sentido do pr\u00f3prio clima, da pr\u00f3pria natureza, da pr\u00f3pria crise.<\/strong><\/mark><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\">Entre negocia\u00e7\u00f5es, protestos, imagens, discursos e sil\u00eancios, a COP se revela menos como um lugar de consenso e mais como um lugar onde diferentes mundos tentam, ao mesmo tempo, caber e muitas vezes colidem. E talvez seja justamente nessa colis\u00e3o que possamos enxergar com mais clareza n\u00e3o apenas a crise clim\u00e1tica em si, mas os modos profundamente desiguais com que tentamos govern\u00e1-la.<\/span><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\">Para saber Mais <\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><span style=\"font-weight: 400\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/2025\/10\/09\/do-palco-internacional-ao-congresso-nacional-o-desafio-da-politica-ambiental-brasileira\/\">Do palco internacional ao Congresso nacional: o desafio da pol\u00edtica ambiental brasileira<\/a><\/span><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/agenciabrasil.ebc.com.br\/direitos-humanos\/noticia\/2025-11\/em-protesto-pacifico-indigenas-munduruku-cobram-participacao-na-cop30\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Em protesto pac\u00edfico, ind\u00edgenas Munduruku cobram participa\u00e7\u00e3o na COP30<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">LARROSA, Jorge Bondia (2020).&nbsp;<a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-24782002000100003&amp;lng=en&amp;nrm=iso\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Notas sobre a experi\u00eancia e o saber de experi\u00eancia<\/a>,<strong>&nbsp;Rev Bras Educ,<\/strong>&nbsp; Rio de Janeiro,&nbsp; n19, p20-28.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciaepolitica\/2025\/07\/31\/meio-ambiente-e-conceito\/\">Meio Ambiente \u00e9 conceito!<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 10 de novembro de 2025, iniciou-se a COP 30 no Brasil. 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