{"id":1018,"date":"2018-11-05T01:17:57","date_gmt":"2018-11-05T03:17:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/?p=1018"},"modified":"2021-07-13T23:06:30","modified_gmt":"2021-07-14T02:06:30","slug":"apocalipse-zumbi","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2018\/11\/05\/apocalipse-zumbi\/","title":{"rendered":"Como sobreviver a um apocalipse zumbi?"},"content":{"rendered":"<h1>Quais fatores seriam determinantes para garantir a sobreviv\u00eancia da humanidade?<\/h1>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Os zumbis &#8211; ou mortos-vivos &#8211; fazem parte do imagin\u00e1rio popular e frequentemente protagonizam s\u00e9ries, filmes, jogos e livros.\u00a0Podemos defini-los, de forma simplificada, como\u00a0cad\u00e1veres reanimados que perambulam instintivamente atr\u00e1s de comida, sem nenhum livre-arb\u00edtrio ou personalidade.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1048\" aria-describedby=\"caption-attachment-1048\" style=\"width: 352px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1048\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/zombies_eat_brains____by_gabsteve-d5i1483.jpg\" alt=\"Zumbi da s\u00e9rie de TV &quot;The Walking Dead&quot;. Fotografia de Gene Page, da emissora AMC.\" width=\"352\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/zombies_eat_brains____by_gabsteve-d5i1483.jpg 2403w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/zombies_eat_brains____by_gabsteve-d5i1483-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/zombies_eat_brains____by_gabsteve-d5i1483-768x1151.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/zombies_eat_brains____by_gabsteve-d5i1483-684x1024.jpg 684w\" sizes=\"(max-width: 352px) 100vw, 352px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1048\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Zumbis da s\u00e9rie de TV &#8220;The Walking Dead&#8221;. Fotografia de Gene Page, da emissora AMC.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O diretor e roteirista George Romero, considerado o pai dos filmes de zumbi, retrata essas criaturas com uma apar\u00eancia de pele apodrecida, cheiro forte e ruim e vestimenta esfarrapada. Tamb\u00e9m \u00e9 comum que eles tenham partes do corpo faltantes, que d\u00e3o um ar ainda mais aterrorizador. Tudo isso \u00e9 reflexo da passagem de tempo, associada ao descuido do corpo e \u00e0 sua decomposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Estes zumbis de Romero &#8211; que tamb\u00e9m s\u00e3o presentes em v\u00e1rios outros filmes, jogos e livros &#8211; s\u00e3o mais lentos, possuem um caminhar mais cambaleante e n\u00e3o possuem nenhuma intelig\u00eancia ou tra\u00e7o de racionalidade.<\/p>\n<p>Dos anos 2000 em diante, talvez em decorr\u00eancia das novas capacidades b\u00e9licas, comunicacionais e de transporte do ser humano, vimos surgir nas telinhas zumbis mais \u00e1geis, fortes, letais e at\u00e9 inteligentes, sendo muito mais perigosos do que os antigos. Estes zumbis geralmente s\u00e3o frutos da infec\u00e7\u00e3o de um humano por uma doen\u00e7a (como no filme &#8220;Exterm\u00ednio&#8221;, de 2002, e na s\u00e9rie de jogos &#8220;Left 4 Dead&#8221;, lan\u00e7ada em 2008), e n\u00e3o cabem t\u00e3o bem na simples defini\u00e7\u00e3o de &#8220;cad\u00e1veres reanimados&#8221;.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1052\" aria-describedby=\"caption-attachment-1052\" style=\"width: 364px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-1052\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/toxo_brains.adapt_.1190.1.jpg\" alt=\"Cisto no c\u00e9rebro de um rato, contendo milhares de parasitas. Fotografia de Jitinder P. 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Dubey<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na natureza, temos diversos exemplos de parasitas que transformam seus hospedeiros em algo muito similar a um zumbi, sem qualquer livre-arb\u00edtrio. Um dos exemplos mais famosos \u00e9 o da toxoplasmose.<\/p>\n<p>Essa doen\u00e7a tem como hospedeiro definitivo o gato, mas tamb\u00e9m pode ser transmitida para o homem, causando diversos sintomas. Uma das formas do protozo\u00e1rio causador da doen\u00e7a (<em>Toxoplasma gondii<\/em>) chegar at\u00e9 o gato \u00e9 infectando animais menores, como ratos.<\/p>\n<p>Como mostram estudos, os roedores que t\u00eam seus c\u00e9rebros infectados por esses parasitas perdem completamente o medo de gatos (na verdade, eles at\u00e9 passam a se sentir atra\u00eddos por um ferom\u00f4nio da urina dos felinos). Isso faz com que os ratos tenham maior exposi\u00e7\u00e3o e, consequentemente, corram mais riscos de serem predados, transmitindo, assim, o protozo\u00e1rio para seu hospedeiro definitivo, onde ir\u00e1 se reproduzir.<\/p>\n<p>Devido a estes e outros paralelos entre zumbis e o mundo real, muitos pesquisadores &#8211; das mais diversas \u00e1reas &#8211; se dedicam a estudar esses seres da fantasia.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>E se ocorrer um apocalipse zumbi, vamos sobreviver?<\/h2>\n<p>Essa foi a pergunta que motivou uma pesquisa realizada no Departamento de F\u00edsica da Universidade Federal de Juiz de Fora.<\/p>\n<p><img decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1059\" title=\"zumbi\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/1_WDSS07uPZ07va3GlF99Qow.png\" alt=\"zumbi\" width=\"740\" height=\"247\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/1_WDSS07uPZ07va3GlF99Qow.png 1500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/1_WDSS07uPZ07va3GlF99Qow-300x100.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/1_WDSS07uPZ07va3GlF99Qow-768x256.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/1_WDSS07uPZ07va3GlF99Qow-1024x341.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 740px) 100vw, 740px\" \/><\/p>\n<p>Os pesquisadores criaram uma simula\u00e7\u00e3o computacional onde um zumbi \u00e9 colocado em uma pequena cidade. Na medida em que o tempo foi passando, esse zumbi foi convertendo algumas pessoas e matando outras, at\u00e9 que toda a popula\u00e7\u00e3o foi dizimada.\u00a0<span style=\"font-size: 1.0625rem\">Para tornar o cen\u00e1rio um pouco menos apocal\u00edptico, foram colocados tamb\u00e9m militares (que, naturalmente, tinham uma maior chance de sobreviver e matar os zumbis).\u00a0<\/span><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3>Intera\u00e7\u00f5es poss\u00edveis entre zumbis, civis e militares<\/h3>\n<p>A simula\u00e7\u00e3o computacional funciona, basicamente, fazendo esses tr\u00eas elementos interagirem (de forma proporcional \u00e0 quantidade em que eles existem na cidade).<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1.0625rem\">O zumbi escolhido para ser o primeiro a atacar a cidade \u00e9 um daqueles mais cl\u00e1ssicos (o zumbi lento que vive se arrastando atr\u00e1s de carne fresca). Ao encontrar um humano (civil ou militar) ele pode <strong>ser morto<\/strong>, <strong>matar<\/strong> ou <strong>transform\u00e1-lo em zumbi<\/strong>.\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 1.0625rem\">Para definir a chance de cada uma das tr\u00eas coisas acontecer nos encontros zumbi-civil e zumbi-militar, os pesquisadores observaram a propor\u00e7\u00e3o desses acontecimentos em s\u00e9ries, filmes, jogos, livros e quadrinhos (afinal, nunca tivemos um apocalipse zumbi para termos dados emp\u00edricos desses encontros).<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1.0625rem\">Al\u00e9m dos encontros entre humanos e zumbis, tamb\u00e9m pode haver encontros entre civis e militares, resultando eventualmente no treinamento do civil pelo militar.<\/span><\/p>\n<p>As possibilidades de intera\u00e7\u00e3o e a chance de acontecerem encontram-se na tabela abaixo:<\/p>\n<table style=\"height: 316px;border-style: solid;width: 88.4437%;border-color: #000000;background-color: #fcfbe6\" width=\"765\">\n<tbody>\n<tr>\n<td style=\"width: 31.4399%;text-align: center\" colspan=\"2\"><strong>ZUMBI x CIVIL<\/strong><\/td>\n<td style=\"width: 31.5719%;text-align: center\" colspan=\"2\"><strong>ZUMBI x MILITAR<\/strong><\/td>\n<td style=\"width: 34.8746%;text-align: center\" colspan=\"2\"><strong>CIVIL &#8211; MILITAR<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"width: 18.8904%;text-align: center\">Civil morre<\/td>\n<td style=\"width: 12.5495%;text-align: center\">60%<\/td>\n<td style=\"width: 21.8967%;text-align: center\">Militar morre<\/td>\n<td style=\"width: 9.6752%;text-align: center\">10%<\/td>\n<td style=\"width: 21.7737%;text-align: center\">nada acontece<\/td>\n<td style=\"width: 13.1009%;text-align: center\">99%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"width: 18.8904%;text-align: center\">Civil vira zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 12.5495%;text-align: center\">30%<\/td>\n<td style=\"width: 21.8967%;text-align: center\">Militar vira zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 9.6752%;text-align: center\">10%<\/td>\n<td style=\"width: 21.7737%;text-align: center\">Militar treina civil<\/td>\n<td style=\"width: 13.1009%;text-align: center\">1%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td style=\"width: 18.8904%;text-align: center\">Civil mata zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 12.5495%;text-align: center\">10%<\/td>\n<td style=\"width: 21.8967%;text-align: center\">Militar mata zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 9.6752%;text-align: center\">80%<\/td>\n<td style=\"width: 21.7737%;text-align: center\">&#8211;<\/td>\n<td style=\"width: 13.1009%;text-align: center\">&#8211;<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h3>Partindo para a simula\u00e7\u00e3o<\/h3>\n<p>Tendo definido o que pode acontecer nos encontros entre os elementos dessa cidade, passamos para a fase da simula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Primeiramente, os pesquisadores rodaram uma simula\u00e7\u00e3o com 1 militar, depois com 2, depois com 3 e assim por diante. Com um baixo n\u00famero de militares, o n\u00famero de confrontos entre zumbis-militares e zumbis-civis era pequeno, porque a popula\u00e7\u00e3o era dizimada com muita facilidade. \u00c0 medida em que o n\u00famero inicial de militares foi aumentando, os confrontos com os zumbis tornavam-se mais numerosos e a popula\u00e7\u00e3o resistia por mais tempo. Mesmo assim, os zumbis estavam sendo vitoriosos em todas as simula\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1056\" aria-describedby=\"caption-attachment-1056\" style=\"width: 475px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1056\" style=\"font-size: 1.0625rem\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/grafico-militares.png\" alt=\"Gr\u00e1fico da varia\u00e7\u00e3o da quantidade de intera\u00e7\u00f5es \u00e0 medida em que se aumenta o n\u00famero inicial de militares na cidade. O topo do gr\u00e1fico representa uma mudan\u00e7a de fase. Antes dela, os zumbis dizimam a popula\u00e7\u00e3o, depois dela, os zumbis s\u00e3o extintos.\" width=\"475\" height=\"330\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/grafico-militares.png 2766w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/grafico-militares-300x208.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/grafico-militares-768x533.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/10\/grafico-militares-1024x710.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 475px) 100vw, 475px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1056\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Gr\u00e1fico da varia\u00e7\u00e3o da quantidade de intera\u00e7\u00f5es \u00e0 medida em que se aumenta o n\u00famero inicial de militares na cidade. O topo do gr\u00e1fico representa uma mudan\u00e7a de fase. Antes dela, os zumbis dizimam a popula\u00e7\u00e3o, depois dela, os zumbis s\u00e3o extintos.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O <strong>PONTO DE VIRADA<\/strong>, a partir do qual os zumbis foram dizimados e alguma parcela da popula\u00e7\u00e3o sobreviveu, ocorreu quando colocou-se um n\u00famero inicial de <span style=\"text-decoration: underline\">47 militares<\/span> para 1.000 pessoas.<\/p>\n<p>Embora com poucos sobreviventes, esse foi o primeiro sinal de que, SIM, <strong>\u00e9 poss\u00edvel sobreviver a um apocalipse zumbi<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">S\u00f3 tem um problema<\/span>: sabe qual \u00e9 a quantidades de militares no Brasil?<\/p>\n<p>Cerca de <strong>1,6 <\/strong>militares\u00a0a cada 1.000 pessoas. Os Estados Unidos, com todo seu poderio b\u00e9lico e militar, possui apenas <strong>4,2<\/strong> militares ativos a cada 1.000 pessoas.<\/p>\n<p>Com esses par\u00e2metros utilizados, o \u00fanico lugar do planeta que teria alguma chance de n\u00e3o ter sua popula\u00e7\u00e3o extinta frente a uma amea\u00e7a zumbi \u00e9 a <span style=\"text-decoration: underline\">Cor\u00e9ia do Norte<\/span>, com 47,4 militares para cada 1.000 pessoas. E mesmo assim, dos seus 25 milh\u00f5es de habitantes,\u00a0menos de tr\u00eas milh\u00f5es sobreviveriam.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>Testando outros par\u00e2metros<\/h2>\n<p>A pesquisa tamb\u00e9m avaliou o que aconteceria com esse sistema se os seus elementos fossem um pouco diferentes, como zumbis mais agressivos ou uma popula\u00e7\u00e3o mais bem preparada:<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4>Zumbis mais agressivos<\/h4>\n<p>Um dos modelos de zumbi utilizado em outras simula\u00e7\u00f5es foram aqueles mais inteligentes, r\u00e1pidos e letais (como os do filme &#8220;Exterm\u00ednio&#8221; ou &#8220;Guerra Mundial Z&#8221;). Nesse caso, a chance de um zumbi matar um humano aumenta consideravelmente. Em contrapartida, as chances dele converter algu\u00e9m em zumbi s\u00e3o reduzidas.<\/p>\n<table style=\"height: 82px;width: 654px;border-style: solid;border-color: #000000;background-color: #ffdbdb\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 46px\">\n<td style=\"width: 306px;text-align: center;height: 46px\" colspan=\"2\"><strong>ZUMBI FORTE x CIVIL<\/strong><\/td>\n<td style=\"width: 350px;text-align: center;height: 46px\" colspan=\"2\"><strong>ZUMBI FORTE x MILITAR<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 16px\">\n<td style=\"width: 152px;text-align: center;height: 16px\">Civil morre<\/td>\n<td style=\"width: 152px;text-align: center;height: 16px\">80%<\/td>\n<td style=\"width: 174px;text-align: center;height: 16px\">Militar morre<\/td>\n<td style=\"width: 174px;text-align: center;height: 16px\">34%<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 10px\">\n<td style=\"width: 152px;text-align: center;height: 10px\">Civil vira zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 152px;text-align: center;height: 10px\">15%<\/td>\n<td style=\"width: 174px;text-align: center;height: 10px\">Militar vira zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 174px;text-align: center;height: 10px\">7%<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 10px\">\n<td style=\"width: 152px;text-align: center;height: 10px\">Civil mata zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 152px;text-align: center;height: 10px\">5%<\/td>\n<td style=\"width: 174px;text-align: center;height: 10px\">Militar mata zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 174px;text-align: center;height: 10px\">59%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, se os zumbis fossem mais agressivos e letais a humanidade estaria mais segura. Sim, isso mesmo. Por matar muito mais do que &#8220;zumbificar&#8221; as pessoas, a popula\u00e7\u00e3o de zumbis n\u00e3o cresceria tanto e decairia com o tempo, com pouca convers\u00e3o de novos indiv\u00edduos.<\/p>\n<p>Nesse modelo, a quantidade de militares necess\u00e1ria para salvar a humanidade cairia de 47 para 20 militares &#8211; para cada mil pessoas. De fato, \u00e9 uma redu\u00e7\u00e3o grande, mas ainda assim a humanidade n\u00e3o estaria segura.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4>Humanos mais saud\u00e1veis<\/h4>\n<p>Se a popula\u00e7\u00e3o de civis fosse mais saud\u00e1vel, n\u00e3o-sedent\u00e1ria e treinada, os civis teriam uma maior chance de sobreviv\u00eancia no encontro com um zumbi e maior chance de se tornar um militar, o que mudaria MUITO o panorama do apocalipse.<\/p>\n<p>Vamos imaginar as seguintes chances:<\/p>\n<table style=\"height: 61px;width: 632px;border-style: solid;border-color: #000000;background-color: #e6fcec\">\n<tbody>\n<tr style=\"height: 28px\">\n<td style=\"width: 322px;text-align: center;height: 28px\" colspan=\"2\"><strong>ZUMBI x CIVIL SAUD\u00c1VEL<\/strong><\/td>\n<td style=\"width: 322px;text-align: center;height: 28px\" colspan=\"2\"><strong>MILITAR &#8211; CIVIL SAUD\u00c1VEL<\/strong><\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 10px\">\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">Civil morre<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">30%<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">nada acontece<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">90%<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 13px\">\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 13px\">Civil vira zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 13px\">40%<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 13px\">Militar treina civil<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 13px\">10%<\/td>\n<\/tr>\n<tr style=\"height: 10px\">\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">Civil mata zumbi<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">30%<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">\u00a0<\/td>\n<td style=\"width: 160px;text-align: center;height: 10px\">\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p>Com esse cen\u00e1rio (que nem exige que os civis sejam especialistas em apocalipse zumbi, apenas mais saud\u00e1veis), a quantidade de militares necess\u00e1ria para salvar a humanidade cairia de 47 para <strong>UM<\/strong> militar para cada mil pessoas. Com apenas 1 militar, uma cidade de 1.000 pessoas venceria os zumbis, restando 210 pessoas vivas ao final.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h2>Paralelos com outros sistemas din\u00e2micos<\/h2>\n<p>Pode parecer brincadeira falar de apocalipse zumbi, mas n\u00e3o se engane, esta pesquisa pode nos ajudar a entender v\u00e1rios outros sistemas do mundo real.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4>Doen\u00e7as virais<\/h4>\n<p>Imagine um v\u00edrus que dependa do ser humano para se hospedar e ser transmitido para outros. \u00c9 de se imaginar que uma doen\u00e7a mais agressiva e letal seja nosso maior vil\u00e3o. Mas quanto mais r\u00e1pido um v\u00edrus mata o seu hospedeiro, menores as chances dele se espalhar para outras pessoas.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1079\" aria-describedby=\"caption-attachment-1079\" style=\"width: 468px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1079\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/11\/23145833932842.png\" alt=\"Imagem do jogo &quot;Plague Inc.&quot; da Ndemic Creations; zumbi\" width=\"468\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/11\/23145833932842.png 548w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/11\/23145833932842-300x180.png 300w\" sizes=\"(max-width: 468px) 100vw, 468px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1079\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Imagem do jogo &#8220;Plague Inc.&#8221; da Ndemic Creations.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Doen\u00e7as mais brandas, mas facilmente contagiosas (como a gripe), embora n\u00e3o sejam t\u00e3o letais, jamais ser\u00e3o vencidas por n\u00f3s humanos (seria necess\u00e1rio um batalh\u00e3o de MUITAS vacinas para cada mil pessoas, e mesmo assim o v\u00edrus tem a possibilidade de sofrer muta\u00e7\u00f5es e se adaptar).<\/p>\n<p>Hoje, existem diversos jogos (como o <em>Plague Inc.\u00a0<\/em>da imagem ao lado) que funcionam como simuladores de doen\u00e7as, que exploram muito bem fatores como potencial de cont\u00e1gio, letalidade, mutabilidade, etc.<\/p>\n<p>Utilizando as conclus\u00f5es da pesquisa dos zumbis, podemos afirmar que \u00e9 muito mais eficiente (e barato) investir na sa\u00fade preventiva da popula\u00e7\u00e3o do que em tratamentos agressivos e poderosos \u00e0queles que se contaminaram.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<h4>Seguran\u00e7a p\u00fablica<\/h4>\n<p>Outra mudan\u00e7a de par\u00e2metros avaliada pelos pesquisadores (al\u00e9m de zumbis mais agressivos e humanos mais saud\u00e1veis) foi &#8220;militares mais agressivos e letais&#8221;.\u00a0Ao fazerem essa simula\u00e7\u00e3o, verificaram que seriam necess\u00e1rios apenas cinco militares mais agressivos para cada mil pessoas. O problema \u00e9 que, este n\u00famero ainda \u00e9 alto (dado o n\u00famero de militares no Brasil). Al\u00e9m disso, o n\u00famero de civis vivos ao final do apocalipse \u00e9 muito menor do que na simula\u00e7\u00e3o com civis mais saud\u00e1veis.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1081 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/11\/thumb.jpg\" alt=\"\" width=\"409\" height=\"272\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/11\/thumb.jpg 690w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/11\/thumb-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2018\/11\/thumb-120x80.jpg 120w\" sizes=\"(max-width: 409px) 100vw, 409px\" \/><\/p>\n<p>Mas o que isso tem a ver com seguran\u00e7a p\u00fablica? Substitua zumbis por bandidos e voc\u00ea tem um sistema muito similar ao que vemos acontecer nas cidades. <span style=\"font-size: 1.0625rem\">\u00c9 claro que, nessa circunst\u00e2ncia, as chances do que acontece em cada encontro n\u00e3o seriam baseadas em filmes, mas em estat\u00edsticas reais. Da mesma forma, as possibilidades de desfechos dos encontros (mata, morre ou \u00e9 convertido) seriam bem mais complexas do que as que foram estabelecidas no problema dos zumbis. Mas, em linhas gerais, a ideia permanece a mesma.<\/span><\/p>\n<p>O que os pesquisadores concluem \u00e9 que os resultados encontrados nas diversas simula\u00e7\u00f5es feitas apontam como melhor cen\u00e1rio o caso em que os civis s\u00e3o mais saud\u00e1veis. \u00c9 poss\u00edvel que se invista no poderio militar, aumentando assim sua efici\u00eancia e reduzindo a necessidade de mais militares em servi\u00e7o. Mas, como indicam as simula\u00e7\u00f5es (e pesquisas na \u00e1rea de economia do crime), a\u00e7\u00f5es mais agressivas por parte dos defensores da popula\u00e7\u00e3o podem levar \u00e0 maior perda de civis.<\/p>\n<p>Ou seja, se um governador ou prefeito quiser proteger sua popula\u00e7\u00e3o de um apocalipse zumbi (ou da crescente convers\u00e3o de jovens para o tr\u00e1fico), ele n\u00e3o deve focar seus investimentos na for\u00e7a bruta de uma pequena parcela da popula\u00e7\u00e3o, os militares, a melhor estrat\u00e9gia parece ser investir em pol\u00edticas p\u00fablicas que melhorem as condi\u00e7\u00f5es de vida dos civis, atrav\u00e9s do <strong>esporte<\/strong>, da <strong>cultura<\/strong>, da <strong>alimenta\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel\u00a0<\/strong>e da <strong>educa\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<hr \/>\n<p>Essa pesquisa foi realizada pelos pesquisadores:\u00a0Jo\u00e3o Paulo Mendon\u00e7a, Leonardo Teixeira, Fernando Sato e\u00a0Lohan Ferreira, da Universidade Federal de Juiz de Fora. Os detalhes dela pode ser acessado neste artigo (em ingl\u00eas): <a href=\"https:\/\/arxiv.org\/pdf\/1802.10443.pdf\">https:\/\/arxiv.org\/pdf\/1802.10443.pdf<\/a><\/p>\n<p>\u00a0<\/p>\n<p>Para outros textos sobre ci\u00eancia e o mundo pop acesse\u00a0<a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/\">Blog Ci\u00eancia Nerd<\/a><\/p>\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quais fatores seriam determinantes para garantir a sobreviv\u00eancia da humanidade? \u00a0 Os zumbis &#8211; ou mortos-vivos &#8211; fazem parte do<\/p>\n","protected":false},"author":173,"featured_media":1058,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"inline_featured_image":false,"editor_plus_copied_stylings":"{}","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[23,39,18],"tags":[73,74,20,19,72,71],"class_list":["post-1018","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencias-humanas-e-sociais","category-cinema","category-computacao","tag-algoritimos","tag-ciencia","tag-computacao","tag-matematica","tag-seguranca-publica","tag-zumbi"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1018","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/173"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1018"}],"version-history":[{"count":28,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1018\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1504,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1018\/revisions\/1504"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1058"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1018"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1018"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1018"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}