{"id":1036,"date":"2020-03-25T18:13:55","date_gmt":"2020-03-25T21:13:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/?p=1036"},"modified":"2020-04-01T16:58:44","modified_gmt":"2020-04-01T19:58:44","slug":"a-ciencia-pelos-olhos-da-profa-dra-telma-p-vinha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2020\/03\/25\/a-ciencia-pelos-olhos-da-profa-dra-telma-p-vinha\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia pelos olhos da Profa. Dra. Telma P. Vinha"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem me conhece sabe bem o quanto eu aprecio uma conversa no combo amiga + caf\u00e9. E foi assim, com uma x\u00edcara de caf\u00e9 na m\u00e3o, que encontrei a Profa. Dra. Telma Pileggi Vinha, em uma liga\u00e7\u00e3o virtual que teve tom de conversa entre amigas, para apresent\u00e1-la `a voc\u00eas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;A professora Telma \u00e9 pedagoga com doutorado em Educa\u00e7\u00e3o e docente do Departamento de Psicologia Educacional da Faculdade de Educa\u00e7\u00e3o da Universidade Estadual de Campinas. Ela foi minha escolha de entrevista desta vez pois \u00e9 uma forma de mostrar -lhes que existe ci\u00eancia em todas as \u00e1reas de conhecimento, que a pesquisa executada na universidade p\u00fablica tem a\u00e7\u00e3o direta na sociedade e como ela se desenvolve. Ainda, por causa da tem\u00e1tica da linha de pesquisa da professora Telma, para mostrar que os dados gerados por pesquisa na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o podem contribuir para a forma\u00e7\u00e3o moral do indiv\u00edduo e refletir diretamente em um melhor andamento da sociedade.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dona de uma linha de pesquisa sobre o clima escolar, rela\u00e7\u00f5es interpessoais, problemas de conviv\u00eancia e desenvolvimento sociomoral, a Profa. Telma coordena a forma\u00e7\u00e3o de professores e o desenvolvimento de projetos em escolas que visam favorecer a constru\u00e7\u00e3o da autonomia dos indiv\u00edduos atrav\u00e9s da melhoria da qualidade do clima escolar. Os projetos desenvolvidos por seu grupo agem em escolas, principalmente da rede p\u00fablica, de forma que o financiamento desses tem retorno direto \u00e0 popula\u00e7\u00e3o. Autora e co-autora de livros e artigos (que trazem os resultados de seus estudos) ela ainda coordena, junto com a Profa. Dra. Luciene Regina Paulino Tognetta, o Grupo de Estudos e Pesquisas em Educa\u00e7\u00e3o Moral (GEPEM) &#8211; grupo esse que atua na integra\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de estudo e pesquisa para fomento da pesquisa e sua aproxima\u00e7\u00e3o da realidade escolar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Cientista \u2013 era isso que voc\u00ea queria ser quando crescesse?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">N\u00e3o. Eu na verdade tinha a id\u00e9ia que o cientista \u00e9 aquele indiv\u00edduo presente no laborat\u00f3rio, envolvido com \u00e1rea m\u00e9dica. Meus pais eram cientistas da \u00e1rea biol\u00f3gica e eu os assistia escrevendo teses \u00e0 m\u00e3o, na m\u00e1quina de escrever, durante madrugadas. Para minha vis\u00e3o de crian\u00e7a, era uma vida \u00e1rdua, pensava \u201cpara que estudar tanto?\u201d. Eles chegaram a serem titulares e minha m\u00e3e diretora na USP e eu n\u00e3o almejava aquela vida para mim. Eu os admirava, mas achava muito distante de uma \u201cvida interessante\u201d na \u00e9poca. Contudo, eles me ensinaram a estudar\u2026 o amor pela descoberta, por conhecer, porque conhecimento n\u00e3o se tira! <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Interessante como um professor pode fazer toda a diferen\u00e7a na vida de um aluno. Eu era p\u00e9ssima aluna, mas a mentoria e dedica\u00e7\u00e3o da professora Orly me despertou o gosto pelo conhecimento, por saber mais. Desta forma, fiz o mestrado e doutorado com ela e aqui estou.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Podemos chamar quem faz pesquisa na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o de cientista como nas outras \u00e1reas?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&nbsp;Antigamente eu nem imaginava que quem faz pesquisa na \u00e1rea de humanas era tamb\u00e9m cientista. Ali\u00e1s, essa pergunta me fez parar para pensar que nem sempre a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 vista como ci\u00eancia e que pesquisador em educa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o raro, ainda n\u00e3o \u00e9 visto como cientista. Talvez porque a ideia de cientista ainda esteja relacionada mais ao que fica restrito ao espa\u00e7o da Universidade. E nessa \u00e1rea o \u201ccientista\u201d tamb\u00e9m atua em v\u00e1rios outros espa\u00e7os, com forma\u00e7\u00e3o em escolas e redes de educa\u00e7\u00e3o, dissemina\u00e7\u00e3o nas diferentes m\u00eddias, palestras para p\u00fablicos diversos, assessorias\u2026&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Algum cientista ou descoberta cient\u00edfica a inspirou na escolha dessa carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Profa. Orly, sem d\u00favidas. Como eu disse um professor pode mudar a trajet\u00f3ria de um aluno. Foi ela que, mediante seu trabalho e orienta\u00e7\u00e3o, me despertou esse sentimento de pesquisar, fazer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o\u2026 Outros professores na faculdade que, al\u00e9m de serem muito competentes em suas \u00e1rea, s\u00e1bios, tinham tamb\u00e9m rela\u00e7\u00f5es respeitosas e atenciosas com os estudantes, tamb\u00e9m me inspiraram. Eu pensava: \u201cquero ser assim quando crescer\u201d.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Voc\u00ea j\u00e1 enfrentou alguma dificuldade enquanto cientista por ser mulher?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa pergunta me fez refletir novamente. Foram poucas as vezes em que senti uma certa dificuldade por ser mulher, no sentido de pesquisadora. Acho que o universo da educa\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente dos demais, por ser uma \u00e1rea que tem muitas mulheres, contudo, nem sempre em fun\u00e7\u00f5es de lideran\u00e7a, na gest\u00e3o, conselhos. Eu o senti um preconceito mais forte quando fui m\u00e3e, por viver numa cultura em que a mulher \u00e9 \u201ca respons\u00e1vel\u201d pelos cuidados com os filhos e tamb\u00e9m da pessoa na fam\u00edlia em situa\u00e7\u00e3o de fragilidade. Isso junto com a organiza\u00e7\u00e3o da casa, a press\u00e3o pelos padr\u00f5es est\u00e9ticos&#8230; e ao mesmo tempo dar conta das pesquisas, aulas, publica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Creio que,o fato de ter muitas mulheres na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o significa que n\u00e3o acabamos por sofrer e perpetuar o machismo, ainda que inconsciente, em suas diversas e sutis manifesta\u00e7\u00f5es, por vivermos em uma sociedade machista. Considero um dever de pesquisadores e de quem trabalha com educa\u00e7\u00e3o desvelar, discutir, criticar, posicionar-se, combatendo o machismo. Precisamos sair da esfera individual&#8230;&nbsp;&nbsp;\u00e9 dever contribuirmos com o movimento social em defesa da igualdade de todas as mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como acontece a pesquisa na \u00e1rea da educa\u00e7\u00e3o? Voc\u00ea acha que o financiamento se equipara com as outras frentes? Poderia citar alguma dificuldade?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A educa\u00e7\u00e3o re\u00fane v\u00e1rias \u00e1reas de estudo como a psicologia, a filosofia, a sociologia, a hist\u00f3ria, a epistemologia, a neuropsicologia entre outras, por isso s\u00e3o variadas as possibilidades de pesquisa. Particularmente em nosso grupo de pesquisa temos desenvolvido v\u00e1rios tipos de estudo como investiga\u00e7\u00f5es sobre desenvolvimento humano como, por exemplo, a forma em que s\u00e3o constru\u00eddas as estrat\u00e9gias de negocia\u00e7\u00e3o em situa\u00e7\u00f5es de conflito ao longo dos anos; pesquisas com interven\u00e7\u00f5es em escolas ou redes de ensino, como, por exemplo, procedimentos para lidar com os problemas de conviv\u00eancia; constru\u00e7\u00e3o de instrumentos para avaliar o clima escolar ou o bullying na escola, e possibilidades de transforma\u00e7\u00e3o, entre outros. Considero importante que nessa \u00e1rea identifiquemos os problemas e necessidades das escolas e redes de ensino no desenvolvimento de pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image is-resized\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/Telma-Vinha-jornal-unicamp.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1025\" width=\"379\" height=\"281\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/Telma-Vinha-jornal-unicamp.jpeg 413w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/Telma-Vinha-jornal-unicamp-300x222.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/Telma-Vinha-jornal-unicamp-80x60.jpeg 80w\" sizes=\"(max-width: 379px) 100vw, 379px\" \/><figcaption>Grupo de pesquisa da Profa. Dra. Telma Vinha para Unicamp. Foto do arquivo pessoal. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Geralmente as pesquisas em educa\u00e7\u00e3o n\u00e3o s\u00e3o caras, mas temos dificuldade de financiamento porque educa\u00e7\u00e3o nem sempre \u00e9 prioridade, principalmente no cen\u00e1rio atual. Outro aspecto \u00e9 que como educa\u00e7\u00e3o congrega \u00e1reas diversas com concep\u00e7\u00f5es diferentes, inclusive ideol\u00f3gicas, percebe-se certo embargo decorrente dessas concep\u00e7\u00f5es tanto na aprova\u00e7\u00e3o de projetos quanto na an\u00e1lise dos artigos para publica\u00e7\u00e3o. Eu defendo tamb\u00e9m a amplia\u00e7\u00e3o das parcerias com o terceiro setor, institutos e funda\u00e7\u00f5es no desenvolvimento de pesquisas, o que nem sempre \u00e9 visto com bons olhos por alguns nessa \u00e1rea. Mas claro que levando em conta alguns crit\u00e9rios como a autonomia para a pesquisa e divulga\u00e7\u00e3o dos resultados, assim como as caracter\u00edsticas da institui\u00e7\u00e3o ou parceiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Temos tido muitas demandas das escolas e redes de ensino solicitando assessoria e forma\u00e7\u00f5es, contudo, infelizmente, n\u00e3o temos recursos pessoais e financeiros que permitam atender a maior parte dessas solicita\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Algumas vezes realizamos conv\u00eanios com tais institui\u00e7\u00f5es, contudo as condi\u00e7\u00f5es, taxas, burocracia entre outras quest\u00f5es envolvidas nesses conv\u00eanios, al\u00e9m da morosidade do processo, faz com que as propostas fiquem caras, haja dificuldade para contratar e formar uma equipe e tamb\u00e9m manejar os recursos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Qual o impacto gerado pelas pesquisas em desenvolvimento moral nas escolas?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Todo educador pretende favorecer o desenvolvimento da autonomia moral de seus alunos, mas nem sempre os procedimentos e a qualidade das rela\u00e7\u00f5es favorecem esse processo. Nossas escolas tamb\u00e9m t\u00eam enfrentado problemas comportamentais recorrentes como indisciplina, viol\u00eancia, bullying e apresentam dificuldades para lidar de forma construtiva com tais conflitos, e mesmo para promover uma conviv\u00eancia mais respeitosa e cooperativa. Nossos estudos t\u00eam encontrado que as experi\u00eancias no trabalho com os valores e conviv\u00eancia democr\u00e1tica s\u00e3o, geralmente, pontuais e de curta dura\u00e7\u00e3o. Em geral, as escolas agem como \u201cbombeiro\u201d, ou seja, lidam com os conflitos depois que eles ocorrem e as interven\u00e7\u00f5es s\u00e3o mais pautadas no bom senso.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ao longo dos anos temos desenvolvidos pesquisas que mostram a import\u00e2ncia que a escola atue tanto de forma interventiva, como \u201cbombeiro\u201d, mas tamb\u00e9m que aja de maneira preventiva com rela\u00e7\u00e3o aos problemas de conviv\u00eancia e promotora dos valores e do desenvolvimento sociomoral e emocional. Para isso \u00e9 preciso implantar aos poucos v\u00e1rias a\u00e7\u00f5es diferentes, mas&nbsp;&nbsp;complementares entre si que ir\u00e3o promover a melhoria da qualidade da conviv\u00eancia na escola, do clima escolar e do processo de resolu\u00e7\u00e3o dos conflitos, como por exemplo, criar espa\u00e7os de participa\u00e7\u00e3o e di\u00e1logo, como as assembleias em cada classe e espa\u00e7os para a media\u00e7\u00e3o de conflitos e protagonismo dos jovens. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A conviv\u00eancia precisa ser planejada coletivamente como as demais \u00e1reas do curr\u00edculo. Isso faz toda a diferen\u00e7a para que os procedimentos vividos e os objetivos de formar para a autonomia sejam coerentes. Para isso \u00e9 fundamental que os profissionais da escola recebam forma\u00e7\u00e3o na \u00e1rea e suporte na implanta\u00e7\u00e3o dessas transforma\u00e7\u00f5es. Quando a ci\u00eancia \u00e9 levada para a escola, os professores s\u00e3o formados para aprenderem como lidar os problemas de conviv\u00eancia, como se comunicar de forma mais construtiva, como ampliar o di\u00e1logo e o desenvolvimento do pensamento cr\u00edtico por exemplo. O que \u00e9 o papel das ci\u00eancias humanas: refletir sobre os desafios e pr\u00e1ticas escolares com um olhar mediado por uma teoria cient\u00edfica e desenvolver propostas e solu\u00e7\u00f5es amparados por esse conhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os resultados dos estudos que desenvolvemos e de outros pesquisadores v\u00e3o em dire\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria ao processo de militariza\u00e7\u00e3o das escolas p\u00fablicas que est\u00e1 sendo proposto pelo MEC. Os desafios que nossas escolas enfrentam s\u00e3o dif\u00edceis e complexos e as propostas para lidar com eles devem sempre refletir no tipo de pessoas que queremos formar, com um ambiente escolar que efetivamente favore\u00e7a esse desenvolvimento. Nossos jovens ir\u00e3o interagir numa sociedade democr\u00e1tica e plural, cada vez mais complexa e repleta de dilemas \u00e9ticos e a ci\u00eancia tem muito o que contribuir com as escolas nesse sentido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente estamos trabalhando num projeto para contribuir com propostas de transforma\u00e7\u00e3o nessa \u00e1rea em redes estaduais de educa\u00e7\u00e3o, com materiais p\u00fablicos e gratuitos para qualquer escola.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Um outro aspecto que gostaria de destacar \u00e9 que estamos numa \u00e9poca de aumento do obscurantismo, em que ci\u00eancia tem sido fortemente atacada. \u00c9 muito importante que os pesquisadores tornem acess\u00edvel e disseminem seus estudos para a sociedade, saindo do \u201cacho\u201d ou \u201cquest\u00e3o de opini\u00e3o\u201d para o \u201cvamos falar sobre estudos na \u00e1rea\u201d. A unicamp tem incentivado muito esse di\u00e1logo com a sociedade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nosso grupo de pesquisa tem tido essa preocupa\u00e7\u00e3o por meio de palestras, redes sociais, entrevista \u00e0 imprensa, v\u00eddeos, artigos em jornais e revistas para o p\u00fablico em geral, o que \u00e9 um desafio para n\u00f3s pesquisadores acostumados com a linguagem acad\u00eamica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Conseguimos p\u00f4r em pr\u00e1tica ao ler os livros? Essa pr\u00e1tica acontece somente na sala de aula?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os livros e v\u00eddeos contribuem para os estudos e forma\u00e7\u00e3o do professor, contribuindo por exemplo, como ele pode lidar com conflito escolar. Tamb\u00e9m podem ajudar os pais na melhoria das rela\u00e7\u00f5es com seus filhos, como mudando a maneira de falar de forma mais&nbsp;&nbsp;emp\u00e1tica e assertiva. Contudo, h\u00e1 limita\u00e7\u00f5es, pois \u00e9 diferente dos procedimentos reflexivos presentes em encontros de forma\u00e7\u00e3o presenciais.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No programa de forma\u00e7\u00e3o e transforma\u00e7\u00e3o que estamos desenvolvendo para as escolas na \u00e1rea da conviv\u00eancia, estamos desenhando materiais que n\u00e3o dependam tanto de especialistas na \u00e1rea. \u00c9 um processo de forma\u00e7\u00e3o em grande escala com propostas reflexivas de maneira a contribuir de forma mais efetiva para que ocorram mudan\u00e7as na cultura da escola. Um trabalho desafiador!<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que voc\u00ea gostaria que mudasse no incentivo \u00e0 carreira acad\u00eamica na \u00e1rea da Educa\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de na Unicamp termos condi\u00e7\u00f5es privilegiadas, diferentes de in\u00fameras outras institui\u00e7\u00f5es,tivemos, nos \u00faltimos anos, deteriora\u00e7\u00e3o das condi\u00e7\u00f5es de trabalho. Na \u00e1rea acad\u00eamica, tem ocorrido cada vez mais um processo de adequa\u00e7\u00e3o \u00e0s regras atuais do modo capitalista de produ\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Estamos muito sobrecarregados com in\u00fameras demandas na vida acad\u00eamica, caindo num produtivismo, que gera press\u00e3o e stress. Isso dificulta o desenvolvimento de pesquisas mais complexas e em longo prazo, desvaloriza a extens\u00e3o e faz com que nos dediquemos a aspectos que nem sempre s\u00e3o aqueles que ir\u00e3o favorecer uma boa forma\u00e7\u00e3o dos graduandos e p\u00f3s-graduandos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Gostaria que houvesse ainda maiores possibilidades de financiamentos e valoriza\u00e7\u00e3o, numa \u00e1rea considerada menos priorit\u00e1ria de que outras, assim como desburocratiza\u00e7\u00e3o e maior agilidade e flexibilidade para a realiza\u00e7\u00e3o de conv\u00eanios e parcerias.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/violencia4-1024x683.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1027\" width=\"415\" height=\"276\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/violencia4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/violencia4-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/violencia4-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/violencia4-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/violencia4-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 415px) 100vw, 415px\" \/><figcaption>Profa. Dra. Telma Vinha em aula sobre viol\u00eancia. Arquivo pessoal. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Descreva, em poucas palavras, a ci\u00eancia pelos olhos da Dra. Telma Vinha&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ci\u00eancia \u00e9 central para a sociedade, promotora de transforma\u00e7\u00f5es. Envolve encantamento nas perguntas, nas descobertas, nos debates, numa nova ideia. Mas tamb\u00e9m \u00e9 muito trabalho, compromisso e \u00e9tica. \u00c9 um processo que se faz de forma coletiva, com parcerias e debates. N\u00e3o se faz ci\u00eancia sozinho. Creio que tamb\u00e9m envolve um compromisso social, na forma\u00e7\u00e3o de novos pesquisadores e estudantes e na divulga\u00e7\u00e3o para a sociedade, ainda mais em uma \u00e9poca em que a ci\u00eancia&nbsp;&nbsp;tem sido t\u00e3o vilipendiada.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem me conhece sabe bem o quanto eu aprecio uma conversa no combo amiga + caf\u00e9. E foi assim, com uma x\u00edcara de caf\u00e9 na m\u00e3o, que encontrei a Profa. Dra. Telma Pileggi Vinha, em uma liga\u00e7\u00e3o virtual que teve tom de conversa entre amigas, para apresent\u00e1-la `a voc\u00eas.&nbsp; &nbsp;A [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":402,"featured_media":1023,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[],"class_list":["post-1036","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pelos-olhos-de"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/03\/telma-2019-unicamp.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/402"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1036"}],"version-history":[{"count":17,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1077,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1036\/revisions\/1077"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1023"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1036"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1036"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1036"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}