{"id":1307,"date":"2020-05-11T10:12:58","date_gmt":"2020-05-11T13:12:58","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/?p=1307"},"modified":"2020-05-11T10:35:39","modified_gmt":"2020-05-11T13:35:39","slug":"ciencia-pelos-olhos-professora-tania-ueda-nakamura","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2020\/05\/11\/ciencia-pelos-olhos-professora-tania-ueda-nakamura\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia pelos olhos da Prof\u00aa Dr\u00aa Tania Ueda-Nakamura"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 com satisfa\u00e7\u00e3o que hoje, em parceria com minha colega de blog <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/author\/cienciapelosolhosdelas\/\"><strong>Marina Felisbino<\/strong><\/a>, publicamos a entrevista realizada com a Professora universit\u00e1ria, farmac\u00eautica e microbiologista Dra. Tania Ueda-Nakamura, dando seguimento ao nosso <strong>Especial Epidemias<\/strong>, em virtude da atual <strong>pandemia causada pelo novo coronav\u00edrus<\/strong> <strong>SARS-CoV-2<\/strong>, respons\u00e1vel pela doen\u00e7a <strong>COVID-19<\/strong>.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A Dr\u00aa Tania graduou-se em Farm\u00e1cia pela Universidade Estadual de Maring\u00e1 em 1980, obteve seu t\u00edtulo de Mestrado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas &#8211; Microbiologia (1990) pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e o t\u00edtulo de Doutorado em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas \u2013 Biof\u00edsica (2001) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Realizou, entre 2010 e 2011, um p\u00f3s-doutorado no Centro Nacional para a Pesquisa Cient\u00edfica (em franc\u00eas, <em>Centre National de la Recherche Scientifique)<\/em>, considerado pela revista brit\u00e2nica <em>Nature <\/em>como a primeira institui\u00e7\u00e3o mundial de pesquisa especializada em ci\u00eancias e pesquisa, e&nbsp; a maior institui\u00e7\u00e3o p\u00fablica de pesquisa cient\u00edfica na Fran\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De volta ao Brasil, Tania atualmente \u00e9 professora associada ao Departamento de Ci\u00eancias B\u00e1sicas da Sa\u00fade na Universidade Estadual de Maring\u00e1, onde orienta projetos de pesquisa de alunos de Mestrado e Doutorado no laborat\u00f3rio de Atividade Antiviral junto ao Programa de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sua pesquisa tem focado na \u00e1rea de <strong>Microbiologia e Virologia<\/strong>, como a <strong>avalia\u00e7\u00e3o da atividade antiviral de produtos naturais e sint\u00e9ticos<\/strong>. Possui uma produ\u00e7\u00e3o cient\u00edfica de destaque, com quase 200 artigos publicados ao longo de sua carreira em revistas cient\u00edficas, al\u00e9m de cap\u00edtulos de livros e in\u00fameros resumos em anais de congressos internacionais.&nbsp;<br>Na entrevista a seguir, a Professora Tania compartilha conosco suas experi\u00eancias e seus posicionamentos sobre a pandemia causada pela <strong>COVID-19<\/strong> e sobre <strong>mulheres na ci\u00eancia<\/strong>, al\u00e9m de abordar tamb\u00e9m dificuldades e carreira acad\u00eamica. Confira abaixo:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>1. Cientista &#8211; Era isso que voc\u00ea queria ser quando crescesse?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Na inf\u00e2ncia, n\u00e3o me lembro de ter esse tipo de pensamento: o que queria ser quando crescesse. Apenas brincava. De casinha, com bonecas, pega-pega, e como quase todas as crian\u00e7as brincava de escolinha, e fazia de conta que eu era a professora. Sempre gostei de observar as coisas e depois, tentar buscar solu\u00e7\u00f5es para os problemas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Possivelmente isso j\u00e1 sinalizasse a voca\u00e7\u00e3o para a academia, mas acredito que na \u00e9poca, ser \u201ccientista\u201d parecia ser algo muito distante e inating\u00edvel para algu\u00e9m crescendo no interior do Brasil, e talvez isso ainda seja uma realidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>2. Algum cientista ou descoberta cient\u00edfica a inspirou na escolha dessa carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nem um cientista, nem uma descoberta cient\u00edfica em particular, mas v\u00e1rios fatores podem ter contribu\u00eddo para seguir essa carreira. Quem viveu a inf\u00e2ncia e a adolesc\u00eancia nas d\u00e9cadas de 60 ou 70 foi muito influenciado pelos filmes e seriados de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, e que a mim particularmente chamavam muito a aten\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Meus pais, apesar de n\u00e3o terem o curso superior, sempre nos estimularam a dedicar aos estudos de uma forma leve, respeitando as nossas limita\u00e7\u00f5es, e fornecendo meios e ferramentas para buscar conhecimentos. T\u00ednhamos acesso a muitos livros e revistas em casa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No in\u00edcio da d\u00e9cada de 70, uma cole\u00e7\u00e3o chamada \u201cOs cientistas\u201d podia ser adquirida nas bancas de revistas. Cada fasc\u00edculo era dedicado a um cientista acompanhado por um kit contendo pe\u00e7as que permitiam reproduzir experimentos relacionado ao cientista: Lavoisier, Dalton, Pasteur, Newton, e assim por diante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a cada quinze dias minha m\u00e3e chegava em casa com um kit novo, e o que mais me chamou a aten\u00e7\u00e3o foi o kit que trazia um microsc\u00f3pio juntamente com uma cole\u00e7\u00e3o de l\u00e2minas. A \u00fanica pe\u00e7a desta cole\u00e7\u00e3o, que guardei por muito tempo foi o microsc\u00f3pio. Coincid\u00eancia ou n\u00e3o, hoje sou Microbiologista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>3. Sempre se interessou em estudar os v\u00edrus? Como sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica a levou \u00e0 especialidade de virologia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O fasc\u00ednio pelos v\u00edrus surgiu quando, logo ap\u00f3s a gradua\u00e7\u00e3o, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 80, eu precisei estudar para a obten\u00e7\u00e3o do t\u00edtulo de Especialista em An\u00e1lises Cl\u00ednicas. O conte\u00fado contemplava v\u00e1rios assuntos, e entre eles a Virologia. E ao aprofundar o estudo nesta mat\u00e9ria, fiquei fascinada por este agente infeccioso t\u00e3o pequeno, mas ao mesmo tempo t\u00e3o intrigante.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quando me vi inclinada a seguir a carreira acad\u00eamica, a primeira oportunidade foi a Bioqu\u00edmica, mas tinha maior afinidade mesmo com a Microbiologia, a \u00e1rea que finalmente escolhi. Por\u00e9m, cultivar v\u00edrus \u00e9 um desafio, pois al\u00e9m da part\u00edcula viral ativa precisamos tamb\u00e9m de uma c\u00e9lula hospedeira, portanto, a pesquisa em Virologia era restrita aos grandes centros de ensino e pesquisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Apesar de ouvir opini\u00f5es de que eu n\u00e3o teria chance de progredir nesta \u00e1rea em uma universidade jovem no interior do Paran\u00e1, eu decidi enfrentar esse desafio e fiz o meu mestrado na \u00e1rea de Virologia, na Universidade Federal de Minas Gerais. Ao ingressar definitivamente na carreira acad\u00eamica, de fato, trabalhar com v\u00edrus resumia-se em realizar testes imunol\u00f3gicos e de biologia molecular, que eram onerosos e faltavam recursos financeiros para desenvolver pesquisa.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No doutorado, sob orienta\u00e7\u00e3o do Dr. Wanderley de Souza do Instituto de Biof\u00edsica Carlos Chagas Filho (UFRJ), estudando a biologia das leishm\u00e2nias, tive a oportunidade de me atualizar em biologia celular, aprender a cultivar c\u00e9lulas e trabalhar com modelos animais.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Era in\u00edcio do s\u00e9culo 21, a economia no pa\u00eds melhorara, e como consequ\u00eancia os recursos destinados \u00e0 pesquisa aos poucos foram chegando \u00e0s institui\u00e7\u00f5es do interior do pa\u00eds, juntamente com os cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A busca por agentes antimicrobianos a partir de produtos naturais, a linha de pesquisa iniciada na d\u00e9cada de 90 pelo nosso grupo de forma t\u00edmida com bact\u00e9rias e fungos, foi ent\u00e3o ampliada para Leishmania sp e Trypanosoma cruzi. E por que n\u00e3o buscar agentes antivirais?&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Incentivado pelo nosso colega Dr. Benedito Prado Dias Filho, contando com o apoio de meu companheiro de vida e trabalho, Dr. Celso Nakamura, e com a ajuda de um grande amigo que conhecemos durante o doutorado, Dr. Jos\u00e9 Andr\u00e9s Morgado Diaz, pesquisador do Instituto Nacional de C\u00e2ncer (INCA) no Rio de Janeiro, come\u00e7amos a cultivar as c\u00e9lulas de mam\u00edferos em nosso laborat\u00f3rio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O pr\u00f3ximo passo foi cultivar os v\u00edrus, e eis que agora contamos com um Laborat\u00f3rio de Atividade Antiviral e tamb\u00e9m um biot\u00e9rio experimental, onde realizamos os ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos. Foram muitos os pesquisadores, colegas, pessoal t\u00e9cnico e alunos que contribu\u00edram, e ainda contribuem para esta realidade. N\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel nominar a todos, mas \u00e9 o resultado do trabalho de uma grande equipe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>4. Como s\u00e3o desenvolvidas as pesquisas em virologia? H\u00e1 alguma dificuldade espec\u00edfica que voc\u00ea gostaria de ressaltar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para realizar pesquisa com bact\u00e9rias e fungos precisamos de um laborat\u00f3rio equipado e condi\u00e7\u00f5es m\u00ednimas para garantir qualidade e seguran\u00e7a, e se contarmos com pessoal treinado \u00e9 poss\u00edvel realizar um bom trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O grande desafio quando se trata de pesquisas em virologia reside na necessidade de cultivar o v\u00edrus. Al\u00e9m dos quesitos seguran\u00e7a e estrutura adequada, o fato do v\u00edrus ser um parasita intracelular obrigat\u00f3rio, aumenta a complexidade do estudo, pois precisamos sempre lidar com dois modelos biol\u00f3gicos: a c\u00e9lula e o v\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Claro que quando estudamos outros parasitas, precisamos tamb\u00e9m levar em considera\u00e7\u00e3o a rela\u00e7\u00e3o parasita-hospedeiro, mas quase sempre \u00e9 poss\u00edvel cultiv\u00e1-los em meio artificial, sem o seu hospedeiro, o que simplifica muito o trabalho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evolu\u00e7\u00e3o das metodologias de biologia molecular e imunol\u00f3gicas propiciou um salto muito grande na evolu\u00e7\u00e3o da Virologia, agilizando a descoberta e o estudo dos v\u00edrus emergentes, tal qual o mundo vem testemunhando nos \u00faltimos tempos, particularmente nos \u00faltimos meses, com a pandemia do COVID-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, para compreender a biologia do v\u00edrus, buscar agentes antivirais e vacinas eficazes precisamos realizar os testes in vitro e os ensaios pr\u00e9-cl\u00ednicos, que invariavelmente leva \u00e0 necessidade de cultivar o v\u00edrus. No caso do SARS-CoV-2, um v\u00edrus novo altamente contagioso e potencialmente fatal, assim como outros v\u00edrus (Hepatites virais, Dengue, etc) requerem laborat\u00f3rios com alto n\u00edvel de biosseguran\u00e7a, por\u00e9m \u00e9 uma estrutura onerosa que em nosso pa\u00eds \u00e9 rara, estando dispon\u00edvel e concentrada em determinadas regi\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando as dimens\u00f5es geogr\u00e1ficas e a densidade demogr\u00e1fica de nosso pa\u00eds, constatamos na pr\u00e1tica que esta situa\u00e7\u00e3o \u00e9 muito desfavor\u00e1vel num cen\u00e1rio de pandemia como a que estamos vivendo, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 estrutura dispon\u00edvel para a realiza\u00e7\u00e3o das pesquisas, e inclusive dos testes para o diagn\u00f3stico da doen\u00e7a por falta de infraestrutura adequada longe dos grandes centros. E durante a pandemia da COVID-19 pudemos perceber tamb\u00e9m que mesmo em grandes centros, a estrutura existente &#8211; assim como pessoal qualificado e treinado &#8211; ainda n\u00e3o \u00e9 suficiente.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>5. Voc\u00ea acha que estamos perto de encontrar um rem\u00e9dio (antiviral) eficiente? E vacina? Quais os desafios em se criar um antiviral ou uma vacina?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sim, se considerarmos os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos e os conhecimentos acumulados, que ainda est\u00e3o em franca evolu\u00e7\u00e3o, \u00e9 poss\u00edvel que tanto um f\u00e1rmaco antiviral assim como uma vacina, eficazes e seguros, sejam disponibilizados em curto de espa\u00e7o de tempo. Mas isso tudo depender\u00e1 das caracter\u00edsticas do novo Coronav\u00edrus e da doen\u00e7a, cuja fisiopatologia ainda n\u00e3o \u00e9 totalmente conhecida.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Sabemos que a chave do problema ser\u00e1 o desenvolvimento de uma vacina, pois assim protegemos a popula\u00e7\u00e3o de risco. V\u00e1rios candidatos \u00e0 vacina em breve ser\u00e3o disponibilizados, e se tudo der certo, ou seja, se o nosso organismo for capaz de responder prontamente \u00e0 vacina e conseguir manter os n\u00edveis de anticorpos capazes de neutralizar o v\u00edrus, ainda precisaremos aguardar pelo menos um ano para que se possa comprovar se a imuniza\u00e7\u00e3o foi eficiente, e seguir monitorando se n\u00e3o surgem cepas mutantes do v\u00edrus.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para os indiv\u00edduos infectados, que apresentam sintomas e podem desenvolver quadros mais graves, n\u00e3o h\u00e1 outra possibilidade sen\u00e3o lan\u00e7ar m\u00e3o de procedimentos terap\u00eauticos e de suporte, sendo que o tratamento farmacol\u00f3gico parece envolver uma estrat\u00e9gia complexa na COVID-19.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Considerando que a disponibiliza\u00e7\u00e3o de um novo agente antiviral eficaz e seguro no mercado pode levar pelo menos dez anos, a tend\u00eancia atual \u00e9 optar pelo reposicionamento de f\u00e1rmaco, que acelera o processo, pois estes j\u00e1 s\u00e3o utilizados no tratamento de outras doen\u00e7as, e se tem informa\u00e7\u00f5es sobre a toxicidade e a farmacocin\u00e9tica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mesmo assim, estamos percebendo que n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o simples. Desta forma, ainda precisamos compreender a fisiopatologia da COVID-19, de modo a buscar uma estrat\u00e9gia terap\u00eautica adequada e eficaz para cada fase da doen\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>6. Como voc\u00ea v\u00ea o cen\u00e1rio mundial de enfrentamento da pandemia nesse momento?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora a humanidade j\u00e1 tenha enfrentado diversas pandemias no passado e outras trag\u00e9dias, a pandemia em curso vem causando um impacto devastador n\u00e3o apenas no sistema de sa\u00fade, mas na vida das pessoas em n\u00edvel mundial nunca presenciado desde o fim da Segunda Guerra Mundial.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os tempos s\u00e3o outros, temos uma tecnologia avan\u00e7ada, conhecimento e informa\u00e7\u00e3o, e por isso, tudo acontece numa velocidade muito grande, e a globaliza\u00e7\u00e3o vem influenciando o rumo da epidemia em v\u00e1rios pa\u00edses. Entre erros e acertos, s\u00f3 o tempo para nos mostrar quais foram as medidas mais efetivas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assim, a vida p\u00f3s-COVID-19 no mundo depender\u00e1 da forma como os governantes, as autoridades e a popula\u00e7\u00e3o conseguir\u00e3o equilibrar as medidas necess\u00e1rias para controlar a pandemia e as medidas pol\u00edticas de sustenta\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica, minimizando ao m\u00e1ximo os problemas sociais. Mas uma coisa \u00e9 certa: dias muito dif\u00edceis ainda est\u00e3o por vir em praticamente todo o planeta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Independente das consequ\u00eancias, as mudan\u00e7as que aconteceram certamente v\u00e3o influenciar diretamente no modo de vida das pessoas no mundo todo. Da mesma forma que pessoas e na\u00e7\u00f5es sempre se solidarizam diante de uma grande trag\u00e9dia, agora n\u00e3o \u00e9 diferente, mas percebemos que de um modo geral muitos passaram a ter outros valores.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A valoriza\u00e7\u00e3o da Ci\u00eancia \u00e9 not\u00f3ria em v\u00e1rios pa\u00edses, mas no Brasil ainda precisamos avan\u00e7ar muito. A situa\u00e7\u00e3o que estamos vivendo \u00e9 uma oportunidade para que todos percebam a import\u00e2ncia do investimento em prol da Ci\u00eancia. E quando pensamos em Ci\u00eancia n\u00e3o se trata somente da busca de um rem\u00e9dio para a cura de uma doen\u00e7a, mas o conhecimento em todas \u00e1reas que contribuir\u00e3o para a solu\u00e7\u00e3o dos problemas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>7. Corremos o risco de termos um outro v\u00edrus com o mesmo comportamento do novo coronav\u00edrus em breve?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O conhecimento das caracter\u00edsticas do v\u00edrus e da doen\u00e7a, o entendimento de como o v\u00edrus pode ter surgido, e como ele evoluiu ser\u00e3o essenciais para tomar as medidas de vigil\u00e2ncia e de preven\u00e7\u00e3o adequadas. Assim, acredito que outro v\u00edrus semelhante n\u00e3o apare\u00e7a t\u00e3o cedo, mas n\u00e3o podemos descartar a possibilidade de surgimento de outro v\u00edrus, talvez com outras caracter\u00edsticas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>8. Ao longo da sua carreira, voc\u00ea j\u00e1 enfrentou alguma dificuldade enquanto cientista por ser mulher?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A minha forma\u00e7\u00e3o e a carreira acad\u00eamica se desenvolveram em paralelo aos meus projetos pessoais gra\u00e7as ao incentivo e apoio de meu marido, de minha fam\u00edlia, e de todos que estiveram ao meu redor. E na carreira acad\u00eamica normalmente a mulher n\u00e3o enfrenta grande dificuldade e nosso trabalho tem sido reconhecido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As dificuldades que encontramos, na verdade s\u00e3o desafios inerentes a qualquer profiss\u00e3o, pois na maioria das vezes, a mulher divide o tempo entre o trabalho fora de casa, a tarefa de administrar uma casa e os cuidados com a fam\u00edlia, mesmo que ela tenha a ajuda de outras pessoas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>9. Descreva, em poucas palavras, a ci\u00eancia pelos olhos da Dra. Tania Ueda-Nakamura.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde sempre a Ci\u00eancia tem definido os rumos da humanidade contribuindo para a sua evolu\u00e7\u00e3o. Cabe ao homem a dif\u00edcil tarefa de tomar as decis\u00f5es certas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"738\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/05\/Lab-virus-1024x738.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1311\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/05\/Lab-virus-1024x738.png 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/05\/Lab-virus-300x216.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/05\/Lab-virus-768x554.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/05\/Lab-virus-1536x1107.png 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/05\/Lab-virus-2048x1476.png 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Equipe de trabalho da prof\u00aa Tania no laborat\u00f3rio de Microbiologia aplicada a produtos naturais e sint\u00e9ticos (Universidade Estadual de Maring\u00e1) em diferentes anos. Arquivo pessoal. <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um prazer enorme divulgar um pouco do trabalho e dar visibilidade para <strong>mulheres cientistas <\/strong>que contribuem imensamente para a <strong>pesquisa brasileira<\/strong>. Agradecemos profundamente\u00e0 Profa. Tania pela oportunidade de entrevist\u00e1-la nesse momento em que a <strong>valoriza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia<\/strong> se faz t\u00e3o necess\u00e1ria.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8230;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Nota<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Confira <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2020\/05\/01\/divulgadoras-cientificas-pandemia-do-coronavirus\/\">aqui<\/a> o nosso primeiro &#8220;Col\u00edrio Cient\u00edfico&#8221; do Ciclo tem\u00e1tico &#8220;Epidemias&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A primeira entrevista do nosso Ciclo Tem\u00e1tico &#8220;Epidemias&#8221; \u00e9 com a Prof\u00aa Dr\u00aa Tania Ueda-Nakamura, uma importante microbiologista brasileira, e aborda a pandemia causada pela COVID-19, mulheres na ci\u00eancia, dificuldades e carreira acad\u00eamica.<\/p>\n","protected":false},"author":436,"featured_media":1314,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[12],"tags":[135,148,126],"class_list":["post-1307","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-pelos-olhos-de","tag-coronavirus","tag-covid-19","tag-mulheres-cientistas"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/05\/2019-3.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1307","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/users\/436"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1307"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1307\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":1322,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1307\/revisions\/1322"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1314"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1307"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1307"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1307"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}