11 de fevereiro: Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência

Publicado por Giovana Maria Breda Veronezi em

Em 2015, a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou a Agenda 2030 para o desenvolvimento sustentável. Trata-se de uma chamada global para promover melhorias das condições de vida e conservação do planeta, buscando uma forma de desenvolvimento que atenda as necessidades atuais sem no entanto prejudicar as gerações futuras. 

Para tal, foi estabelecido um conjunto de 17 objetivos a serem alcançados em um período de 15 anos. Algumas das medidas propostas são bem conhecidas quando se fala sobre o assunto, como o combate à fome e à pobreza, acesso à água potável e saneamento, consumo e produção responsáveis, energia limpa e educação de qualidade; mas um tópico também presente talvez ainda não seja muito pensado nesse sentido: a equidade de gênero

Logo da ONU (dir.) e objetivos da Agenda 2030 (esq.) Imagens: ONU, reproduzidas de nacoesunidas.org e institutovotorantim.org.br

Cada vez mais tem se reconhecido que o acesso igualitário de homens e mulheres às mesmas oportunidades tem grande impacto no desenvolvimento da sociedade, sendo inclusive um direito fundamental. A progressão dos objetivos da ONU na Agenda 2030 e determinação de quais direções devem ser tomadas para que estes sejam bem-sucedidos passa diretamente pela ciência e pesquisa. Assim, uma das propostas é alcançar a igualdade de participação feminina também nesse campo, em que infelizmente as mulheres ainda são minoria.

Segundo levantamento do Instituto de Estatística da Unesco (Unesco Institute for Statistics – UIS) menos de 30% dos pesquisadores no mundo são mulheres1. No Brasil, mulheres ocupam apenas 14% das posições na Academia Brasileira de Ciências2. Desde o estabelecimento do Prêmio Nobel em 1901 até hoje, 19 mulheres versus 595 homens foram laureados nas áreas de física, química e fisiologia ou medicina, sem nenhuma mulher premiada nestas categorias na última edição, em 20193.

Uma das ferramentas utilizadas pela ONU para trazer visibilidade e promover conscientização acerca de um determinado tema é o estabelecimento de dias internacionais. Foi então aprovado durante a Assembleia Geral no ano de 2015 o dia 11 de fevereiro como o Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência. A data visa reconhecer a importância das mulheres nesse campo e incentivar meninas a se interessarem mais e seguirem carreiras na ciência, derrubando barreiras como estereótipos e falta de acesso que acabam impedindo-as de se verem como cientistas.

Arte representativa das “sete mulheres que moldaram o mundo” (dir.) e a pesquisadora brasileira Márcia Barbosa, parte da lista (esq.) Imagens: Daria Koshkina, reproduzido de news.un.org; arquivo pessoal, reproduzido de piaui.folha.uol.com.br

Neste ano de 2020, o quinto de celebração dessa data, a ONU Mulheres publicou uma lista de “sete cientistas que moldaram o mundo” que você pode encontrar aqui. Ao lado de grandes nomes internacionais da ciência como Marie Curie, o Brasil marcou presença representado pela pesquisadora e física Márcia Cristina Bernardes Barbosa, que estuda as propriedades da água e é grande defensora da igualdade de gênero na ciência.

Entre outras datas estabelecidas pela organização para ajudar no combate à desigualdade de gênero estão o Dia internacional das mulheres (8 de março), Dia internacional da menina (11 de outubro), o Dia internacional das mulheres rurais (15 de outubro) e o Dia internacional da eliminação da violência contra as mulheres (25 de novembro).

Certamente para que estes e outros dos objetivos propostos na Agenda 2030 se concretizem são necessárias mudanças significativas, incluindo a implementação de políticas públicas, mas a criação de espaços para que esses assuntos sejam debatidos e trazidos à tona é um grande aliado nesse caminho.

 

Você pode ler mais sobre esse assunto e sobre a participação de mulheres nas áreas de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática (STEM, na sigla em inglês) neste outro post aqui do blog: Maritza Soto e Lia Medeiros: 2 mulheres que estão fazendo a diferença na astronomia

Aqui você também pode encontrar uma ótima entrevista com a Dra. Márcia Barbosa para a Agência FAPESP.

Página oficial do dia internacional das mulheres e meninas na ciência: 

https://www.un.org/en/observances/women-and-girls-in-science-day (inglês)

https://news.un.org/pt/tags/dia-internacional-das-mulheres-e-meninas-na-ciencia (português)

 

Referências:

1 http://uis.unesco.org/en/topic/women-science

2 http://www.if.ufrgs.br/~barbosa/Publications/Gender/gender-abc-cnpq.pdf

3 https://www.nobelprize.org/prizes/facts/nobel-prize-facts/#note


Giovana Maria Breda Veronezi

Graduada em Ciências Biológicas pela Unicamp em 2014 e Mestra em Biologia Celular e Estrutural pela mesma universidade. Com o sonho de criança em ser Bióloga realizado, almeja na vida adulta ver a ciência (e o mundo) cada vez mais pelos olhos delas.

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