{"id":114,"date":"2011-07-17T08:41:00","date_gmt":"2011-07-17T14:41:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2011\/07\/quer-trocar-veja-como-a-nossa-cognicao-fabrica-felicidade\/"},"modified":"2011-07-17T08:41:00","modified_gmt":"2011-07-17T14:41:00","slug":"quer-trocar-veja-como-a-nossa-cognicao-fabrica-felicidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2011\/07\/17\/quer-trocar-veja-como-a-nossa-cognicao-fabrica-felicidade\/","title":{"rendered":"Quer trocar? Veja como a nossa cogni\u00e7\u00e3o fabrica felicidade."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-Ab6cjEWJM9w\/TiLGokmrKOI\/AAAAAAAAD98\/PgM5yNYbxKU\/s1600\/cognando.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"border: 0px initial initial\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-Ab6cjEWJM9w\/TiLGokmrKOI\/AAAAAAAAD98\/PgM5yNYbxKU\/s200\/cognando.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p>Vou come\u00e7ar postagem de hoje com uma pergunta sobre o seu futuro: se voc\u00ea pudesse escolher, qual dos dois futuros abaixo voc\u00ea escolheria para a sua vida?<\/p>\n<div><\/div>\n<div>(a) ganhar 3 milh\u00f5es de reais na mega-sena acumulada.<\/div>\n<div>(b) ficar parapl\u00e9gico em cadeira de rodas para o resto da vida.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Tenho certeza que voc\u00ea pensou: &#8220;que pergunta \u00e9 essa? \u00d3bvio que prefiro a alternativa (a). Eu e 100% das pessoas que le\u00eam o Cognando&#8221;. \u00a0Mas voc\u00ea j\u00e1 deve saber que, como psic\u00f3logo cognitivo, eu vou te perguntar: Por que? E voc\u00ea vai responder: &#8220;duh!!!!!! Simplesmente porque vou ser mais feliz ganhando na loteria do que ficando parapl\u00e9gico&#8221;. Sim. Voc\u00ea e 100% dos leitores concordam que pessoas que ganham na loteria s\u00e3o, em m\u00e9dia, mais felizes que pessoas que ficam parapl\u00e9gicas. No entanto, para a nossa surpresa, existem dados mostrando que, um ano ap\u00f3s de ganhar na loteria ou ficar parapl\u00e9gico, as pessoas s\u00e3o igualmente felizes. Isso mesmo: em m\u00e9dia, pessoas que ganham na loteria e pessoas que ficam parapl\u00e9gicas, depois de um certo tempo, apresentam o mesmo grau de felicidade.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Esse tipo de &#8220;erro&#8221; da estimativa da nossa felicidade \u00e9 um dos fen\u00f4menos que eu acho mais intrigante na cogni\u00e7\u00e3o humana. \u00c9 um fen\u00f4meno conhecido como <em>impact bias<\/em>, ou seja, temos a tend\u00eancia de supervalorizar os nossos sentimentos com rela\u00e7\u00e3o a eventos futuros. Isso acontece com a gente o tempo todo. Vou usar um exemplo muito mais comum no nosso dia-a-dia. Quando voc\u00ea entra para um relacionamento e se apaixona pela outra pessoa, voc\u00ea tende a achar que sua vida vai simplesmente desmoronar quando o relacionamento acabar. E o que na verdade acontece (e acontece sempre) \u00e9 que ap\u00f3s o t\u00e9rmino do relacionamento, o seu n\u00edvel de felicidade \u00e9 geralmente o mesmo de antes (\u00e0s vezes at\u00e9 maior). E por que isso acontece?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma resposta que os psic\u00f3logos tem para isso \u00e9 a id\u00e9ia de que, assim como o nosso corpo tem um sistema imunol\u00f3gico que nos defende e sempre busca manter o nosso bem-estar, o nosso sistema cognitivo tem um sistema imunol\u00f3gico psicol\u00f3gico. Esse sistema nos defende das adversidades psicol\u00f3gicas (perda de amores, de dinheiro, trai\u00e7\u00e3o, etc.) fazendo com que a gente mantenha um n\u00edvel de bem-estar constante. \u00c9 o que chamamos de felicidade sint\u00e9tica (em oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 felicidade natural). Felicidade sint\u00e9tica \u00e9 aquela que &#8220;fabricamos&#8221; quando uma adversidade ocorre.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Dan Gilbert, da Universidade de Harvard tem um estudo interessante mostrando esse efeito. O estudo original utiliza pinturas do Monet, mas para deixar a id\u00e9ia mais clara (e mais interessante) vou \u00a0modificar utilizando fotos de pessoas. Imagine que eu mostre \u00e0 uma garota a foto de seis homens (<a href=\"http:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/File:Jensenatwood.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">Jansen Atwood<\/a>, \u00a0<a href=\"http:\/\/abagond.files.wordpress.com\/2010\/08\/keanu-reeves-2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-2\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">Keanu Reeves<\/a>, <a href=\"http:\/\/hiphopandpolitics.files.wordpress.com\/2010\/12\/bon-jovi.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-3\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">Jon Bon Jovi<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.shank-movie.co.uk\/page3\/page8\/files\/Wayne%20Virgo.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-4\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">Wayne Virgo<\/a>, <a href=\"http:\/\/img2.timeinc.net\/people\/i\/2006\/celebdatabase\/patrickdempsey\/patrick_dempsey1_300_400.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-5\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">Patrick Demsey<\/a> e <a href=\"http:\/\/photos.academia.edu\/4441\/1755\/1819\/large_andre_luiz.souza.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-6\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">Andr\u00e9 Souza<\/a>) e pe\u00e7a a ela para coloc\u00e1-las em ordem de prefer\u00eancia. Eis a ordem que ela escolhe:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>1 &#8211; Patrick Demsey<\/div>\n<div>2 &#8211; Jansen Atwood<\/div>\n<div>3 &#8211; Wayne Virgo<\/div>\n<div>4 &#8211; Jon Bon Jovi<\/div>\n<div>5 &#8211; Keanu Reeves<\/div>\n<div>6 &#8211; Andr\u00e9 Souza (eu j\u00e1 sabia!)<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Ap\u00f3s isso, eu falo com ela assim: &#8220;<em>olha, na verdade, eu vou te dar uma c\u00f3pia dessas fotos, mas s\u00f3 tenho as fotos do Wayne Virgo e do Bon Jovi em estoque. Qual voc\u00ea vai querer?<\/em>&#8221; Naturalmente, ela vai escolher a foto do Wayne Virgo, pois na ordem de prefer\u00eancia dela ele veio primeiro. Duas semanas depois, eu chamo essa mesma garota de volta ao laborat\u00f3rio e mostro \u00e0 ela as mesmas seis fotos. Dessa vez, olhe a ordem que ela escolhe:<\/div>\n<div><\/div>\n<div>1 &#8211; Patrick Demsey<\/div>\n<div>2 &#8211; <strong>Wayne Virgo<\/strong><\/div>\n<div>3 &#8211; Jansen Atwood<\/div>\n<div>4 &#8211; Keanu Reeves<\/div>\n<div>5 &#8211; <strong>Jon Bon Jovi<\/strong><\/div>\n<div>6 &#8211; Andr\u00e9 Souza<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Basicamente o resultado diz: &#8220;a foto que eu escolhi \u00e9 mesmo bem melhor, a que eu n\u00e3o escolhi \u00e9 na verdade, ruim.&#8221; A adversidade de n\u00e3o poder ter escolhido uma das primeiras fotos foi compensada. Em outras palavras, o sistema imunol\u00f3gico psicol\u00f3gico &#8220;cria&#8221; uma prefer\u00eancia pelo que temos e o que n\u00e3o temos mais passa a ser ruim. Esse \u00e9 um mecanismo comum nos seres humanos: o seu atual namorado (Jos\u00e9) \u00e9 muito melhor que seu ex-namorado (Carlos). E se voc\u00ea voltar para o Carlos, ele vai passar a ser melhor que o Jos\u00e9. Para o seu sistema cognitivo, voc\u00ea sempre tem o melhor.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Mas o mais interessante n\u00e3o \u00e9 isso: quando temos a op\u00e7\u00e3o de escolher aquilo que vai acontecer, \u00e9 quando somos mais infelizes (apesar de intuitivamente pensarmos que seja diferente). Eu explico: Imagine que a <em>C&amp;A<\/em> ofere\u00e7a aos consumidores a oportunidade de trocar um produto ap\u00f3s a compra, caso o consumidor n\u00e3o goste do produto. J\u00e1 a <em>Renner<\/em> n\u00e3o oferece essa oportunidade: uma vez que voc\u00ea comprou, n\u00e3o pode mais trocar. Em qual loja voc\u00ea preferiria comprar? A grande maioria das pessoas tende a escolher a <em>C&amp;A<\/em>. E se eu te perguntar: Comprando em qual das lojas voc\u00ea acha que vai ficar mais feliz com o produto? As pessoas tamb\u00e9m tendem a pensar que comprando na <em>C&amp;A<\/em> elas ficar\u00e3o mais felizes, pois caso n\u00e3o gostem, elas podem simplesmente trocar o produto.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O que de fato acontece \u00e9 que as pessoas ficam significativamente mais insatisfeitas quando h\u00e1 a possibilidade da troca do que quando n\u00e3o h\u00e1. O pr\u00f3prio Dan Gilbert tem uma s\u00e9rie de estudos mostrando isso. Em outras palavras, sem saber, as pessoas preferem uma situa\u00e7\u00e3o que as deixar\u00e3o insatisfeitas \u00e0 uma situa\u00e7\u00e3o em que n\u00e3o h\u00e1 escolha. Quando n\u00e3o h\u00e1 a possibilidade de troca, o seu sistema imunol\u00f3gico psicol\u00f3gico vai buscar te fazer feliz com o que tem. E esse sistema s\u00f3 age quando n\u00e3o temos outra op\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>E por que isso acontece? Bom a explica\u00e7\u00e3o \u00e9 longa e merece uma outra postagem s\u00f3 para ela. Mas para adiantar (e agu\u00e7ar a curiosidade): esse efeito tem haver com a nossa tend\u00eancia a explicar e buscar causas para as nossas adversidades. Uma vez que encontramos &#8216;uma causa&#8217; para o t\u00e9rmino do nosso relacionamento, ou uma &#8216;causa&#8217; para o emprego que perdemos, o nosso sistema cognitivo nos diz: &#8220;t\u00e1 vendo? n\u00e3o h\u00e1 com que se preocupar&#8221;, e acabamos ficando mais satisfeitos com a situa\u00e7\u00e3o que temos (e a achamos melhor que o que t\u00ednhamos no passado).<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\u00c9 uma caracter\u00edstica cognitiva natural e impl\u00edcita (ocorre mesmo quando n\u00e3o temos consci\u00eancia). Muitas vezes o problema est\u00e1 nas &#8220;causas&#8221; que atribu\u00edmos \u00e0s adversidades, \u00e0s vezes colocando a culpa em causas externas, ou mesmo negligenciando a nossa pr\u00f3pria culpa na cria\u00e7\u00e3o da adversidade. Isso pode criar outros problemas para o nosso sistema cognitivo lidar.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>S\u00f3 sei que no final das contas, o Andr\u00e9 ficou por \u00faltimo. Segundo a Natielle, \u00e9 coisa de gente de Peixes! \ud83d\ude42 Eu acho que \u00e9 outra coisa!<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o deixe de acompanhar o Cognando pelo <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/andrelesouza\">Twitter<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Refer\u00eancia:<\/div>\n<div><\/div>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Organizational+Behavior+and+Human+Decision+Processes&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1006%2Fobhd.2001.2982&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+Future+Is+Now%3A+Temporal+Correction+in+Affective+Forecasting&amp;rft.issn=07495978&amp;rft.date=2002&amp;rft.volume=88&amp;rft.issue=1&amp;rft.spage=430&amp;rft.epage=444&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS0749597801929826&amp;rft.au=Gilbert%2C+D.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology\">Gilbert, D. (2002). The Future Is Now: Temporal Correction in Affective Forecasting <span style=\"font-style: italic\">Organizational Behavior and Human Decision Processes, 88<\/span> (1), 430-444 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1006\/obhd.2001.2982\" rev=\"review\">10.1006\/obhd.2001.2982<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou come\u00e7ar postagem de hoje com uma pergunta sobre o seu futuro: se voc\u00ea pudesse escolher, qual dos dois futuros abaixo voc\u00ea escolheria para a sua vida? (a) ganhar 3 milh\u00f5es de reais na mega-sena acumulada. 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