{"id":1715,"date":"2022-03-06T21:47:18","date_gmt":"2022-03-07T00:47:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/?p=1715"},"modified":"2022-03-06T21:56:24","modified_gmt":"2022-03-07T00:56:24","slug":"mulheres-games-estereotipo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2022\/03\/06\/mulheres-games-estereotipo\/","title":{"rendered":"Mulheres, games e o peso do estere\u00f3tipo"},"content":{"rendered":"\n<p> <em>[Esse texto foi originalmente publicado na <a href=\"https:\/\/cienciahoje.org.br\/artigo\/estereotipo-ameaca-invisivel\/\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">edi\u00e7\u00e3o 375 da Revista Ci\u00eancia Hoje<\/span><\/strong><\/a>]<\/em> <\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed alignright is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"A amea\u00e7a do estere\u00f3tipo\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/05Z49RmPyZY?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Homens t\u00eam melhor orienta\u00e7\u00e3o espacial, melhor senso de dire\u00e7\u00e3o, mais facilidade com a \u00e1rea de exatas e com jogos do que as mulheres&#8221;. Essa \u00e9 uma afirmativa que j\u00e1 foi endossada por pesquisas cient\u00edficas h\u00e1 algumas d\u00e9cadas e at\u00e9 hoje muitos acreditam ser uma verdade e que a causa dessa desigualdade de performance \u00e9 puramente biol\u00f3gica. Mas o que diz a ci\u00eancia sobre isso?<\/p>\n\n\n\n<p>No texto de hoje vamos falar sobre o conceito de &#8220;<strong>amea\u00e7a do estere\u00f3tipo<\/strong>&#8221; e como ele nos ajuda a compreender a disparidade de performance entre homens e mulheres em algumas atividades.<\/p>\n\n\n\n<p>Este conte\u00fado foi originalmente produzido em v\u00eddeo, mas se preferir pode l\u00ea-lo abaixo!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Mulheres nos games<\/h2>\n\n\n\n<p>\u00c9 comum ouvirmos o argumento de que mulheres n\u00e3o gostam de jogos digitais, ou pelo menos n\u00e3o gostam de jogos muito competitivos e violentos, para justificar a presen\u00e7a massiva de homens nos cen\u00e1rios amador e profissional de games. Mas ser\u00e1 que isso \u00e9 verdade?<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignright size-large is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/1541950092287-cherna-com-jogadoras-1110x596-1-1024x550.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1716\" width=\"481\" height=\"258\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/1541950092287-cherna-com-jogadoras-1110x596-1-1024x550.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/1541950092287-cherna-com-jogadoras-1110x596-1-300x161.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/1541950092287-cherna-com-jogadoras-1110x596-1-768x412.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/1541950092287-cherna-com-jogadoras-1110x596-1.png 1110w\" sizes=\"(max-width: 481px) 100vw, 481px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Segundo pesquisas da Associa\u00e7\u00e3o de Softwares de Entretenimento, desde 2008, as mulheres j\u00e1 representam pelo menos 40% do p\u00fablico que joga jogos digitais nos Estados Unidos. Outros pa\u00edses tamb\u00e9m v\u00eam reportando uma porcentagem similar, entre 40% e 49% de presen\u00e7a feminina nesses jogos. <\/p>\n\n\n\n<p>Mas, no cen\u00e1rio profissional, a disparidade no n\u00famero de homens e mulheres \u00e9 grande. Surge ent\u00e3o o argumento de que mulheres n\u00e3o seriam t\u00e3o boas em jogos competitivos e, por isso, n\u00e3o alcan\u00e7ariam posi\u00e7\u00f5es de destaque. Essa e outras ideias passaram a compor um estere\u00f3tipo do g\u00eanero feminino, que o coloca em posi\u00e7\u00e3o inferior ao masculino nos jogos e em outras atividades. <\/p>\n\n\n\n<p>Durante muito tempo, houve at\u00e9 justificativa biol\u00f3gica para fundamentar essa inferioriza\u00e7\u00e3o. Pesquisas indicavam que <strong>homens se sa\u00edam melhor em testes de orienta\u00e7\u00e3o espacial<\/strong> e outras habilidades matem\u00e1ticas, o que levou \u00e0 conclus\u00e3o de que as mulheres n\u00e3o teriam boa orienta\u00e7\u00e3o espacial nem bom senso de dire\u00e7\u00e3o e, em \u00faltima inst\u00e2ncia, n\u00e3o teriam habilidades matem\u00e1ticas. <\/p>\n\n\n\n<p>Na \u00e9poca, cientistas acreditavam que havia uma<strong> diferen\u00e7a no c\u00e9rebro de homens e mulheres<\/strong> que seria respons\u00e1vel por essa desigualdade de performance. Essa justificativa fez tanto sucesso que at\u00e9 hoje in\u00fameras pessoas acreditam que mulheres n\u00e3o s\u00e3o \u2018boas\u2019 em orienta\u00e7\u00e3o espacial, em ci\u00eancias exatas e at\u00e9 em jogos, devido a uma diferen\u00e7a biol\u00f3gica inata e invari\u00e1vel. <\/p>\n\n\n\n<p>Esse estere\u00f3tipo \u2013 de que mulheres s\u00e3o menos capazes do que homens em algumas atividades \u2013 ganhou um ar cient\u00edfico e tornou-se quase irrefut\u00e1vel. Assim, construiu-se a ideia de que n\u00e3o havia necessidade de incentivar as mulheres a seguirem determinadas carreiras e at\u00e9 buscarem formas de lazer em que tivessem contato com habilidades espaciais e matem\u00e1ticas, j\u00e1 que sua natureza biol\u00f3gica as limitava. <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:19px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Machismo na cultura gamer<\/h2>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"alignleft size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-1024x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1717\" width=\"351\" height=\"351\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c-96x96.jpg 96w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2022\/03\/ErIo1M5XYAAOd7c.jpg 1200w\" sizes=\"(max-width: 351px) 100vw, 351px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Como a imagem do <strong>jogador <\/strong>\u00e9 frequentemente associada ao homem jovem e heterossexual, a ind\u00fastria de jogos continua produzindo conte\u00fados para agradar a esse p\u00fablico-alvo. <\/p>\n\n\n\n<p>Na pr\u00e1tica, isso significa aus\u00eancia de personagens femininas e, quando elas existem, ocupam pap\u00e9is secund\u00e1rios e frequentemente s\u00e3o retratadas de forma muito sexualizada e como v\u00edtimas de agress\u00f5es no jogo. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/link.springer.com\/article\/10.1007\/s11199-016-0678-y\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">Essa falta de representatividade feminina<\/span><\/strong><\/a> gera nas mulheres um baixo senso de pertencimento \u00e0s comunidades gamers e faz com que elas tenham dificuldade de se identificar com o mundo dos jogos. <\/p>\n\n\n\n<p>Um relato comum entre as mulheres \u00e9 que, quando est\u00e3o jogando, seus erros s\u00e3o atribu\u00eddos ao fato de serem mulheres, enquanto erros cometidos por homens tendem a ser atribu\u00eddos \u00e0 inexperi\u00eancia do jogador, a um equ\u00edvoco espec\u00edfico, ao fato de n\u00e3o ouvir opini\u00f5es dos colegas e a n\u00e3o saber jogar em time. Qualquer equ\u00edvoco \u00e9 usado para justificar a tese de que mulheres s\u00e3o inferiores aos homens nos jogos. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa posi\u00e7\u00e3o de inferioridade \u00e9 refor\u00e7ada por uma pr\u00e1tica existente nos jogos digitais \u2013 assim como em outros esportes \u2013 chamada <strong><em>trash-talk<\/em><\/strong>, que se caracteriza por uma s\u00e9rie de insultos e provoca\u00e7\u00f5es entre advers\u00e1rios para intimidar o oponente, elevar a confian\u00e7a da sua pr\u00f3pria equipe ou comemorar uma vit\u00f3ria. <\/p>\n\n\n\n<p>Essa pr\u00e1tica, que est\u00e1 muito enraizada na cultura dos jogos on-line e comp\u00f5e o pr\u00f3prio estere\u00f3tipo do gamer e o que se acredita ser \u2018o jeito certo de jogar\u2019, vem servindo de desculpa para a express\u00e3o de falas machistas \u2013 e tamb\u00e9m racistas e LGBTQf\u00f3bicas. <\/p>\n\n\n\n<p>O discurso de \u00f3dio contra mulheres \u2013 e pessoas negras e LGBTQ+ \u2013 acaba provocando nelas um efeito de <strong>dessensibiliza\u00e7\u00e3o<\/strong>. Como mostrou uma <a href=\"https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/0731121419837588?journalCode=spxb\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">pesquisa de 2019<\/span><\/strong><\/a> com negros v\u00edtimas de racismo em jogos, assim como as pontas dos dedos de um violonista ficam calejadas (enrijecidas e sem sensibilidade) devido \u00e0s constantes les\u00f5es provocadas pela corda do viol\u00e3o, a pessoa que \u00e9 v\u00edtima de preconceitos incessantes tende a se dessensibilizar, para aguentar as viol\u00eancias di\u00e1rias e poder continuar jogando. <\/p>\n\n\n\n<p>Todas essas experi\u00eancias negativas, somadas \u00e0 falta de representatividade feminina dentre os jogadores profissionais (e dentro dos pr\u00f3prios jogos), afasta as mulheres desse universo e pode explicar o maior n\u00famero de homens nas comunidades gamers (seja em jogos casuais, seja em jogos competitivos). <\/p>\n\n\n\n<div style=\"height:26px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">A amea\u00e7a do estere\u00f3tipo <\/h2>\n\n\n\n<p>Em 1995, os psic\u00f3logos sociais C.M. Steele e J. Aronson publicaram <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/7473032\/\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">um artigo<\/span><\/strong><\/a> em que definiram a chamada &#8220;amea\u00e7a do estere\u00f3tipo&#8221;. Segundo esses cientistas, quando uma pessoa se v\u00ea pertencente a um grupo que \u00e9 alvo de um estere\u00f3tipo negativo, ela ter\u00e1 piores desempenhos em atividades que tenham rela\u00e7\u00e3o com esse estere\u00f3tipo. <\/p>\n\n\n\n<p>Nos \u00faltimos 20 anos, <a href=\"http:\/\/books.scielo.org\/id\/wd\/pdf\/lordelo-9788523209315-11.pdf\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">in\u00fameras pesquisas demostraram<\/span><\/strong><\/a> os efeitos negativos da amea\u00e7a do estere\u00f3tipo sofridos pelas mulheres na matem\u00e1tica, pelos negros na \u00e1rea acad\u00eamica como um todo e pelos idosos em testes de mem\u00f3ria. Hoje, h\u00e1 pesquisas que mostram que a amea\u00e7a do estere\u00f3tipo tamb\u00e9m afeta a <a href=\"http:\/\/guaiaca.ufpel.edu.br\/handle\/prefix\/6494\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">aprendizagem de habilidades motoras<\/span><\/strong><\/a>, a <a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0747563216300723?via%3Dihub\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">performance em jogos<\/span><\/strong><\/a>, entre outras atividades. <\/p>\n\n\n\n<p>O que essas pesquisas demonstram \u00e9 que a diferen\u00e7a de desempenho entre grupos demogr\u00e1ficos (como homens e mulheres) se deve n\u00e3o a uma diferen\u00e7a biol\u00f3gica inata, mas a um contexto cultural e \u00e0 cren\u00e7a em determinados estere\u00f3tipos. N\u00e3o \u00e9 \u00e0 toa que, em pa\u00edses onde h\u00e1 mais equidade de g\u00eanero, a diferen\u00e7a de desempenho entre homens e mulheres em testes de navega\u00e7\u00e3o espacial \u00e9 muito pequena, como identificou a <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-45144663\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">pesquisa de Hugo Spiers<\/span><\/strong><\/a>, da University College London. <\/p>\n\n\n\n<p>A pesquisadora Angelica Mo\u00e8, da Universidade de Padova (It\u00e1lia), possui <a href=\"https:\/\/pubmed.ncbi.nlm.nih.gov\/?term=Mo%C3%A8+A&amp;cauthor_id=29858725\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">v\u00e1rios estudos<\/span><\/strong><\/a> que apontam para a mesma conclus\u00e3o: a cren\u00e7a das mulheres nos estere\u00f3tipos de g\u00eanero impacta negativamente sua performance. E apenas com est\u00edmulos verbais que contrariem esse estere\u00f3tipo \u00e9 poss\u00edvel reverter essa situa\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p>No contexto dos jogos, tamb\u00e9m existem pesquisas afirmando que percep\u00e7\u00f5es negativas em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s mulheres podem ter um efeito direto em seus desempenhos. Assim, refor\u00e7ar a ideia de que \u201cmulheres n\u00e3o s\u00e3o boas em jogos competitivos\u201d e de que \u201cas mulheres cometem erros em jogos porque s\u00e3o mulheres\u201d \u00e9 uma pr\u00e1tica que deixa os homens em consider\u00e1vel vantagem. <\/p>\n\n\n\n<p>Os efeitos desse comportamento n\u00e3o se restringem \u00e0 presen\u00e7a feminina em jogos. <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/341791814_Stereotype_Threat_in_a_Video_Game_Context_and_Its_Influence_on_Perceptions_of_Science_Technology_Engineering_and_Mathematics_STEM_Avatar-Induced_Active_Self-Concept_as_a_Possible_Mitigator\"><strong><span style=\"color:#0693e3\" class=\"tadv-color\">Muitos estudos e relat\u00f3rios mostram<\/span><\/strong><\/a> que os jogos t\u00eam sido um fator importante para o interesse em \u00e1reas de ci\u00eancia, tecnologia, engenharias e matem\u00e1tica. <\/p>\n\n\n\n<p>Assim, quando exclu\u00edmos as mulheres do universo dos jogos, quando dizemos \u00e0s meninas que jogos e ci\u00eancias exatas s\u00e3o coisas de meninos, quando oferecemos \u00e0s meninas apenas brinquedos que envolvem o cuidado de beb\u00eas e o cuidado com o lar, quando a ind\u00fastria produz jogos em que n\u00e3o h\u00e1 mulheres (ou h\u00e1 mulheres em posi\u00e7\u00f5es secund\u00e1rias e sexualizadas ou v\u00edtimas de viol\u00eancia), quando dizemos que uma mulher jogou mal porque ela \u00e9 mulher, estamos exercendo um poder muito perverso que \u00e9 o da manuten\u00e7\u00e3o do estere\u00f3tipo feminino. <\/p>\n\n\n\n<p>Para a sorte dos homens, esse poder vem garantindo seus privil\u00e9gios nas sociedades modernas. Mas pelo menos agora sabemos que existe um ant\u00eddoto para ele.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator is-style-dots\" \/>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC8gDRqZ_olweOhLewFMjrzA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9 novo por aqui? Conhe\u00e7a o CANAL CI\u00caNCIA NERD<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"wp-block-spacer\"><\/div>\n\n\n\n<p>Leia mais: <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/ri.ufs.br\/jspui\/handle\/riufs\/10336\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amea\u00e7a do estere\u00f3tipo em jovens negros na escolha profissional.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/repositorio.iscte-iul.pt\/bitstream\/10071\/21338\/4\/master_maria_peixoto_goncalves.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">Amea\u00e7a de estere\u00f3tipo et\u00e1rio e ado\u00e7\u00e3o de tecnologias pelos trabalhadores mais velhos<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\"><a href=\"https:\/\/www.apa.org\/research\/action\/stereotype\">Amea\u00e7a do estere\u00f3tipo aumenta a lacuna de realiza\u00e7\u00f5es.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-vivid-cyan-blue-color has-text-color\">Texto relacionado: <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2021\/06\/09\/bruxas\/\">As bruxas do passado e do presente.<\/a><\/p>\n\n\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mulheres s\u00e3o biologicamente inferiores aos homens em alguns aspectos? Muitos pensam que sim, mas o que diz a ci\u00eancia sobre esse assunto?<\/p>\n","protected":false},"author":173,"featured_media":1720,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[66,23,98,83],"tags":[116,117,115,111,112],"class_list":["post-1715","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-ciencias-humanas-e-sociais","category-jogos","category-mente-e-cerebro","tag-estereotipo","tag-games","tag-mulheres","tag-psicologia","tag-violencia"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1715","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/173"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1715"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1715\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1729,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1715\/revisions\/1729"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1720"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1715"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1715"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1715"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}