{"id":83,"date":"2016-06-17T16:54:29","date_gmt":"2016-06-17T19:54:29","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/?p=83"},"modified":"2020-05-16T12:39:23","modified_gmt":"2020-05-16T15:39:23","slug":"rosalind-franklin","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2016\/06\/17\/rosalind-franklin\/","title":{"rendered":"Celebrando Rosalind Franklin &#8211; a mulher que ajudou a desvendar a estrutura do DNA"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">Para inaugurar a Categoria <strong>Na hist\u00f3ria<\/strong>, homenageamos uma figura fundamental na hist\u00f3ria da ci\u00eancia, a qual muitos talvez j\u00e1 conhecem ou ouviram falar em fun\u00e7\u00e3o de uma grande injusti\u00e7a, <strong>Rosalind Franklin<\/strong>.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Lembro de maneira clara quando, em uma das primeiras aulas de gen\u00e9tica na faculdade, ouvi sua hist\u00f3ria. Aquilo me casou um <strong>espanto danado<\/strong> &#8211; ainda n\u00e3o tinha tanta consci\u00eancia dessas injusti\u00e7as hist\u00f3ricas t\u00e3o comuns na ci\u00eancia. Lembro tamb\u00e9m de ter sentido uma grande empatia com aquela jovem cientista mulher, talvez prevendo o caminho duro que ainda me aguardava.<\/p>\n<h3>A corrida para se desvendar a estrutura do DNA<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">Rosalind Franklin foi uma brilhante\u00a0cientista, recrutada em 1950 para trabalhar no\u00a0King\u2019s College London, tornou-se especialista em <strong>cristalografia de raios X<\/strong>. A t\u00e9cnica consiste em fazer passar um feixe de raios X\u00a0atrav\u00e9s de um cristal da subst\u00e2ncia em estudo. Devido \u00e0 simetria do agrupamento de \u00e1tomos, o feixe se difunde e, por difra\u00e7\u00e3o, d\u00e1\u00a0um padr\u00e3o de intensidades que pode se interpretado segundo a distribui\u00e7\u00e3o dos \u00e1tomos no cristal.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Na \u00e9poca, havia uma corrida<\/p>\n<div id=\"attachment_101\" style=\"width: 177px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-101\" class=\" wp-image-101\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/78081eed6b567595fbc89611bf1af9e1-1-300x298.jpg\" alt=\"Maurice Wilkins\" width=\"167\" height=\"166\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/78081eed6b567595fbc89611bf1af9e1-1-300x298.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/78081eed6b567595fbc89611bf1af9e1-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/78081eed6b567595fbc89611bf1af9e1-1.jpg 606w\" sizes=\"(max-width: 167px) 100vw, 167px\" \/><p id=\"caption-attachment-101\" class=\"wp-caption-text\">Maurice Wilkins<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left\">incessante para se descrever a estrutura do DNA na qual <strong>competiam dois grupos<\/strong>: de uma lado Maurice Wilkins do\u00a0King\u2019s College London, e de outro\u00a0James Watson e Francis Crick da Universidade de Cambridge. No meio dessa disputa de egos,\u00a0Franklin, ent\u00e3o com trinta e poucos anos, acabou n\u00e3o reconhecida.<\/p>\n<div id=\"attachment_100\" style=\"width: 206px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-100\" class=\" wp-image-100\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/Francis-Crick-_2239100b-300x187.jpg\" alt=\"James Watson e Francis Crick com seu modelo de DNA em 1953\" width=\"196\" height=\"122\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/Francis-Crick-_2239100b-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/Francis-Crick-_2239100b.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 196px) 100vw, 196px\" \/><p id=\"caption-attachment-100\" class=\"wp-caption-text\">James Watson e Francis Crick com seu modelo de DNA em 1953<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left\">Hoje\u00a0\u00e9 bastante comum\u00a0aquela figura de escada em caracol que representa o\u00a0DNA, mas em 1950 apenas se tinha conhecimento das bases qu\u00edmicas que compunham essa estrutura, mas n\u00e3o como elas se <strong>organizavam espacialmente<\/strong>.<\/p>\n<h3>A fotografia 51<\/h3>\n<p style=\"text-align: left\">Em 1952, Franklin avan\u00e7ava\u00a0r\u00e1pido e obteve com raios X \u00f3timas\u00a0imagens de DNA, especialmente a chamada Fotografia 51. Enquanto isso, em Cambridge, Watson e Crick tentavam desvendar esse enigma por outra perspectiva:\u00a0construindo\u00a0modelos. Trabalhando em parceria\u00a0com Wilkins eles avan\u00e7avam, mas ainda encontravam dificuldades. At\u00e9 que, atrav\u00e9s de Wilkins, tiveram acesso \u00e0s imagens produzidas por Franklin, especialmente a Fotografia 51. No seu livro de mem\u00f3rias Dupla H\u00e9lice (1968) Watson afirma que essa foi a <strong>pe\u00e7a que faltava<\/strong> para finalmente chegarem \u00e0 conclus\u00e3o que se tratava de uma dupla h\u00e9lice.<\/p>\n<div id=\"attachment_87\" style=\"width: 223px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-87\" class=\" wp-image-87\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/d7548be9-0fca-44c3-b8c0-535a4a34454f-620x404-300x196.jpg\" alt=\"Fotografia 51 produzida por Rosalind Franklin and RG Gosling.\" width=\"213\" height=\"139\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/d7548be9-0fca-44c3-b8c0-535a4a34454f-620x404-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/d7548be9-0fca-44c3-b8c0-535a4a34454f-620x404.jpg 600w\" sizes=\"(max-width: 213px) 100vw, 213px\" \/><p id=\"caption-attachment-87\" class=\"wp-caption-text\">Fotografia 51 produzida por Rosalind Franklin and RG Gosling.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left\">O \u00fanico por\u00e9m dessa hist\u00f3ria \u00e9 que, aparentemente, Wilkins e Franklin n\u00e3o tinham um bom relacionamento e as imagens foram mostradas para Watson e Crick sem o consentimento dela. Dessa forma, ela <strong>nunca soube<\/strong> que teve participa\u00e7\u00e3o fundamental para o descobrimento da estrutura do DNA.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Em 1958, Franklin faleceu de c\u00e2ncer de ov\u00e1rio. Em 1962, Watson, Creek e Wilkins receberam o pr\u00eamio\u00a0<strong>Nobel de medicina<\/strong>. O nome de Franklin nunca foi citado, a dupla de cientista de Cambridge\u00a0s\u00f3 foi reconhecer sua participa\u00e7\u00e3o fundamental anos mais tarde.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">A hist\u00f3ria parece digna de roteiro e realmente em 2015 ela foi encenada por Nicole Kidman nos palcos de Londres, quando recebeu um pr\u00eamio por sua interpreta\u00e7\u00e3o em Fotografia 51.<\/p>\n<p><span style=\"color: #ffffff\">..<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_84\" style=\"width: 179px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-84\" class=\" wp-image-84\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/kidman02_3438464b-1-200x300.jpg\" alt=\"Nicole Kidman interpretando a cientista Rosalind Franklin na pe\u00e7a Fotografia 51 no The London stage. Por Johan Persson.\" width=\"169\" height=\"254\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/kidman02_3438464b-1-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2016\/06\/kidman02_3438464b-1.jpg 620w\" sizes=\"(max-width: 169px) 100vw, 169px\" \/><p id=\"caption-attachment-84\" class=\"wp-caption-text\">Nicole Kidman interpretando a cientista Rosalind Franklin na pe\u00e7a Fotografia 51 no The London stage. Por Johan Persson.<\/p><\/div>\n<p style=\"text-align: left\">Embora haja muita controv\u00e9rsia nos relatos, fato \u00e9 que Franklin teve seu trabalho usado de maneira indevida e n\u00e3o foi inicialmente reconhecida. Se isso se deveu ou n\u00e3o a uma quest\u00e3o sexista, n\u00e3o podemos dizer, mas n\u00e3o parece t\u00e3o improv\u00e1vel que uma jovem cientista mulher tenha sido preterida em 1950.<\/p>\n<p style=\"text-align: left\">Fato \u00e9 tamb\u00e9m que ela foi uma brilhante pesquisadora, e estamos sempre precisados de modelos de mulheres cientistas e Rosalind\u00a0cumpre\u00a0muito bem esse papel. Por isso, <strong>celebramos Rosalind Franklin<\/strong>!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Para inaugurar a Categoria Na hist\u00f3ria, homenageamos uma figura fundamental na hist\u00f3ria da ci\u00eancia, a qual muitos talvez j\u00e1 conhecem ou ouviram falar em fun\u00e7\u00e3o de uma grande injusti\u00e7a, Rosalind Franklin. Lembro de maneira clara quando, em uma das primeiras aulas de gen\u00e9tica na faculdade, ouvi sua hist\u00f3ria. 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