{"id":253,"date":"2017-02-06T09:36:04","date_gmt":"2017-02-06T11:36:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/?p=253"},"modified":"2020-10-30T08:39:05","modified_gmt":"2020-10-30T11:39:05","slug":"montanha-russa-fisica-e-adrenalina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/2017\/02\/06\/montanha-russa-fisica-e-adrenalina\/","title":{"rendered":"Montanha-Russa: A f\u00edsica a servi\u00e7o da adrenalina (vol. 4, n. 1, 2017)"},"content":{"rendered":"<h1>Como \u00e9 a f\u00edsica desses super-brinquedos e porque s\u00e3o t\u00e3o atrativos para v\u00e1rias pessoas?<\/h1>\n<p>A amiga Carol Mantovani, do blog <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nasasasdodragao\/\">Nas Asas do Drag\u00e3o<\/a>, fez um post super did\u00e1tico e interessante sobre o que acontece com o nosso corpo quando estamos diante de uma Montanha-Russa (que voc\u00ea pode e deve <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/nasasasdodragao\/2017\/02\/06\/montanhas-russas-voce-encara-ou-foge\/\">conferir aqui<\/a>). Aproveitando a ocasi\u00e3o, o Ci\u00eancia Nerd resolveu explorar este mesmo tema, mas do ponto de vista f\u00edsico.<\/p>\n<h3><strong>Um pouco sobre Energia<\/strong><\/h3>\n<p>Para entender melhor sobre a f\u00edsica das Montanhas-Russas, precisamos relembrar alguns conceitos b\u00e1sicos.<\/p>\n<p>Se eu tenho uma bola de futebol na minha frente e quero que ela chegue at\u00e9 o gol eu preciso <span style=\"text-decoration: underline\">chut\u00e1-la<\/span>. Ao fazer isso, eu estou <span style=\"text-decoration: underline\">transferindo energia<\/span> para a bola e, com isso, ela poder\u00e1 se mover at\u00e9 o gol (desde que minha mira n\u00e3o seja p\u00e9ssima). Essa energia que a bola passou a ter depois do meu\u00a0chute \u00e9 chamada <span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span>:<\/p>\n<blockquote><p><strong><span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span><\/strong> \u00e9 capacidade que um corpo tem de se movimentar. Ela est\u00e1 associada \u00e0 velocidade. Quanto mais r\u00e1pido um corpo est\u00e1, significa que mais <span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span> ele possui.<\/p><\/blockquote>\n<p>Existe alguma outra forma de dar <span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span> a um corpo (ou seja, dar velocidade a ele) sem precisar chut\u00e1-lo, empurr\u00e1-lo ou jog\u00e1-lo?<\/p>\n<p>Bom, experimente pegar uma caneta, ergu\u00ea-la sobre o ch\u00e3o do seu quarto e solt\u00e1-la. Naturalmente, ela vai cair, ou seja, ganhar velocidade. O que fez com que a caneta ganhasse velocidade, ou seja, <span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span>, foi uma outra forma de energia, chamada <span style=\"color: #0000ff\">Potencial<\/span>:<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"color: #0000ff\"><strong>Energia Potencial<\/strong><\/span> \u00e9 uma forma de energia que est\u00e1 relacionado com a altura do objeto em\u00a0rela\u00e7\u00e3o ao ch\u00e3o. Quanto mais alto um corpo estiver, maior ser\u00e1 sua <span style=\"color: #0000ff\">Energia Potencial<\/span>.<\/p><\/blockquote>\n<p>E a grande mec\u00e2nica que rege o movimento de quaisquer corpos, incluindo as\u00a0Montanhas-Russas, \u00e9 baseada na convers\u00e3o\u00a0de uma dessas formas de energia em outra. Por exemplo: quando eu ergo a caneta eu estou fornecendo a ela <span style=\"color: #0000ff\">Energia Potencial<\/span>. Logo que eu a solto, a caneta ir\u00e1 cair, o que significa que a\u00a0<span style=\"color: #0000ff\">Energia Potencial<\/span>\u00a0est\u00e1 sendo convertida em <span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span>, ou seja, em velocidade.<\/p>\n<p>Vamos, ent\u00e3o, para o caso das Montanhas-Russas.<\/p>\n<h3><strong>A Primeira Subida (<del><span style=\"font-size: 10pt\">ou &#8220;Aquele Momento Que Voc\u00ea Pensa Em Desistir, Mas N\u00e3o Tem Mais Jeito&#8221;<\/span><\/del>)<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_250\" aria-describedby=\"caption-attachment-250\" style=\"width: 260px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-250\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/77402.gif\" alt=\"Anima\u00e7\u00e3o da primeira subida da montanha-russa\" width=\"260\" height=\"235\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-250\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Anima\u00e7\u00e3o da primeira subida da montanha-russa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>&#8220;Tek, tek, tek, tek, tek&#8221; \u00e9 o conhecido barulho das correntes puxando os carrinhos na primeira subida da Montanha-Russa. Lembra-se do exemplo da caneta? Ao elev\u00e1-los a uma grande altura, os carrinhos est\u00e3o acumulando <span style=\"color: #0000ff\">Energia Potencial<\/span>.<\/p>\n<p>Esse \u00e9 o momento fisicamente mais importante de todo o percurso, pois \u00e9 onde os carros ir\u00e3o acumular a energia que precisam para chegar at\u00e9 o final do trajeto.<\/p>\n<p>At\u00e9 que chegamos no topo, onde n\u00e3o ser\u00e1 mais necess\u00e1rio o uso das correntes e a <span style=\"color: #0000ff\">Energia Potencial<\/span> \u00e9 m\u00e1xima.<\/p>\n<h3><strong>A Primeira Descida (<del><span style=\"font-size: 10pt\">ou &#8220;Aquele Momento De Maior Desespero&#8221;<\/span><\/del>)<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_255\" aria-describedby=\"caption-attachment-255\" style=\"width: 444px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-255\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/beast3-300x185.jpg\" alt=\"Fotografia de Joel Rogers da primeira descida de uma Montanha Russa\" width=\"444\" height=\"274\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/beast3-300x185.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/beast3-768x472.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/beast3-1024x630.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/beast3.jpg 1600w\" sizes=\"(max-width: 444px) 100vw, 444px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-255\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Fotografia de Joel Rogers da primeira descida de uma Montanha Russa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Quando o carrinho come\u00e7a a primeira descida, quem faz o trabalho de pux\u00e1-lo \u00e9 apenas a gravidade (e assim ser\u00e1 at\u00e9 o final da viagem).<\/p>\n<p>E, ent\u00e3o, queda livre. Toda a <span style=\"color: #0000ff\">Energia Potencial<\/span> que estava armazenada ser\u00e1 convertida em <span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span>.<\/p>\n<p>Quanto mais alto for o primeiro topo (ou seja, mais <span style=\"color: #0000ff\">energia potencial<\/span>), mais velocidade o carrinho vai ganhar na descida (ou seja, mais <span style=\"color: #339966\">energia cin\u00e9tica<\/span>).<\/p>\n<h3><strong>As demais subidas e descidas<\/strong><\/h3>\n<figure id=\"attachment_262\" aria-describedby=\"caption-attachment-262\" style=\"width: 527px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"wp-image-262\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/77437.gif\" alt=\"Anima\u00e7\u00e3o de uma Montanha-Russa completa\" width=\"527\" height=\"301\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-262\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Anima\u00e7\u00e3o de uma Montanha-Russa completa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Na maioria das Montanhas-Russas o primeiro ponto \u00e9 o mais alto do percurso. Se houver algum pico mais alto do que o primeiro, ele com certeza ter\u00e1 correntes para fornecerem MAIS energia para os carrinhos subirem.<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, passada a primeira descida, fique tranquilo (<del>tranquilo? At\u00e9 parece<\/del>) porque nenhuma descida ser\u00e1 mais r\u00e1pida que a primeira.<\/p>\n<h3><strong>Looping &#8211; O momento mais esperado da Montanha-Russa<del>, ou n\u00e3o<\/del><\/strong><\/h3>\n<p>Pelo que j\u00e1 aprendemos, a altura do looping PRECISA ser <span style=\"text-decoration: underline\">mais baixa<\/span> que a do primeiro topo. Os engenheiros especializados nesses super brinquedos projetam a Montanha-Russa para que o carrinho chegue com a velocidade perfeita no looping.<\/p>\n<p>Se os carrinhos n\u00e3o chegam com velocidade suficiente, eles correm risco de cair antes mesmo de chegar no topo do loop. No entanto, se eles chegam muito r\u00e1pidos (com muita\u00a0<span style=\"color: #339966\">energia cin\u00e9tica<\/span>) a estrutura met\u00e1lica da Montanha-Russa pode n\u00e3o aguentar a for\u00e7a que os carrinhos far\u00e3o nela, e com isso ruir.<\/p>\n<p>A imagem abaixo mostra como as Energias <span style=\"color: #0000ff\">Potencial<\/span> (barrinha azul) e <span style=\"color: #339966\">Cin\u00e9tica<\/span> (barrinha verde) variam ao longo do trecho de uma Montanha-Russa:<\/p>\n<figure id=\"attachment_266\" aria-describedby=\"caption-attachment-266\" style=\"width: 484px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-266\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/77466.gif\" alt=\"Anima\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o das Energias Potencial e Cin\u00e9tica ao longo de um trecho da Montanha-Russa.\" width=\"484\" height=\"319\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-266\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Anima\u00e7\u00e3o da varia\u00e7\u00e3o das Energias Potencial e Cin\u00e9tica ao longo de um trecho da Montanha-Russa<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>Observe com aten\u00e7\u00e3o que o <span style=\"text-decoration: underline\">primeiro morro<\/span> \u00e9 o mais alto e a <span style=\"color: #0000ff\">energia potencial<\/span> \u00e9 <span style=\"text-decoration: underline\">m\u00e1xima<\/span>. Quando ele come\u00e7a a descer, a <span style=\"color: #0000ff\">Potencial<\/span> vai se convertendo em <span style=\"color: #339966\">Cin\u00e9tica<\/span>, at\u00e9 que ele come\u00e7a a subir o segundo morro, fazendo o processo inverso. Ao chegar no ponto mais baixo do looping o carrinho est\u00e1 com uma alta velocidade (alta\u00a0<span style=\"color: #339966\">energia cin\u00e9tica<\/span>). E, na medida em que ele sobe no looping, essa <span style=\"color: #339966\">Energia Cin\u00e9tica<\/span>\u00a0vai diminuindo, convertendo-se em\u00a0<span style=\"color: #0000ff\">potencial<\/span>. Ao descer do looping, ocorre o\u00a0processo inverso.<\/p>\n<h3><strong>A Acelera\u00e7\u00e3o e as Experi\u00eancias Radicais<\/strong><\/h3>\n<p>Quando estamos dentro de um ve\u00edculo temos <span style=\"text-decoration: underline\">duas formas de perceber seu movimento<\/span>. Uma delas \u00e9 a\u00a0<strong>visual<\/strong>: se a paisagem ao nosso redor estiver parada, \u00e9 sinal de que tamb\u00e9m estamos parados.<\/p>\n<figure id=\"attachment_271\" aria-describedby=\"caption-attachment-271\" style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption alignright\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-271\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/image007.jpg\" alt=\"Desenho de um \u00f4nibus freando e desequilibrando os passageiros\" width=\"500\" height=\"398\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/image007.jpg 541w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/ciencianerd\/wp-content\/uploads\/sites\/113\/2017\/02\/image007-300x239.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-271\" class=\"wp-caption-text\"><span style=\"font-size: 10pt\">Desenho de um \u00f4nibus freando e desequilibrando os passageiros<\/span><\/figcaption><\/figure>\n<p>A outra forma de perceber o movimento \u00e9 pelo <strong>tato<\/strong>. Quando voc\u00ea est\u00e1 em um \u00f4nibus e o motorista freia o seu corpo vai para frente, por in\u00e9rcia. Da mesma forma, quando o motorista arranca, voc\u00ea sente como se algo te empurrasse para tr\u00e1s.<\/p>\n<p><span style=\"text-decoration: underline\">Essa sensa\u00e7\u00e3o que seu organismo registra<\/span>, e que parece uma for\u00e7a invis\u00edvel que te empurra para frente ou para tr\u00e1s, \u00e9 provocada pela <strong>acelera\u00e7\u00e3o<\/strong>, ou seja, pela varia\u00e7\u00e3o da velocidade.<\/p>\n<p>Sempre que voc\u00ea est\u00e1 em um ve\u00edculo e ele varia a sua velocidade, voc\u00ea vai perceber essa varia\u00e7\u00e3o. \u00c9 claro que\u00a0quando a varia\u00e7\u00e3o \u00e9 muito pequena \u00e9 dif\u00edcil perceber. Mas se for muito grande, voc\u00ea provavelmente tomar\u00e1 at\u00e9 um susto.<\/p>\n<p>Muitos dos brinquedos radicais que vemos em um parque (Montanhas-Russas, as Torres de Queda Livre, os barcos que deixam as pessoas de cabe\u00e7a para baixo, etc.) se baseiam <span style=\"text-decoration: underline\">nesse princ\u00edpio<\/span>.<\/p>\n<blockquote><p>Quanto mais acelera\u00e7\u00e3o um ve\u00edculo tiver (ou seja, quanto mais brusca forem as varia\u00e7\u00f5es de velocidade), mais intensa ser\u00e1 a sensa\u00e7\u00e3o que voc\u00ea vai experimentar.<\/p><\/blockquote>\n<p>E \u00e9 exatamente isso que torna esses brinquedos t\u00e3o atrativos, porque n\u00e3o s\u00e3o muitas coisas no nosso dia-a-dia que provocam sensa\u00e7\u00f5es similares.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como \u00e9 a f\u00edsica desses super-brinquedos e porque s\u00e3o t\u00e3o atrativos para v\u00e1rias pessoas? 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