{"id":1626,"date":"2022-01-05T01:49:12","date_gmt":"2022-01-05T04:49:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/?p=1626"},"modified":"2022-01-05T13:30:27","modified_gmt":"2022-01-05T16:30:27","slug":"superpoderes-eletricos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2022\/01\/05\/superpoderes-eletricos\/","title":{"rendered":"Superpoderes el\u00e9tricos no mundo real"},"content":{"rendered":"\n<p>Pikachu, Super-choque, Thor, Raiden, Blanka, o Fantasma de 10000 Volts. Tem muito exemplo de personagens que conseguem usar a eletricidade como uma arma, seja extraindo ela do pr\u00f3prio corpo seja manipulando a eletricidade do ambiente.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse texto, eu vou falar sobre as chances de um animal terrestre conseguir disparar um raio em um inimigo \u00e0 dist\u00e2ncia, tipo o Pikachu. Ent\u00e3o, vem comigo e ficaat\u00e9 o final porque o tema de hoje est\u00e1 chocante!<\/p>\n\n\n\n<p>Este conte\u00fado foi originalmente produzido em v\u00eddeo, mas se preferir pode l\u00ea-lo logo depois do player!<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed aligncenter is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Superpoderes el\u00e9tricos no mundo real\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/gWdcejvICn8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:38px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Para come\u00e7ar, eu acho que \u00e9 importante termos em mente que <strong>VOC\u00ca<\/strong> tem poderes el\u00e9tricos. <\/p>\n\n\n\n<p>Uma parte grande do nosso corpo \u00e9 formada por \u00e1gua e sais minerais. A gente chama essa mistura de solu\u00e7\u00e3o salina e ela tem uma capacidade bem grande de conduzir eletricidade. \u00c9 gra\u00e7as a essa solu\u00e7\u00e3o, e atrav\u00e9s do movimento de \u00edons dentro dela, que a gente consegue exercer nossos poderes el\u00e9tricos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Ok, mas que poderes s\u00e3o esses?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Cada fun\u00e7\u00e3o dos nossos&nbsp;\u00f3rg\u00e3os, tecidos, m\u00fasculos, \u00e9 controlada por in\u00fameros impulsos el\u00e9tricos que v\u00eam do c\u00e9rebro. Sem essa eletricidade circulando no nosso corpo (e sem essa solu\u00e7\u00e3o salina pra conduzir a eletricidade) a gente n\u00e3o ia conseguir nem mover um&nbsp;mindinho.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/eletrorecepcao-so-parte-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1628\" width=\"-222\" height=\"-178\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/eletrorecepcao-so-parte-1.png 850w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/eletrorecepcao-so-parte-1-300x241.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/eletrorecepcao-so-parte-1-768x618.png 768w\" sizes=\"(max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><figcaption>Representa\u00e7\u00e3o da eletrorrecep\u00e7\u00e3o. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fpsyg.2014.00199\/full\">artigo cient\u00edfico de Michael Lewicki e colegas.<\/a><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Nos outros animais, a eletricidade tamb\u00e9m tem esse papel na comunica\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro com o restante do organismo. Mas&#8230; alguns animais conseguem usar a eletricidade para mais coisas ainda.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns peixes, anf\u00edbios, tubar\u00f5es e, dos mam\u00edferos, o boto-cinza e o ornitorrinco (que \u00e9 mais ou menos um mam\u00edfero, n\u00e9), t\u00eam uma habilidade que chama <strong>eletrorrecep\u00e7\u00e3o<\/strong>. Que nada mais \u00e9 do que a capacidade de perceber varia\u00e7\u00f5es de campos eletromagn\u00e9ticos ao seu redor e com isso conseguem localizar objetos ao seu redor (que a gente chama de eletrolocaliza\u00e7\u00e3o) ou at\u00e9 pra se comunicar (que a\u00ed tem o nome espec\u00edfico de eletrocomunica\u00e7\u00e3o).<\/p>\n\n\n\n<p>Mas eu n\u00e3o vim aqui para falar disso. Eu vim falar de poder el\u00e9trico MESMO. Eu quero saber se algum dia eu vou poder ter um Pikachu de estima\u00e7\u00e3o e se ele vai conseguir disparar raios nos pernilongos daqui de casa.<\/p>\n\n\n\n<p>Ok, ent\u00e3o vamos pegar um exemplo de animal que faz isso, s\u00f3 que na \u00e1gua?<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:24px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Animais el\u00e9tricos da \u00e1gua<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Tem um peixinho muito simp\u00e1tico que \u00e9 o Poraqu\u00ea. Essa fofurinha vive no Rio Amazonas. Voc\u00ea poderia pensar, &#8220;coitadinho dele, como esse peixe t\u00e3o simp\u00e1tico consegue sobreviver no Rio Amazonas, dividindo espa\u00e7o com jacar\u00e9, anaconda, piranha, at\u00e9 com tubar\u00e3o?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/peixe-poraque-peixe-eletrico-1024x606.jpg\" alt=\"poraqu\u00ea. Peixes el\u00e9tricos\" class=\"wp-image-1629\" width=\"408\" height=\"241\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/peixe-poraque-peixe-eletrico-1024x606.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/peixe-poraque-peixe-eletrico-300x177.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/peixe-poraque-peixe-eletrico-768x454.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/peixe-poraque-peixe-eletrico.jpg 1280w\" sizes=\"(max-width: 408px) 100vw, 408px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, al\u00e9m desses que eu citei, o Poraqu\u00ea \u00e9 um dos mais temidos animais aqu\u00e1ticos de \u00e1gua doce. <\/p>\n\n\n\n<p>E o grande segredo dele \u00e9 que, quando ele encosta&nbsp;uma das extremidades do seu corpo em outro animal, ele d\u00e1 um choque que pode ir de 300 Volts a 1.500 Volts!<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, o que que esse peixe tem que faz com que ele consiga manda um choc\u00e3o desses? <\/p>\n\n\n\n<p>O Poraqu\u00ea tem 3 \u00f3rg\u00e3os que geram essa tens\u00e3o (essa voltagem toda): o \u00f3rg\u00e3o principal, o \u00f3rg\u00e3o de Hunter e o \u00f3rg\u00e3o de Sachs. Da\u00ed quando ele quer dar um choquinho de uns 10 V mais ou menos ele ativa s\u00f3 um, o \u00f3rg\u00e3o de Sach, por exemplo. Quando ele quer realmente matar ou pelo menos incapacitar a presa, a\u00ed ele descarrega todos os 3 e o neg\u00f3cio vai pra mais de 500 V.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:6px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/Sem-Titulo-1-3-1024x532.png\" alt=\"peixe el\u00e9trico e seus \u00f3rg\u00e3os el\u00e9tricos\" class=\"wp-image-1630\" width=\"887\" height=\"461\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/Sem-Titulo-1-3-1024x532.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/Sem-Titulo-1-3-300x156.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/Sem-Titulo-1-3-768x399.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/Sem-Titulo-1-3-1536x799.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/Sem-Titulo-1-3.png 1585w\" sizes=\"(max-width: 887px) 100vw, 887px\" \/><figcaption>Poraqu\u00ea e seus \u00f3rg\u00e3os el\u00e9tricos. Fonte: <a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/animal\/Electrophorus-fish-genus\">Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica<\/a>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Certo, mas como funcionam esses \u00f3rg\u00e3os? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Dentro desses \u00f3rg\u00e3os existe uma c\u00e9lula chamada <strong>ELETR\u00d3CITO<\/strong>, que funciona quase como uma pilha. Enquanto uma pilha comum costuma ter 1,5 Volts, um eletr\u00f3cito tem 0,15 Volts. Isso significa que se voc\u00ea enfileirar (fizer uma liga\u00e7\u00e3o em s\u00e9rie com) 10 eletr\u00f3citos, cada um contribuindo com uma tens\u00e3o de 0,15 V, elas juntas v\u00e3o somar 1,5 V, equivalente a uma pilha.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"480\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/hqdefault.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1631\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/hqdefault.jpg 480w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/hqdefault-300x225.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 480px) 100vw, 480px\" \/><figcaption>No desenho A, as pilhas est\u00e3o em s\u00e9rie, totalizando 3 Volts. No desenho B, como elas est\u00e3o ligadas em paralelo, a voltagem total na l\u00e2mpada \u00e9 1,5 Volts apenas.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>O neg\u00f3cio \u00e9 que o Poraqu\u00ea tem umas 6.000 dessas c\u00e9lulas enfileiradas, formando uma coluna. E o \u00f3rg\u00e3o principal do Poraqu\u00ea n\u00e3o tem s\u00f3 uma coluna com 6000 eletr\u00f3citos, tem 25. Isso quer dizer que se a gente somar essas 25 colunas de eletr\u00f3citos o bicho vai dar um choque \u00e9 de mais de 20 mil volts? N\u00e3o&#8230; n\u00e3o \u00e9 bem assim. <\/p>\n\n\n\n<p>Se voc\u00ea liga duas pilhas em s\u00e9rie (ou seja, enfileiradas), a tens\u00e3o das duas se soma. Mas quando vc faz uma liga\u00e7\u00e3o de pilhas em paralelo elas n\u00e3o v\u00e3o se somar. Na liga\u00e7\u00e3o paralela, o polo positivo de todas as pilhas est\u00e1 ligado em um mesmo ponto, enquanto o polo negativo de todas as pilhas vai estar ligado em outro ponto. Ent\u00e3o a voltagem total do sistema todo \u00e9 equivalente \u00e0 de uma pilha s\u00f3. O que muda \u00e9 que nesse caso vai ter uma corrente maior, vai ter mais carga andando por esse circuito.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, quando o Poraqu\u00ea quer dar um choque bruto desses, ele simplesmente descarrega suas milhares de micropilhas e da uma baita descarga el\u00e9trica.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:16px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>\u00c1gua doce  x  \u00e1gua salgada  x  ar<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Existe uma diferen\u00e7a importante entre animais el\u00e9tricos de \u00e1gua doce, que nem o Poraqu\u00ea, e de \u00e1gua salgada, tipo a arraia. O choque da arraia \u00e9 mais fraco, coisa de 200-250 volts. Por qu\u00ea?<\/p>\n\n\n\n<p>A \u00e1gua salgada \u00e9 um meio que conduz eletricidade muito mais facilmente que a \u00e1gua doce. Ent\u00e3o para o poraqu\u00ea dar um choque desses \u00e0 dist\u00e2ncia, ele precisa de uma descarga el\u00e9trica com muito mais tens\u00e3o (quer dizer, muito mais voltagem).<\/p>\n\n\n\n<p>Quanto menos condutor \u00e9 o meio, maior tem que ser a tens\u00e3o para que ocorra uma descarga el\u00e9trica. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Certo. Mas e o ar? <\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O ar \u00e9 um p\u00e9ssimo condutor de eletricidade. Por isso que voc\u00ea nunca viu um animal terrestre ou voador que dispare descargas el\u00e9tricas por a\u00ed.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas calma, nem tudo est\u00e1 perdido.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/nature-plant-sky-night-purple-dark-857912-pxhere.com_-1024x682.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1632\" width=\"421\" height=\"280\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/nature-plant-sky-night-purple-dark-857912-pxhere.com_-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/nature-plant-sky-night-purple-dark-857912-pxhere.com_-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/nature-plant-sky-night-purple-dark-857912-pxhere.com_-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/nature-plant-sky-night-purple-dark-857912-pxhere.com_-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/01\/nature-plant-sky-night-purple-dark-857912-pxhere.com_.jpg 2000w\" sizes=\"(max-width: 421px) 100vw, 421px\" \/><figcaption><em>Foto: Creative commons<\/em><\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Eu costumo dizer que todo mundo tem seu pre\u00e7o. E o ar tem o dele. Se existe raio, seja entre nuvens ou da nuvem at\u00e9 o ch\u00e3o, \u00e9 porque &#8211; em algumas situa\u00e7\u00f5es &#8211; o ar conduz, sim, eletricidade. Agora, qual \u00e9 o pre\u00e7o disso? Em que situa\u00e7\u00e3o isso acontece?<\/p>\n\n\n\n<p>O ar tem uma <strong>rigidez diel\u00e9trica<\/strong> de <strong>3 MILH\u00d5ES DE VOLTS POR METRO<\/strong>. O que significa isso? Esse \u00e9 o pre\u00e7o do ar. Para uma descarga el\u00e9trica viajar no ar por 1 metro de dist\u00e2ncia, precisa existir uma diferen\u00e7a de potencial (ou uma tens\u00e3o) de 3 milh\u00f5es de volts. Se forem 2 metros, a voltagem exigida \u00e9 6 milh\u00f5es de volts. Para cada metro de dist\u00e2ncia, voc\u00ea precisa de 3 milh\u00f5es de volts a mais para uma descarga el\u00e9trica viajar por essa dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso significa que paro Pikachu acertar um raio do trov\u00e3o em um inimigo que est\u00e1 a 5 metros de dist\u00e2ncia dele, ele precisaria gerar uma tens\u00e3o de <strong>15 milh\u00f5es de volts<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora imagina o raio! Para um raio sair de uma nuvem e chegar no solo, pode ser necess\u00e1rio uma tens\u00e3o entre o solo e as nuvens de at\u00e9 1 bilh\u00e3o de volts.<\/p>\n\n\n\n<p>Nem O Fantasma de 10.000 Volts conseguiria disparar um raiozinho a 1 cent\u00edmetro de dist\u00e2ncia.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O Pikachu seria capaz de criar esses 15 milh\u00f5es de volts?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Para o Poraqu\u00ea conseguir criar uma tens\u00e3o t\u00e3o grande (porque 1.000 Volts j\u00e1 \u00e9 muita coisa), ele precisa ter <strong>MUITOS <\/strong>eletr\u00f3citos enfileirados. E essa c\u00e9lula ocupa espa\u00e7o e pesa. Uma parte expressiva da massa e do comprimento do Poraqu\u00ea se devem \u00e0 quantidade enorme de eletr\u00f3citos que ele possui. Voc\u00ea n\u00e3o estranhou eu ter dito que o Poraqu\u00ea \u00e9 um peixe? Ele parece mais uma enguia, uma cobra. Ele tem essa caudona por causa dos eletr\u00f3citos, que ficam enfileiradinhos.<\/p>\n\n\n\n<p>Para o Pikachu ser capaz de gerar uma tens\u00e3o dessa magnitude, para dar um choque num inimigo \u00e0 dist\u00e2ncia, ele precisaria ter pelo menos alguns quil\u00f4metros de comprimento e talvez chegasse a ter at\u00e9 toneladas de massa.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/04\/ezgif.com-optimize.gif\" alt=\"MB el\u00e9tricos\" class=\"wp-image-695\" width=\"562\" height=\"317\" \/><figcaption>Mythbursters testando a condu\u00e7\u00e3o de eletricidade por um jato de \u00e1gua.<\/figcaption><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Mas&#8230; existe uma maneira muito mais vi\u00e1vel de um superpoder el\u00e9trico funcionar no meio terrestre. Na verdade, existem duas maneiras!<\/p>\n\n\n\n<p>Uma delas \u00e9 atrav\u00e9s do <strong>contato<\/strong>, como faz o Blanka, do Street Fighter. Na verdade, a gente at\u00e9 tem esse poder. Quando a gente acumula eletricidade est\u00e1tica no corpo e encosta em algo met\u00e1lico, d\u00e1 um choquinho, uma pequena descarga el\u00e9trica. O problema \u00e9 que ele \u00e9 muito pequeno.<\/p>\n\n\n\n<p>Agora, uma segunda possibilidade de tornar poss\u00edvel o choque do trov\u00e3o do Pikachu \u00e9 combinando esse poder com o do Squirtle!<\/p>\n\n\n\n<p>Imagina s\u00f3, o Squirtle lan\u00e7a um jato de \u00e1gua na cara do inimigo e a\u00ed o Pikachu, na sequ\u00eancia, lan\u00e7a a sua descarga el\u00e9trica em cima do jatinho do Squirtle. A corrente el\u00e9trica vai viajar pela \u00e1gua e chegar at\u00e9 o seu destino, n\u00e3o precisando desses v\u00e1rios milh\u00f5es de volts!<\/p>\n\n\n\n<p>Por incr\u00edvel que pare\u00e7a, essa ideia j\u00e1 foi testada pelos Mythbusters (o programa da Discovery Channel). E, pasme, FUNCIONOU! <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC8gDRqZ_olweOhLewFMjrzA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9 novo por aqui? Conhe\u00e7a o CANAL CI\u00caNCIA NERD<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Leia mais: <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.museu-goeldi.br\/pesquisadores-descrevem-duas-novas-especies-de-peixe-eletrico-na-amazonia\">Pesquisadores descrevem duas novas esp\u00e9cies de peixe-el\u00e9trico na Amaz\u00f4nia<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2017\/04\/30\/poderes-eletricos-no-mundo-real\/\">Superpoderes el\u00e9tricos no mundo real<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.britannica.com\/animal\/Electrophorus-fish-genus\">Enciclop\u00e9dia Brit\u00e2nica &#8211; Enguia el\u00e9trica<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/labs.icb.ufmg.br\/lpf\/1-11.html\">Aspectos do uso da descarga el\u00e9trica do \u00f3rg\u00e3o el\u00e9trico e eletrorrecep\u00e7\u00e3o nos <em>Gymnotoidei<\/em> e outros peixes amaz\u00f4nicos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.theatlantic.com\/science\/archive\/2017\/12\/a-new-kind-of-soft-battery-inspired-by-the-electric-eel\/548261\/\">Um novo tipo de bateria macia, inspirado na enguia el\u00e9trica<\/a>.<\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quais as chances de superpoderes el\u00e9tricos, como os do Pikachu, funcionarem no mundo real? Esses poderes s\u00e3o cientificamente vi\u00e1veis? 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