{"id":551,"date":"2019-05-17T15:53:34","date_gmt":"2019-05-17T18:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/?p=551"},"modified":"2019-05-18T19:14:56","modified_gmt":"2019-05-18T22:14:56","slug":"corpo-da-mulher-superheroinas-e-o-controle-dos-poderes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cienciapop\/2019\/05\/17\/corpo-da-mulher-superheroinas-e-o-controle-dos-poderes\/","title":{"rendered":"Corpo da mulher: superhero\u00ednas e o controle dos poderes"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">Hoje eu vou falar um pouco sobre personagens femininas em cinema e s\u00e9ries e o controle de seus corpos. N\u00e3o vou, j\u00e1 adianto de antem\u00e3o, me comprometer a narrar todas as personagens existentes &#8220;no universo e arredores&#8221;. Vou falar de algumas que, recentemente, me fizeram pensar sobre o lugar da mulher e seu corpo (tem\u00e1tica que j\u00e1 venho abordando aqui no blog). <\/span><del><span style=\"color: #ff0000;\">J\u00e1 adianto que vai ter spoiler sim<span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/span><\/del><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\"><b>Mas antes, um pouco de teoria&#8230;<\/b><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Historicamente o controle do corpo das mulheres se d\u00e1 em nossa sociedade atrav\u00e9s de in\u00fameras a\u00e7\u00f5es cotidianas. A\u00e7\u00f5es? Como assim? Desde que nascemos, aprendemos sobre as caracter\u00edsticas do ser mulher: a fragilidade e a docilidade feminina; o amor incondicional, instintivo e verdadeiro proporcionado pela maternidade; a aptid\u00e3o para afazeres relacionados ao cuidado (alimenta\u00e7\u00e3o, educa\u00e7\u00e3o e z\u00ealo da prole, idosos e doentes); recato e discri\u00e7\u00e3o dos atos; idealiza\u00e7\u00e3o da plenitude na conquista e manuten\u00e7\u00e3o de um par rom\u00e2ntico, etc.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Tais discursos est\u00e3o presentes em nossas vidas, de forma dispersa e constante, na escola, na fam\u00edlia, em grupos sociais diversos, na literatura, m\u00fasica, cinema, programas de televis\u00e3o\u2026 Enfim, nos espa\u00e7os sociais e culturais que vivemos. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">J\u00e1 discutimos em posts anteriores que n\u00f3s temos <strong><em>e somos<\/em><\/strong> um corpo.\u00a0 Assim, o controle do corpo se d\u00e1 pelo modo como se encara e narra a mulher na min\u00facia. Isto \u00e9, tudo o que \u00e9 nossa express\u00e3o e viv\u00eancia identit\u00e1ria. Como assim? Nosso corpo, em tom, cor, tato, olfato e a\u00e7\u00e3o. Ou seja, tom de nossa voz e ideias expressas em p\u00fablico, cor do esmalte e do batom, tamanho do decote, hor\u00e1rio em que estamos circulando em vias p\u00fablicas, decis\u00e3o ou n\u00e3o de termos filhos ou companheiros\/companheiras, dentre outras (e muitas) caracter\u00edsticas. Mesmo com tantas conquistas, ainda hoje batalhamos para ocupar o espa\u00e7o p\u00fablico, saindo do (dito) protegido espa\u00e7o privado, para sermos protagonistas de nossa pr\u00f3pria vida, corpo, exist\u00eancia!<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\"><b>E o cinema e a televis\u00e3o?<\/b><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em filmes e s\u00e9ries, v\u00e1rios estudos apontam que as personagens femininas ainda ocupam espa\u00e7o perif\u00e9rico na narrativa e, mais do que isso, t\u00eam sua narrativa vinculada ao mundo masculino. Um par\u00e2metro simples disso foi estabelecido por Allison Bechdel, cartunista americana, em 1985. O conhecido &#8220;Teste Bechdel&#8221;, faz tr\u00eas perguntas para o filme (que a autora diziam ser premissas para assistir qualquer filme):<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">(a) h\u00e1 mais do que duas personagens femininas no filme?;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">(b) as mulheres dialogam entre si?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">(c) o di\u00e1logo entre elas \u00e9 sobre qualquer tema que n\u00e3o seja &#8216;homens&#8217;?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Pode parecer meio bobo, at\u00e9\u2026 Mas observe os filmes e seriados que vemos usualmente\u2026 Este teste indica o qu\u00ea para ti? Faria sentido fazer estas perguntas a personagens homens?<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Mais do que um teste t\u00e9cnico-cient\u00edfico de precis\u00e3o, e\/ou de qualidade do filme analisado, estas perguntas apresentam possibilidades de se pensar acerca da representa\u00e7\u00e3o das mulheres nas telas e sua rela\u00e7\u00e3o com a nossa cultura&#8230; <\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\"><b>Enquanto isso, nas hist\u00f3rias fant\u00e1sticas<\/b><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Voltando ao mundo do fant\u00e1stico, as mulheres tamb\u00e9m costumam ocupar lugares mais perif\u00e9ricos nas narrativas. No entanto, h\u00e1 hero\u00ednas poderosas que t\u00eam sido constru\u00eddas ao longo das d\u00e9cadas. A quest\u00e3o que vou abordar aqui \u00e9 sobre como este poder, algumas vezes, associa-se a um risco e ao medo de quem acompanha estas mulheres. Mais do que isso, h\u00e1 uma busca pelo controle do corpo destas mulheres&#8230;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No universo Marvel, falarei da Capit\u00e3 Marvel e de Jean Grey (que esperamos ansiosas pelo desfecho no filme da F\u00eanix Negra). Talvez menos conhecida, na s\u00e9rie Umbrella Academy (Netflix), abordarei um pouco sobre a Vanya, uma jovem mulher que, tamb\u00e9m, \u00e9 coagida a se desacreditar desde tenra inf\u00e2ncia sobre si mesma.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todas estas mulheres passam por situa\u00e7\u00f5es de intensa opress\u00e3o, incluindo o apagamento de suas mem\u00f3rias e identidades, por seus tutores. Estes as ensinam a controlar seus poderes ou mesmo as criam de modo a n\u00e3o saberem que tais poderes existem! Seus poderes emergem como grandiosos, via de regra, como desestabilidade emocional e\/ou s\u00e3o usados em momentos de desequil\u00edbrio (como raiva e tristeza). <\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\"><b>Jean Grey<\/b><\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Vou iniciar com a hist\u00f3ria de Jean Grey, a mutante com poderes telepatas e telecin\u00e9ticos da equipe X-men. Ao longo da trilogia inicial, ela desponta como uma hero\u00edna que vive dilemas morais &#8211; incluindo vincular-se a um complicado e competitivo tri\u00e2ngulo amoroso &#8211; e apresenta-se como uma mulher emp\u00e1tica e complacente. Dedicada \u00e0 equipe, compreensiva com a dor alheia, compreende a si mesma como inapta em v\u00e1rios momentos nos filmes.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_446\" aria-describedby=\"caption-attachment-446\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-446\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/05\/Fe\u0302nix-Negra-300x198.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"198\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-446\" class=\"wp-caption-text\">F\u00eanix Negra &#8211; JeanGrey \/ Copyright: Marvel Studios \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Ao morrer, em prol da equipe, volta confusa e com perturba\u00e7\u00f5es que a fazem emergir com poderes que estavam escondidos em seu subconsciente. A narrativa apresenta, desde ent\u00e3o, a mais poderosa dos mutantes e sua hist\u00f3ria de controle, pelo zeloso professor Xavier. Este, ao passo que a ensina sobre os poderes, tamb\u00e9m executa o cerceamento da sua mente para cont\u00ea-la, a partir da premissa do perigo &#8211; dela consigo e com os outros -, em decorr\u00eancia do desequil\u00edbrio e da instabilidade emocional que emergem conjuntamente com sua for\u00e7a*.<\/span><\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\">Vanya, a n\u00famero 7<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Outra narrativa interessante \u00e9 da Vanya, violinista e &#8220;filha&#8221; n\u00famero sete, do seriado <em>Umbrella Academy,<\/em> recentemente lan\u00e7ado na plataforma Netflix. Vanya \u00e9 a \u00fanica entre os irm\u00e3os (todos adotados) que cresce com a marca de n\u00e3o possuir poderes. A filha &#8220;extremamente ordin\u00e1ria&#8221; \u00e9 altamente medicada, apresenta tra\u00e7os de fragilidade, depress\u00e3o e sente-se constantemente inferiorizada na fam\u00edlia. <em>Ela n\u00e3o \u00e9 especial<\/em>, como aparece na narrativa constantemente. Acaba sendo foco de preocupa\u00e7\u00e3o conforme os enfrentamentos ocorrem, exatamente por n\u00e3o ter defesas extraordin\u00e1rias.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_447\" aria-describedby=\"caption-attachment-447\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-447\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/05\/violino-branco-300x150.png\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"150\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-447\" class=\"wp-caption-text\">Vanya &#8211; Violino Branco \/ Copyright: Netflix \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com o desenrolar da hist\u00f3ria, torna-se percept\u00edvel que Vanya teve uma educa\u00e7\u00e3o restritiva que bloqueou seus poderes, exatamente por todo seu potencial. \u00c9 exatamente a ideia de que uma menina n\u00e3o ter\u00e1 condi\u00e7\u00f5es de aprender a lidar com tamanho poder que faz com que seu tutor legal &#8211; seu pai adotivo &#8211; decida por apagar os registros de excepcionalidade e reprimir Vanya, utilizando-se de diagn\u00f3sticos psiqui\u00e1tricos e aparatos prisionais dentro de casa, at\u00e9 que todos esque\u00e7am das manifesta\u00e7\u00f5es de seu poder.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Uma personagem com mais poderes que os demais, coagida a se desacreditar, construindo sua identidade como &#8220;uma menina normal&#8221; no meio de uma fam\u00edlia extraordin\u00e1ria. Visivelmente infeliz, submissa aos caprichos do pai, superprotegida pelos irm\u00e3os (que acabam por criar uma imagem de fardo familiar), Vanya irrompe atrav\u00e9s do desequil\u00edbrio emocional e canaliza, pela m\u00fasica, todo o seu apocal\u00edptico potencial.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Capit\u00e3 Marvel<\/span><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por fim, Capit\u00e3 Marvel talvez seja a narrativa mais recente que trouxe uma mulher como forte protagonista no cinema de her\u00f3is. Forte n\u00e3o apenas pelos seus poderes extraordinariamente maiores do aqueles usualmente vistos em homens. Todo o elenco \u00e9 composto por mulheres fortes. Mulheres que tem como foco n\u00e3o estabelecer pares rom\u00e2nticos, mas criar uma filha como mulher solteira, serem as melhores pilotas, as melhores cientistas&#8230; Enfim, for\u00e7a: intelectualidade e destreza para lidar com vil\u00f5es de todas as partes.<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_449\" aria-describedby=\"caption-attachment-449\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-449\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/05\/captain-marvel-close-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-449\" class=\"wp-caption-text\">Capit\u00e3 Marvel \/ Copyright: Marvel Studios \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">As frases &#8220;Voc\u00ea deve controlar suas emo\u00e7\u00f5es&#8221; e &#8220;voc\u00ea \u00e9 melhor do que isso&#8221;, proferidas pelo seu tutor, Yon-Rogg, traduzem uma falsa ideia de cuidado e z\u00ealo com a protagonista. Com um ar de hierarquia que pende ao abuso, a fala apresenta o desmerecimento da personagem &#8211; &#8220;voc\u00ea \u00e9 melhor que isso&#8221; &#8211; ao mesmo tempo que condena as atitudes e &#8220;descontrole&#8221;. A busca pela luta sem o uso dos poderes, a ideia de conter as emo\u00e7\u00f5es, pelo risco apresentado (a si e aos outros), no decorrer da trama mostra-se claramente como uma busca de cercear e controlar o que \u00e9, de fato, um poder que se teme**.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dif\u00edcil ser mulher, que aprecia filmes de super her\u00f3is, e n\u00e3o se emocionar com a pot\u00eancia da Capit\u00e3 Marvel, seu enfrentamento da subservi\u00eancia e, tamb\u00e9m, a valoriza\u00e7\u00e3o da amizade e amor entre mulheres, com di\u00e1logos que n\u00e3o remetem a amores rom\u00e2nticos &#8211; mas problem\u00e1ticas cotidianas. Al\u00e9m, claro, da necessidade de salvar o universo (e ter \u00eaxito na fun\u00e7\u00e3o!).<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><span style=\"color: #800000;\">Finalizando<\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nestes tr\u00eas filmes, as mulheres por um lado, sim, apresentam sua pot\u00eancia e for\u00e7a, embora ainda dentro de um embate interno entre a submiss\u00e3o e assumir-se e romper com este lugar. Ainda dentro de um sistema de controle de si e de seus corpos, que configura suas identidades dentro de um estere\u00f3tipo ligado \u00e0 fragilidade e ao desequil\u00edbrio das emo\u00e7\u00f5es. Tal desequil\u00edbrio \u00e9 o que coloca em risco o que est\u00e1 ao seu redor. \u00c9 temido e, por isso, desestimulado, bloqueado, cerceado. Identidades constitu\u00eddas dentro de uma cultura de silenciamento, ainda, das mulheres. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Na trama, a constru\u00e7\u00e3o dessa identidade, especialmente com Jean Grey e Vanya, ainda se d\u00e1 dentro de um embate pela mudan\u00e7a de uma conduta socialmente normatizada e culturalmente aceita, apontando para uma for\u00e7a destrutiva que acaba por justificar os receios previamente estabelecidos. Embora tenha sido constitutiva da pr\u00f3pria destrui\u00e7\u00e3o &#8211; \u00a0com sentimentos confusos, em fun\u00e7\u00e3o da trai\u00e7\u00e3o por aqueles em quem confiaram suas vidas e aprendizados.<\/span><\/p>\n<h3 style=\"text-align: right;\"><strong><span style=\"color: #800000;\">Estere\u00f3tipos, identidade e representa\u00e7\u00e3o social<\/span><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Dehnion Lopes, ao discutir a presen\u00e7a de protagonistas em pap\u00e9is significativos \u00e0 trama, aponta que:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400;\">A representa\u00e7\u00e3o social possibilita uma pol\u00edtica identit\u00e1ria de confronto e marca\u00e7\u00e3o das diferen\u00e7as que, num primeiro momento, enfatiza uma luta pol\u00edtica e te\u00f3rica contra a repeti\u00e7\u00e3o de imagens negativas em favor da necessidade de imagens positivas. Essa estrat\u00e9gia desempenhou o papel de enfatizar a rela\u00e7\u00e3o entre estere\u00f3tipo, estigma e cultura, por\u00e9m, conduziu a um outro extremo, ao criar novos estere\u00f3tipos (p.382)<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Que venham mais filmes, mais protagonistas. Que as mulheres ganhem espa\u00e7os em identidades cada vez mais seguras de si, ocupando os espa\u00e7os p\u00fablicos que nos foram (e s\u00e3o) negados por tanto tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Com a for\u00e7a t\u00e3o belamente descrita por nossa poeta (que encerra este post), Cora Coralina:<\/span><\/p>\n<blockquote><p><b>Aninha e suas pedras<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">N\u00e3o te deixes destruir\u2026<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Ajuntando novas pedras<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e construindo novos poemas.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Recria tua vida, sempre, sempre.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Remove pedras e planta roseiras e faz doces. Recome\u00e7a.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Faz de tua vida mesquinha<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">um poema.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">E viver\u00e1s no cora\u00e7\u00e3o dos jovens<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e na mem\u00f3ria das gera\u00e7\u00f5es que h\u00e3o de vir.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Esta fonte \u00e9 para uso de todos os sedentos.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Toma a tua parte.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">Vem a estas p\u00e1ginas<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">e n\u00e3o entraves seu uso<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">aos que t\u00eam sede.<br \/>\n<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">( Cora Coralina )<\/span><\/p><\/blockquote>\n<figure id=\"attachment_448\" aria-describedby=\"caption-attachment-448\" style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-448\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/wp-content\/uploads\/sites\/150\/2019\/05\/goose-300x169.jpg\" alt=\"\" width=\"300\" height=\"169\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-448\" class=\"wp-caption-text\">Goose \/ Copyright: Marvel Studios \/ Divulga\u00e7\u00e3o<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">* Sim, sim, nas HQs a F\u00eanix Negra \u00e9 uma entidade c\u00f3smica com poderes ilimitados, eu sei, eu sei. No novo filme isso ser\u00e1 apresentado. Mas na trilogia do X-Men n\u00e3o \u00e9 abordado com essa \u00eanfase (e foi a partir da trilogia que fiz os apontamentos&#8230;).<\/span><\/p>\n<p>** <del><strong>Me desculpem os anti-gatistas, mas<\/strong> <\/del>a Capit\u00e3 Marvel ter a gata Goose <span style=\"color: #800000;\">MARAVILHOSAMENTE PODEROSA TAMB\u00c9M<\/span> s\u00f3 torna o filme mais fant\u00e1stico.<\/p>\n<h3><\/h3>\n<h3><strong><span style=\"color: #800000;\">Para saber mais:<\/span><\/strong><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">CARVALHO, Debora (2019). <\/span><a href=\"http:\/\/www.garotasgeeks.com\/capita-marvel-e-sobre-a-forca-de-uma-mulher-nao-exatamente-sobre-seu-empoderamento\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Capit\u00e3 Marvel \u00e9 sobre a for\u00e7a de uma mulher, n\u00e3o exatamente seu empoderamento<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b>Garotas Geeks<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">___. (2019) <\/span><a href=\"http:\/\/www.garotasgeeks.com\/como-capita-marvel-quebra-o-molde-dos-filmes-de-super-herois\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Como Capit\u00e3 Marvel quebra o molde dos filmes de super-her\u00f3is<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b>Garotas Geeks.<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">LOPES, Dehnion (2006) Cinema e G\u00eanero. In: MASCARELLO, Fernando (org.) <\/span><b>Hist\u00f3ria do cinema mundial<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> (org.). Editora Papirus. 379-394.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">MAGALDI, Carolina Alves; Machado, Carla Silva (2016). <\/span><a href=\"http:\/\/www.periodicos.ulbra.br\/index.php\/txra\/article\/view\/1588\/1463\"><span style=\"font-weight: 400;\">Os testes que tratam da representatividade de g\u00eanero no cinema e na literatura: uma proposta did\u00e1tica para pensar o feminino nas narrativas<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. TEXTURA &#8211; Revista de Educa\u00e7\u00e3o e Letras, vol.18, n.36. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">POLISTCHUCK, L\u00eddia (2019). <\/span><a href=\"http:\/\/www.garotasgeeks.com\/capita-marvel-nao-e-para-homens-entenda\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">Capit\u00e3 Marvel n\u00e3o \u00e9 para homens, entenda<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b>Garotas Geeks. <\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">SIQUEIRA, Vera (2006) <\/span><a href=\"https:\/\/www.seer.ufrgs.br\/educacaoerealidade\/article\/view\/23001\/13279\"><span style=\"font-weight: 400;\">Sexualidade, g\u00eanero e educa\u00e7\u00e3o: a subjetiva\u00e7\u00e3o de mulheres pelo cinema<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b>Educa\u00e7\u00e3o e Realidade<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, vol.31, n.1, 127-144. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">WESCHENFELDER, Gelson Vanderlei; COLLING, Ana (2011) <\/span><a href=\"https:\/\/periodicos.ufsc.br\/index.php\/interthesis\/article\/view\/1807-1384.2011v8n1p200\/18432\"><span style=\"font-weight: 400;\">Hist\u00f3rias em quadrinhos de super-hero\u00ednas: do movimento feminista \u00e0s quest\u00f5es de g\u00eanero<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400;\">. <\/span><b>Interthesis<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">, vol.8, n.1. DOI:10.5007\/1807-1384.2011v8n2p200<\/span><\/p>\n<h3><strong><span style=\"color: #800000;\">Sobre a s\u00e9rie corpo da mulher:<\/span><\/strong><\/h3>\n<p><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/category\/corpo-da-mulher\/\"><span style=\"font-weight: 400;\">https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/pemcie\/category\/corpo-da-mulher\/<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Hoje eu vou falar um pouco sobre personagens femininas em cinema e s\u00e9ries e o controle de seus corpos. N\u00e3o vou, j\u00e1 adianto de antem\u00e3o, me comprometer a narrar todas as personagens existentes &#8220;no universo e arredores&#8221;. 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