{"id":453,"date":"2017-02-17T08:00:33","date_gmt":"2017-02-17T10:00:33","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/?p=453"},"modified":"2017-02-17T00:28:27","modified_gmt":"2017-02-17T02:28:27","slug":"uma-cientista-brasileira-entre-os-top-10-de-2016","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2017\/02\/17\/uma-cientista-brasileira-entre-os-top-10-de-2016\/","title":{"rendered":"Uma cientista brasileira entre os TOP 10 de 2016"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\">Em dezembro de 2016, a revista cient\u00edfica Nature avaliou e publicou os Top 10 cientistas daquele ano. Dentre eles, 4 mulheres, sendo uma cientista brasileira, foram colocadas no topo da lista e hoje apresentamos uma postagem carinhosa sobre a trajet\u00f3ria que levou a cientista Dra. Celina M. Turchi a ser lembrada com tanto respeito por sua pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Em 2015, na regi\u00e3o nordeste do Brasil, algumas m\u00e3es recebiam em seus bra\u00e7os seus beb\u00eas rec\u00e9m-nascidos aparentemente saud\u00e1veis mas com cabe\u00e7as muito pequenas at\u00e9 mesmo para o seu corpo diminuto de nasciturno. O n\u00famero de beb\u00eas com tal condi\u00e7\u00e3o aumentava progressivamente a cada parto realizado e os m\u00e9dicos come\u00e7aram a questionar a causa dessa poss\u00edvel epidemia de uma condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica considerada rara.<\/p>\n<div id=\"attachment_458\" style=\"width: 377px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-458\" class=\"wp-image-458\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagemmicrocefalia.png\" width=\"367\" height=\"154\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagemmicrocefalia.png 1410w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagemmicrocefalia-300x126.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagemmicrocefalia-768x321.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagemmicrocefalia-1024x428.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 367px) 100vw, 367px\" \/><p id=\"caption-attachment-458\" class=\"wp-caption-text\">Figura esquem\u00e1tica de beb\u00ea com tamanho cef\u00e1lico normal, beb\u00ea com microcefalia e outro com microcefalia severa. A linha tracejada representa o tamanho normal para compara\u00e7\u00e3o. (Fonte: Adaptado de\u00a0<em>Center for Disease Control and Prevention<\/em>)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Essa\u00a0\u00e9 denominada microcefalia sendo caracterizada por crian\u00e7as que apresentam cabe\u00e7a e c\u00e9rebro significativamente menores do que aqueles comparado a outras crian\u00e7as da mesma idade e sexo. Isso ocorre durante a gesta\u00e7\u00e3o ou desenvolvimento infantil ap\u00f3s o parto quando o c\u00e9rebro n\u00e3o se desenvolve suficientemente acarretando defici\u00eancias intelectuais, de pronuncia\u00e7\u00e3o, pouca fun\u00e7\u00e3o motora e at\u00e9 mesmo convuls\u00f5es e nanismo.\u00a0At\u00e9 aquele ano, as causas mais conhecidas da microcefalia envolviam dele\u00e7\u00f5es e defeitos g\u00eanicos ou as consideradas ambientais como ingest\u00e3o de drogas, m\u00e1 alimenta\u00e7\u00e3o no curso da gesta\u00e7\u00e3o ou infec\u00e7\u00f5es maternas durante a gravidez por toxoplasmose, rub\u00e9ola e citomegalov\u00edrus. O que n\u00e3o se esperava era que um outro tipo de infec\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m poderia acometer esses beb\u00eas nascidos em 2015, n\u00e3o somente no Brasil mas em diversos outros pa\u00edses.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Naquele momento, o v\u00edrus Zika transmitido a humanos pela picada do mosquito <em>Aedes aegypti <\/em> come\u00e7ou a ser associado \u00e0s causas da microcefalia, por\u00e9m pouco se sabia sobre a rela\u00e7\u00e3o entre o v\u00edrus e a condi\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica. De fato, era uma anomalia que trazia aten\u00e7\u00e3o uma vez que, \u201cnunca fora demonstrado uma m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o cong\u00eanita relacionada a um v\u00edrus transmitido por mosquito\u201d (disse Celina Turchi).<\/p>\n<div id=\"attachment_460\" style=\"width: 407px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-460\" class=\"wp-image-460\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/zika-e-mosquito-aedes.png\" width=\"397\" height=\"243\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/zika-e-mosquito-aedes.png 1109w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/zika-e-mosquito-aedes-300x183.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/zika-e-mosquito-aedes-768x470.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/zika-e-mosquito-aedes-1024x626.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 397px) 100vw, 397px\" \/><p id=\"caption-attachment-460\" class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o da dissemina\u00e7\u00e3o do Zika virus pelo mundo. Em roxo escuro est\u00e3o os pa\u00edses com transmiss\u00e3o ativa do Zika virus, em lil\u00e1s est\u00e3o marcados os pa\u00edses com casos de Zika recentes e em vermelho est\u00e3o os casos de Zika virus confimados antes de 2015. No canto esquerdo encontra-se uma imagem do mosquito transmissor <em>Aedes Aegypti<\/em> (Fonte: <em>Center for Disease Control and Prevention<\/em>)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">A convite do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, a epidemiologista e pesquisadora da FIOCRUZ\/Pernambuco Profa. Dra Celina M. Turchi em conjunto com um grupo de bi\u00f3logos, m\u00e9dicos e pediatras come\u00e7aram a investigar\u00a0as causas da microcefalia que acometia aqueles beb\u00eas rec\u00e9m nascidos. Esse grupo ficou conhecido por MERG, <em>Microcephaly Epidemic Research Group<\/em> (Grupo de Pesquisa da Epidemia de Microcefalia).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Atrav\u00e9s da an\u00e1lise de dados obtidos por tomografia computadorizada de cabe\u00e7as de beb\u00eas com microcefalia cong\u00eanita em conjunto com\u00a0outros dados cl\u00ednicos, a Dra. Celina Turchi em conjunto com outros autores publicou um artigo cient\u00edfico em abril de 2016 na revista <em>The New England Journal of Medicine<\/em>. Nele, a infec\u00e7\u00e3o intrauterina por Zika v\u00edrus foi associada como causa aparente para as anomalias no desenvolvimento cerebral que estavam acometendo aqueles beb\u00eas a exemplo de calcifica\u00e7\u00f5es, ventriculomegalia e anormalidades na mat\u00e9ria cinzenta do c\u00e9rebro (hipo- e desmieliniza\u00e7\u00e3o). Essa \u00e1rdua e importante pesquisa trouxe uma resposta para os m\u00e9dicos, neurologistas, pesquisadores e \u00e0s m\u00e3es e permitiu que houvessem a\u00e7\u00f5es preventivas no combate \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por Zika v\u00edrus a fim de evitar rec\u00e9m-nascidos com essa m\u00e1 forma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, contribuiu para o melhor entendimento das altera\u00e7\u00f5es neurol\u00f3gicas causadas por este v\u00edrus. Assim, fica evidente a contribui\u00e7\u00e3o sublime da Dra. Celina Turchi e as motiva\u00e7\u00f5es que levaram o reconhecimento de sua pesquisa pela revista Nature como uma das pesquisadoras Top 10 de 2016.<\/p>\n<div id=\"attachment_461\" style=\"width: 371px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-461\" class=\" wp-image-461\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/nejmc1603617_f1.jpeg\" alt=\"\" width=\"361\" height=\"227\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/nejmc1603617_f1.jpeg 1500w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/nejmc1603617_f1-300x188.jpeg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/nejmc1603617_f1-768x482.jpeg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/nejmc1603617_f1-1024x643.jpeg 1024w\" sizes=\"(max-width: 361px) 100vw, 361px\" \/><p id=\"caption-attachment-461\" class=\"wp-caption-text\">Dados de tomografia computadorizada de beb\u00eas com microcefalia associada a infec\u00e7\u00e3o por Zika V\u00edrus e publicados na revista cient\u00edfica The New England Journal of Medicine pelo grupo de pesquisa MERG. (Fonte: The New England Journal of Medicine)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Especialista na \u00e1rea de doen\u00e7as epidemiol\u00f3gicas, Dra. Turchi \u00e9 m\u00e9dica formada pela Universidade Federal de Goi\u00e1s, realizou mestrado em epidemiologia pela <em>London School of Hygiene and Tropical Medicine<\/em> no Reino Unido, \u00e9 doutora pelo Departamento de Medicina Preventiva na USP e atualmente \u00e9 pesquisadora no Centro de Pesquisa Aggeu Magalh\u00e3es na Fiocruz em Pernambuco. Ela apresenta uma lista not\u00e1vel de alunos que orientou ao longo dos seus anos de pesquisa, em especial mulheres cientistas. Nas suas publica\u00e7\u00f5es vemos a sua investiga\u00e7\u00e3o por epidemias atuais e seu engajamento em entender os mecanismos de infec\u00e7\u00f5es virais como a hepatite A, B e C, HIV-1 (tamb\u00e9m conhecido como um dos v\u00edrus transmissores da AIDS) e o v\u00edrus da Dengue, o qual tamb\u00e9m \u00e9 transmitido pelo mosquito <em>Aedes aegypti<\/em> e que tem assolado regi\u00f5es tropicais, inclu\u00edndo o Brasil. Agora o novo desafio da Dra. Celina Turchi encontra-se no desenvolvimento de uma plataforma aberta de imagens de cabe\u00e7a dos fetos e rec\u00e9m-nascidos normais e de casos de microcefalia. O objetivo dessa plataforma \u00e9 compartilhar os dados de infec\u00e7\u00f5es emergentes, como foi o caso da microcefalia associada \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por Zika v\u00edrus, com cientistas ao redor do mundo a fim de permitir uma troca de conhecimento cient\u00edfico por toda a comunidade e maior rapidez nas pesquisas. Uma outra abordagem de sua pesquisa est\u00e1 em investigar se a infec\u00e7\u00e3o pelo v\u00edrus da Dengue poderia ser um facilitador para a contra\u00e7\u00e3o do Zika v\u00edrus.<\/p>\n<div id=\"attachment_457\" style=\"width: 430px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-457\" class=\" wp-image-457\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagensnature.png\" alt=\"\" width=\"420\" height=\"217\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagensnature.png 1318w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagensnature-300x155.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagensnature-768x397.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2017\/02\/imagensnature-1024x529.png 1024w\" sizes=\"(max-width: 420px) 100vw, 420px\" \/><p id=\"caption-attachment-457\" class=\"wp-caption-text\">Dra. Elena Long, Ph.D.; Ms. Alexandra Elbakyan M.S.; Profa. Dra. Gabriela Gonzales (Fonte: Kandice Carter, Sci-Hub, <em>Lousiana State University<\/em>)<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: justify\">Antes de encerrar esse post, fazemos aqui uma pequena e simples homenagem a outras 3 cientistas que est\u00e3o entre a classifica\u00e7\u00e3o dos TOP 10 cientistas de 2016 pela Nature. A f\u00edsica, Profa. Dra. Gabriela Gonzalez que atualmente est\u00e1 na Universidade Estadual da Lousiana em Baton Rouge-Estados Unidos, coordenou a an\u00e1lise de ondas gravitacionais chamadas rugas no espa\u00e7o-tempo. Outra cientista na \u00e1rea de F\u00edsica que teve seu reconhecimento foi a Profa. Dra. Elena Long. Assim como as mulheres, outras minorias tamb\u00e9m encontram dificuldades na sua inclus\u00e3o no mundo cient\u00edfico, como a comunidade LGBT. Na \u00e1rea da F\u00edsica, Dra. Long percebeu a dificuldade que essas pessoas passavam continuamente e criou a LGBT+Physics (<a href=\"http:\/\/lgbtphysicists.org\">http:\/\/lgbtphysicists.org<\/a>), que auxilia essa minoria a ser ouvida quanto \u00e0 sua pesquisa e projetos. A genial Alexandra Elbakyan, assim como muitos, teve dificuldades no seu mestrado em ler publica\u00e7\u00f5es de revistas cient\u00edficas das quais \u00e9 necess\u00e1rio ter um cadastro pago para ter acesso ao artigo. Ela criou ent\u00e3o a Science Hub (<a href=\"http:\/\/www.scihub.org\">www.scihub.org<\/a>) que visa promover o acesso livre \u00e0 esse tipo de publica\u00e7\u00e3o. Apesar de ter sido alvo de processos judiciais dos direitos autorais por algumas revistas, sua iniciativa viabiliza a informa\u00e7\u00e3o para diversos cientistas e seus aspirantes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Essas 4 mulheres representam mundialmente as cientistas de 2016 e todas as suas conquistas no \u00e1rduo trabalho di\u00e1rio de continuar desenvolvendo ci\u00eancia e tecnologia. Para mais informa\u00e7\u00f5es sobre os TOP 10 de 2016 pela revista Nature clique no link (<a href=\"http:\/\/www.nature.com\/news\/nature-s-10-1.21157\">http:\/\/www.nature.com\/news\/nature-s-10-1.21157<\/a>).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em dezembro de 2016, a revista cient\u00edfica Nature avaliou e publicou os Top 10 cientistas daquele ano. Dentre eles, 4 mulheres, sendo uma cientista brasileira, foram colocadas no topo da lista e hoje apresentamos uma postagem carinhosa sobre a trajet\u00f3ria que levou a cientista Dra. Celina M. 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