{"id":1694,"date":"2022-02-26T02:32:20","date_gmt":"2022-02-26T05:32:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/?p=1694"},"modified":"2022-02-26T02:42:14","modified_gmt":"2022-02-26T05:42:14","slug":"violencia-parental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2022\/02\/26\/violencia-parental\/","title":{"rendered":"Palmada nos filhos: o que diz a ci\u00eancia?"},"content":{"rendered":"\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cFui falar uma parada assim, a\u00ed meu filho me respondeu, mano. S\u00f3 que ele tava aqui, assim, oh. Daqui, minha m\u00e3o s\u00f3 fez assim: BAU. Na cara dele, assim oh. BOOM! O bei\u00e7o dele j\u00e1 ficou assim oh, igual ao do Patolino, t\u00e1 ligado?\u201d.<\/p><cite>Pedro Scooby, BBB 22<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed alignright is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Viol\u00eancia parental e o BBB 22\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/-UKvEot5tfo?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Esse foi um coment\u00e1rio do surfista Pedro Scooby no BBB 22. O que voc\u00ea achou disso que ele fez com o filho? Pelo jeito que ele contou essa hist\u00f3ria, que foi rindo, com deboche, aparentemente orgulhoso, parece que ele n\u00e3o v\u00ea nenhum problema nisso. Voc\u00ea v\u00ea algum problema?<\/p>\n\n\n\n<p>No texto de hoje vamos falar de ci\u00eancia e de viol\u00eancia parental, pegando carona nesse caso ocorrido no BBB 22. <\/p>\n\n\n\n<p>Este conte\u00fado foi originalmente produzido em v\u00eddeo, mas se preferir pode l\u00ea-lo abaixo!<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:38px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>O mito da palmada educativa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Uma frase padr\u00e3o quando esse tema vem \u00e0 tona \u00e9:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;Apanhei dos meus pais e estou \u00f3timo!&#8221;<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Vamo fazer algumas reflex\u00f5es sobre essa frase. <\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em primeiro lugar<\/strong>, ser\u00e1 que voc\u00ea est\u00e1 \u00f3timo mesmo? Ser\u00e1 que a sua sa\u00fade mental est\u00e1 impec\u00e1vel? Ser\u00e1 que voc\u00ea n\u00e3o tem nenhum trauma de inf\u00e2ncia? <\/p>\n\n\n\n<p>Por mais que voc\u00ea pense que est\u00e1 livre disso (e talvez at\u00e9 esteja), n\u00e3o tem como sabermos, com total certeza, que n\u00e3o temos nenhum problema psicol\u00f3gico advindo da inf\u00e2ncia. \u00c0s vezes, algum fator da sua personalidade (como uma maior timidez, dificuldade de confiar nas pessoas) ou mesmo algum v\u00edcio, podem ser frutos de traumas. Talvez, se voc\u00ea fizer uma terapia, uma an\u00e1lise, voc\u00ea consiga descobrir alguns desses traumas. Mas talvez nem isso seja o suficiente. <\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o, n\u00e3o faz sentido dizer que apanhou na inf\u00e2ncia e que isso n\u00e3o te afetou em nada, porque n\u00e3o tem como voc\u00ea saber se afetou ou n\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Em segundo lugar<\/strong>, se voc\u00ea apanhou na inf\u00e2ncia e, realmente, n\u00e3o carregou nenhum trauma para a vida adulta, s\u00f3 posso dizer &#8220;parab\u00e9ns!&#8221;. Apenas n\u00e3o seja ing\u00eanuo de pensar que isso \u00e9 uma regra geral. At\u00e9 hoje, nunca encontrei um psic\u00f3logo que pesquise o assunto que concorda que bater em crian\u00e7as \u00e9 uma medida educativa interessante. <\/p>\n\n\n\n<p>Na verdade, s\u00e3o muitas as pesquisas cient\u00edficas s\u00e9rias, publicadas em revistas cient\u00edficas mundialmente reconhecidas, que concordam que a viol\u00eancia parental (dos pais) contra a crian\u00e7a \u00e9 muito problem\u00e1tica. Vejamos um exemplo:<\/p>\n\n\n\n<p>Em 1999, tr\u00eas pesquisadoras publicaram <a href=\"https:\/\/www.scielosp.org\/article\/csc\/1999.v4n1\/109-121\/pt\/\">um artigo na revista cient\u00edfica Ci\u00eancia &amp; Sa\u00fade Coletiva<\/a>, chamado &#8220;Conseq\u00fc\u00eancias da viol\u00eancia familiar na sa\u00fade da crian\u00e7a e do adolescente&#8221;. Nesse estudo, elas reuniram uma s\u00e9rie de resultados de pesquisas que mostravam as consequ\u00eancias mais comuns da viol\u00eancia familiar para a crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized wp-duotone-000000-rgb189232255-1\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999.png\" alt=\"viol\u00eancia parental\" class=\"wp-image-1696\" width=\"736\" height=\"438\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999.png 990w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999-300x179.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999-768x458.png 768w\" sizes=\"(max-width: 736px) 100vw, 736px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"has-medium-font-size wp-block-heading\"><span style=\"background-color:#ffffff\" class=\"tadv-background-color\">Consequ\u00eancias <strong>f\u00edsicas <\/strong>da viol\u00eancia parental<\/span><\/h2>\n\n\n\n<p>O artigo nos informa que h\u00e1 v\u00e1rias pesquisas em que se identificam consequ\u00eancias f\u00edsicas de viol\u00eancia parental tais como: luxa\u00e7\u00f5es, fraturas, hematomas, escoria\u00e7\u00f5es, cortes pelo corpo. Em casos, que n\u00e3o s\u00e3o raros, a crian\u00e7a pode chegar a ter traumatismo craniano e at\u00e9 rompimento de \u00f3rg\u00e3os, podendo vir a falecer.<\/p>\n\n\n\n<p>Voc\u00ea pode achar esse tipo de coisa acontece pouco, mas isso n\u00e3o \u00e9 verdade, acontece muito mais do que voc\u00ea pode imaginar. E quanto mais se normaliza a viol\u00eancia contra crian\u00e7a (dentro de casa, principalmente), mais normalizada tende a ficar tamb\u00e9m as viol\u00eancias mais graves. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas as consequ\u00eancias v\u00e3o al\u00e9m.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:20px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"has-medium-font-size wp-block-heading\"> Consequ\u00eancias <strong>psicol\u00f3gicas <\/strong>da viol\u00eancia parental <\/h2>\n\n\n\n<p>Dentre as consequ\u00eancias psicol\u00f3gicas, os autores come\u00e7am citando as doen\u00e7as psicossom\u00e1ticas (problemas emocionais intensos que se somatizam, ou seja, que provocam sintomas f\u00edsicos, como dor, falta de ar, problemas g\u00e1stricos e intestinais).<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 relatos tamb\u00e9m de problemas psicol\u00f3gicos e emocionais, como ansiedade, depress\u00e3o, dificuldade de relacionamento, mudan\u00e7as de humor, agressividade, timidez, isolamento social, dist\u00farbios do sono, dist\u00farbios de apetite e at\u00e9 baixa performance intelectual. <\/p>\n\n\n\n<p>S\u00e3o muitas as pesquisas que j\u00e1 identificaram que a viol\u00eancia familiar contra crian\u00e7as pode desencadear todas essas coisas. &#8220;Bom, mas eu n\u00e3o desenvolvi nada isso&#8221;, voc\u00ea poderia dizer. N\u00e3o importa! Essa ou aquela experi\u00eancia pessoal e opini\u00e3o n\u00e3o significam nada perto do grande volume de evid\u00eancias que demonstram que as consequ\u00eancias existem, sim.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized wp-duotone-000000-rgb149218255-2\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999-3.png\" alt=\"viol\u00eancia parental\" class=\"wp-image-1697\" width=\"1138\" height=\"349\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999-3.png 826w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999-3-300x92.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/02\/artigo-1999-3-768x235.png 768w\" sizes=\"(max-width: 1138px) 100vw, 1138px\" \/><figcaption>Trecho do artigo &#8220;Conseq\u00fc\u00eancias da viol\u00eancia familiar na sa\u00fade da crian\u00e7a e do adolescente&#8221;.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<div style=\"height:6px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC6220625\/\">Um pesquisador e m\u00e9dico da Universidade da Calif\u00f3rnia, chamado Vincent Felitti<\/a>, afirma que &#8220;experi\u00eancias adversas na inf\u00e2ncia s\u00e3o t\u00e3o comuns quanto destrutivas&#8221;. Essas experi\u00eancias afetam muito a sa\u00fade e o bem-estar das pessoas. Uma experi\u00eancia traum\u00e1tica na inf\u00e2ncia pode te deixar mais predisposto a desenvolver v\u00edcio em drogas, a desenvolver algumas doen\u00e7as, a se tornar depressivo, a se tornar dependente qu\u00edmico e at\u00e9 a buscar o suic\u00eddio.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso significa que todas as pessoas sofrer\u00e3o as mesmas consequ\u00eancias, sempre? Claro que n\u00e3o!<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Impacto da viol\u00eancia parental e suas vari\u00e1veis<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 evidente que esses efeitos negativos da viol\u00eancia parental dependem de diversos fatores. N\u00e3o \u00e9 porque, por exemplo, o atleta Pedro Scooby deu um tapa em seu filho, que ele desenvolver\u00e1 todas essas (ou mesmo algumas dessas) consequ\u00eancias.<\/p>\n\n\n\n<p>H\u00e1 alguns fatores que afetam o impacto das experi\u00eancias adversas na inf\u00e2ncia na vida do adulto, como:<\/p>\n\n\n\n<ol class=\"wp-block-list\"><li>a intensidade da viol\u00eancia; <\/li><li>a dura\u00e7\u00e3o dessa viol\u00eancia; <\/li><li>o tipo de viol\u00eancia (se foi f\u00edsica, verbal, psicol\u00f3gica);<\/li><li>o desenvolvimento psicol\u00f3gico da crian\u00e7a; <\/li><li>a capacidade intelectual, a capacidade resili\u00eancia e a maturidade da crian\u00e7a;<\/li><li>o v\u00ednculo afetivo entre agressor e v\u00edtima; entre outros.<\/li><\/ol>\n\n\n\n<p>Assim, se voc\u00ea sofreu viol\u00eancia familiar e est\u00e1 bem, verdadeiramente bem e sem traumas, pode ser que voc\u00ea tenha tido uma boa estrutura psicol\u00f3gica para lidar com isso. Infelizmente, n\u00e3o \u00e9 o caso de toda crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:29px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O que diz a lei?<\/h2>\n\n\n\n<p>Agora, vamos falar em termos legais. Na Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 est\u00e1 escrito: <\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201c\u00e9 dever da <strong><span style=\"text-decoration: underline\">fam\u00edlia<\/span><\/strong>, da <strong><span style=\"text-decoration: underline\">sociedade <\/span><\/strong>e do <strong><span style=\"text-decoration: underline\">Estado <\/span><\/strong>assegurar \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito \u00e0 vida, \u00e0 sa\u00fade, \u00e0 alimenta\u00e7\u00e3o, \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, ao lazer, \u00e0 profissionaliza\u00e7\u00e3o, \u00e0 cultura, \u00e0 dignidade, ao respeito, \u00e0 liberdade e \u00e0 conviv\u00eancia familiar e comunit\u00e1ria\u201d.<\/p><cite>Artigo 227, Constitui\u00e7\u00e3o Federal<\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, o dever de garantir todos esses direitos \u00e0 crian\u00e7a e ao adolescente \u00e9 inicialmente da fam\u00edlia, mas a sociedade e o Estado tamb\u00e9m t\u00eam esse dever, quando a fam\u00edlia n\u00e3o \u00e9 capaz de garantir todos esses direitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Em 2014, o Estatuto da Crian\u00e7a e do Adolescente (ECA) passou a ter uma lei que a m\u00eddia apelidou de Lei da Palmada, mas que recebeu o nome de Lei Menino Bernardo (homenageando um menino de 11 anos que foi morto pela madrasta no mesmo ano). Essa lei diz o seguinte:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-style-large is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;A crian\u00e7a e o adolescente t\u00eam o direito de ser educados e cuidados sem o uso de <strong><span style=\"text-decoration: underline\">castigo f\u00edsico<\/span> <\/strong>ou de <strong><span style=\"text-decoration: underline\">tratamento cruel<\/span> <\/strong>ou degradante, como formas de corre\u00e7\u00e3o, disciplina, educa\u00e7\u00e3o ou qualquer outro pretexto [&#8230;] por qualquer pessoa encarregada de cuidar deles, trat\u00e1-los, educ\u00e1-los ou proteg\u00ea-los.&#8221;<\/p><cite><em>Art. 18-A, inclu\u00eddo no ECA pela Lei n\u00ba 13.010, de 2014 <\/em><\/cite><\/blockquote>\n\n\n\n<p>Essa lei considera como \u201c<strong>castigo f\u00edsico<\/strong>\u201d: uma a\u00e7\u00e3o disciplinar ou punitiva aplicada com uso da for\u00e7a f\u00edsica que resulte em sofrimento f\u00edsico ou les\u00e3o; e considera como \u201c<strong>tratamento cruel<\/strong> <strong>ou degradante<\/strong>\u201d: um tratamento em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 crian\u00e7a ou adolescente que humilhe, ameace gravemente ou ridicularize.<\/p>\n\n\n\n<p>Ou seja, a lei est\u00e1, basicamente, dizendo que crian\u00e7as e adolescentes t\u00eam o <strong>direito<\/strong> de n\u00e3o serem submetidas a sofrimento f\u00edsico, a les\u00f5es, a humilha\u00e7\u00f5es, a ridiculariza\u00e7\u00f5es, a amea\u00e7as graves. Ser\u00e1 que esses s\u00e3o direitos muito exagerados?<\/p>\n\n\n\n<p>Quando essa lei foi sancionada pela presidente Dilma, em 2014, houve muitas cr\u00edticas. \u201cAgora eu n\u00e3o posso dar nem uma palmadinha no meu filho, que eu educo e eu pus no mundo?&#8221;, &#8220;o governo vai me prender ou multar por estar educando meus filhos da forma que acho correto?&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o! Ningu\u00e9m vai ser preso nem multado por isso. Esta lei prev\u00ea consequ\u00eancias de car\u00e1ter educativo para os pais e, obviamente, elas s\u00e3o definidas dependendo da gravidade do caso. A lei prev\u00ea, ainda, tratamento psicol\u00f3gico ou psiqui\u00e1trico \u00e0 crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu conversei com a assistente social Maria Jos\u00e9 de Souza Coelho, que \u00e9 refer\u00eancia t\u00e9cnica de preven\u00e7\u00e3o de viol\u00eancias da Prefeitura de Betim, e ela me contou que \u00e9 poss\u00edvel prevenir a viol\u00eancia intrafamiliar estimulando os indiv\u00edduos e as fam\u00edlias a refletirem sobre as situa\u00e7\u00f5es violentas que os atingem direta e indiretamente.<\/p>\n\n\n\n<p>Isso \u00e9 muito importante, porque nem sempre a viol\u00eancia deixar\u00e1 sinais vis\u00edveis (como hematomas) e nem sempre a crian\u00e7a vai falar sobre isso. Na verdade, \u00e9 muito dif\u00edcil uma crian\u00e7a falar sobre uma viol\u00eancia que sofreu, porque ela sequer sabe que tem o direito de n\u00e3o sofr\u00ea-la e, muitas vezes, ela ter\u00e1 a certeza de que a culpa \u00e9 dela pr\u00f3pria, ela est\u00e1 apanhando porque fez algo de errado. <\/p>\n\n\n\n<p>Consegue perceber a covardia de se agredir um indiv\u00edduo que n\u00e3o pode se defender e nem ser\u00e1 capaz de pedir ajuda?<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 papel de toda e qualquer pessoa se atentar a sinais de viol\u00eancia ou mesmo de neglig\u00eancia e denunciar ao Conselho Tutelar. Alguns dos principais sinais s\u00e3o mudan\u00e7a dr\u00e1stica no comportamento da crian\u00e7a, depress\u00e3o, baixa autoestima, perda de confian\u00e7a nas pessoas, altera\u00e7\u00f5es no sono e na alimenta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p> <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC8gDRqZ_olweOhLewFMjrzA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9 novo por aqui? Conhe\u00e7a o CANAL CI\u00caNCIA NERD<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Leia mais: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/csc\/a\/Yjg3SbjWYFnTfSXPbRc48rm\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Conseq\u00fc\u00eancias da viol\u00eancia familiar na sa\u00fade da crian\u00e7a e do adolescente<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pmc\/articles\/PMC6220625\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">A rela\u00e7\u00e3o entre experi\u00eancias adversas na inf\u00e2ncia e a sa\u00fade do adulto<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/www.planalto.gov.br\/ccivil_03\/_ato2011-2014\/2014\/lei\/l13010.htm\">Lei 13.010 &#8211; 2014 (ECA).<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/twitter.com\/coloreavida\/status\/1488632850001846274?s=20&amp;t=jNo72FLdjHwcEYn7tkV1uQ\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Pedro Scooby falando que bateu no filho no BBB 22<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\">Texto relacionado: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2020\/05\/14\/cerebro-em-quarentena\/\">O c\u00e9rebro em quarentena<\/a><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O que diz a ci\u00eancia sobre a palmada educativa nos filhos? A viol\u00eancia \u00e9 uma forma funcional de educar? Traz consequ\u00eancias para a crian\u00e7a? Vamos discutir essas e outras perguntas \u00e0 luz da ci\u00eancia.<\/p>\n","protected":false},"author":173,"featured_media":1702,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[66,23,83],"tags":[111,112],"class_list":["post-1694","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-ciencias-humanas-e-sociais","category-mente-e-cerebro","tag-psicologia","tag-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1694","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/173"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1694"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1694\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1714,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1694\/revisions\/1714"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1702"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1694"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1694"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1694"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}