{"id":1852,"date":"2024-07-30T18:21:38","date_gmt":"2024-07-30T21:21:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/?p=1852"},"modified":"2024-07-30T19:26:44","modified_gmt":"2024-07-30T22:26:44","slug":"guerra-dos-mundos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2024\/07\/30\/guerra-dos-mundos\/","title":{"rendered":"A transmiss\u00e3o de r\u00e1dio que mudou o mundo"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"eplus-wrapper  wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio wp-block-embed alignright is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe title=\"Quando uma r\u00e1dio anunciou o FIM DO MUNDO\" width=\"800\" height=\"450\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/SZCTdWr86FA?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Por volta de 2009, antes mesmo de entrar na faculdade de f\u00edsica, ouvi uma hist\u00f3ria em uma palestra que me impactou muito. Anos mais tarde, voltei a ouvir a mesma hist\u00f3ria ao menos 3 outras vezes, sendo uma delas em uma disciplina que cursei na faculdade de comunica\u00e7\u00e3o da minha universidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mesmo nunca tendo lido essa hist\u00f3ria em lugar nenhum, passei a replic\u00e1-la. Toda vez que queria convencer as pessoas do qu\u00e3o poderosa \u00e9 a imprensa, essa hist\u00f3ria vinha \u00e0 tona.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Recentemente, resolvi coloc\u00e1-la no papel e publicar um texto na minha sess\u00e3o da revista Ci\u00eancia Hoje. E, pela primeira vez, fui estudar sobre o assunto. Mas afinal, que hist\u00f3ria \u00e9 essa?<\/p>\n\n\n\n<p class=\"eplus-wrapper\">Este conte\u00fado foi originalmente publicado em uma vers\u00e3o editada na <em><a href=\"https:\/\/cienciahoje.org.br\/artigo\/superpoderes-da-comunicacao\/\"><strong>edi\u00e7\u00e3o 403 da Revista Ci\u00eancia Hoje<\/strong><\/a><\/em> e tamb\u00e9m o publiquei em v\u00eddeo no canal Ci\u00eancia Nerd. Voc\u00ea pode assisti-lo no player ao lado!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"eplus-wrapper wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<h2 class=\"eplus-wrapper wp-block-heading\" style=\"font-size:25px\"><strong>A Guerra dos Mundos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em julho de 1938, a emissora de r\u00e1dio Columbia Broadcasting System (CBS) lan\u00e7ou um programa chamado&nbsp;<em>Mercury Theatre on the Air<\/em>, criado e apresentado pelo ator Orson Welles (1915-1985). Com trilha sonora de Bernard Herrmann (1911-1975) \u2013 que veio a se tornar um dos maiores compositores de cinema \u2013, um grupo de atores liderados por Welles interpretava obras liter\u00e1rias cl\u00e1ssicas, como&nbsp;<em>Dr\u00e1cula<\/em>,&nbsp;<em>A volta ao mundo em 80 dias<\/em>&nbsp;e&nbsp;<em>O Conde de Monte Cristo<\/em>. O programa era uma esp\u00e9cie de radiodrama, como um teatro em \u00e1udio atrav\u00e9s do r\u00e1dio.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image alignright size-full is-resized eplus-wrapper\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1199\" height=\"674\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/46037490_605.jpg\" alt=\"radio orson welles guerra dos mundos\" class=\"wp-image-1860\" style=\"width:578px;height:auto\" title=\"Secao_Ciencia e Cultura Pop_CH403\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/46037490_605.jpg 1199w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/46037490_605-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/46037490_605-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/46037490_605-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/46037490_605-500x281.jpg 500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/46037490_605-800x450.jpg 800w\" sizes=\"(max-width: 1199px) 100vw, 1199px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Est\u00fadio da CBS onde foi realizada a transmiss\u00e3o da Guerra dos Mundos. Cr\u00e9ditos: Acme Telephoto<br><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No dia 30 de outubro daquele ano, \u00e0s v\u00e9speras do Halloween, iniciou-se uma transmiss\u00e3o que entraria para a hist\u00f3ria. O programa come\u00e7ou \u00e0s 20h com o aviso de que o espet\u00e1culo da noite seria uma adapta\u00e7\u00e3o do romance&nbsp;<em>A guerra dos mundos<\/em>, de H. G. Wells (1866-1946). Os pr\u00f3ximos 50 minutos de programa simularam uma programa\u00e7\u00e3o t\u00edpica de r\u00e1dio, com m\u00fasicas tocando e um apresentador dando informa\u00e7\u00f5es sobre elas. Por\u00e9m, havia algo de diferente: de tempos em tempos, as m\u00fasicas eram interrompidas por boletins de not\u00edcias que traziam informa\u00e7\u00f5es em tempo real de fen\u00f4menos estranhos que estavam ocorrendo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nas primeiras interrup\u00e7\u00f5es, foram relatadas explos\u00f5es estranhas na superf\u00edcie de Marte, a queda de um objeto n\u00e3o identificado em uma fazenda na regi\u00e3o de Grovers Mill (Nova Jersey, Estados Unidos) e a chegada das pessoas, da pol\u00edcia e de rep\u00f3rteres ao local para descreverem tudo o que acontecia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Mais tarde, o objeto revelou-se uma nave espacial, de onde sa\u00edram marcianos armados destruindo tudo e todos. As not\u00edcias seguintes foram cada vez mais catastr\u00f3ficas. M\u00e1quinas de guerra enormes lan\u00e7avam fuma\u00e7a venenosa por Nova Iorque, cidades eram evacuadas e os poucos sobreviventes narravam tudo que estava acontecendo. Em suma, o programa de r\u00e1dio se tornou uma esp\u00e9cie de narra\u00e7\u00e3o em tempo real da destrui\u00e7\u00e3o do planeta por marcianos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image alignleft size-full is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" width=\"512\" height=\"285\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/unnamed.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1859\" style=\"width:496px;height:auto\" title=\"Secao_Ciencia e Cultura Pop_CH403\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/unnamed.jpg 512w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/unnamed-300x167.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2024\/07\/unnamed-500x278.jpg 500w\" sizes=\"(max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Ilustra\u00e7\u00e3o da Guerra dos Mundos<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Foram v\u00e1rios os elementos dessa dramatiza\u00e7\u00e3o que contribu\u00edram para o realismo do programa: o formato de boletins de not\u00edcias ao vivo, a credibilidade jornal\u00edstica do r\u00e1dio, o trabalho dos atores (que interpretaram rep\u00f3rteres, cientistas, pol\u00edticos e sobreviventes), a trilha e os efeitos sonoros, a precis\u00e3o das descri\u00e7\u00f5es dos objetos marcianos e a aus\u00eancia de novos lembretes de que se tratava de uma obra ficcional. Por essas raz\u00f5es, esse programa \u00e9 considerado por muitos como uma obra-prima.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">No dia seguinte, os jornais da \u00e9poca relataram que a transmiss\u00e3o provocou p\u00e2nico em toda a costa leste dos Estados Unidos. Estimava-se que mais de 1 milh\u00e3o de pessoas acreditaram que, de fato, aquilo estava acontecendo. Linhas telef\u00f4nicas ficaram sobrecarregadas, as ruas foram tomadas por pessoas desesperadas, estradas ficaram obstru\u00eddas por uma tentativa de fuga em massa de algumas cidades, delegacias ficaram cheias e at\u00e9 foram registrados casos de suic\u00eddio, homic\u00eddio e ataques card\u00edacos naquele dia. A manchete do dia seguinte nos maiores jornais do pa\u00eds era: \u2018Guerra falsa no r\u00e1dio espalha terror pelos Estados Unidos\u2019.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Alguns estudiosos afirmam que a transmiss\u00e3o de&nbsp;<em>A guerra dos mundos<\/em>&nbsp;\u00e9 um exemplo de como a m\u00eddia \u00e9 capaz de moldar a realidade e criar informa\u00e7\u00f5es falsas, capazes de afetar drasticamente a vida das pessoas. E at\u00e9 hoje, passados mais de 80 anos, conta-se sobre esse evento que marcou a hist\u00f3ria da comunica\u00e7\u00e3o.&nbsp;Se um programa de r\u00e1dio foi capaz de convencer as pessoas de que a Terra estava sendo invadida e destru\u00edda por extraterrestres, imagine a facilidade que a m\u00eddia teria para nos enganar sobre coisas muito menos espetaculares e mais cotidianas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\" wp-block-image is-resized eplus-wrapper\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/cienciahoje.org.br\/wp-content\/uploads\/2023\/10\/Secao_Ciencia-e-Cultura-Pop_CH403.jpg\" alt=\"\" style=\"width:451px;height:auto\" title=\"Secao_Ciencia e Cultura Pop_CH403\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\"><strong>A capa do jornal New York Daily News de 31 de outubro de 1938 estampava a manchete: \u201cFalsa guerra do r\u00e1dio provoca terror nos Estados Unidos\u201d (tradu\u00e7\u00e3o livre)<\/strong>. CR\u00c9DITO: ARQUIVO DO NEW YORK DAILY NEWS VIA GETTY IMAGES<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<hr class=\"eplus-wrapper is-style-default wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando fui me preparar para escrever esse texto, busquei jornais da \u00e9poca, relatos de pessoas que viveram esse per\u00edodo, reportagens atuais relembrando essa transmiss\u00e3o de r\u00e1dio e pesquisas cient\u00edficas da \u00e1rea de comunica\u00e7\u00e3o analisando toda essa hist\u00f3ria. Depois de muitos dias de pesquisas intensas, cheguei a uma conclus\u00e3o que &#8216;tirou o meu ch\u00e3o&#8217;. Essa impressionante repercuss\u00e3o da transmiss\u00e3o de r\u00e1dio, na realidade, nunca aconteceu!<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"eplus-wrapper is-style-default wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<h1 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><strong>A constru\u00e7\u00e3o de uma lenda<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Por meio de uma vasta documenta\u00e7\u00e3o, incluindo milhares de cartas de ouvintes, pesquisadores garantem que, apesar da cobertura jornal\u00edstica e dos relatos de supostas v\u00edtimas, nunca houve um p\u00e2nico generalizado e o impacto foi, na verdade, muito pequeno.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em um livro de mem\u00f3rias, o editor de r\u00e1dio Ben Gross afirma que as ruas de Manhattan estavam vazias e calmas naquela noite, contrariando as manchetes de alguns jornais, que afirmavam que a falsa guerra transmitida em r\u00e1dio espalhou terror pelos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Outra evid\u00eancia de que nada de espetacular aconteceu foi o fato de que nem a emissora, nem Welles sofreram qualquer processo ou san\u00e7\u00e3o jur\u00eddica, o que seria esperado caso eles realmente tivessem causado todo esse caos no pa\u00eds. O historiador W. Joseph Campbell mostra, em seu livro&nbsp;<em>Dez das principais hist\u00f3rias mal contadas no jornalismo americano<\/em>, que os jornais abandonaram essa hist\u00f3ria muito rapidamente. Se a repercuss\u00e3o tivesse sido t\u00e3o grande, porque ela n\u00e3o teria ocupado as manchetes dos jornais por mais do que dois dias?&nbsp;Outras evid\u00eancias demonstram que a audi\u00eancia do programa era muito pequena e n\u00e3o havia nenhuma chance dele ter alcan\u00e7ado tantas pessoas. <\/p>\n\n\n\n<hr class=\"eplus-wrapper is-style-default wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Quando recebi esse balde de \u00e1gua fria, senti que meu texto havia ido para o lixo! Eu queria usar essa hist\u00f3ria para demonstrar o quanto a m\u00eddia era poderosa, capaz de nos fazer acreditar que estar\u00edamos vivendo o enredo de uma fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. Mas diante de todas as evid\u00eancias, n\u00e3o podia mais replic\u00e1-la, dizendo que ela realmente aconteceu. Mas, nesse momento, me veio uma luz: o r\u00e1dio pode n\u00e3o ter sido capaz de convencer as pessoas de que o planeta estava sendo invadido por marcianos. Mas os jornais impressos foram poderosos o suficiente para nos convencer (at\u00e9 hoje) de que todo esse p\u00e2nico realmente aconteceu. Ent\u00e3o, de certa forma, a m\u00eddia norte-americana conseguiu, sim, forjar uma hist\u00f3ria e faz\u00ea-la perdurar e ser replicada por v\u00e1rias d\u00e9cadas. <\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Assim, resolvi seguir com a escrita do meu texto, seguindo uma nova linha de racioc\u00ednio. Mas, para isso, novas perguntas precisavam de respostas:<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Se essa enorme repercuss\u00e3o n\u00e3o aconteceu, por que existem hist\u00f3rias sobre ela? Por que jornais da \u00e9poca foram categ\u00f3ricos ao narrar sobre o terror causado pela transmiss\u00e3o? Como conseguiram pessoas para dar depoimentos que confirmassem o p\u00e2nico, o caos, e at\u00e9 as mortes. Por que n\u00f3s vemos essa hist\u00f3ria ser contada at\u00e9 hoje como se fosse verdade, inclusive por jornalistas e professores em faculdades de comunica\u00e7\u00e3o?<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"eplus-wrapper is-style-default wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<h1 class=\" wp-block-heading eplus-wrapper\"><strong>O poder da m\u00eddia<\/strong><\/h1>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Nas d\u00e9cadas de 30 e 40, o r\u00e1dio estava ganhando muito espa\u00e7o e credibilidade. Figuras pol\u00edticas utilizavam o r\u00e1dio como meio de comunica\u00e7\u00e3o. Isso fez com que o r\u00e1dio atra\u00edsse uma grande receita de publicidade (que antes ia para os jornais impressos). Tudo indica que, ao se tornar um concorrente de peso, os jornais mais tradicionais se aproveitaram da situa\u00e7\u00e3o e constru\u00edram uma hist\u00f3ria muito exagerada sobre a repercuss\u00e3o da transmiss\u00e3o para tentar abalar a credibilidade do r\u00e1dio como fonte de not\u00edcias. At\u00e9 mesmo jornais grandes, como o&nbsp;<em>The New York Times<\/em>, se uniram ao coro dos que denunciavam a irresponsabilidade do r\u00e1dio, por meio de seus editoriais e de reportagens com supostas testemunhas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">A partir dessas evid\u00eancias fica claro que a m\u00eddia tem sim um grande poder, porque ela foi capaz de construir uma lenda que perdura at\u00e9 hoje, apesar de todas as evid\u00eancias contr\u00e1rias.&nbsp;No entanto, esse seu superpoder depende de um fator muito importante: pessoas. Assim como o som se propaga pelo ar (ou outros meios materiais), uma informa\u00e7\u00e3o s\u00f3 se propaga atrav\u00e9s de <strong>pessoas<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Para atrair a aten\u00e7\u00e3o das pessoas e fazer com que elas queiram espalhar informa\u00e7\u00f5es, os ve\u00edculos de comunica\u00e7\u00e3o e produtores de conte\u00fado usam todo tipo de estrat\u00e9gia, desde as mais tradicionais at\u00e9 as mais modernas, desde as mais \u00e9ticas at\u00e9 as mais question\u00e1veis e obscuras. Alguns ve\u00edculos mais sensacionalistas costumam apelar para o lado emocional dos leitores, espectadores e ouvintes e manipulam, principalmente, a sua raiva e indigna\u00e7\u00e3o. Sentimentos intensos como a raiva nos fazem compartilhar informa\u00e7\u00f5es sem nem checar sua veracidade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Al\u00e9m disso, a nossa tend\u00eancia de interpretar e selecionar as informa\u00e7\u00f5es de modo que confirmem nossas cren\u00e7as e nossa constante preocupa\u00e7\u00e3o em nos posicionarmos publicamente sobre tudo o que acontece fazem de n\u00f3s excelentes meios de propaga\u00e7\u00e3o de informa\u00e7\u00f5es, principalmente as falsas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/brasil.elpais.com\/tecnologia\/2020-06-11\/fake-news-seguem-padroes-concretos-e-os-algoritmos-ja-conseguem-rastrea-los.html\">Um estudo da Iniciativa de Economia Digital do Instituto de Tecnologia de&nbsp;Massachusetts&nbsp;(MIT<\/a>)&nbsp;analisou 126 mil publica\u00e7\u00f5es no Twitter e concluiu que uma informa\u00e7\u00e3o verdadeira leva um tempo seis vezes maior para alcan\u00e7ar 1.500 pessoas do que uma informa\u00e7\u00e3o falsa. Esse resultado nos faz lembrar de uma famosa frase atribu\u00edda ao escritor norte-americano Mark Twain (1835-1910): \u201cUma mentira pode dar a volta ao mundo, enquanto a verdade est\u00e1 cal\u00e7ando os sapatos\u201d. E veja que ironia, Mark Twain nunca escreveu essa frase.<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\"><a href=\"https:\/\/slate.com\/culture\/2013\/10\/orson-welles-war-of-the-worlds-panic-myth-the-infamous-radio-broadcast-did-not-cause-a-nationwide-hysteria.html\">Como defende o historiador cultural norte-americano Jeffrey Sconce<\/a>, podemos encarar essa lenda do terror pelo r\u00e1dio como um lembrete simb\u00f3lico do qu\u00e3o poderosa a m\u00eddia pode ser. Ao mesmo tempo, o caso escancara a necessidade de uma educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica para a popula\u00e7\u00e3o, afinal, n\u00f3s tamb\u00e9m temos o poder de escolher qual hist\u00f3ria ou not\u00edcia iremos espalhar e potencializar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">Em um mundo digital, fortemente mediado pela internet, precisamos ser mais cr\u00edticos diante do oceano de informa\u00e7\u00f5es a que temos acesso e mais capazes de diferenciar fontes confi\u00e1veis das n\u00e3o confi\u00e1veis e de checar a veracidade de uma not\u00edcia.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\" eplus-wrapper\">E nada disso vai adiantar se n\u00e3o formos capazes de abandonar nosso vi\u00e9s de confirma\u00e7\u00e3o, nossa busca incessante por provas que validem nossas cren\u00e7as, nossas verdades absolutas. Precisamos ter ouvidos sens\u00edveis ao contradit\u00f3rio e nos permitir pensar sobre aquilo em que n\u00e3o acreditamos ou discordamos, porque a verdade pode, muitas vezes, estar justamente nesses dif\u00edceis lugares.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"is-style-dots eplus-wrapper wp-block-separator has-css-opacity\" \/>\n\n\n\n<div class=\"eplus-wrapper wp-block-buttons is-layout-flex wp-block-buttons-is-layout-flex\">\n<div class=\"eplus-wrapper wp-block-button\"><a class=\"wp-block-button__link wp-element-button\" href=\"https:\/\/www.youtube.com\/channel\/UC8gDRqZ_olweOhLewFMjrzA\" target=\"_blank\" rel=\"noreferrer noopener\">\u00c9 novo por aqui? Conhe\u00e7a o CANAL CI\u00caNCIA NERD<\/a><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div style=\"height:23px\" aria-hidden=\"true\" class=\"eplus-wrapper wp-block-spacer\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 1938, Orson Welles e sua equipe apresentaram uma adapta\u00e7\u00e3o de &#8220;A Guerra dos Mundos&#8221; em um programa de r\u00e1dio. A transmiss\u00e3o foi t\u00e3o convincente que causou uma onda de p\u00e2nico nos Estados Unidos. <\/p>\n","protected":false},"author":173,"featured_media":1856,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[66,55],"tags":[126,30,127],"class_list":["post-1852","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencia","category-super-poderes","tag-comunicacao","tag-jornalismo","tag-radio"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1852","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/173"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1852"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1852\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1871,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1852\/revisions\/1871"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1856"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1852"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1852"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1852"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}