{"id":492,"date":"2019-05-15T19:28:07","date_gmt":"2019-05-15T22:28:07","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/?p=492"},"modified":"2019-05-15T19:28:25","modified_gmt":"2019-05-15T22:28:25","slug":"a-ciencia-da-musica-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/2019\/05\/15\/a-ciencia-da-musica-pop\/","title":{"rendered":"A Ci\u00eancia da M\u00fasica Pop"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 15 de\u00a0maio de\u00a02019<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: right;\"><em>fornari @ unicamp . br<\/em><\/p>\n<hr \/>\n<p>\u00c9 comum escutarmos uma m\u00fasica que literalmente \u201cgruda\u201d em nossa mente, independente de gostarmos ou n\u00e3o daquele estilo ou g\u00eanero musical. Nos surpreendemos ao perceber que esta m\u00fasica continua revisitando a janela de nossa consci\u00eancia e competindo por nossa aten\u00e7\u00e3o com outros pensamentos circunstanciais. Esse tipo de m\u00fasica \u00e9 conhecido pela palavra alem\u00e3 \u201c<i>ohrwurm<\/i>\u201d cujo significado \u00e9 \u201cverme de ouvido\u201d (em Ingl\u00eas, \u201c<i>earworm<\/i>\u201d). Este fen\u00f4meno \u00e9 estudado pela musicologia sistem\u00e1tica sob o nome de INMI (<i>INvoluntary Musical Imagery<\/i>), ou seja, m\u00fasicas que fazem ouvintes pensarem nelas (as escutarem-na em seus pensamentos) involuntariamente. Existe uma tend\u00eancia estatisticamente relevante de que m\u00fasicas pop (m\u00fasicas comerciais) que se tornam &#8220;hits&#8221; (m\u00fasicas de grande popularidade, campe\u00e3s de vendas) sejam INMI.<\/p>\n<p>Diz a lenda que a m\u00fasica pop intitulada &#8220;F\u00e1cil&#8221;, do grupo musical nacional &#8220;Jota Quest&#8221;, foi feita a partir de uma sugest\u00e3o da m\u00e3e do vocalista (Rog\u00e9rio Flausino) aconselhando os membros dessa banda a comporem m\u00fasicas pop f\u00e1ceis para que isso aumentasse suas chances de criarem hits. O refr\u00e3o da m\u00fasica descreve este conselho, ao dizer que a m\u00fasica deve ser &#8220;F\u00e1cil, extremamente f\u00e1cil. Pra voc\u00ea, e eu e todo mundo cantar junto&#8221;. A m\u00e3e do vocalista intuiu assertivamente o que estudos em INMI vem constatando. Melodias INMIs tendem a apresentar mais notas longas e com menor varia\u00e7\u00e3o de intervalo do que as n\u00e3o-INMI, o que faz com que estas sejam mais f\u00e1ceis de serem assimiladas pela maioria dos ouvintes e desse modo por estes cantadas. Estudos apontam que cerca de 74% das INMIs s\u00e3o can\u00e7\u00f5es, ou seja, m\u00fasicas com letras.<\/p>\n<p><iframe title=\"How Pop Music Has Become A Science\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/pO1t2fpCRl8?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>A m\u00fasica pop pode ser definida como \u201cm\u00fasica comercial\u201d. Ela \u00e9 feita com a inten\u00e7\u00e3o de se tornar em produto para ser comercializado e consumido por uma grande quantidade de pessoas. Assim, m\u00fasica pop n\u00e3o \u00e9 um g\u00eanero musical em si mas um processo de estratifica\u00e7\u00e3o de diversos g\u00eaneros musicais populares no sentido de maximizar seus aspectos mais sedutores \u00e0s audi\u00eancias num produto de sucesso comercial. Isto \u00e9 feito pela chamada \u201cind\u00fastria de cultura\u201d (<i>culture industry<\/i>), termo definido por Theodor Adorno que tenta descrever os processos comerciais de propaganda, mercantiliza\u00e7\u00e3o e massifica\u00e7\u00e3o de bens culturais (ex: teatro, filme, dan\u00e7a, poesia, m\u00fasica) no sentido destes serem utilizados n\u00e3o apenas como produto de consumo mas tamb\u00e9m como eventuais mecanismos de controle da popula\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de um processo quase subliminar de aliena\u00e7\u00e3o e persuas\u00e3o que convida o ouvinte a adotar um determinado padr\u00e3o de comportamento. Steven Brown, autor do livro \u201c<i>Music and Manipulation: On the Social Uses and Social Control of Music<\/i>\u201d, 2006, define m\u00fasica como uma prostituta, uma vez que esta vem sendo usada ao longo da hist\u00f3ria como uma forma de controle para o comportamento social, promovendo tanto solidariedade quanto competi\u00e7\u00e3o, agindo como manipulador emocional das massas, frequentemente empregada em situa\u00e7\u00f5es moralmente question\u00e1veis (como em cativeiros e campos de concentra\u00e7\u00e3o), divorciando assim a sua est\u00e9tica da sua \u00e9tica. De uma forma mais branda, outros autores, tais como Robert Bostrom, definem a m\u00fasica como uma forma de persuas\u00e3o, onde uma pe\u00e7a musical \u00e9 composta com o objetivo de convencer o ouvinte de alguma opini\u00e3o, influenciar nele um certo estado emocional ou incutir um padr\u00e3o comportamental. A m\u00fasica pop adv\u00e9m assim da maximiza\u00e7\u00e3o deste processo, onde a produ\u00e7\u00e3o musical dos diversos g\u00eaneros que a comp\u00f5e \u00e9 utilizada como uma forma &#8220;<i>commodity\u00a0<\/i>cultural&#8221; para a manufatura de um produto comercial eficiente.<\/p>\n<p>Como qualquer outro produto comercial, a m\u00fasica pop tem sido cada vez mais produzida dentro de crit\u00e9rios industriais estritos, que garantam a sua maior efici\u00eancia e portanto homogeneidade, em detrimento de varia\u00e7\u00f5es devidas a diferentes processos criativos. Assim, como acontece com outros produtos, a m\u00fasica pop vem se tornando cada vez mais cognitivamente acess\u00edvel e esteticamente autocorrelata. Em outras palavras, a m\u00fasica pop tem se tornado mais simples e previs\u00edvel. Segundo uma mat\u00e9ria da revista Forbes, em 2017, o consumo de m\u00fasica pop tem crescido. Os estadunidenses est\u00e3o atualmente escutando mais m\u00fasica do que antes; cerca de 32 horas por semana (em 2017) e s\u00f3 neste mesmo ano, pagaram por 184 bilh\u00f5es de <i>streamings<\/i>\u00a0de m\u00fasicas, em sites como <i>Spotify<\/i>e <i>Apple Music\u00a0<\/i>(o que representou um aumento de 62% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, de 2016). Um dos muitos exemplos da simplifica\u00e7\u00e3o da m\u00fasica pop pode ser observada no fen\u00f4meno conhecido como \u201c4 acordes\u201d (<i>4 chords<\/i>). Uma quantidade impressionante de m\u00fasicas pop \u00e9 feita baseada na mesma sequ\u00eancia de 4 acordes: t\u00f4nica (I), dominante (V), sexta menor (VIm) e subdominante (IV). Por exemplo, na tonalidade de C, esta sequ\u00eancia de acordes \u00e9: C, G, Am, F. O arquivo de \u00e1udio abaixo mostra 4 varia\u00e7\u00f5es poss\u00edveis dessa sequ\u00eancia de 4 acordes. Note que esta sequ\u00eancia nos soa familiar e muitas vezes inclusive nos faz lembrar de m\u00fasicas pop que conhecemos.<\/p>\n<audio class=\"wp-audio-shortcode\" id=\"audio-492-1\" preload=\"none\" style=\"width: 100%;\" controls=\"controls\"><source type=\"audio\/mpeg\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4chors4times.mp3?_=1\" \/><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4chors4times.mp3\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/wp-content\/uploads\/sites\/182\/2019\/05\/4chors4times.mp3<\/a><\/audio>\n<p>O video abaixo mostra, de modo c\u00f4mico, um <em>potporri<\/em> de algumas dessas conhecidas can\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><iframe title=\"4 Chords | Music Videos | The Axis Of Awesome\" width=\"640\" height=\"360\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/oOlDewpCfZQ?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>Em 2017, a BBC lan\u00e7ou um document\u00e1rio chamado, &#8220;<em>The Secret Science of Pop<\/em>&#8221; onde conta, na forma de document\u00e1rio, a pesquisa em m\u00fasica realizada por um bi\u00f3logo evolutivo; Armand Leroi. Narrada pelo pr\u00f3prio pesquisador, este document\u00e1rio apresenta as bases ac\u00fasticas para a cria\u00e7\u00e3o de um algoritmo que tem como prop\u00f3sito a extra\u00e7\u00e3o das caracter\u00edsticas sonoras de m\u00fasicas pop que foram grandes hits. Desse modo, este algoritmo tem por objetivo catalogar quais s\u00e3o as caracter\u00edsticas sonoras de um hit. Com isso, Leroi prop\u00f5e a cria\u00e7\u00e3o de um modelo computacional de intelig\u00eancia artificial (<em>machine learning<\/em>) que seja capaz de indicar qual \u00e9 o potencial de uma can\u00e7\u00e3o se tornar um hit (onde ele conclui que h\u00e1 maior incid\u00eancia de hits nas m\u00fasicas mais pr\u00f3ximas da m\u00e9dia em todos os crit\u00e9rios ac\u00fasticos estudados). Por fim, o document\u00e1rio mostra um experimento realizado por Leroi em companhia com o produtor musical Trevor Horn, no sentido de produzir uma can\u00e7\u00e3o de uma cantora desconhecida no sentido de tentar tornar esta m\u00fasica pop an\u00f4nima num hit.<\/p>\n<p>Mesmo sem a utiliza\u00e7\u00e3o de sofisticados algoritmos, \u00e9 certo que a ind\u00fastria fonogr\u00e1fica apesar de n\u00e3o ter certeza de qual m\u00fasica ser\u00e1 de fato um hit, vem trabalhando no sentido de estabelecer crit\u00e9rios que possam aumentar sua chance de ocorr\u00eancia bem como de criar estrat\u00e9gias de acertos no artista e na sua m\u00fasica, seja o g\u00eanero musical que esta descenda, a fim de potencializar o seu impacto comercial na forma de m\u00fasica pop.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong>:<\/p>\n<p>[1] Jakubowski, Kelly; Finkel, Sebastian; Stewart, Lauren; M\u00fcllensiefen, Daniel (2017). &#8220;Dissecting an earworm: Melodic features and song popularity predict involuntary musical imagery&#8221; (PDF). Psychology of Aesthetics, Creativity, and the Arts. American Psychological Association (APA). 11 (2): 122\u2013135. doi:10.1037\/aca0000090. ISSN 1931-390X.<\/p>\n<p>[2] M\u00fcllensiefen, D. (2009). FANTASTIC: Feature ANalysis Technology Ac- cessing STatistics (In a Corpus; Technical report). Retrieved from http:\/\/ www.doc.gold.ac.uk\/isms\/m4s\/FANTASTIC_docs.pdf<\/p>\n<p>[3] Hoffman, Carey (2001-04-04). &#8220;Songs That Cause The Brain To &#8216;Itch&#8217;: UC Professor Investigating Why Certain Tunes Get Stuck In Our Heads&#8221;. University of Cincinnati. Retrieved 2012-08-06.<\/p>\n<p>[4] Robert N. Bostrom, Derek R. Lane, &amp; Nancy G. Harrington. &#8220;Music as Persuasion: Creative Mechanisms for Enacting Academe&#8221;. ACJ Journal. Volume 6, Issue 1, Fall 2002. http:\/\/ac-journal.org\/journal\/vol6\/iss1\/special\/bostrom.htm<\/p>\n<p>[5] Reinhard Kopiez, Friedrich Platz, Anna Wolf. &#8220;The overrated power of background music in television news magazines: A replication of Brosius\u2019 1990 study&#8221;. Musicae Scientiae. Volume: 17 issue: 3, page(s): 309-331. 2013. https:\/\/journals.sagepub.com\/doi\/abs\/10.1177\/1029864913489703<\/p>\n<p>[6] https:\/\/www.forbes.com\/sites\/hughmcintyre\/2017\/11\/09\/americans-are-spending-more-time-listening-to-music-than-ever-before\/#65735cd2f7f8<\/p>\n<p>[7] The Secret Science of Pop<\/p>\n<p>https:\/\/www.bbc.co.uk\/rd\/blog\/2017-02-secret-science-of-pop<\/p>\n<p>http:\/\/www.hddocumentary.com\/bbc-the-secret-science-of-pop-2017\/<\/p>\n<p>[8] I analyzed the chords of 1300 popular songs for patterns. This is what I found. http:\/\/www.hooktheory.com\/blog\/i-analyzed-the-chords-of-1300-popular-songs-for-patterns-this-is-what-i-found\/<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<hr \/>\n<p><strong>Como citar este artigo:\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Jos\u00e9 Fornari. \u201cA Ci\u00eancia da M\u00fasica Pop\u201d. Blogs de Ci\u00eancia da Universidade Estadual de Campinas. ISSN 2526-6187. Data da publica\u00e7\u00e3o: 15 de maio de 2019. Link: https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/musicologia\/2019\/05\/15\/20\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jos\u00e9\u00a0Fornari\u00a0(Tuti)\u00a0\u2013 15 de\u00a0maio de\u00a02019 fornari @ unicamp . br \u00c9 comum escutarmos uma m\u00fasica que literalmente \u201cgruda\u201d em nossa mente, independente de gostarmos ou n\u00e3o daquele estilo ou g\u00eanero musical. Nos surpreendemos ao perceber que esta m\u00fasica continua revisitando a janela de nossa consci\u00eancia e competindo por nossa aten\u00e7\u00e3o com outros pensamentos circunstanciais. 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