{"id":223,"date":"2016-12-18T16:54:09","date_gmt":"2016-12-18T18:54:09","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/?p=223"},"modified":"2017-04-18T14:43:39","modified_gmt":"2017-04-18T17:43:39","slug":"agradavel-fronteira-entre-fato-e-ficcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2016\/12\/18\/agradavel-fronteira-entre-fato-e-ficcao\/","title":{"rendered":"A agrad\u00e1vel e ilus\u00f3ria fronteira entre fato e fic\u00e7\u00e3o (vol. 3, n. 2, 2016)"},"content":{"rendered":"<h1>O qu\u00e3o fatual e o qu\u00e3o ficcional s\u00e3o as narrativas do nosso dia-a-dia?<\/h1>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A <em><strong>narrativa<\/strong> <\/em>est\u00e1 presente em boa parte das coisas que lemos ou assistimos. Nos livros de literatura, nos quadrinhos, no cinema, no r\u00e1dio, na televis\u00e3o, nos jornais. Ela se infiltra nos mais variados estilos, escritos e orais, de comunica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<blockquote><p><strong><u>Narrar<\/u> <\/strong>\u00e9 contar uma hist\u00f3ria, atrav\u00e9s de uma sequ\u00eancia de acontecimentos (enredo), onde personagens se movimentam no tempo e no espa\u00e7o.<\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_226\" aria-describedby=\"caption-attachment-226\" style=\"width: 186px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-226\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/for-reading-752607-300x273.jpg\" alt=\"\" width=\"186\" height=\"169\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/for-reading-752607-300x273.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/for-reading-752607-768x698.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/for-reading-752607-1024x931.jpg 1024w\" sizes=\"(max-width: 186px) 100vw, 186px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-226\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt\">Av\u00f3 e netinha lendo uma hist\u00f3ria<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>O ato de narrar, ou contar hist\u00f3rias, foi um elemento de import\u00e2ncia central para a transmiss\u00e3o das mais variadas tradi\u00e7\u00f5es e culturas desde os povos mais antigos do mundo.<\/p>\n<p>Gra\u00e7as a essa perpetua\u00e7\u00e3o de hist\u00f3rias, oral e escrita, hoje podemos conhecer um pouco das gera\u00e7\u00f5es que nos antecederam e receber influ\u00eancias de civiliza\u00e7\u00f5es que nem nossos tatatatarav\u00f4s conheceram.<\/p>\n<p>Costuma-se diferenciar as narrativas entre a <strong>fatual<\/strong> e a <strong>ficcional<\/strong>. Sendo que a primeira \u00e9 referente a acontecimentos reais e a segunda, a acontecimentos inventados, que n\u00e3o correspondem \u00e0 realidade. No entanto, quando tentamos estabelecer uma <span style=\"text-decoration: underline\">fronteira<\/span> entre a realidade e a fic\u00e7\u00e3o, percebemos que ela \u00e9 muito mais simb\u00f3lica do que imaginamos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>O que \u00e9 fic\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/h3>\n<p>Quando falamos em <strong><em>fic\u00e7\u00e3o<\/em> <\/strong>imediatamente imaginamos hist\u00f3rias fant\u00e1sticas, que envolvem elementos totalmente distantes da realidade, como monstros, ou her\u00f3is, ou fantasmas, ou tecnologias super avan\u00e7adas. Al\u00e9m disso, tamb\u00e9m associamos \u00e0 fic\u00e7\u00e3o as hist\u00f3rias que, mesmo n\u00e3o tendo estes elementos, foram criadas, inventadas, e nunca aconteceram.<\/p>\n<p>Assim, segundo esse conceito que muitos de n\u00f3s temos sobre\u00a0<em><strong>fic\u00e7\u00e3o<\/strong><\/em>, que tipo de narrativa seria n\u00e3o-ficcional, ou fatual?<\/p>\n<figure style=\"width: 433px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/a\/a6\/Desembarque_de_Pedro_%C3%81lvares_Cabral_em_Porto_Seguro_em_1500_by_Oscar_Pereira_da_Silva_(1865%E2%80%931939).jpg\" width=\"433\" height=\"280\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt\">Desembarque de Cabral em Porto Seguro, pintado por Oscar Pereira da Silva em 1922<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Aparentemente, as hist\u00f3rias que lemos tanto nos ve\u00edculos jornal\u00edsticos, quanto nos livros de Hist\u00f3ria, s\u00e3o <strong>fatuais<\/strong>, j\u00e1 que s\u00e3o referentes a <span style=\"text-decoration: underline\">acontecimentos que realmente aconteceram<\/span>, e n\u00e3o s\u00e3o inventados.<\/p>\n<p>Por exemplo, ao narrar sobre a chegada de Cabral no Brasil, os autores de livros de Hist\u00f3ria n\u00e3o est\u00e3o inventando nada, afinal, esse evento verdadeiramente aconteceu, certo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Apesar de termos a nossa defini\u00e7\u00e3o de fic\u00e7\u00e3o, vejamos o que o Dicion\u00e1rio Te\u00f3rico e Cr\u00edtico de Cinema, de Jacques Aumont e Michel Marie, tem a dizer:<\/p>\n<blockquote><p><strong><u>Fic\u00e7\u00e3o<\/u> <\/strong>\u00e9 uma forma de discurso que faz refer\u00eancia a personagens ou a a\u00e7\u00f5es que s\u00f3 existem na imagina\u00e7\u00e3o daquele que a escreve, ou l\u00ea. [&#8230;] A <strong><u>fic\u00e7\u00e3o<\/u> <\/strong>n\u00e3o \u00e9 uma mentira, mas um simulacro da realidade.<\/p><\/blockquote>\n<p>Se a fic\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 uma mentira, mas um simulacro da realidade, ou seja, uma forma de representar o real, ent\u00e3o qualquer hist\u00f3ria que algu\u00e9m conte ser\u00e1 ficcional, certo?\u00a0<span style=\"font-size: 1.0625rem\"><strong>Toda forma de relato \u00e9 uma tentativa de se reproduzir a realidade atrav\u00e9s de palavras (proferidas ou escritas), logo, \u00e9 uma esp\u00e9cie de fic\u00e7\u00e3o<\/strong>.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_229\" aria-describedby=\"caption-attachment-229\" style=\"width: 290px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\" wp-image-229\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/MagrittePipe-300x210.jpg\" alt=\"\" width=\"290\" height=\"203\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/MagrittePipe-300x210.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/MagrittePipe.jpg 378w\" sizes=\"(max-width: 290px) 100vw, 290px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-229\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt\">Pintura do pintor belga Ren\u00e9 Magritte. A frase \u00a0em franc\u00eas significa: &#8220;Isto n\u00e3o \u00e9 um cachimbo&#8221;.<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>\u00c9 como a famosa pintura de Magritte de um cachimbo, seguida dos dizeres &#8220;Isto n\u00e3o \u00e9 um cachimbo&#8221;. Parece estranho,\u00a0a uma primeira vista. \u00c9 \u00f3bvio que \u00e9 um cachimbo, poder\u00edamos argumentar.<\/p>\n<p>Por\u00e9m, a frase que acompanha a imagem tem toda a raz\u00e3o. Se voc\u00ea estivesse diante deste quadro, voc\u00ea n\u00e3o poderia peg\u00e1-lo e colocar fogo, como poderia fazer se fosse um cachimbo de verdade. A imagem que vemos \u00e9 uma <span style=\"text-decoration: underline\">representa\u00e7\u00e3o<\/span> de um cachimbo. Assim como um relato \u00e9 uma <span style=\"text-decoration: underline\">representa\u00e7\u00e3o<\/span> de um acontecimento.<\/p>\n<figure id=\"attachment_227\" aria-describedby=\"caption-attachment-227\" style=\"width: 261px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-227\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/press-1015988-300x199.jpg\" alt=\"\" width=\"261\" height=\"173\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/press-1015988-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/press-1015988-768x511.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/press-1015988-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/press-1015988-120x80.jpg 120w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/press-1015988-480x320.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 261px) 100vw, 261px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-227\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt\">Representa\u00e7\u00e3o de um rep\u00f3rter e um fot\u00f3grafo<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-size: 1.0625rem\">Essa conclus\u00e3o vai dar uma dor de cabe\u00e7a, principalmente nos jornalistas mais&#8230; cl\u00e1ssicos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 1.0625rem\"> Dizer que h\u00e1 um parentesco entre a mais fidedigna narrativa jornal\u00edstica e a mais fantasiosa narrativa liter\u00e1ria (j\u00e1 que ambas s\u00e3o ficcionadas), coloca em cheque princ\u00edpios considerados fundamentais no jornalismo, como objetividade, veracidade, etc.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Eu ainda n\u00e3o estou convencido<\/strong>. As mat\u00e9rias que lemos no jornal, as reportagens de televis\u00e3o, as not\u00edcias do r\u00e1dio n\u00e3o podem ser fic\u00e7\u00f5es. Elas falam sobre os fatos, sobre a\u00a0realidade, n\u00e3o s\u00e3o inventadas como em um livro qualquer de literatura.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong>A agrad\u00e1vel\u00a0e ilus\u00f3ria fronteira entre o fato e a fic\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Imagine que voc\u00ea est\u00e1 caminhando na rua e v\u00ea uma pessoa correndo segurando uma mochila nas m\u00e3os. Ao interagir com este acontecimento <strong>real<\/strong> voc\u00ea o registrar\u00e1 em sua mente, usando seus recursos intelectuais, para que isso lhe sirva de mem\u00f3ria (j\u00e1 que o acontecido passou a fazer parte do passado).<\/p>\n<p>Essa vers\u00e3o que est\u00e1 na sua mente \u00e9 um <span style=\"text-decoration: underline\">modelo representativo da realidade<\/span>\u00a0(um simulacro). E pessoas diferentes\u00a0<strong>n\u00e3o<\/strong> poder\u00e3o criar vers\u00f5es iguais de um mesmo fato, pois esse simulacro \u00e9 diretamente influenciado por elementos subjetivos do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>A sua vis\u00e3o de mundo, suas experi\u00eancias pessoais, os livros que voc\u00ea leu, os filmes que assistiu, seu estado emocional no instante do acontecido, s\u00e3o algumas das muitas vari\u00e1veis que influenciar\u00e3o a forma como voc\u00ea apreender\u00e1 a realidade e a registrar\u00e1 em sua mente.<\/p>\n<figure id=\"attachment_231\" aria-describedby=\"caption-attachment-231\" style=\"width: 231px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-231\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/Iceberg-207x300.jpg\" alt=\"\" width=\"231\" height=\"335\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/Iceberg-207x300.jpg 207w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/Iceberg.jpg 705w\" sizes=\"(max-width: 231px) 100vw, 231px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-231\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 8pt\">Fotomontagem de um iceberg por Uwe Kils<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Al\u00e9m disso, as <strong>pessoas s\u00e3o como icebergs<\/strong>. A parte superficial (externa e vis\u00edvel) \u00e9 muito pequena se comparada \u00e0 parte submersa (interna e oculta). Nem n\u00f3s mesmos conhecemos as profundezas do nosso eu.<\/p>\n<p>Imagine que voc\u00ea est\u00e1 num navio, v\u00ea um amontoado de gelo\u00a0e faz um desenho. Por mais fiel que esse desenho esteja \u00e0 parte superior do iceberg, voc\u00ea nunca ser\u00e1 capaz de expressar a complexidade dessa massa de gelo inteira no papel. At\u00e9 mesmo o \u00e2ngulo que voc\u00ea est\u00e1 fazendo sua observa\u00e7\u00e3o far\u00e1 diferen\u00e7a na sua vers\u00e3o do iceberg.<\/p>\n<p>Da mesma forma, se\u00a0algu\u00e9m te pedir para descrever o seu pai, sua m\u00e3e, ou um parente muito pr\u00f3ximo, voc\u00ea ir\u00e1 resgatar na sua mente a imagem que tem dessa pessoa. Essa representa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea criou para lembrar-se dela, com certeza ser\u00e1 um personagem muito rico, com profundidade e absolutamente similar \u00e0 pessoa que ela representa.<\/p>\n<p>Mas ser\u00e1 que essa representa\u00e7\u00e3o mental, esse personagem, ser\u00e1 uma c\u00f3pia perfeita do seu parente? <span style=\"text-decoration: underline\"><em>A complexidade de uma vida humana nunca conseguiria ser completamente transposta para o personagem de uma narrativa<\/em><\/span>.<\/p>\n<p>De acordo com a doutora em literatura Daisi Vogel, tanto a narrativa liter\u00e1ria, quanto as narrativas hist\u00f3rica e jornal\u00edstica s\u00e3o igualmente &#8220;inventadas&#8221;,<\/p>\n<blockquote><p>&#8220;porque dependem dos recursos da imagina\u00e7\u00e3o, que operam a mem\u00f3ria, para <strong>recordar<\/strong>, <strong>reconhecer<\/strong>, <strong>relacionar<\/strong> e <strong>ordenar<\/strong> narrativamente os eventos apurados ou testemunhados&#8221;<\/p><\/blockquote>\n<p><strong>E por causa disso&#8230;<\/strong> toda narrativa, seja ela baseada em eventos reais ou fantasiosos, tem essa caracter\u00edstica de <span style=\"text-decoration: underline\">ficcionalidade<\/span>, porque deriva da mem\u00f3ria. Somente o <strong>FATO<\/strong>, no presente, no instante em que ele aconteceu, \u00e9 que \u00e9 <strong>FATUAL<\/strong>. Qualquer tentativa de\u00a0retom\u00e1-lo num futuro, ser\u00e1 parte da imagina\u00e7\u00e3o de algu\u00e9m, ou seja, ser\u00e1\u00a0<strong>FIC\u00c7\u00c3O<\/strong>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-454 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/03\/surprise-98460_640.png\" alt=\"\" width=\"32\" height=\"33\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/03\/surprise-98460_640.png 621w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/03\/surprise-98460_640-150x150.png 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/03\/surprise-98460_640-291x300.png 291w\" sizes=\"(max-width: 32px) 100vw, 32px\" \/>Esse tempo todo estou sendo enganado<\/strong>??<\/h3>\n<p>De fato, a fronteira que costumamos usar entre <span style=\"text-decoration: underline\">fato e fic\u00e7\u00e3o<\/span> \u00e9 ilus\u00f3ria e agrad\u00e1vel (como diz o t\u00edtulo). Ilus\u00f3ria pelas raz\u00f5es que j\u00e1 explicamos. E agrad\u00e1vel porque nos faz acreditar que \u00e9 poss\u00edvel existir\u00a0<strong>neutralidade<\/strong>\u00a0ao relatar um acontecimento, ao se noticiar algo, ao contar uma hist\u00f3ria. Quando, na verdade, n\u00e3o h\u00e1 narrativa fatual, sen\u00e3o o pr\u00f3prio acontecimento.<\/p>\n<p>Essa desilus\u00e3o, de que todas as informa\u00e7\u00f5es que obtemos n\u00e3o passam de vers\u00f5es &#8211; e que elas s\u00e3o muito afetadas pela vis\u00e3o de mundo daquele que a registrou &#8211; nos faz questionar at\u00e9 mesmo o conceito de &#8220;verdade&#8221;. Tente pensar sobre isso. E numa postagem futura podemos voltar a esse tema.<\/p>\n<p>Mas o mais importante de tudo isso n\u00e3o \u00e9 que passemos a desacreditar completamente de tudo que lemos, assistimos ou ouvimos. O importante \u00e9 que levemos esses fatores em conta ao ter contato com alguma hist\u00f3ria ou informa\u00e7\u00e3o e saibamos buscar fontes variadas para, a partir de diferentes pontos de vista sobre um mesmo fato, construirmos a nossa pr\u00f3pria opini\u00e3o.<\/p>\n<p>E quanto mais n\u00f3s formos <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2016\/11\/19\/anarquia_na_internet\/\">an\u00e1rquicos na nossa busca de informa\u00e7\u00f5es<\/a>, mais chances teremos de chegar pr\u00f3ximo do verdadeiro acontecimento (embora ele seja inalcan\u00e7\u00e1vel) e mais pr\u00f3ximos chegaremos de uma verdade (se ela realmente existir).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>_____________________<\/p>\n<p>Esse post foi inspirado no artigo <a href=\"http:\/\/www.revistas.usp.br\/caligrama\/article\/viewFile\/56676\/59706\">A Fic\u00e7\u00e3o do Relato Jornal\u00edstico<\/a>, de Daisi Vogel, publicado na revista USP.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O qu\u00e3o fatual e o qu\u00e3o ficcional s\u00e3o as narrativas do nosso dia-a-dia? &nbsp; A narrativa est\u00e1 presente em boa<\/p>\n","protected":false},"author":173,"featured_media":237,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"colormag_page_container_layout":"default_layout","colormag_page_sidebar_layout":"default_layout","_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[23],"tags":[34,32,30,31,33],"class_list":["post-223","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-ciencias-humanas-e-sociais","tag-fato","tag-ficcao","tag-jornalismo","tag-narrativa","tag-personagem"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2016\/12\/pipe-grande-e1482076478252.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/users\/173"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=223"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":632,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/223\/revisions\/632"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media\/237"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=223"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=223"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=223"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}