{"id":940,"date":"2020-01-24T21:07:26","date_gmt":"2020-01-25T00:07:26","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/?p=940"},"modified":"2020-02-12T01:14:48","modified_gmt":"2020-02-12T04:14:48","slug":"celebrando-bertha-lutz-a-biologa-brasileira-que-lutou-pelo-reconhecimento-internacional-da-igualdade-de-genero","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2020\/01\/24\/celebrando-bertha-lutz-a-biologa-brasileira-que-lutou-pelo-reconhecimento-internacional-da-igualdade-de-genero\/","title":{"rendered":"Celebrando Bertha Lutz \u2013 a bi\u00f3loga brasileira que lutou pelo reconhecimento internacional da igualdade de g\u00eanero"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">Bertha Maria J\u00falia Lutz nasceu em S\u00e3o Paulo em 1894 e foi uma importante naturalista, bi\u00f3loga, ativista dos direitos das mulheres e diplomata brasileira. Filha da enfermeira inglesa Amy Fowler e do m\u00e9dico e cientista brasileiro Adolfo Lutz, pioneiro nas pesquisas em Medicina Tropical, aos 14 anos foi estudar na Europa. Graduou-se em Biologia pela Universidade de Paris \u2013 Sorbonne em 1918, especializando-se em anf\u00edbios anuros, pertencentes a classe Anf\u00edbia, que inclui sapos, pererecas e r\u00e3s.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Ainda na gradua\u00e7\u00e3o, Bertha conheceu e foi influenciada pelo movimento sufragista ingl\u00eas, que lutava para que as mulheres tivessem direito ao voto e a participa\u00e7\u00e3o na vida pol\u00edtica. Essa influ\u00eancia teria papel fundamental anos depois quando a brasileira ajudaria a fundar a Federa\u00e7\u00e3o Brasileira pelo Progresso Feminino (FBPF), em 1922, da qual foi presidente at\u00e9 1942 e que lutava pelo direito ao voto feminino no Brasil.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_941\" style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-941\" class=\"size-medium wp-image-941\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Marie-Curie_Bertha-Lutz_1926-300x244.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"244\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Marie-Curie_Bertha-Lutz_1926-300x244.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Marie-Curie_Bertha-Lutz_1926-1024x833.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Marie-Curie_Bertha-Lutz_1926-768x625.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Marie-Curie_Bertha-Lutz_1926-1536x1250.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Marie-Curie_Bertha-Lutz_1926-2048x1667.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><p id=\"caption-attachment-941\" class=\"wp-caption-text\">Marie Curie, sentada, e sua filha Ir\u00e8ne Joliot-Curie, em p\u00e9 no canto direito, ao lado de Bertha Lutz em visita ao Museu Nacional do Rio de Janeiro em 1926. Fonte: Arquivo do Museu Nacional.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Um ano ap\u00f3s retornar ao Brasil, em 1919, Bertha foi aprovada em um concurso e nomeada secret\u00e1ria do Museu Nacional do Rio de Janeiro, se tornando a segunda mulher a assumir cargo de servi\u00e7o p\u00fablico no Brasil. Sua carreira como bi\u00f3loga e pesquisadora do Museu Nacional ocorreria simultaneamente com a sua atua\u00e7\u00e3o pol\u00edtica nos anos seguintes: as diversas viagens que ela faria para coletar materiais relevantes a sua pesquisa e especialidade coincidiriam com as viagens que ela faria como convidada da delega\u00e7\u00e3o brasileira para assuntos pol\u00edticos. Sua carreira como diplomata foi marcada por diversas viagens aos Estados Unidos como membro da comiss\u00e3o brasileira em diferentes ocasi\u00f5es, como na Comiss\u00e3o Interamericana de Mulheres e na Confer\u00eancia Internacional do Trabalho, entre 1922 e 1959.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Como exemplo do reconhecimento do seu papel de lideran\u00e7a na luta pelos direitos das mulheres no Brasil, Bertha recebeu em 1926 a cientista Marie Curie no pa\u00eds, a primeira pessoa e a \u00fanica mulher a receber dois pr\u00eamios Nobel em categorias diferentes (F\u00edsica e Qu\u00edmica), e sua filha Ir\u00e8ne Joliot-Curie, que tamb\u00e9m veio a ganhar um Nobel de Qu\u00edmica em 1935.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Entre 1927 e 1930, foi assistente da Se\u00e7\u00e3o de Bot\u00e2nica do Jardim Bot\u00e2nico. Uma de suas grandes contribui\u00e7\u00f5es na ci\u00eancia foi a cataloga\u00e7\u00e3o de 4.400 esp\u00e9cies nacionais. Al\u00e9m disso, ela tamb\u00e9m contribuiu para a manuten\u00e7\u00e3o do trabalho de Adolfo Lutz, dando continuidade as pesquisas que seu pai fazia em zoologia m\u00e9dica, parasitologia, veterin\u00e1ria, bacteriologia e bot\u00e2nica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bertha tamb\u00e9m teve significativa atua\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica nacional. Em 1932 o voto feminino foi permitido no Brasil durante o governo de Get\u00falio Vargas por meio do novo C\u00f3digo Eleitoral. Eleita deputada federal suplente pelo Distrito Federal, chegou a assumir o cargo em 1936 ap\u00f3s a morte do titular C\u00e2ndido Pessoa, e lutou por igualdade salarial, licen\u00e7a maternidade de 3 meses e redu\u00e7\u00e3o da jornada de trabalho. Entretanto, a carreira parlamentar durou pouco devido ao Estado Novo decretado em 1937 tamb\u00e9m por Get\u00falio Vargas, fechando o Congresso Nacional.\u00a0<\/span><\/p>\n<div id=\"attachment_942\" style=\"width: 212px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" aria-describedby=\"caption-attachment-942\" class=\"wp-image-942 size-medium\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Bertha-Lutz_Museu-Nacional-202x300.png\" alt=\"\" width=\"202\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Bertha-Lutz_Museu-Nacional-202x300.png 202w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Bertha-Lutz_Museu-Nacional-689x1024.png 689w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Bertha-Lutz_Museu-Nacional-768x1142.png 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Bertha-Lutz_Museu-Nacional-1033x1536.png 1033w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/wp-content\/uploads\/sites\/53\/2020\/01\/Bertha-Lutz_Museu-Nacional.png 1076w\" sizes=\"(max-width: 202px) 100vw, 202px\" \/><p id=\"caption-attachment-942\" class=\"wp-caption-text\">Bertha Lutz trabalhando em laborat\u00f3rio em foto n\u00e3o datada. Fonte: Arquivo Nacional, fundo Correio da Manh\u00e3.<\/p><\/div>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">No final de 1937 Bertha ent\u00e3o retornou ao Museu Nacional, onde assumiu o lugar do chefe do Setor de Bot\u00e2nica. Entre 1941 e 1944, a bi\u00f3loga participou de excurs\u00f5es cient\u00edficas nos estados de S\u00e3o Paulo, Bahia e Rio de Janeiro a fim de coletar materiais de anf\u00edbios e r\u00e9pteis. No ano seguinte, em 1945, ela foi nomeada para representar o Brasil na Confer\u00eancia Internacional das Na\u00e7\u00f5es Unidas, em S\u00e3o Francisco \u2013 Calif\u00f3rnia. A ativista lutou, juntamente com outras delega\u00e7\u00f5es, para que o texto da Carta das Na\u00e7\u00f5es Unidas, tratado que formou a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas (ONU), inclu\u00edsse a igualdade de g\u00eanero. E conseguiu: Bertha foi uma das 4 mulheres a assinar o documento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A naturalista voltou a trabalhar no Museu Nacional, at\u00e9 se aposentar como Chefe do Setor de Bot\u00e2nica em 1964. Foram mais de 40 anos dedicados como pesquisadora e docente do Museu Nacional. E foi somente um ano depois da sua aposentadoria, em 1965, com a edi\u00e7\u00e3o do C\u00f3digo Eleitoral, que o voto feminino foi de fato igualado ao voto masculino no Brasil \u2013 at\u00e9 ent\u00e3o, somente as mulheres assalariadas podiam votar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Devido a sua atua\u00e7\u00e3o pela defesa dos direitos femininos na Confer\u00eancia de S\u00e3o Francisco, Bertha foi convidada pelo Itamaraty, em 1975, para participar da comemora\u00e7\u00e3o do Ano Internacional da Mulher, na Cidade do M\u00e9xico, organizada pela ONU.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bertha Lutz faleceu de pneumonia em 1976 aos 84 anos. Seu acervo pessoal, incluindo fotos e documentos, foi doado ao Museu Nacional do Rio de Janeiro, mas infelizmente foi perdido no tr\u00e1gico inc\u00eandio de 2018. Entretanto, seu legado permanece: nas esp\u00e9cies de anf\u00edbios que recebem seu nome, na sua relevante contribui\u00e7\u00e3o para a \u00e1rea da biologia, no seu empenho em defender os direitos femininos no Brasil.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para ler outro post do Blog Ci\u00eancia pelos Olhos Delas sobre Bertha Lutz acesse:\u00a0<\/span><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapelosolhosdelas\/2016\/06\/24\/pioneiras-da-ciencia-no-brasil\/\"><span style=\"font-weight: 400\">Pioneiras da Ci\u00eancia no Brasil &#8211; Ci\u00eancia pelos olhos delas<\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Refer\u00eancias:<\/span><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.museunacional.ufrj.br\/semear\/berthalutz.html\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/www.museunacional.ufrj.br\/semear\/berthalutz.html<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/entenda-o-assunto\/bertha-lutz\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/www12.senado.leg.br\/noticias\/entenda-o-assunto\/bertha-lutz<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/site\/publicacoes\/outras-publicacoes\/livro_pioneiras.pdf\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/www.sbpcnet.org.br\/site\/publicacoes\/outras-publicacoes\/livro_pioneiras.pdf<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bertha_Lutz\"><span style=\"font-weight: 400\">https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Bertha_Lutz<\/span><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/lhs.unb.br\/bertha\/?p=83\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/lhs.unb.br\/bertha\/?p=83<\/span><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Bertha Maria J\u00falia Lutz nasceu em S\u00e3o Paulo em 1894 e foi uma importante naturalista, bi\u00f3loga, ativista dos direitos das mulheres e diplomata brasileira. 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