{"id":1589,"date":"2020-10-08T20:00:00","date_gmt":"2020-10-08T23:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/?p=1589"},"modified":"2020-10-09T13:19:43","modified_gmt":"2020-10-09T16:19:43","slug":"ciencia-pelos-olhos-professora-doutora-tatiane-santos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2020\/10\/08\/ciencia-pelos-olhos-professora-doutora-tatiane-santos\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia pelos olhos da Prof\u00aa. Dr\u00aa. Tatiane Santos"},"content":{"rendered":"\n<p>Hoje o blog <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/\">Ci\u00eancia Pelos Olhos Delas<\/a> tem o prazer de apresentar a entrevista realizada com a Dra. Tatiane Santos pesquisadora da Colorado School of Public Health (Escola de Sa\u00fade P\u00fablica da Universidade do Colorado). A Dra. Tatiane \u00e9 uma brasileira com uma trajet\u00f3ria profissional extremamente interessante, atuando na \u00e1rea de Economia de Sa\u00fade &#8211; uma especialidade dentro da Sa\u00fade P\u00fablica.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Devido aos conhecimentos adquiridos ao longo de seus anos de especializa\u00e7\u00e3o e trabalho de campo, a Dra. Tatiane foi convidada a integrar a <a href=\"https:\/\/coloradosph.cuanschutz.edu\/resources\/covid-19\/modeling-results\">Equipe de Modelagem da COVID-19<\/a> (um grupo formado por profissionais de diversas \u00e1reas da Universidade do Colorado que vem sendo fundamental para apoiar as decis\u00f5es tomadas pelo governador e o diretor executivo e epidemiologista do Departamento de Sa\u00fade P\u00fablica e Meio Ambiente do estado do Colorado).&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de muito ocupada, a Dra. Tatiane teve a gentileza de conceder essa entrevista ao final de Julho de 2020. Nela, ela relata sua trajet\u00f3ria profissional toda realizada nos EUA, suas vis\u00f5es sobre a ci\u00eancia, assim como traz, de maneira detalhada, explica\u00e7\u00f5es sobre como s\u00e3o feitas pesquisas na \u00e1rea de sa\u00fade p\u00fablica e a import\u00e2ncia da atua\u00e7\u00e3o multidisciplinar para o enfrentamento de uma situa\u00e7\u00e3o t\u00e3o nova e desafiante como a pandemia da COVID 19. A entrevista pode ser conferida na \u00edntegra na l\u00edngua inglesa ou ainda na tradu\u00e7\u00e3o realizado com apoio das nossas colaboradoras Bruna Bertol e Giovana Breda Veronezi.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>1. Cientista \u2013 era isso que voc\u00ea queria ser quando crescesse? Como sua trajet\u00f3ria acad\u00eamica a levou \u00e0 especialidade de Sa\u00fade Coletiva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Durante o ensino m\u00e9dio, eu estava mais interessada em rob\u00f3tica, embora n\u00e3o tenho certeza se eu sabia exatamente no que isso implicaria. Lembro-me bem de ter ficado muito atra\u00edda pela ideia de criar novas tecnologias, o que tenho certeza que envolveria pesquisa e desenvolvimento. O desejo era t\u00e3o forte que cheguei a prestar processos seletivos para programas de engenharia em Boston, MA. Mas esse desejo logo se transformou no sonho duradouro de ir para a faculdade de medicina. Depois de decidir que esse era o meu &#8220;caminho&#8221;, comecei meu bacharelado em Bioqu\u00edmica como parte da minha educa\u00e7\u00e3o &#8220;pr\u00e9-medicina&#8221; (um requisito nos EUA antes do processo seletivo para ingresso no curso de medicina).<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a gradua\u00e7\u00e3o, ganhei experi\u00eancia pr\u00e1tica trabalhando em ci\u00eancia b\u00e1sica no laborat\u00f3rio de neurologia e epilepsia do <em>Mass General Hospital (MGH)<\/em>. Trabalhei no MGH e no <em>Children\u2019s Hospital<\/em> por cerca de 3 a 4 anos, inicialmente como volunt\u00e1ria e, posteriormente, como assistente de pesquisa. Eu ajudei a treinar alguns alunos de gradua\u00e7\u00e3o em t\u00e9cnicas de laborat\u00f3rio e liderei algumas das pesquisas do laborat\u00f3rio em neurologia pedi\u00e1trica. Esta foi minha primeira grande experi\u00eancia com ci\u00eancia b\u00e1sica de verdade em um dos principais centros acad\u00eamicos e de pesquisa do mundo. Como resultado de minhas contribui\u00e7\u00f5es, fui co-autora de dois artigos cient\u00edficos antes de concluir meu bacharelado em bioqu\u00edmica.<\/p>\n\n\n\n<p>Adorei minha experi\u00eancia no MGH, que certamente destacou a disciplina e o rigor exigidos na pesquisa cient\u00edfica; no entanto, percebi que a ci\u00eancia b\u00e1sica n\u00e3o era minha prioridade.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse per\u00edodo (antes de terminar meu bacharelado), comecei a trabalhar para uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos de Preven\u00e7\u00e3o do HIV\/AIDS. Meu trabalho na \u201c<em>Multicultural AIDS Coalition<\/em>\u201d foi um trabalho pr\u00e1tico de interven\u00e7\u00e3o de sa\u00fade p\u00fablica. Eu vejo isso como o componente \u201cp\u00f3s-pesquisa\u201d do trabalho de sa\u00fade p\u00fablica; as interven\u00e7\u00f5es baseadas em evid\u00eancias desenvolvidas (com base em pesquisas) para ajudar a enfrentar a epidemia de HIV\/AIDS, especialmente entre minorias. Naturalmente, aprendi como as pol\u00edticas governamentais facilitam (tanto financeiramente quanto em termos de investimento em capital humano) a implementa\u00e7\u00e3o de programas essenciais para ajudar a melhorar a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu realmente me apaixonei pela sa\u00fade p\u00fablica nessa \u00e9poca. Tamb\u00e9m achei que a disciplina se encaixaria muito bem com meu desejo de ser m\u00e9dica. Depois de concluir meu bacharelado em bioqu\u00edmica, ingressei no programa de mestrado em sa\u00fade p\u00fablica na <em>Boston University<\/em>, com \u00eanfase em pol\u00edticas e gest\u00e3o de sa\u00fade. Durante esse tempo, trabalhei e frequentei a escola em tempo integral. Foi uma \u00f3tima experi\u00eancia colocar em pr\u00e1tica o que aprendi no mestrado. Continuei trabalhando para outras organiza\u00e7\u00f5es sem fins lucrativos focadas em sa\u00fade p\u00fablica. Mais tarde, entrei para a <em>Cambridge Health Alliance<\/em>, que \u00e9 um dos maiores sistemas integrados de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade a pessoas em situa\u00e7\u00e3o de vulnerabilidade em Massachusetts. Trabalhei principalmente com pol\u00edticas e programas do <em>Medicaid (programa federal e estadual norte-americano que auxilia pessoas com renda e recursos limitados com rela\u00e7\u00e3o a despesas m\u00e9dicas) <\/em>para ajudar as popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis \u200b\u200ba se inscrever no <em>Mass Health<\/em> (o programa <em>Medicaid<\/em> do estado de Massachusetts) e acessar os servi\u00e7os de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o pude frequentar a escola de medicina porque as mensalidades eram extremamente altas e, na \u00e9poca, n\u00e3o me qualifiquei para nenhuma ajuda financeira devido ao meu status de estudante internacional. Ap\u00f3s a dif\u00edcil constata\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o iria para a faculdade de medicina, decidi continuar minha carreira na sa\u00fade p\u00fablica. Eu tamb\u00e9m sabia que em algum momento faria um doutorado na \u00e1rea de sa\u00fade p\u00fablica.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante esse tempo, trabalhei em muitas fun\u00e7\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade p\u00fablica, incluindo implementa\u00e7\u00e3o e formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas. Este trabalho abrangeu diferentes setores: o sem fins lucrativos, o governamental e o privado. Comecei meu programa de doutorado em economia da sa\u00fade (pesquisa de pol\u00edticas de sa\u00fade) 10 anos depois de concluir meu mestrado. Pude trazer muito da minha experi\u00eancia pr\u00e1tica e do \u201cmundo real\u201d para o programa de doutorado, o que me ajudou a definir minhas \u00e1reas de interesse de pesquisa. Uma dessas \u00e1reas culminou em minha disserta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, meu trabalho envolve uma combina\u00e7\u00e3o de pesquisa acad\u00eamica, atua\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica e ensino. Eu absolutamente amo isso e tem sido interessante observar a evolu\u00e7\u00e3o &#8220;n\u00e3o ortodoxa&#8221; da minha carreira.<\/p>\n\n\n\n<p>Ent\u00e3o&#8230; se eu sempre quis ser uma cientista? Acho que a resposta n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o direta como para alguns de meus colegas. Sou motivada pelo fato de que minha pesquisa tem o potencial de moldar pol\u00edticas federais, estaduais e locais que podem melhorar a vida das popula\u00e7\u00f5es mais vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>2. Como s\u00e3o desenvolvidas pesquisas na \u00e1rea de Sa\u00fade P\u00fablica?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Na pesquisa de pol\u00edticas de sa\u00fade (economia da sa\u00fade), as oportunidades de liderar os \u201censaios cl\u00ednicos randomizados\u201d desej\u00e1veis s\u00e3o muito poucas por v\u00e1rias raz\u00f5es. Entre elas est\u00e1 o fato de que este trabalho geralmente examina pol\u00edticas federais, estaduais e locais e seu impacto sobre os resultados, tais como sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o (por exemplo, mortalidade e morbidade), qualidade do atendimento e custo do atendimento (ou seja, efici\u00eancia). Essas pol\u00edticas n\u00e3o s\u00e3o adotadas aleatoriamente pelos governos, e seria altamente anti\u00e9tico randomizar muitas delas. Por exemplo, se um programa oferece maior acesso a servi\u00e7os de sa\u00fade para uma popula\u00e7\u00e3o (por exemplo, o <em>Medicaid<\/em>) e h\u00e1 alguma evid\u00eancia de que esse acesso \u00e9 favor\u00e1vel para os benefici\u00e1rios deste programa, ent\u00e3o seria anti\u00e9tico dar a algumas pessoas acesso ao programa e restringir o acesso a outras pessoas da popula\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 apenas um exemplo de v\u00e1rios em nosso campo.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro desafio \u00e9 que o padr\u00e3o de excel\u00eancia dos ensaios cl\u00ednicos randomizados provavelmente n\u00e3o nos daria uma compreens\u00e3o real de como as pol\u00edticas sociais e de sa\u00fade amplas funcionam na realidade. Em outras palavras, a natureza altamente controlada dos ensaios randomizados n\u00e3o fornece o tipo de ambiente (pol\u00edtico, social e cultural) em que as pol\u00edticas reais existem e s\u00e3o implementadas. Um dos problemas aqui seria que uma pol\u00edtica pode funcionar em um ambiente altamente controlado, mas quando essa mesma pol\u00edtica \u00e9 implementada, por exemplo, em n\u00edvel estadual, as coisas podem parecer muito diferentes porque as circunst\u00e2ncias s\u00e3o extremamente diferentes das condi\u00e7\u00f5es &#8220;controladas&#8221; do ensaio. Isso pode levar a impactos diferentes da pol\u00edtica ou programa. Algumas das raz\u00f5es para essas diferen\u00e7as incluem o fato de que o programa\/pol\u00edtica pode ser implementado de maneiras ligeiramente diferentes para acomodar diferen\u00e7as &#8220;localizadas&#8221; (por exemplo, tens\u00e3o financeira, aceita\u00e7\u00e3o do programa por provedores ou pacientes, fidelidade na implementa\u00e7\u00e3o de protocolos, etc.). Outra raz\u00e3o para essas diferen\u00e7as pode ser que as pessoas que deveriam se beneficiar do programa realmente n\u00e3o o &#8220;usam&#8221; de forma adequada, o que poderia levar a diferentes n\u00edveis de efic\u00e1cia do programa.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem muitas maneiras de delinear estudos para examinar o impacto das pol\u00edticas e interven\u00e7\u00f5es. Eu os colocaria em dois grandes grupos de estudos que examinam 1) associa\u00e7\u00f5es; e 2) efeito causal da pol\u00edtica e\/ou interven\u00e7\u00e3o nos resultados selecionados. O segundo tipo geralmente requer um maior n\u00edvel de rigor, base te\u00f3rica, desenho do estudo e abordagem metodol\u00f3gica.<\/p>\n\n\n\n<p>Um dos principais problemas das abordagens usadas em nossa \u00e1rea \u00e9 o problema com vieses de estudo, como vi\u00e9s de sele\u00e7\u00e3o (por exemplo, por que o estado X escolheu implementar uma pol\u00edtica quando o estado Y n\u00e3o o fez?). Isso pode levar ao problema de endogeneidade, em que alguns estados (ou outra \u201cunidade\u201d) podem estar mais inclinados a aprovar algumas dessas pol\u00edticas, e tamb\u00e9m estar mais preparados para implement\u00e1-las, o que poderia levar a efic\u00e1cia diferencial da pol\u00edtica empregada (n\u00e3o por causa da pol\u00edtica em si, mas por causa do ambiente em que foi implementada). Nossas abordagens metodol\u00f3gicas ir\u00e3o, em sua maior parte, visar controlar explicitamente esses vieses.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m temos que nos certificar de que, ao examinarmos o efeito da pol\u00edtica X no resultado Y, nossos resultados realmente mostram essa rela\u00e7\u00e3o de X sobre Y e n\u00e3o o efeito de outras pol\u00edticas implementadas contemporaneamente ou de outras tend\u00eancias subjacentes. Em outras palavras, nosso desenho de estudo deve levar em conta outras pol\u00edticas que podem impactar os resultados de interesse. Devemos, no m\u00ednimo, reconhecer a possibilidade. Uma classe geral de experimentos com os quais trabalhamos \u00e9 chamada de experimentos naturais. Esta classe analisa como as pol\u00edticas e interven\u00e7\u00f5es impactam os resultados em n\u00edvel populacional em um cen\u00e1rio \u201cde mundo real\u201d. Por exemplo, v\u00e1rios estudos foram publicados para entender o impacto da Lei de Prote\u00e7\u00e3o ao Paciente e Cuidados Acess\u00edveis [tradu\u00e7\u00e3o livre] (<em>\u201cObama care\u201d<\/em>) em v\u00e1rios aspectos, tais como: acesso aos cuidados, custo dos cuidados, qualidade, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Vou dar um exemplo, mas tenha em mente que \u00e9 APENAS UMA abordagem para testar hip\u00f3teses em economia da sa\u00fade e pesquisa de pol\u00edtica em sa\u00fade. A an\u00e1lise &#8220;<em>difference-in-differences&#8221; (DID) <\/em>&nbsp;\u00e9 amplamente usada na literatura de pol\u00edtica\/economia em sa\u00fade. Esta abordagem testa se a pol\u00edtica X teve um impacto no resultado Y depois que a pol\u00edtica foi implementada. \u00c9 um estudo \u201cpr\u00e9-p\u00f3s\u201d. Tal como acontece com outros estudos rigorosos, a abordagem DID requer um grupo controle MUITO robusto para garantir que muitos dos vieses inerentes aos experimentos naturais sejam \u201cexplicitamente\u201d considerados.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, se quisermos entender o impacto da expans\u00e3o do <em>Medicaid<\/em> no acesso de pacientes aos servi\u00e7os de sa\u00fade, podemos comparar todos os estados que expandiram o programa em rela\u00e7\u00e3o aos estados que n\u00e3o expandiram. Al\u00e9m disso, nossos modelos devem levar em conta os padr\u00f5es sazonais na utiliza\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os de sa\u00fade, caracter\u00edsticas do paciente e do provedor, pol\u00edticas estaduais e muitos outros fatores que tamb\u00e9m podem estar correlacionados\/associados ao resultado de \u201cacesso a servi\u00e7os de sa\u00fade\u201d. Especificamente, o resultado poderia ser \u201cvisitas de cuidado prim\u00e1rio\u201d, \u201cvisitas ao departamento de emerg\u00eancia\u201d, \u201ctriagens de c\u00e2ncer\u201d, entre outros resultados de acesso. Nossos modelos devem se basear em modelos te\u00f3ricos\/conceituais bem estabelecidos que explicam por que esperar\u00edamos que X tivesse um impacto sobre Y e a dire\u00e7\u00e3o dessa rela\u00e7\u00e3o. Idealmente, tamb\u00e9m precisamos trabalhar com um n\u00famero amostral (\u201cN\u201d) grande; no entanto, existem abordagens estat\u00edsticas para lidar com estudos que t\u00eam apenas algumas observa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra abordagem amplamente utilizada em nosso campo \u00e9 a abordagem de \u201cvari\u00e1vel instrumental\u201d. O n\u00edvel de \u201celeg\u00e2ncia\u201d do modelo varia de modelos simples (que s\u00e3o provavelmente mais propensos a vieses) a modelos mais complexos que levam em considera\u00e7\u00e3o muitos dos vieses inerentes ao projeto experimental natural.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>3. Algum profissional ou a\u00e7\u00e3o a inspirou na escolha dessa carreira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Para ser honesta, \u00e0 medida que eu progredi e evolui em meu pr\u00f3prio campo, tenho girado ao redor do trabalho de alguns estudiosos que admiro e respeito. N\u00e3o diria que inspiraram meu interesse original pelo trabalho que fa\u00e7o, mas ajudam a guiar meu trabalho, esfor\u00e7ando-me para aderir aos mais altos n\u00edveis de rigor metodol\u00f3gico e te\u00f3rico; e, especialmente, para cultivar a criatividade para fazer perguntas interessantes e relevantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos gerais, minhas \u00e1reas de interesse de pesquisa est\u00e3o relacionadas ao impacto de pol\u00edticas que incentivam a colabora\u00e7\u00e3o intersetorial (ou seja, setor de sa\u00fade, setor de servi\u00e7os humanos\/sociais, educa\u00e7\u00e3o, habita\u00e7\u00e3o, etc.) e seu impacto na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e na aloca\u00e7\u00e3o eficiente de recursos. Eu me interesso particularmente pelo impacto relacionado \u00e0s popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis.<\/p>\n\n\n\n<p>Acho que meu foco em popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis cresceu a partir da observa\u00e7\u00e3o do trabalho de meu pai e minha m\u00e3e na medicina (pai) e psicologia (m\u00e3e). Eles sempre estiveram empenhados em melhorar a vida daqueles que t\u00eam menos acesso a recursos (ou seja, popula\u00e7\u00f5es vulner\u00e1veis). Eles voluntariaram&nbsp; horas incont\u00e1veis para esse prop\u00f3sito. Eles tamb\u00e9m sempre apoiaram ativamente a &#8220;causa&#8221; de ajudar os mais vulner\u00e1veis. Se houve uma, diria que o trabalho e a dedica\u00e7\u00e3o deles s\u00e3o minha inspira\u00e7\u00e3o, mesmo que n\u00e3o tenha envolvido pesquisas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>4. Enquanto pesquisadora na \u00e1rea de sa\u00fade coletiva, voc\u00ea teve oportunidade de atuar no enfrentamento de epidemias conforme mencionado anteriormente. Conte-nos um pouco mais sobre seu trabalho no tratamento da AIDS.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Minha introdu\u00e7\u00e3o ao mundo da sa\u00fade p\u00fablica foi por meio de uma organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que se focava na preven\u00e7\u00e3o do HIV\/AIDS e na educa\u00e7\u00e3o para comunidades negras. Curiosamente, me deparei com este trabalho e organiza\u00e7\u00e3o por acaso, o que mais tarde se tornou n\u00e3o s\u00f3 uma paix\u00e3o minha, mas um foco de carreira (n\u00e3o necessariamente HIV\/AIDS, mas meu trabalho em sa\u00fade p\u00fablica e pol\u00edticas em sa\u00fade).<\/p>\n\n\n\n<p>Meu trabalho inicial foi baseado na pr\u00e1tica. Trabalhei diretamente com comunidades urbanas negras ao redor de Boston, fornecendo educa\u00e7\u00e3o sobre preven\u00e7\u00e3o, redu\u00e7\u00e3o de danos e recursos para que estivessem mais bem preparados para tomar as precau\u00e7\u00f5es certas na preven\u00e7\u00e3o de infec\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>5. Agora voc\u00ea faz parte de uma for\u00e7a-tarefa da Universidade do Colorado que busca estudar e aplicar medidas para a conten\u00e7\u00e3o da COVID-19. Conte-nos como sua especialidade pode contribuir para o combate de uma pandemia?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Este \u00e9 um novo papel muito interessante para mim. Eu trabalhei com o Reitor da <em>Colorado School of Public Health <\/em>(Reitor Jonathan Samet)<em> <\/em>por cerca de 2 anos em v\u00e1rios projetos; alguns dos quais faziam parte da vis\u00e3o e estrat\u00e9gia de longo prazo dele para o crescimento cont\u00ednuo do trabalho do departamento no estado e em nossos 3 campi.<\/p>\n\n\n\n<p>Quando a pandemia da COVID-19 come\u00e7ou a mostrar seus primeiros ind\u00edcios de uma pandemia real (conforme definido pela Organiza\u00e7\u00e3o Mundial da Sa\u00fade e outras institui\u00e7\u00f5es de sa\u00fade p\u00fablica), o reitor me convidou para participar da <a href=\"https:\/\/coloradosph.cuanschutz.edu\/resources\/covid-19\/modeling-results\">Equipe de Modelagem da COVID-19<\/a>. A equipe \u00e9 composta por epidemiologistas, bioestat\u00edsticos, economistas, um matem\u00e1tico e um soci\u00f3logo.<\/p>\n\n\n\n<p>A primeira tarefa da equipe foi fornecer modelos de proje\u00e7\u00f5es&nbsp; da pandemia da COVID-19 no estado do Colorado. A equipe vem assessorando o governador do estado Jared Polis e o diretor executivo e epidemiologista do Departamento de Sa\u00fade P\u00fablica e Meio Ambiente do estado do Colorado. A prioridade inicial era ajudar o estado a planejar para picos no uso de leitos hospitalares (leitos de cuidados intensivos e unidades de terapia intensiva). A quest\u00e3o principal era: a pandemia de COVID-19 estava em um est\u00e1gio que ultrapassaria a capacidade de leitos hospitalares de unidade intensiva do estado? Em outras palavras, nossos hospitais seriam capazes de atender todos os pacientes que precisassem de cuidados? Responder a essa pergunta ajudou os hospitais a aumentaram sua capacidade de leitos para acomodar o aumento iminente de uso das instala\u00e7\u00f5es hospitalares devido a infec\u00e7\u00f5es por COVID-19. Isso continua a ser um foco priorit\u00e1rio. Meu papel nesta fase foi identificar e coletar os dados relevantes sobre indicadores da COVID-19 (por exemplo, n\u00famero de casos, hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortalidade), capacidade de leitos hospitalares, dados demogr\u00e1ficos da popula\u00e7\u00e3o no estado (por exemplo, idade, educa\u00e7\u00e3o, taxa de indiv\u00edduos com seguro sa\u00fade, etc) e outros dados que foram cr\u00edticos para o modelo que est\u00e1 sendo desenvolvido por nossos epidemiologistas. Quer\u00edamos que nosso modelo refletisse a realidade do Colorado, ao contr\u00e1rio de v\u00e1rios outros modelos que n\u00e3o leva em considera\u00e7\u00e3o os dados mais atualizados e precisos da situa\u00e7\u00e3o no estado.<\/p>\n\n\n\n<p>Conforme a terceira semana de resposta da equipe terminou, comecei a mudar meu foco para a for\u00e7a de trabalho de rastreamento de contato e capacidade t\u00e9cnica. N\u00e3o houve coleta de dados e\/ou avalia\u00e7\u00f5es sistematicamente da capacidade dos departamentos de sa\u00fade p\u00fablica locais do Colorado para fornecer identifica\u00e7\u00e3o abrangente de casos, rastreamento de contato e outras estrat\u00e9gias de conten\u00e7\u00e3o. Essas atividades s\u00e3o essenciais para conter e, eventualmente, suprimir a pandemia, especialmente no contexto de relaxamento das medidas de distanciamento social e \u201creabertura\u201d da economia. Uma quest\u00e3o chave era: o estado do Colorado tem for\u00e7a de trabalho necess\u00e1ria para fornecer rastreamento de contato para todos os indiv\u00edduos positivos para a COVID-19? (<a href=\"https:\/\/coloradosph.cuanschutz.edu\/docs\/librariesprovider151\/default-document-library\/lpha-contact-tracing-workforce-and-technical-capacity-report-final45b29fe5302864d9a5bfff0a001ce385.pdf?sfvrsn=8a9afbb9_0\">isso envolve muitos aspectos que est\u00e3o descritos em detalhe no nosso relat\u00f3rio<\/a> completo).<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo tamb\u00e9m buscou compreender a infraestrutura tecnol\u00f3gica para coletar e analisar o rastreamento de contato e as atividades de conten\u00e7\u00e3o. Nesse ponto, e atualmente, os departamentos locais de sa\u00fade p\u00fablica do Colorado desenvolveram suas pr\u00f3prias abordagens para coletar dados sobre suas atividades de rastreamento de contato, o que n\u00e3o \u00e9 ideal porque h\u00e1 necessidade de uma plataforma mais centralizada que possa rastrear sistematicamente essas informa\u00e7\u00f5es para informar atividades chave de vigil\u00e2ncia no estado. <a href=\"https:\/\/converge.colorado.edu\/resources\/covid-19\/working-groups\/research-networks-methods-ethics\/covid-19-contact-tracing\">O relat\u00f3rio culminou em um conjunto de conclus\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es para abordar as lacunas identificadas e para ajudar o estado a se posicionar em um caminho mais adequado para conter e suprimir a pandemia<\/a>. Este trabalho foi parcialmente financiado por uma bolsa da <em>National Science Foundation<\/em> e pela secretaria estadual de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>O relat\u00f3rio ajudou a informar o planejamento estadual e local para a for\u00e7a de trabalho de rastreamento de contatos e melhorias tecnol\u00f3gicas. Os resultados do relat\u00f3rio tamb\u00e9m foram usados para tomar decis\u00f5es sobre como alocar fundos recebidos dos governos federal e estadual aos governos locais (condado) para ajudar na resposta \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Outro foco do meu trabalho \u00e9 fazer recomenda\u00e7\u00f5es sobre indicadores de rastreamento de contatos que precisam ser monitorados e coletados regularmente para entender a efic\u00e1cia das atividades de rastreamento. Enquanto aguardamos o estado para desenvolver uma plataforma tecnol\u00f3gica estadual para coletar esses dados, eu liderei o desenvolvimento de uma pesquisa recorrente que os departamentos locais de sa\u00fade p\u00fablica do estado ir\u00e3o finalizar e que coletar\u00e1 os dados principais. Alguns desses dados informam os par\u00e2metros do modelo de doen\u00e7a que lan\u00e7ar\u00e3o luz sobre a efic\u00e1cia do rastreamento de contato na redu\u00e7\u00e3o da pandemia no Colorado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante observar que a infraestrutura de sa\u00fade p\u00fablica tem sido cronicamente subfinanciada por d\u00e9cadas nos Estados Unidos. A maioria, sen\u00e3o todos, os departamentos locais de sa\u00fade p\u00fablica n\u00e3o estavam preparados para absorver os choques e as necessidades de capacidade impostos pela pandemia da COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha segunda fun\u00e7\u00e3o principal no grupo \u00e9 desenvolver e manter parcerias-chave com as autoridades e agentes locais (por exemplo, comiss\u00e1rios municipais, diretores de departamentos de sa\u00fade p\u00fablica locais, comunidade empresarial, planejadores, etc). Isso ajuda nossos modeladores de doen\u00e7as a incluir par\u00e2metros &#8220;realistas&#8221; nos modelos em vez de par\u00e2metros derivados da experi\u00eancia fora do Colorado. \u00c9 importante observar que todos os nossos par\u00e2metros de modelo s\u00e3o derivados de uma revis\u00e3o completa da literatura cient\u00edfica em evolu\u00e7\u00e3o acerca da COVID-19 e informa\u00e7\u00f5es de&nbsp; \u201cpessoas que atuam em campo\u201d fazendo o trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha terceira e muito importante fun\u00e7\u00e3o \u00e9 liderar o desenvolvimento de um <em>website<\/em> que fornecer\u00e1 informa\u00e7\u00f5es em n\u00edvel de condados sobre indicadores-chave relevantes acerca da pandemia de COVID-19. O objetivo \u00e9 educar o p\u00fablico sobre os principais t\u00f3picos, dados e pesquisas sobre o tema. Ele tamb\u00e9m foi projetado para auxiliar os planejadores locais que podem usar as informa\u00e7\u00f5es do site para ajudar a orientar a tomada de decis\u00e3o local.<\/p>\n\n\n\n<p>Esfor\u00e7os est\u00e3o direcionados para que o site seja amig\u00e1vel e f\u00e1cil de navegar. Ele agregar\u00e1 dados sobre: informa\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficos da popula\u00e7\u00e3o (idade, ra\u00e7a, etnia, etc), fatores sociais e econ\u00f4micos (educa\u00e7\u00e3o, seguro, desemprego, etc), comorbidades (diabetes, obesidade, doen\u00e7as card\u00edacas, etc), comportamentos de sa\u00fade (tabagismo , etc), dados de mobilidade agregados\/n\u00e3o identificados e outras informa\u00e7\u00f5es importantes que podem ajudar os residentes do estado e o planejador a entender melhor a pandemia \u00e0 medida que ela evolui. Atualmente, estamos desenvolvendo modelos regionais (em oposi\u00e7\u00e3o ao modelo estadual que tem informado a resposta estadual) que equipar\u00e1 os governos locais para responder de forma mais adequada \u00e0 pandemia localmente. H\u00e1 muita varia\u00e7\u00e3o entre os condados no Colorado em termos de &#8220;onde eles est\u00e3o&#8221; na pandemia (por exemplo, n\u00famero de casos, hospitaliza\u00e7\u00f5es, mortes, etc.). Este site est\u00e1 sendo desenvolvido com a contribui\u00e7\u00e3o de autoridades e agentes locais que tamb\u00e9m ser\u00e3o nosso p\u00fablico-alvo.<\/p>\n\n\n\n<p>Tamb\u00e9m mobilizamos um &#8220;Grupo Consultivo de Autoridades e Agentes Locais [tradu\u00e7\u00e3o livre]&#8221; formal que ajudar\u00e1 a liderar o desenvolvimento e a expans\u00e3o do website, bem como informar os modelos regionais de doen\u00e7as.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>6. Como voc\u00ea v\u00ea o cen\u00e1rio mundial de enfrentamento da pandemia nesse momento?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Tem sido muito interessante observar como os pa\u00edses t\u00eam respondido e qu\u00e3o bem ou mal sucedidos eles foram em \u201csurfar\u201d a primeira onda da pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>As mensagens confusas e a lideran\u00e7a descentralizada em alguns pa\u00edses tiveram um claro impacto negativo em sua capacidade de \u201csuprimir\u201d com sucesso a primeira onda da pandemia. Como resultado, eles ficaram presos na primeira onda, como \u00e9 o caso dos Estados Unidos, que est\u00e1 passando por picos de casos, hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortes em v\u00e1rios estados, (incluindo o Colorado, que n\u00e3o est\u00e1 t\u00e3o ruim, mas h\u00e1 uma tend\u00eancia muito preocupante, <a href=\"https:\/\/www.ucdenver.edu\/docs\/librariesprovider151\/default-document-library\/modeling-report-2020-07-16.pdf?sfvrsn=3922c2b9_2\">conforme relatado por nosso grupo em julho de 2020<\/a>.)&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A politiza\u00e7\u00e3o da pandemia e as medidas a serem tomadas para cont\u00ea-la e suprimi-la tamb\u00e9m t\u00eam prejudicado uma resposta eficaz. Um exemplo \u00f3bvio \u00e9 o uso de m\u00e1scaras, que causou uma grande varia\u00e7\u00e3o nas respostas de indiv\u00edduos, levando a uma baixa \u201cades\u00e3o\u201d ao uso de m\u00e1scaras em diversos locais nos Estados Unidos. O rastreamento de contatos \u00e9 outro ponto sens\u00edvel para muitas pessoas. Alguns equiparam o rastreamento de contato, a quarentena volunt\u00e1ria e o uso de m\u00e1scara como \u201cviola\u00e7\u00e3o de suas liberdades pessoais\u201d. V\u00e1rios pa\u00edses que conseguiram conter a pandemia com sucesso t\u00eam altos n\u00edveis de participa\u00e7\u00e3o em termos de uso de m\u00e1scaras e rastreamento de contato. H\u00e1 muita desconfian\u00e7a no governo nos EUA; do uso de dados pessoais e outros problemas de longa data que agora est\u00e3o afetando nossa capacidade de responder com sucesso \u00e0 pandemia.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, no contexto do movimento Black Lives Matter (\u201cVidas Negras Importam\u201d), bem como outras \u00e1reas de iniquidades raciais muito debatidas; a COVID-19 mais uma vez trouxe \u00e0 tona as profundas desigualdades que existem nos Estados Unidos. D\u00e9cadas de pol\u00edticas que privaram comunidades negras as tornaram significativamente mais vulner\u00e1veis \u200b\u200b\u00e0 pandemia. Por exemplo, negros e latinos s\u00e3o desproporcionalmente afetados pela pandemia da COVID-19 em termos de n\u00famero de casos, hospitaliza\u00e7\u00f5es e mortes. \u00c9 importante ressaltar que esses dois grupos constituem uma propor\u00e7\u00e3o muito menor da popula\u00e7\u00e3o do pa\u00eds. Existem muitas raz\u00f5es subjacentes para isso, como o fato de que esses grupos s\u00e3o mais propensos a trabalhar em \u201cempregos essenciais\u201d de baixa remunera\u00e7\u00e3o, o que os exp\u00f5em \u00e0 doen\u00e7a com mais frequ\u00eancia; s\u00e3o mais propensos a morar em moradias lotadas devido \u00e0 baixa renda; t\u00eam maior probabilidade de n\u00e3o possuir seguro de sa\u00fade e uma s\u00e9rie de outras desigualdades de longa data nos Estados Unidos.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra ret\u00f3rica importante desde o in\u00edcio da pandemia \u00e9 a ideia de que devemos abordar a sa\u00fade p\u00fablica OU a economia. N\u00e3o deveria haver dualidade entre estes dois par\u00e2metros. \u00c9 simples: uma popula\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel contribui para uma economia saud\u00e1vel e uma economia saud\u00e1vel contribui para uma popula\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel. Muitas pessoas descreveram a resposta \u00e0 pandemia como um argumento do tipo &#8220;um ou outro&#8221;. N\u00c3O \u00e9 o caso. Devemos conter e suprimir a pandemia para evitar mortes e sofrimento evit\u00e1veis, enquanto TAMB\u00c9M permitir que nossa economia se reabra e prospere. A \u201creabertura\u201d pode acontecer com cuidado e seguran\u00e7a se alguns comportamentos importantes (por exemplo, uso de m\u00e1scara e distanciamento social); e a infraestrutura (por exemplo, teste e rastreamento de contato) estejam dispon\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>7. Como cientistas e a\u00e7\u00f5es coordenadas de v\u00e1rias especialidades podem contribuir para a volta \u00e0 normalidade e a prepara\u00e7\u00e3o para futuras epidemias?&nbsp;<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Acho que um exemplo claro da necessidade de uma abordagem multidisciplinar para lidar com a pandemia \u00e9 nosso grupo de modelagem de doen\u00e7as. Temos a participa\u00e7\u00e3o de muitos acad\u00eamicos, abrangendo diferentes disciplinas e campi da Universidade do Colorado. Tamb\u00e9m consultamos regularmente formuladores de pol\u00edticas, tomadores de decis\u00e3o, autoridades e agentes locais e outras pessoas que t\u00eam experi\u00eancia pr\u00e1tica com a pandemia. Acredito que temos um bom equil\u00edbrio entre as perspectivas de \u201csa\u00fade p\u00fablica e economia\u201d, o que \u00e9 absolutamente fundamental para retornar com seguran\u00e7a \u00e0 \u201cvida normal\u201d. Pode demorar um pouco, mas chegaremos l\u00e1.<\/p>\n\n\n\n<p>Em termos de planejamento e prepara\u00e7\u00e3o para futuras pandemias, acho que levar\u00e1 mais alguns meses para que o foco mude para \u201cfuturas pandemias\u201d, integrando li\u00e7\u00f5es aprendidas at\u00e9 aqui para planejar para futuras epidemias. \u00c9 absolutamente cr\u00edtico criar a infraestrutura necess\u00e1ria para responder a futuras pandemias, para que n\u00e3o estejamos t\u00e3o &#8220;mal preparados&#8221; como desta vez com a COVID-19.<\/p>\n\n\n\n<p>A COVID-19 \u00e9 um desafio sem precedentes e ainda em evolu\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o \u00e9 natural que houve e haver\u00e1 muitos erros e muitos acertos. No entanto, a esperan\u00e7a \u00e9 que possamos mobilizar nosso capital humano e outros recursos para desenvolver um \u201cplano\u201d melhor para lidar com outros desafios de igual, maior ou menor magnitude.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu continuo&nbsp; meu trabalho com o grupo de modelagem da &#8220;<em>C<\/em><a href=\"https:\/\/coloradosph.cuanschutz.edu\/resources\/covid-19\"><em>olorado School of Public Health<\/em><\/a>&#8220;, mas estou come\u00e7ando uma bolsa de p\u00f3s-doutorado na &#8220;<em>Wharton School at the University of Pennsylvania&#8221;<\/em>. L\u00e1, continuarei minha pesquisa sobre o impacto das pol\u00edticas de reforma na sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o e na aloca\u00e7\u00e3o eficiente de recursos. Tamb\u00e9m continuarei a trabalhar em pesquisas relacionadas \u00e0 COVID-19. A maioria dos meus colaboradores na <em>University of Pennsylvania<\/em> s\u00e3o economistas, cientistas sociais e m\u00e9dicos.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>8. Ao longo da sua carreira, voc\u00ea j\u00e1 enfrentou alguma dificuldade enquanto cientista por ser mulher?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Sim. Al\u00e9m disso, uma camada adicional de desafio vem do fato de que sou latino-americana nos EUA. Isso vem com algumas ideias \u201cpr\u00e9-concebidas\u201d muito claras sobre quem somos e o que podemos alcan\u00e7ar. Eu sei que tive que trabalhar muito mais duro do que meus colegas &#8220;homens brancos&#8221; para conseguir quase o mesmo e estar onde estou. Tenho uma personalidade muito assertiva e realmente acredito que posso realizar quase tudo pelo que tenho paix\u00e3o. Isso definitivamente me ajudou a chegar onde estou, mas n\u00e3o sem algumas lutas s\u00e9rias e uma percep\u00e7\u00e3o \u201cdesanimadora\u201d de que at\u00e9 mesmo pessoas que deveriam ser muito inteligentes e sens\u00edveis t\u00eam preconceitos impl\u00edcitos que podem ser muito destrutivos.<\/p>\n\n\n\n<p>Sempre me preocupo com pessoas que podem n\u00e3o ter personalidades \u201cassertivas\u201d e que talvez se esquivem de \u201cconfrontos construtivos\u201d porque podem perder grandes oportunidades. Tenho certeza de que isso acontece o tempo todo. J\u00e1 estive em situa\u00e7\u00f5es desafiadoras que exigiam conversas desconfort\u00e1veis \u200b\u200bpara resolver problemas que N\u00c3O deveriam existir, mas precisavam ser resolvidos e interrompidos. Algumas dessas situa\u00e7\u00f5es n\u00e3o eram preconceito aberto contra mulheres ou latinos(as). Acho essas situa\u00e7\u00f5es ainda mais desafiadoras de identificar, definir, confrontar e abordar.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>9. Descreva, em poucas palavras, a ci\u00eancia pelos olhos da Dra. Tatiane Santos.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A ci\u00eancia deve ser acess\u00edvel a todos. Acho que \u00e9 nosso dever, como cientistas, fazer o nosso melhor para comunicar e divulgar a ci\u00eancia e evid\u00eancias da forma mais acess\u00edvel que for poss\u00edvel, para atingir o maior n\u00famero de pessoas. N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil fazer isso, mas acho que &#8220;ci\u00eancia, academia e pesquisa&#8221; \u00e0s vezes pode ser um pouco elitista e eu particularmente n\u00e3o amo esse aspecto da ci\u00eancia. Amo quase tudo o mais sobre ci\u00eancia e me comprometi a sempre me esfor\u00e7ar para comunicar minha pesquisa de maneiras acess\u00edveis a todos. Eu quero \u201cpopularizar\u201d a ci\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Agradecemos muito \u00e0 Dra. Tatiane Santos pela disponibilidade em oferecer um pouco de seu escasso tempo para nos trazer as informa\u00e7\u00f5es valiosas aqui contidas. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Abaixo voc\u00ea pode conferir as respostas na \u00edntrega em ingl\u00eas. <\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Scientist &#8211; was that what you wanted to be when you grew up? How did your academic pathway lead you to specializing in Public Health?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>During high school I was more interested in robotics, although I\u2019m not entirely sure I knew exactly what it would involve. I do recall being very attracted to the idea of creating new technologies, which I am pretty sure would involve research and development. The desire was strong enough that I actually applied for engineering programs in Boston, MA. That desire soon turned into a lasting dream of going for medical school. Once I decided that was my \u201cpath\u201d, I started my bachelor of science degree in Biochemistry as part of my \u201cpre-med\u201d education (a requirement in the US prior to applying for medical school).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>During my undergraduate years, I got hands-on experience working in basic science at a Mass General Hospital neurology and epilepsy laboratory. I worked at MGH and Children\u2019s Hospital for about 3 to 4 years, initially as a volunteer, and later as a research assistant. I helped train some incoming undergraduate students in lab techniques, and was the primary lead for some of the lab\u2019s principal investigator research on pediatric neurology. This was my first in-depth experience with true basic science in one of the world\u2019s leading academic and research centers. As a result of my contributions, I was the co-author to two research papers before I completed my bachelor degree in biochemistry.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I loved my experience at MGH, and it certainly highlighted the discipline and rigor required in scientific research; however, I realized that basic science was not my priority.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>In the meantime (before I finished my BS degree), I started working for an HIV\/AIDS Prevention non-profit organization. My work at the \u201cMulticultural AIDS Coalition\u201d was practice-based public health intervention work. I see it as the \u201cpost-research\u201d component of public health work; the evidence-based interventions developed (based on research) to help address the HIV\/AIDS epidemic, especially among minority populations. Naturally, I learned how government policies facilitate (both financially and in terms of human capital investment) the implementation of critical programs to help improve population health.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I really fell in love with public health around that time. I also thought that the discipline would fit very nicely with my desire to be a physician. After completing my BS in biochemistry, I joined the master in public health program at Boston University, with a concentration in health policy and management. During that time, I worked full-time and attended school full-time. It was a great experience to put into practice what I learned in the master program. I continued working for other non-profit organizations that focused on public health. Later, I joined the Cambridge Health Alliance, which is one of the largest safety net integrated healthcare delivery systems in Massachusetts. I worked primarily with Medicaid policy and programs to help vulnerable populations enroll in Mass Health (the state\u2019s Medicaid program) and access healthcare services.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I was not able to attend medical school because tuition was extremely high and, at the time, I didn\u2019t qualify for any financial aid due to my international student status. After the difficult realization that I was not going to medical school, I decided to continue my career in public health. I also knew that at some point I would pursue a doctoral degree in the field of public health.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>During this time, I worked under many capacities related to public health, including implementation and policy-making. This work spanned different sectors: nonprofit, government and the private sector. I started my PhD program in health economics (health policy research) 10 years after I completed my master degree. I was able to bring a lot of my practice-based, \u201creal world\u201d experience to the PhD program which helped me define my research areas of interest. One of these areas culminated into my dissertation.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Currently, my work involves a combination of academic research, practice-based work, and teaching. I absolutely love it and it\u2019s been interesting to observe the \u201cunorthodox\u201d evolution of my career path.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>So\u2026have I always wanted to be a scientist? I think that the answer is not straight-forward as it seems to be for some of my colleagues. I am motivated by the fact that my research has the potential to shape Federal, State and local policies that can improve the lives of the most vulnerable populations.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>How is conducted&nbsp; research in Public Health?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>In health policy research (health economics), the opportunities to lead the desirable \u201crandomized controlled trials\u201d are very few for various reasons. Among them is the fact that this work usually examines Federal, State, and local policies and their impact on outcomes such as population health (e.g., mortality and morbidity), quality of care, and cost of care (i.e., efficiency). These policies are not randomly adopted by governments, and it would be highly unethical to randomize many of these policies. For instance, if a program offers greater access to health care services to a population (for example, Medicaid) and there is some evidence that this access is beneficial to beneficiaries of this program, then it would be unethical to give some people access to the program and to restrict access to others in the population. This is only one example of several in our field.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Another challenge is that the gold standard of randomized controlled trials is unlikely to give us a real understanding of how broad social and health policies would work in reality. In other words, the highly controlled nature of randomized trials does not provide the type of environment (political, social and cultural) in which actual policies exist and are implemented. One of the problems here would be that a policy might work in a highly controlled environment, but when this same policy is implemented, for instance, at the state level, things may look very different because the circumstances are extremely different from the \u201ccontrolled\u201d environment of the trial. This could lead to different impact of the policy or program. Some of the reasons for these differences include the fact that the program\/policy might be implemented in slightly different ways to accommodate \u201clocalized\u201d differences (e.g., financial strain, acceptance of program by providers or patients, fidelity in implementing protocols, etc). Another reason for these differences could be that the people who are supposed to benefit from the program don\u2019t really \u201cuse\u201d it adequately which could lead to different levels of program effectiveness.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>There are many ways to design studies to examine the impact of policies and interventions. I would place them in two large buckets of studies that look at 1) associations; and 2) causal effect of policy and\/or intervention on selected outcomes. The second type usually requires a higher level of rigor, theoretical framework, study design and methodological approach.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>One of the main issues of the approaches used in our discipline is the issue with study biases such as selection bias (e.g., why did state x choose to implement a policy when state y didn\u2019t?). This can lead to the issue of endogeneity, in which some states (or other \u201cunit\u201d) may be more inclined to pass some policies, and these same states may also be more prepared to implement these policies, which could lead to differential effectiveness of the policy (not because of the policy itself, but because of the environment in which it was implemented). Our methodological approaches will, for the most part, aim to explicitly control for these biases.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>We also have to make sure that when we examine the effect of policy X on outcome Y, that our results actually show that relationship X on Y, and is not the result of other contemporaneously implemented policies, or other underlying trends. In other words, our study design must account or other policies that may impact the outcomes of interest. We must, in the very least, acknowledge the possibility. A general class of experiments we work with is called natural experiments. This looks at how policies and interventions impact population-level outcomes in the \u201creal-world\u201d setting. For instance, numerous studies have been published to understand the impact of the Patient Protection and Affordable Care Act (\u201cObama care\u201d) on several outcomes such as: access to care, cost of care, quality, among other outcomes.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I\u2019ll give one example, but please keep in mind that this is ONLY ONE approach to test hypotheses in health economics and health policy research. The difference-in-differences (DID) analysis is used widely in the health policy\/economics literature. This approach tests whether policy X had an impact on outcome Y after the policy was implemented. It\u2019s a \u201cpre-post\u201d study. As with other rigorous studies, the DID approach requires a VERY strong control group to ensure that many of the biases inherent with natural experiments are \u201cexplicitly\u201d accounted for.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>For instance, if we want to understand the impact of Medicaid expansion on patient-level access to healthcare services, we can compare all the states that expanded Medicaid to the states that did not expand Medicaid. Additionally, our models have to account for seasonal patterns in healthcare utilization, patient and provider characteristics, state-level policies, and many other factors that may also be correlated\/associated with the outcome of \u201caccess to healthcare services\u201d. Specifically, the outcome could be \u201cvisits to primary care\u201d, \u201cemergency department visits\u201d, \u201ccancer screenings\u201d, among other access outcomes. Our models must rely on well-established theoretical\/conceptual models that explain why we would expect X to have an impact on Y, and the direction of that relationship. Ideally, we also need to work with large \u201cN\u201d; however, there are statistical approaches to deal with studies that have only a few observations.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Another approach widely used in our field is the \u201cinstrumental variable\u201d approach. The level of model \u201celegance\u201d ranges from simple models (that are likely more prone to biases) to more complex models that account for many of the biases inherent in the natural experimental design.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Did any professional or act inspire you in choosing this career?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>To be honest, as I progress and evolve in my own field, I have gravitated toward the work of some scholars that I admire and respect. I would not say they inspired my original interest in the work I do, but they help guide my work by striving to adhere to the highest levels of methodological and theoretical rigor; and especially to cultivate creativity to ask interesting and relevant questions.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Broadly, my areas of research interest are related to the impact of policies that encourage cross-sectorial collaboration (i.e., healthcare sector, human\/social services sector, education, housing, etc), and their impact of population health and efficient allocation of resources. I\u2019m particularly interested in the impact related to vulnerable populations.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I think that my focus on vulnerable populations grew from my observation of my father\u2019s and mother\u2019s work in medicine (father) and psychology (mother). They\u2019ve always been committed to improving the lives of those that have less access to resources (i.e., vulnerable populations). They\u2019ve volunteered countless hours towards that purpose. They\u2019ve also always been vocal supporters of this \u201ccause\u201d to assist the most vulnerable. If anything, their work and dedication is my inspiration, even though their work was not research-based.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>As a researcher in public health, you have had the opportunity to work towards the control of epidemics as mentioned above. Tell us more about your work on AIDS treatment.<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>My introduction to the world of public health was through a nonprofit organization that focused on HIV\/AIDS prevention and education for communities of color. Interestingly, I came across this work and organization by chance which later became not only a passion of mine, but a career focus (not HIV\/AIDS necessarily, but my work in public health and health policy).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>My initial work was practice-based. I worked directly with urban communities of color around Boston providing prevention education, harm-reduction, and resources so they were better prepared to take the right precautions in preventing infection.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>You are now part of a task force at the University of Colorado that aims to study and apply measures for contention of COVID-19. Tell us how can your specialization contribute to defeating a pandemic?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>This is a very interesting new role for me. I had been working with the Dean of the CO School of Public Health (Dean Jonathan Samet) for about 2 years on various projects; some of which were part of his long-term vision and strategy for the continued growth of the school\u2019s work in the State and across our 3 campuses.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>As the COVID-19 pandemic began to show its first inklings of a real pandemic (as defined by the World Health Organization and other public health institutions), the Dean invited me to join the rapidly forming COVID-19 Disease Modeling Team. The team is composed of epidemiologists, biostatisticians, economists, a mathematician and sociologist.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>The team\u2019s first task was to provide modeling projections of the COVID-19 pandemic in CO. The team advises Governor Jared Polis and the CO Department of Public Health and Environment executive director and lead epidemiologist. The initial priority was to help the state plan for surges in hospital bed use (acute care beds and intensive care unit\/critical care beds). The bottom-line question was: was CO\u2019s COVID-19 pandemic at a stage that would put our hospitals over acute and critical bed capacity utilization? In other words, would our hospitals be able to serve every patient that needed care? Answering this question, helped hospitals increase their bed capacity to accommodate the imminent surge in hospital use due to COVID-19 infections. This continues to be a priority focus. My role in this stage was to identify and collect the relevant data on COVID-19 indicators (e.g., number of cases, hospitalizations and mortality due to COVID-19), hospital bed capacity, CO population demographics (e.g., age, education, uninsurance, etc) and other data points that were critical to the model being developed by our epidemiologists. We wanted our model to reflect the reality in CO, as opposed to the several other models that may not be informed by the most updated and accurate CO-based data.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>As the third week of the team\u2019s response closed, I began to shift my focus to contact tracing workforce and technical capacity. There were no systematically collected data and\/or evaluations of CO\u2019s local public health departments\u2019 capacity to provide comprehensive case identification, contact tracing, and other containment strategies. These activities are critical to containing and eventually suppressing the pandemic, especially in the context of relaxing social distancing measures and \u201cre-opening\u201d the economy. One key question was: does CO have the workforce capacity to provide contact tracing to all COVID-19 positive individuals? (this involves many aspects which are described in detail in the report; link provided below).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>The study also sought to understand the technological infrastructure to collect and analyze contact tracing and containment activities. At that point, and currently, CO\u2019s local public health departments had developed their own approaches to collect data on their contact tracing activities, which is not ideal because there is a need for a more centralized platform that can systematically track this information to inform key surveillance activities in the state. The report culminated in a set of findings and recommendations to address the gaps identified, and to help CO place itself on a more adequate path to containing and suppressing the pandemic. This work was partially funded by a National Science Foundation grant and the state health department<\/em>.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>The report has helped inform state and local-level planning for contact tracing workforce and technological improvements. Report findings were also used to make decisions on how to allocate funding received from the Federal and State governments to local governments (county) to help in their response to the pandemic.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Another focus of my work is to make recommendations on contact tracing indicators that need to be regularly monitored and collected to understand the effectiveness of contact tracing activities. While we await the state to develop a statewide technological platform to collect this data, I have led the development of a recurring survey that CO\u2019s local public health departments will complete which will collect key data points. Some of these data will inform disease model parameters that will shed light on the effectiveness of contact tracing in curbing the pandemic in CO.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>It is important to note the public health infrastructure has been chronically underfunded for decades in the United States. Most, if not all, our local public health departments were not prepared to absorb the shocks and capacity needs imposed by the COVID-19 pandemic.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>My second key role in the modeling group is to develop and maintain key partnerships with local stakeholders (e.g., county commissioners, directors of local public health departments, business community, planners, etc). This helps our disease modelers include \u201crealistic\u201d parameters in the models instead of parameters derived from experience outside of CO. It\u2019s important to note that all of our model parameters are derived from a thorough review of the evolving COVID-19 scientific literature and information from the \u201cpeople on the ground\u201d doing the work.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>My third, and very important role, is to lead the development of a website which will provide county-level information on key indicators that are relevant to the COVID-19 pandemic. The goal is to educate the public on key topics, data and research on COVID-19. It is also designed to help local planners who can use the information on the website to help guide local decision-making.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>The website will strive to be user-friendly and easy to navigate. It will aggregate data on: population demographics (age, race, ethnicity, etc), social and economic factors (education, insurance, unemployment, etc), co-morbidities (diabetes, obesity, heart disease, etc), health behaviors (smoking, etc), aggregated\/de-identified mobility data, and other key information that can help CO residents and planner better understand the pandemic as it evolves. We are currently developing regional models (as opposed to the state-level model that\u2019s been informing state-level response) which will equip local governments to more adequately respond to the pandemic locally. There is a lot of variation across counties in CO in terms of \u201cwhere they are\u201d in the pandemic (e.g., number of cases, hospitalizations, deaths, etc). This website is being developed with the input from stakeholders who will also be our target audience.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>We will also mobilize a formal \u201cStakeholder Advisory Group\u201d who will help lead the development and expansion of the website, as well as inform the regional disease models.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>How do you see the current world scenario of facing the pandemic?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>It\u2019s been very interesting to watch how countries have responded and how successful or not successful they\u2019ve been in \u201criding\u201d the first wave of the pandemic.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>The mixed messages and decentralized leadership in some countries have had a clear negative impact in their ability to successfully \u201csuppress\u201d the first wave of the pandemic. As a result, they\u2019ve been stuck in the first wave, as is the case in the US which is experiencing surges in cases, hospitalizations and deaths in several states (including CO which is not as bad, but there is a very concerning trend, as reported by our group)<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>The politicization of the pandemic and the measures to be taken to contain and suppress it has also been detrimental to an effective response. One obvious example is the use of masks which has caused wildly varying responses from individuals leading to low \u201cadherence\u201d to mask use in various locations across the US. Contact tracing is another \u201chot button\u201d for many people. Some equate contact tracing, voluntary quarantining, and mask-wearing as \u201cinfringing in their personal liberties\u201d. Several countries that have successfully contained the pandemic have high levels of participation in terms of mask-wearing and contact tracing. There is a lot of mistrust in government in the US; in the use of personal data, and other long-standing issues that are now affecting our ability to successfully respond to the pandemic.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Also, in the context of the \u201cblack lives matter\u201d movement, as well as other hotly debated areas of racial inequities; COVID-19 has once again brought to the surface the deep inequities that exist across the US. Decades of policies that disenfranchised communities of color have made them significantly more vulnerable to the pandemic. For example, Blacks and Latinos are disproportionately affected by COVID-19 pandemic in terms of number of cases, hospitalizations and deaths. Importantly, these two groups make up a much lower proportion of the population in the US. There are many underlying reasons for this, such as the fact that these groups are more likely to work in low-paying \u201cessential jobs\u201d which expose them to the disease more often; they are more likely to live in crowded housing due to low income; they are more likely to be uninsured, and a whole host of other long-standing inequities in the US.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Another key rhetoric since the pandemic started is the idea that we either address public health or the economy. There should be NO duality in these two. It\u2019s simple: a healthy population contributes to a healthy economy, and a healthy economy contributes to a healthy population. Many people have described the response to the pandemic as an \u201ceither or\u201d argument. It is NOT the case. We must contain and suppress the pandemic to prevent avoidable death and suffering, while ALSO allowing our economy to re-open and thrive. The \u201cre-opening\u201d can happen carefully and safely if some key behaviors (e.g., mask-wearing, and social distancing); and infrastructure (e.g., testing and contact tracing) are in place.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>How can scientists and coordinated actions from multiple area of specialization contribute to a return to normality and preparation for future epidemics?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>I think a clear example of the need for a multi-disciplinary approach to address the pandemic is our disease modeling group. We have participation from many scholars spanning different disciplines and campuses in the University of Colorado system. We also consult on a regular basis with policy-makers, decision-makers, local stakeholders and other folks who have \u201con-the-ground\u201d experience with the pandemic. I believe we have a good balance of \u201cpublic health and economy\u201d perspectives which is absolutely key to safely return to \u201clife as usual\u201d. It will take some time, but we will get there.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>In terms of planning and preparedness for future pandemics, I think that it will take another few months for the focus to shift to \u201cfuture pandemics\u201d, integrating lessons learned for planning for future epidemics. It is absolutely critical to create the infrastructure necessary to respond to future pandemics so that we\u2019re not so \u201cill-prepared\u201d as this time around with COVID-19.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>COVID-19 is an unprecedented and still-evolving challenge, so it\u2019s natural that there were and there will be many mistakes and many successes. However, the hope is that we can mobilize our human capital and other resources to develop a better \u201cplan\u201d to deal with other challenges of the same, higher or lower magnitude.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I\u2019m continuing my work with the C<\/em><a href=\"https:\/\/coloradosph.cuanschutz.edu\/resources\/covid-19\"><em>olorado School of Public Health<\/em><\/a><em> modeling group, but I\u2019m starting a post-doctoral fellowship at the Wharton School at the University of Pennsylvania. There, I will continue my research on the impact of health reform policies on population health and the efficient allocation of resources. I will also continue to work on COVID-19 related research. Most of my collaborators at UPenn are economists, social scientists, and physicians.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>In your career, have you ever faced any difficulties for being a woman?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Yes. Also, an added layer of challenge comes from the fact that I am Latin American in the USA. This comes with some very clear \u201cpre-conceived\u201d ideas about who we are and what we can achieve. I know as a fact that I\u2019ve had to work much harder than my \u201cwhite male\u201d peers to achieve about the same and to be where I am. I have a very assertive personality and truly believe I can accomplish just about anything I have a passion for. This has definitely helped me get to where I am, but not without some serious struggles and \u201cdisheartening\u201d realization that even people who are supposed to be very intelligent and sensitive, have implicit biases that can be very destructive.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>I always worry about people who may not have \u201cassertive\u201d personalities and may shy away from \u201cconstructive confrontations\u201d because they may miss out on great opportunities. I\u2019m sure it happens all the time. I\u2019ve been in challenging situations that required uncomfortable conversations to address problems that should NOT exist but needed to be addressed and stopped. Some of these situations were not overt prejudice against women or latinos\/as. I find these covert situations to be even more challenging to identify, define, confront and address.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><strong>Briefly describe Science through Dr. Tatiana Santos&#8217; eyes<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><em>Science must be accessible to everyone. I think it is our duty as scientists to do our best to communicate and disseminate science and evidence in the most accessible way possible, to reach the largest number of people. It\u2019s not easy to do this, but I think that \u201cscience, academia, and research\u201d sometimes can be a bit elitist and I don\u2019t particularly love this aspect of science. I love just about everything else about science and have committed to always strive to communicate my research in accessible ways to everybody. I want to \u201cpopularize\u201d science.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p> Conhe\u00e7a a pesquisa da Dra. 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