{"id":53,"date":"2018-12-04T12:30:44","date_gmt":"2018-12-04T14:30:44","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/?p=53"},"modified":"2019-05-06T16:48:01","modified_gmt":"2019-05-06T19:48:01","slug":"socrates-pokemon-e-simbolismo-sonoro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/2018\/12\/04\/socrates-pokemon-e-simbolismo-sonoro\/","title":{"rendered":"S\u00f3crates, Pok\u00e9mon e simbolismo sonoro"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou por que as coisas receberam os nomes que t\u00eam? Como o primeiro ser humano a criar palavras, muito antes de o portugu\u00eas existir, decidiu que sons ele usaria para nomear as coisas do mundo? No Laborat\u00f3rio de Estudos Experimentais em Linguagem da UFRN n\u00f3s fizemos uma s\u00e9rie de experimentos com nomes de Pok\u00e9mons que tem rela\u00e7\u00e3o com essas perguntas.<\/p>\n<p>Antes de falar dos Pok\u00e9mons, \u00e9 bom explicar como os linguistas e fil\u00f3sofos respondem a primeira quest\u00e3o: por que as coisas t\u00eam os nomes que t\u00eam? A primeira discuss\u00e3o registrada sobre o assunto no ocidente est\u00e1 no Cr\u00e1tilo, um di\u00e1logo de Plat\u00e3o sobre a natureza dos nomes. Nele, S\u00f3crates argumenta que certos sons parecem evocar algumas caracter\u00edsticas do mundo. O som representado pela nossa letra \u2018a\u2019, por exemplo, seria apropriado para nomear objetos grandes, enquanto os sons \/s\/ e \/z\/\u00a0 seriam apropriados para expressar ideias que envolvam sopro, respira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/12\/socrates_hat.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-1507 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/12\/socrates_hat-243x300.png\" alt=\"\" width=\"243\" height=\"300\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Plat\u00e3o treinando em seu gin\u00e1sio<\/p>\n<p>Essas ideias foram retomada em outros momentos por poetas, linguistas ou fil\u00f3sofos, mas, no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, um linguista chamado Ferdinand de Saussure ficou famoso ao afirmar que a rela\u00e7\u00e3o entre os sons de uma palavra e seu significado \u00e9 <b>arbitr\u00e1ria<\/b>. Isso significa que um objeto ou uma ideia podem receber qualquer nome: n\u00e3o tem nada em uma mesa, por exemplo, que nos obrigue a usar os sons \/m\/, \/e\/, \/z\/, ou \/a\/ para nome\u00e1-la. Tanto \u00e9 assim que dizemos <em>table<\/em> em ingl\u00eas, <em>bord<\/em> em dinamarqu\u00eas e <em>ithebula<\/em> em zulu.<\/p>\n<p>A proposta de Saussure foi t\u00e3o bem aceita na comunidade acad\u00eamica que apenas recentemente alguns linguistas retornaram \u00e0s ideias de S\u00f3crates para verificar se elas estariam corretas. A partir de alguns experimentos, descobriu-se que falantes de diferentes l\u00ednguas t\u00eam prefer\u00eancias parecidas por associar sons da l\u00edngua a categorias que percebemos no mundo, como luminosidade, forma, velocidade e tamanho, mais ou menos como suspeitava S\u00f3crates. Essa associa\u00e7\u00e3o entre som e sentido \u00e9 chamada pelos linguistas de <strong>simbolismo sonoro<\/strong>, e h\u00e1 algumas hip\u00f3teses sobre o porqu\u00ea de fazermos tais rela\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p><strong>SIMBOLISMO SONORO E A NO\u00c7\u00c3O DE TAMANHO<\/strong><\/p>\n<p>Alguns dos resultados que conhecemos sobre simbolismo sonoro dizem respeito aos sons que s\u00e3o associados \u00e0 no\u00e7\u00e3o de tamanho. In\u00fameros estudos descobriram que as pessoas associam a vogal \/i\/ a objetos pequenos e \/a\/ a objetos grandes (o pr\u00f3prio S\u00f3crates j\u00e1 tinha essa impress\u00e3o!). Al\u00e9m disso, h\u00e1 tamb\u00e9m evid\u00eancia de que associamos um tipo de consoante chamada obstruinte vozeada (sons como \/g\/, \/b\/ ou \/d\/) a objetos maiores. \u00a0Mas por que isso aconteceria? Por que, exatamente, essas associa\u00e7\u00f5es?<\/p>\n<p>H\u00e1 v\u00e1rias hip\u00f3teses sobre o assunto. Uma delas, chamada <em>Frequency Code Hypothesis<\/em>, afirma que nosso sistema lingu\u00edstico \u201cimitaria\u201d infer\u00eancias que fazemos sobre os ru\u00eddos que escutamos no mundo. Pense em um objeto grande e um pequeno. Eles fazem um barulho diferente ao cair no ch\u00e3o, certo? E pense em um cachorro grande e um pequeno. O latido deles tamb\u00e9m ser\u00e1 diferente. Em ambos os casos, voc\u00ea \u00e9 capaz de inferir o tamanho do que est\u00e1 produzindo os ru\u00eddos mesmo se estiver de olhos vendados, porque n\u00f3s, humanos, aprendemos a associar caracter\u00edsticas dos sons aos seus emissores.<\/p>\n<p>Todo ru\u00eddo que ouvimos tem certas propriedades ac\u00fasticas, e uma das propriedades que usamos para identificar esses sons (e tentar adivinhar de onde eles v\u00eam) \u00e9 sua frequ\u00eancia. Fontes de tamanho maior (como um cachorro grande) tendem a produzir barulho com uma frequ\u00eancia mais baixa que fontes menores. Curiosamente, \u00e9 poss\u00edvel caracterizar as obstruintes vozeadas como sons que tamb\u00e9m t\u00eam baixa frequ\u00eancia. A ideia, ent\u00e3o, \u00e9 que propriedades como frequ\u00eancia s\u00e3o percebidas pelos humanos como indicador do tamanho daquilo que est\u00e1 produzindo o barulho, e de certa forma n\u00f3s \u201cimportamos\u201d essa capacidade de associar frequ\u00eancia e tamanho para nosso sistema lingu\u00edstico.<\/p>\n<p>Quanto ao \/a\/ e \/i\/, uma poss\u00edvel explica\u00e7\u00e3o relaciona-se n\u00e3o com suas propriedades ac\u00fasticas, mas com o modo de articula\u00e7\u00e3o dessas vogais. Se voc\u00ea pronunciar um \/i\/ e depois um \/a\/, perceber\u00e1 duas coisas: em primeiro lugar, sua mand\u00edbula abre um pouco mais para pronunciar o \/a\/, al\u00e9m disso, sua l\u00edngua fica mais baixa (tente!!). Isso causa uma diferen\u00e7a de tamanho da cavidade oral enquanto voc\u00ea articula esses sons (voc\u00ea pode usar <a href=\"http:\/\/fonologia.org\/fonetica_vogais.php\">esse site aqui<\/a> para ver a articula\u00e7\u00e3o das vogais, basta clicar no som que deseja produzir). De acordo com alguns pesquisadores, o fato de a cavidade ser maior na articula\u00e7\u00e3o do \/a\/ faz com que n\u00f3s associemos o som dessa consoante a objetos grandes, enquanto a pequena cavidade necess\u00e1ria para articular um \/i\/ nos faz associar essa vogal a objetos menores.<\/p>\n<p>Mas esses n\u00e3o s\u00e3o os \u00fanicos simbolismos associados \u00e0 no\u00e7\u00e3o de tamanho. Alguns linguistas indicam que as pessoas tendem a usar a l\u00edngua para \u201cimitar\u201d como elas veem o mundo. Pense em como voc\u00ea descreveria dois amigos que comeram muito, mas um comeu r\u00e1pido e outro comeu devagar. Sobre o amigo r\u00e1pido, voc\u00ea provavelmente diria algo como \u201ca\u00ed ele comeu, comeu, comeu!\u201d, pronunciando os verbos rapidamente. Sobre o amigo que come devagar, voc\u00ea provavelmente diria \u201ca\u00ed ele comeeeeeeu, comeeeeeu, comeeeeeeu\u201d, alongando as vogais, pronunciando devagar. Da mesma maneira, h\u00e1 certa evid\u00eancia de que associamos nomes longos a objetos maiores, e nomes curtos a objetos menores: afinal, o nome \u201cimitaria\u201d o mundo de alguma maneira.<\/p>\n<p><strong>POK\u00c9MON E SIMBOLISMO SONORO<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea j\u00e1 jogou ou assistiu Pok\u00e9mon, deve saber que essas criaturas, ao evolu\u00edrem, ficam mais fortes, \u00e1geis, r\u00e1pidas e, muitas vezes, maiores. Logo, considerando tudo o que sabemos sobre simbolismo sonoro, a pergunta que fizemos na nossa pesquisa foi a seguinte: se pedirmos para as pessoas darem nomes a Pok\u00e9mons pr\u00e9 e p\u00f3s-evolu\u00e7\u00e3o que t\u00eam tamanhos diferentes, ser\u00e1 que elas v\u00e3o usar os simbolismos sonoros associados \u00e0 no\u00e7\u00e3o de tamanho que os linguistas identificaram?<\/p>\n<p>Essa pergunta j\u00e1 havia sido feita pelo linguista Shigeto Kawahara, que \u00e9 colaborador no nosso estudo. Shigeto identificou que japoneses, mesmo os que n\u00e3o jogam ou assistem Pok\u00e9mon, d\u00e3o nomes \u00e0s criaturas seguindo os simbolismos sonoros relacionados a tamanho de palavra, tipo de vogal e presen\u00e7a de obstruintes sonoras. A decis\u00e3o de fazermos o estudo com falantes de portugu\u00eas brasileiro se deu por n\u00e3o haver ainda um estudo experimental sobre simbolismo sonoro e no\u00e7\u00e3o de tamanho em portugu\u00eas, e portanto n\u00e3o sab\u00edamos se os brasileiros fariam essas mesmas associa\u00e7\u00f5es. Al\u00e9m disso, os estudos sobre simbolismo sonoro geralmente usam formas geom\u00e9tricas grandes e pequenas e pedem para as pessoas nome\u00e1-las, o que \u00e9 uma tarefa bem chata e sem prop\u00f3sito. Afinal, n\u00e3o \u00e9 muito comum a gente ter que criar nomes para formas abstratas, e diferentes culturas podem interpretar essas formas abstratas de diferentes modos.<\/p>\n<p>Ao usarmos Pok\u00e9mons para testarmos simbolismo sonoro em japon\u00eas e portugu\u00eas, n\u00f3s criamos uma tarefa mais interessante para os participantes, muitos deles jogadores de Pok\u00e9mon. Al\u00e9m disso, n\u00f3s garantimos que falantes de l\u00ednguas e culturas muito diferentes manteriam mais ou menos a mesma rela\u00e7\u00e3o com o objeto que est\u00e3o nomeando. Isso permitiria investigar at\u00e9 que ponto as associa\u00e7\u00f5es entre som e sentido seriam as mesmas para falantes de l\u00ednguas diferentes.<\/p>\n<p>Fizemos tr\u00eas experimentos em que ped\u00edamos para as pessoas criarem ou escolherem nomes j\u00e1 prontos para Pok\u00e9mons pr\u00e9 e p\u00f3s-evolu\u00e7\u00e3o parecidos com o que mostramos na figura abaixo. Usamos Pok\u00e9mons novos, desenhados como fan art pela artista <a href=\"https:\/\/t0t0mo.jimdo.com\/\">toto-mame<\/a> (que gentilmente nos deu autoriza\u00e7\u00e3o para us\u00e1-los).<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/12\/poke_pair.png\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignnone size-medium wp-image-1508 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/linguistica\/wp-content\/uploads\/sites\/23\/2018\/12\/poke_pair-300x161.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"161\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\">Um exemplo de par de Pok\u00e9mon usado em nosso estudo<\/p>\n<p>Ao todo, mais de 300 pessoas (\u00e0s quais somos muito gratos!) participaram dos experimentos. Os resultados foram muito parecidos com o encontrado em japon\u00eas e com o que prev\u00edamos: Pok\u00e9mons pr\u00e9-evolu\u00e7\u00e3o receberam mais nomes com a vogal \/i\/, e seus nomes eram mais curtos, enquanto Pok\u00e9mons p\u00f3s-evolu\u00e7\u00e3o eram mais longos e receberam mais nomes com a vogal \/a\/. Al\u00e9m disso, houve um efeito cumulativo das obstruintes vozeadas: quanto mais desses sons havia em um nome, maior a chance de associar esse nome a um Pok\u00e9mon p\u00f3s-evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>De modo geral, o que os nomes de Pok\u00e9mon nos dizem \u00e9 que, de fato, S\u00f3crates tinha um pouco de raz\u00e3o: ao nomear novos objetos, pessoas que falam l\u00ednguas muito diferentes tendem a usar os mesmos sons ou estruturas que parecem mais apropriados para expressar caracter\u00edsticas desses objetos. Pense nisso ao nomear os pr\u00f3ximos Pok\u00e9mons que capturar!<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>PARA SABER MAIS<\/strong><\/p>\n<p>Se voc\u00ea quiser saber mais sobre simbolismo sonoro, pode ler <a href=\"http:\/\/www.roseta.org.br\/pt\/2018\/05\/13\/o-que-ha-em-um-nome-simbolismo-sonoro-e-linguagem\/\">este texto<\/a> publicado na Roseta, a revista de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Lingu\u00edstica. Para saber mais sobre o experimento dos Pok\u00e9mons, ou\u00e7a o podcast <a href=\"http:\/\/dragoesdegaragem.com\/podcast\/dragoes-de-garagem-145-simbolismo-sonoro\/\">Drag\u00f5es de Garagem #145<\/a>, sobre simbolismo sonoro. Se tiver d\u00favidas sobre como fizemos o experimento ou analisamos os dados, voc\u00ea tamb\u00e9m pode mandar perguntas no twitter para <a href=\"https:\/\/twitter.com\/mahagodoy\">@mahagodoy<\/a>. Por fim, se tiver f\u00f4lego para ler um texto acad\u00eamico sobre simbolismo sonoro, sugerimos o artigo <a href=\"https:\/\/www.frontiersin.org\/articles\/10.3389\/fpsyg.2015.01246\/full\"><em>Iconicity in the lab<\/em><\/a>, de Gwilym Lockwood e Mark Dingemanse.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea j\u00e1 pensou por que as coisas receberam os nomes que t\u00eam? Como o primeiro ser humano a criar palavras, muito antes de o portugu\u00eas existir, decidiu que sons ele usaria para nomear as coisas do mundo? No Laborat\u00f3rio de Estudos Experimentais em Linguagem da UFRN n\u00f3s fizemos uma s\u00e9rie de experimentos com nomes de [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":368,"featured_media":77,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[6],"tags":[],"class_list":["post-53","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-games"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/users\/368"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":55,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53\/revisions\/55"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/media\/77"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}