{"id":126,"date":"2011-11-14T01:10:00","date_gmt":"2011-11-14T07:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2011\/11\/intuicao-divina\/"},"modified":"2011-11-14T01:10:00","modified_gmt":"2011-11-14T07:10:00","slug":"intuicao-divina","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2011\/11\/14\/intuicao-divina\/","title":{"rendered":"Intui\u00e7\u00e3o Divina!"},"content":{"rendered":"<div class=\"separator\" style=\"clear: both;text-align: center\"><a href=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-zieuYIbNPFk\/TsCwtGwsKqI\/AAAAAAAAElo\/_yJVsRG11E4\/s1600\/intuitive_decision_making_2.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignright\" style=\"border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px\" src=\"http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-zieuYIbNPFk\/TsCwtGwsKqI\/AAAAAAAAElo\/_yJVsRG11E4\/s200\/intuitive_decision_making_2.jpg\" alt=\"\" width=\"133\" height=\"200\" border=\"0\" \/><\/a><\/div>\n<p>Sou super f\u00e3 de Rubem Alves. Um dos livros de Rubem Alves que mais gosto \u00e9 um chamado &#8220;<em>Perguntaram-me se acredito em Deus<\/em>&#8220;. Eu acho essa pergunta fant\u00e1stica. Primeiro por que \u00e9 uma pergunta esquisita (quem me conhece sabe que gosto de coisas esquisitas). Segundo, por que todo mundo gosta de fazer essa pergunta para psic\u00f3logos (ainda quero descobrir o porqu\u00ea&#8230;). Um dia desses, conversando com uma psic\u00f3loga &#8212; \u00a0s\u00f3 pra sacanear &#8212; perguntei \u00e0 ela se ela acreditava em Deus. Ela disse que sim. \u00d3bvio que perguntei: <em>porque?<\/em> E eis que ela respondeu: &#8220;<em>ah&#8230; sei l\u00e1! \u00c9 intuitivo. Autom\u00e1tico.<\/em>&#8221;<\/p>\n<div>Hmmmm. De um ponto de vista cognitivo, existem pelo menos dois estilos de processamento mental que utilizamos no processo de tomada de decis\u00f5es: intui\u00e7\u00e3o e reflex\u00e3o. Intui\u00e7\u00e3o geralmente \u00e9 baseado em processos autom\u00e1ticos e que n\u00e3o requer muito esfor\u00e7o cognitivo. Reflex\u00e3o, pelo contr\u00e1rio, envolve uma an\u00e1lise cr\u00edtica da situa\u00e7\u00e3o e consequentemente um maior esfor\u00e7o cognitivo.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Algumas pessoas s\u00e3o naturalmente mais intuitivas que outras. Eu mesmo tenho uma amiga que diz que toda vez que ela precisa tomar uma decis\u00e3o importante ela simplesmente &#8220;<em>segue a intui\u00e7\u00e3o e seja o que Deus quiser<\/em>&#8220;. Essa conex\u00e3o entre processamento intuitivo e cren\u00e7a em Deus \u00e9 bem interessante. E n\u00e3o \u00e9 algo novo. V\u00e1rias pesquisas em psicologia cognitiva afirmam que a cren\u00e7a em Deus \u00e9 um produto natural da nossa cogni\u00e7\u00e3o e que, consequentemente, ocorre de maneira intuitiva. Uma pergunta \u00f3bvia que segue esse tipo de afirma\u00e7\u00e3o \u00e9: ser\u00e1 ent\u00e3o que pessoas naturalmente intuitivas tendem a acreditar mais em Deus?<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Uma pesquisa recente publicada no <em>Journal of Experimental Psychology<\/em> buscou responder\u00a0exatamente\u00a0essa pergunta. <em>Amitai Shenav<\/em>, <em>David Rand<\/em> e <em>Joshua Greene<\/em>, todos pesquisadores da Universidade de Harvard nos Estados Unidos, mediram o &#8220;estilo cognitivo&#8221; de v\u00e1rias pessoas, utilizando uma tarefa conhecida como CRT (<em>Cognitive Reflection Test<\/em>). Nessa tarefa, os participantes precisam responder \u00e0 v\u00e1rias perguntas que t\u00eam respostas que parecem &#8220;intuitivamante&#8221; corretas, mas que &#8220;reflexivamente&#8221; s\u00e3o incorretas. Por exemplo: <em>&#8220;uma meia e uma chuteira de futebol custam um total de R$ 1,10. A chuteira custa R$ 1,00 a mais que a meia. Quanto custa a meia?&#8221;<\/em> Apesar da resposta mais intuitiva ser &#8220;<em>a meia custa R$ 0,10<\/em>&#8220;, a resposta correta \u00e9 &#8220;<em>a meia custa &#8220;R$ 0,05<\/em>&#8220;. Os participantes que escolhem a resposta mais intuitiva s\u00e3o considerados pesssoas que t\u00eam uma tend\u00eancia maior \u00e0 esse estilo cognitivo. Al\u00e9m do CRT, os participantes da pesquisa tamb\u00e9m responderam a um question\u00e1rio sobre a cren\u00e7a em Deus, e outras informa\u00e7\u00f5es demogr\u00e1ficas, tais como n\u00edvel de escolaridade, partido pol\u00edtico, renda mensal, etc.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os pesquisadores encontraram que o estilo cognitivo (intuitivo ou reflexivo) prediz significativamente a cren\u00e7a em Deus &#8212; independentemente das outras vari\u00e1veis demogr\u00e1ficas. Em outras palavras, as pessoas mais intuitivas tem uma tend\u00eancia maior a acreditarem em Deus. Como ainda existe muita gente que acredita na id\u00e9ia de que apenas pessoas &#8220;pouco&#8221; inteligentes acreditam em Deus, os pesquisadores, em um outro estudo, mediram o n\u00edvel de intelig\u00eancia dos participantes (al\u00e9m do estilo cognitivo) e n\u00e3o encontraram nenhuma rela\u00e7\u00e3o entre intelig\u00eancia e cren\u00e7a em Deus, ou seja, a cren\u00e7a em Deus n\u00e3o est\u00e1 ligada \u00e0 intelig\u00eancia, e sim, ao estilo cognitivo: inteligente ou n\u00e3o, se voc\u00ea \u00e9 uma pessoa intuitiva, as chances de que voc\u00ea acredite em Deus s\u00e3o maiores.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O resultado dessa pesquisa est\u00e1 diretamente relacionado com v\u00e1rias outras pesquisas que mostram que a &#8220;falta de controle cognitivo&#8221; \u00e9 um dos motivos que levam as pessoas a acreditarem em Deus, ou em qualquer outra entidade sobrenatural que controla os acontecimentos do nosso dia-a-dia. Quando tomamos uma decis\u00e3o com base na nossa intui\u00e7\u00e3o e o resultado dessa decis\u00e3o \u00e9 positivo, temos uma tend\u00eancia muito maior a atribuir o resultado \u00e0 alguma for\u00e7a al\u00e9m do nosso controle. Por outro lado, se refletimos cuidadosamente para decidir alguma coisa e o resultado \u00e9 positivo, a tend\u00eancia natural \u00e9 de atribuir o sucesso da decis\u00e3o ao processo an\u00e1litico e n\u00e3o ao acaso, ou \u00e0 alguma for\u00e7a sobrenatural. O mais interessante \u00e9 ver mais um ind\u00edcio de que nossa cogni\u00e7\u00e3o est\u00e1 intimamente relacionada com as cren\u00e7as que formamos ao longo da nossa experi\u00eancia! \ud83d\ude42<\/div>\n<div><\/div>\n<div>N\u00e3o deixem de seguir o Cognando no <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cognando\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a>, no <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cognando\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a> e tamb\u00e9m no <a href=\"https:\/\/plus.google.com\/u\/0\/b\/116765862286813546775\/116765862286813546775\/posts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Google+<\/a><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Refer\u00eancia:<\/div>\n<div>Shenhav, A., Rand, D., &amp; Greene, J. (2011). Divine intuition: Cognitive style influences belief in God. <span style=\"font-style: italic\">Journal of Experimental Psychology: General<\/span> DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1037\/a0025391\" rev=\"review\">10.1037\/a0025391<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Sou super f\u00e3 de Rubem Alves. Um dos livros de Rubem Alves que mais gosto \u00e9 um chamado &#8220;Perguntaram-me se acredito em Deus&#8220;. Eu acho essa pergunta fant\u00e1stica. 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