{"id":16,"date":"2009-07-14T09:01:00","date_gmt":"2009-07-14T12:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2009\/07\/falar-palavrao-pode-aliviar-dor-fisica\/"},"modified":"2009-07-14T09:01:00","modified_gmt":"2009-07-14T12:01:00","slug":"falar-palavrao-pode-aliviar-dor-fisica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2009\/07\/14\/falar-palavrao-pode-aliviar-dor-fisica\/","title":{"rendered":"$%#$#@%: Falar Palavr\u00e3o Pode Aliviar Dor F\u00edsica!"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0px\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<div style=\"text-align: left\">H\u00e1 alguns dias, eu estava assistindo ao show &#8220;N\u00f3is na fita&#8221; de Leandro Hassum e Marcius Melhem e, em uma parte do show, os comediantes falam do papel cat\u00e1rtico que palavr\u00f5es exercem na nossa vida. Apesar de engra\u00e7ado, temos a sensa\u00e7\u00e3o de que isso \u00e9 verdade. Quem nunca deu aquela topada na quina da cama e, ao soltar um palavr\u00e3o (que parece ser uma resposta autom\u00e1tica) parece ter a dor aliviada instantaneamente?<\/div>\n<div style=\"text-align: left\"><\/div>\n<div style=\"text-align: left\">Um grupo de pesquisadores da Escola de Psicologia da Universidade de Keele na Inglaterra (<em>Richard Stephen<\/em>, <em>John Atkins<\/em> e <em>Andrew Kingston<\/em>) resolveram investigar essa hip\u00f3tese empiricamente. Eles investigaram em que medida falar palavr\u00e3o afeta n\u00e3o s\u00f3 nossa perpep\u00e7\u00e3o da dor, mas tamb\u00e9m a nossa toler\u00e2ncia \u00e0 dor.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left\">Os pesquisadores pediram que os participantes (homens e mulheres) colocassem a m\u00e3o em um balde com \u00e1gua gelada e a mantivesse l\u00e1 at\u00e9 que n\u00e3o aguentassem mais. O tempo total em que o participante mantinha a m\u00e3o no balde foi a medida de toler\u00e2ncia \u00e0 dor. Foram tamb\u00e9m acessadas a percep\u00e7\u00e3o da dor pelo participante (<em>Perceived Pain Scale<\/em>), batimento card\u00edaco, ansiedade (<em>Spielberg State-trait Anxiety Index<\/em>) e o medo de dor (<em>Fear Pain Questionnarire<\/em>).<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left\">Antes de imergir a m\u00e3o na \u00e1gua gelada, os pesquisadores pediram aos participantes que falassem cinco palavr\u00f5es que eles falariam se martelassem o pr\u00f3prio dedo e cinco palavras que eles usariam para descrever uma mesa.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left\">Durante o experimento propriamente dito, os participantes na condi\u00e7\u00e3o &#8220;palavr\u00e3o&#8221;, deveriam colocar a m\u00e3o no balde de \u00e1gua gelada e repetir o primeiro palavr\u00e3o da lista de cinco palavr\u00f5es que escolheram. Na condi\u00e7\u00e3o &#8220;controle&#8221;, eles deveriam colocar a m\u00e3o na \u00e1gua gelada e repetir a palavra que escolheram para descrever a mesa.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left\">Os resultados s\u00e3o interessantes: eles mostraram que o tempo de imers\u00e3o na \u00e1gua gelada na condi\u00e7\u00e3o &#8220;palavr\u00e3o&#8221; foi maior que na condi\u00e7\u00e3o controle, sugerindo que a toler\u00e2ncia \u00e0 dor \u00e9 maior quando se fala palavr\u00e3o. Houve tamb\u00e9m um efeito do sexo: homens suportaram mais a dor do que as mulheres. No quesito percep\u00e7\u00e3o da dor, os pesquisadores encontraram que tanto homens quanto mulheres mostraram uma redu\u00e7\u00e3o dessa percep\u00e7\u00e3o na condi\u00e7\u00e3o &#8220;palavr\u00e3o&#8221;, mas a diferen\u00e7a foi maior para as mulheres. Os batimentos card\u00edacos foram maiores para a condi\u00e7\u00e3o &#8220;palavr\u00e3o&#8221;, e muito maiores para as mulheres do que para os homens.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left\">De uma maneira geral, os resultados sugerem que, falar palavr\u00e3o, al\u00e9m de desencadear uma resposta emocial, desencadeia tamb\u00e9m uma resposta f\u00edsica. O aumento do batimento card\u00edaco pode ser ind\u00edcio de agressividade. Existem estudos, por exemplo, que mostram que a agressividade diminui a sensa\u00e7\u00e3o de dor. Os pesquisadores acreditam que, no passado, esse aumento de agressividade seria importante em situa\u00e7\u00f5es de risco, pois aumentaria a toler\u00e2ncia \u00e0 dor, o que facilitaria a luta contra um agressor.<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left\">Importante, ou n\u00e3o, o que sabemos \u00e9 que muitas vezes o palavr\u00e3o sai de forma t\u00e3o autom\u00e1tica algumas situa\u00e7\u00f5es de dor, susto, etc., que n\u00e3o \u00e9 um absurdo sugerir que eles j\u00e1 fazem parte da nossa cogni\u00e7\u00e3o. De qualquer forma, j\u00e1 temos respaldo cient\u00edfico para justificar o palavr\u00e3o que sai depois da topada na quina da cama!<\/div>\n<\/div>\n<div><\/div>\n<div>\n<div style=\"text-align: left\"><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: left\">Stephens, R., Atkins, J., &amp; Kingston, A. (2009). Swearing as a response to pain <span style=\"font-style: italic\">NeuroReport, 20<\/span> (12), 1056-1060 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1097\/WNR.0b013e32832e64b1\" rev=\"review\">10.1097\/WNR.0b013e32832e64b1<\/a><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns dias, eu estava assistindo ao show &#8220;N\u00f3is na fita&#8221; de Leandro Hassum e Marcius Melhem e, em uma parte do show, os comediantes falam do papel cat\u00e1rtico que palavr\u00f5es exercem na nossa vida. 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