{"id":322,"date":"2016-09-24T17:41:12","date_gmt":"2016-09-24T20:41:12","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/?p=322"},"modified":"2020-05-16T20:03:13","modified_gmt":"2020-05-16T23:03:13","slug":"as-mulheres-invisiveis-do-setor-de-tecnologia-representatividade-e-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2016\/09\/24\/as-mulheres-invisiveis-do-setor-de-tecnologia-representatividade-e-futuro\/","title":{"rendered":"As mulheres invis\u00edveis do setor de tecnologia, representatividade e futuro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">Se para voc\u00ea a imagem de\u00a0um programador de computadores \u00e9 um <strong>homem branco jovem<\/strong>, h\u00e1 um motivo para isso: esta \u00e9 a realidade. Muitos dos grandes conglomerados de tecnologia possuem poucas mulheres no seu quadro de funcion\u00e1rios\u00a0de engenharia\u00a0e ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>Os n\u00fameros<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">A empresa Google tem 17% de mulheres no setor de tecnologia. A mesma rela\u00e7\u00e3o desigual entre homens e mulheres acontece no Facebook (31% s\u00e3o mulheres), na Apple (30%) e no Twitter (30%). Al\u00e9m disso, startups comandadas por mulheres recebem <strong>somente 10% dos aportes financeiros<\/strong>. Esses s\u00e3o os dados apontados por um estudo de 2015 da Harvard Business School. Apesar de figuras como a diretora de opera\u00e7\u00f5es do Facebook, Sheryl Sandberg, e a CEO do Yahoo!, Marissa Mayer serem bastante relevantes, elas s\u00e3o exce\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">O ano de 2016 foi hist\u00f3rico para a\u00a0NASA pois,\u00a0pela primeira vez,\u00a0as mulheres correspondem a <strong>50% da equipe de astronautas<\/strong> da ag\u00eancia. Entretanto,\u00a0por seis d\u00e9cadas, muitas mulheres passaram pela ag\u00eancia e poucas receberam o reconhecimento merecido.\u00a0O filme\u00a0<em>Hidden Figures (Estrelas al\u00e9m do tempo)<\/em>, que tem estreia no Brasil prevista para fevereiro de 2017, acompanha a trajet\u00f3ria das matem\u00e1ticas Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson cujo esfor\u00e7o foi essencial para que os Estados Unidos dessem in\u00edcio \u00e0\u00a0corrida espacial. Essas mulheres al\u00e9m de enfrentarem resist\u00eancia por serem mulheres, tiveram\u00a0o entrave adicional\u00a0de serem negras.<\/p>\n<h3>As causas do problema<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">Um dos obst\u00e1culos\u00a0para que as mulheres interessem-se pela engenharia e tecnologia talvez seja o <strong>condicionamento cultural<\/strong>. H\u00e1 uma narrativa cultural de que mulher e tecnologia n\u00e3o combinam, de que elas n\u00e3o possuem interesse ou habilidades para tais fun\u00e7\u00f5es. Talvez o problema maior seja mesmo a falta de representatividade. Entretanto, exemplos nos mostram como isso n\u00e3o \u00e9 de todo verdade: n\u00e3o s\u00f3 existem grandes modelos de mulheres no setor de tecnologia, como algumas foram inclusive\u00a0<strong>fundamentais para o desenvolvimento<\/strong> desse campo de conhecimento. Provavelmente o que h\u00e1 \u00e9 a pouca divulga\u00e7\u00e3o de seus nomes, faces e fa\u00e7anhas, coisa que esse blog trata de mudar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">As pesquisadoras do Grupo de Estudos\u00a0e Pesquisas\u00a0em\u00a0Rela\u00e7\u00f5es de G\u00eanero e Tecnologia (GeTec) da Universidade Tecnol\u00f3gica Federal do Paran\u00e1 v\u00eam realizando uma s\u00e9rie de pesquisas no tema e <a href=\"http:\/\/www.scielo.br\/pdf\/cpa\/n27\/32144.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">publicando trabalhos<\/a> sobre a contribui\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica das mulheres para a computa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h3>As solu\u00e7\u00f5es para o problema<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">Talvez as mais emblem\u00e1ticas sejam\u00a0Ada Lovelace, considerada a primeira programadora da hist\u00f3ria, e\u00a0Grace Hopper pela sua contribui\u00e7\u00e3o no desenvolvimento da linguagem de programa COBOL, utilizada at\u00e9 hoje.<\/p>\n<div id=\"attachment_340\" style=\"width: 258px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-340\" class=\"size-medium wp-image-340\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Capa-livro-248x300.jpg\" alt=\"Capa do livro Ada Byron Lovelace and the Thinking Machine de Laurie Wallmark \" width=\"248\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Capa-livro-248x300.jpg 248w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Capa-livro.jpg 264w\" sizes=\"(max-width: 248px) 100vw, 248px\" \/><p id=\"caption-attachment-340\" class=\"wp-caption-text\">Capa do livro Ada Byron Lovelace and the Thinking Machine de Laurie Wallmark<\/p><\/div>\n<h4>Ada Lovelace<\/h4>\n<p style=\"text-align: left\">Augusta Ada Byron, conhecida como Ada Lovelace, nasceu em Londres em 1815 e recebeu vasta educa\u00e7\u00e3o focada principalmente em ci\u00eancias exatas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Conheceu aos 18 anos Charles Babbage que trabalhava no desenvolvimento da <strong>M\u00e1quina Anal\u00edtica<\/strong>, um equipamento considerado o primeiro projeto de um computador mec\u00e2nico de uso geral.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Em seu envolvimento com o trabalho de Babbage, Ada idealizou um algoritmo que permitiria \u00e0 M\u00e1quina Anal\u00edtica realizar c\u00e1lculos pr\u00e9-determinados. Ela afirmava que a m\u00e1quina poderia fazer qualquer coisa que algu\u00e9m soubesse orden\u00e1-la a fazer. Se Babbage idealizou o primeiro computador do mundo foi Ada que fez <strong>o primeiro programa.<\/strong> Por falta de financiamento, essa m\u00e1quina nunca saiu do papel, mas serviu de inspira\u00e7\u00e3o para o desenvolvimento do computador tal qual conhecemos hoje.<\/p>\n<div id=\"attachment_341\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-341\" class=\"size-medium wp-image-341\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Jean-Jennings-left-and-Frances-Bilas-set-up-the-ENIAC-in-1946.-Bilas-is-arranging-the-program-settings-on-the-Master-Programmer.-300x204.jpg\" alt=\"Jean Jennings \u00e0 esquerda e Frances Bilas \u00e0 direita arrumando os comandos do programa no ENIAC em 1946\" width=\"300\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Jean-Jennings-left-and-Frances-Bilas-set-up-the-ENIAC-in-1946.-Bilas-is-arranging-the-program-settings-on-the-Master-Programmer.-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Jean-Jennings-left-and-Frances-Bilas-set-up-the-ENIAC-in-1946.-Bilas-is-arranging-the-program-settings-on-the-Master-Programmer.-768x522.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Jean-Jennings-left-and-Frances-Bilas-set-up-the-ENIAC-in-1946.-Bilas-is-arranging-the-program-settings-on-the-Master-Programmer.-1024x696.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Jean-Jennings-left-and-Frances-Bilas-set-up-the-ENIAC-in-1946.-Bilas-is-arranging-the-program-settings-on-the-Master-Programmer..jpg 1500w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-341\" class=\"wp-caption-text\">Jean Jennings \u00e0 esquerda e Frances Bilas \u00e0 direita arrumando os comandos do programa no ENIAC em 1946<\/p><\/div>\n<h4>As matem\u00e1ticas<\/h4>\n<p style=\"text-align: left\">O <strong>primeiro computador eletr\u00f4nico<\/strong> de uso geral s\u00f3 foi criado em\u00a01946. O Eniac (Electronic Numerical Integrator and Computer) foi projetado para fazer c\u00e1lculos de artilharia para o ex\u00e9rcito americano\u00a0e\u00a0da mesma forma a programa\u00e7\u00e3o foi feita por mulheres, que nunca tiveram seu trabalho reconhecido.\u00a0De um grupo de 80 <strong>matem\u00e1ticas<\/strong> que trabalhavam com c\u00e1lculos bal\u00edsticos na Universidade da Pensilv\u00e2nia, Kathleen McNulty Mauchly Antonelli, Jean Jennings Bartik, Frances Synder Holber, Marlyn Wescoff Meltzer, Frances Bilas Spence e Ruth Lichterman Teitelbaum foram selecionadas para participarem desse projeto. Em 2014, o document\u00e1rio \u201cThe Computers\u201d, com relatos das seis programadoras, tentou recuperar parte dessa hist\u00f3ria e lhes atribuir seus devidos cr\u00e9ditos. Assista ao trailer <a href=\"https:\/\/vimeo.com\/107667129\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.<\/p>\n<h4>Grace Hopper<\/h4>\n<div id=\"attachment_343\" style=\"width: 235px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-343\" class=\"size-medium wp-image-343\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Grace-Hopper-originated-electronic-computer-automatic-programming-for-the-Remington-Rand-Division-of-Sperry-Rand-Corp.-225x300.jpg\" alt=\"Grace Hopper\" width=\"225\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Grace-Hopper-originated-electronic-computer-automatic-programming-for-the-Remington-Rand-Division-of-Sperry-Rand-Corp.-225x300.jpg 225w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/09\/Grace-Hopper-originated-electronic-computer-automatic-programming-for-the-Remington-Rand-Division-of-Sperry-Rand-Corp..jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 225px) 100vw, 225px\" \/><p id=\"caption-attachment-343\" class=\"wp-caption-text\">Grace Hopper<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left\">Foi tamb\u00e9m uma mulher, Grace Hopper, a respons\u00e1vel por acelerar o desenvolvimento das linguagens de computa\u00e7\u00e3o ao\u00a0criar programas capazes de traduzir essa linguagem para uma mais simples, os compiladores. O\u00a0Flow-Matic foi a primeira <strong>linguagem de programa\u00e7\u00e3o<\/strong> que funcionava com palavras em ingl\u00eas. Foi dela\u00a0tamb\u00e9m a ideia de compartilhar c\u00f3digos entre os programadores, formando bibliotecas, para reduzir os erros e \u00a0trabalho.<\/p>\n<h3>Iniciativas para capacita\u00e7\u00e3o de mulheres<\/h3>\n<p>Todas essas mulheres citadas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o\u00a0mais entre n\u00f3s, mas cada vez que voc\u00ea escreve no seu computador, usa a calculadora de seu celular ou toca a m\u00fasica de um arquivo, voc\u00ea est\u00e1 usando uma ferramenta que poderia n\u00e3o existir sem o trabalho delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Imagina o que tantas outras ainda ser\u00e3o capazes de realizar. Da\u00ed a import\u00e2ncia de <strong>espa\u00e7os de capacita\u00e7\u00e3o e de troca de aprendizados<\/strong> e experi\u00eancias em tecnologia voltados para mulheres. Eles s\u00e3o fundamentais para despertar nessas novas gera\u00e7\u00f5es de mulheres a certeza de que podem ser promotoras de mudan\u00e7as, come\u00e7ando pelo seu pr\u00f3prio destino.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">No Brasil, o <strong>coletivo<\/strong> <a href=\"http:\/\/marialab.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Marialab Hackerspace<\/a>, como elas mesmo descrevem, \u00e9 um espa\u00e7o voltado para mulheres, que quer ensinar e divulgar ci\u00eancias e tecnologia como coisa de mulher. Desde 2013, elas realizam oficinas e eventos relacionados \u00e0 tecnologia na cidade de S\u00e3o Paulo. Como esta, outras iniciativas existem como a <a href=\"http:\/\/academialovelace.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Academia Lovelace<\/a>,<a href=\"https:\/\/www.programaria.org\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> PrograMaria<\/a>, <a href=\"http:\/\/brasil.pyladies.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">PyLadies<\/a>, <a href=\"http:\/\/minasprogramam.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">#MinasProgramam<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Outra <strong>grande iniciativa<\/strong> \u00e9 a <a href=\"http:\/\/www.blackgirlscode.com\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Black Girls Code<\/a>, organiza\u00e7\u00e3o sem fins lucrativos que atua em v\u00e1rias regi\u00f5es dos\u00a0Estados Unidos da Am\u00e9rica. Ela visa introduzir no\u00e7\u00f5es de programa\u00e7\u00e3o e tecnologia para jovens negras de forma\u00a0tal que essas possam se tornar as novas gera\u00e7\u00f5es que construir\u00e3o inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas. A organiza\u00e7\u00e3o foi criada,\u00a0em 2011, por Kimberly Bryant, uma engenheira el\u00e9trica cansada de n\u00e3o conviver com pessoas semelhantes a ela ao longo de toda a sua carreira.<\/p>\n<h3>.<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">Talvez seja esse mesmo o caminho para um futuro de mais equidade no setor tecnol\u00f3gico: oferecer \u00e0s pessoas modelos de representatividade, de maneira a romper certas arramas sociais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">\n<div style=\"width: 1150px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/m247.com\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/10\/bgc3.jpeg\" width=\"1140\" height=\"760\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem reproduzida por site da iniciativa Black Girls Code<\/p><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Se para voc\u00ea a imagem de\u00a0um programador de computadores \u00e9 um homem branco jovem, h\u00e1 um motivo para isso: esta \u00e9 a realidade. 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