{"id":18,"date":"2009-07-21T23:44:00","date_gmt":"2009-07-22T02:44:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2009\/07\/the-optimal-level-of-fuzz-o-equilibrio-na-pesquisa-em-psicologia-cognitiva\/"},"modified":"2009-07-21T23:44:00","modified_gmt":"2009-07-22T02:44:00","slug":"the-optimal-level-of-fuzz-o-equilibrio-na-pesquisa-em-psicologia-cognitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2009\/07\/21\/the-optimal-level-of-fuzz-o-equilibrio-na-pesquisa-em-psicologia-cognitiva\/","title":{"rendered":"The Optimal Level of Fuzz: O Equil\u00edbrio na Pesquisa em Psicologia Cognitiva"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0px\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a><\/span><\/p>\n<div>H\u00e1 alguns meses, eu e alguns colegas de departamento nos reunimos para montar um experimento para investigar alguns aspectos do processo de categoriza\u00e7\u00e3o. A reuni\u00e3o foi basicamente para aparar &#8220;arestas&#8221; nas tarefas que prop\u00fanhamos. Em outras palavras, est\u00e1vamos controlando os poss\u00edveis <em>confounds<\/em> que poderiam influenciar a varia\u00e7\u00e3o da nossa vari\u00e1vel dependente.<\/div>\n<p>Essa \u00e9 uma pr\u00e1tica comum na montagem de experimentos psicol\u00f3gicos. Todo pesquisador busca o que chamamos de <strong>validade interna<\/strong>, ou controle experimental. No entanto, logo ap\u00f3s sair da reuni\u00e3o, tive uma inquieta\u00e7\u00e3o, que, na verdade, volta e meia angustia minha pr\u00e1tica acad\u00eamica: experimentos altamente controlados acabam n\u00e3o retratando &#8220;externamente&#8221; o fen\u00f4meno psicol\u00f3gico que pretendem estudar. Por exemplo, <em>Amos Tversky<\/em> e <em>Daniel Kahneman<\/em>, em 1983, estudaram o que \u00e9 hoje conhecido como &#8220;a fal\u00e1cia da conjun\u00e7\u00e3o&#8221;. Eles desenvolveram um problema (<em>Linda&#8217;s problem<\/em>) para estudar o fen\u00f4meno. Apesar de ser um problema interessante para entender quest\u00f5es do pensamento l\u00f3gico humano, a grande maioria dos estudos que se inspiram no cl\u00e1ssico de 1983 se preocupam com um controle exacerbado da tarefa que, essa acaba se distanciando do que os seres humanos realmente fazem fora do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>A pergunta ent\u00e3o \u00e9: qual \u00e9 a <strong>validade externa<\/strong> das pesquisas, altamente controladas, em Psicologia Cognitiva? Parece razo\u00e1vel dizer que \u00e9 necess\u00e1rio uma esp\u00e9cie de equil\u00edbrio entre as perdas (e ganhos) internos e externos.<\/p>\n<p><em>Art Markman<\/em> e um grupo de outros pesquisadores do Departamento de Psicologia da Universidade do Texas em Austin abordaram recentemente essa quest\u00e3o em um artigo que ser\u00e1 publicado no <em>Journal of Experimental and Theoretical Artificial Inteligence<\/em>.<\/p>\n<p>Art e seus colaboradores chamam esse espa\u00e7o de equil\u00edbrio entre as validades interna e externa de <em>optimal level of fuzz<\/em>. No artigo, os pesquisadores apresentam dois importantes princ\u00edpios que eles julgam ser importantes na busca desse &#8220;n\u00edvel \u00f3timo&#8221;. Os pesquisadores relatam tr\u00eas exemplos de pesquisa realizada em que os princ\u00edpios apresentados foram utilizados. N\u00e3o vou comentar aqui os estudos propriamente dito, mas vou utilizar parte da discuss\u00e3o para apresentar os princ\u00edpios propostos por Art e seus colaboradores.<\/p>\n<p>Todos n\u00f3s sabemos que s\u00e3o v\u00e1rios os fatores que afetam o comportamento humano. Dessa forma, n\u00e3o podemos utilizar apenas de observa\u00e7\u00f5es puras para definir os processos cognitivos que subjagem as a\u00e7\u00f5es humanas. Acessar processos cognitivos apenas por meio de observa\u00e7\u00f5es faz com que os resultados da pesquisa sejam <em>fuzzy<\/em> (pouco claros). E controlar demais as observa\u00e7\u00f5es de laborat\u00f3rio faz com que as pesquisas n\u00e3o sejam suficientemente <em>fuzzy<\/em>, n\u00e3o representando a realidade do fen\u00f4meno psicol\u00f3gico em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que uma pesquisa alcance o <em>optimal level of fuzz<\/em>, Art e seus colegas apontam que, dada a natureza multidisciplinar da Psicologia Cognitiva, \u00e9 preciso que a pesquisa:<\/p>\n<p>(1) tenha uma rela\u00e7\u00e3o com algum comportamento que ocorre FORA do laborat\u00f3rio.<br \/>\n(2) utilize uma tarefa que tenha uma &#8220;proposta de an\u00e1lise&#8221; clara, de prefer\u00eancia coadunada \u00e1 um modelo matem\u00e1tico, computacional ou um modelo din\u00e2mico.<\/p>\n<p>O primeiro ponto parece \u00f3bvio. No entanto, observamos um grande n\u00famero de pesquisas que n\u00e3o atendem \u00e0 esse crit\u00e9rio. O exemplo que mencionei no come\u00e7o desse texto \u00e9 um exemplo disso. Muitas pesquisas que &#8220;replicam&#8221; estudos anteriores, muitas vezes, n\u00e3o t\u00eam liga\u00e7\u00e3o direta com o fen\u00f4meno psicol\u00f3gico que pretendem estudar. Consequentemente, acabam n\u00e3o contribuindo para a compreens\u00e3o dos processos que subjazem o comportamento humano di\u00e1rio.<\/p>\n<p>O segundo princ\u00edpio \u00e9 simples. Para investigar um fen\u00f4meno psicol\u00f3gico pouco compreendido \u00e9 necess\u00e1rio que a tarefa de laborat\u00f3rio utilizada seja uma que seja bem compreendida. Tarefas bem compreendidas s\u00e3o aquelas que apresentam uma proposta de an\u00e1lise que especifique os processos cognitvos requeridos pela tarefa. Essas tarefas geralmente possibilitam a cria\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1ticos e\/ou computacionais que podem ser utilizados para caracterizar o fen\u00f4meno cognitivo em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Existem v\u00e1rias vantagens na utiliza\u00e7\u00e3o de modelos matem\u00e1ticos\/computacionais. Uma delas \u00e9 a possibilidade de tirar conclus\u00f5es que v\u00e3o al\u00e9m dos resultados encontrados em laborat\u00f3rio. A outra vantagem, que Art e seus colaboradores apontam como mais importante, \u00e9 a possibilidade de mapear estrat\u00e9gias cognitivas em uma dada tarefa. Por exemplo, pode ser que uma certa estrat\u00e9gia (persist\u00eancia, por exemplo) sejam adequadas para certos momentos de uma tarefa e n\u00e3o para outros. Modelos matem\u00e1ticos possibilitam esse tipo de mapeamento, tanto no n\u00edvel individual quanto no n\u00edvel global.<\/p>\n<p>No final das contas, os pesquisadores mostram que a combina\u00e7\u00e3o entre vari\u00e1veis <em>fuzzy <\/em>(comportamentos humanos ainda pouco entendidos) e tarefas pouco <em>fuzzy <\/em>(tarefas bem compreendidas) levam a pesquisa a alcan\u00e7ar o <em>optimal level of fuzz<\/em>. Art ainda relata tr\u00eas estudos (na \u00e1rea de motiva\u00e7\u00e3o, diferen\u00e7as individuais e neurosci\u00eancia) que utilizaram os dois princ\u00edpios apresentados.<\/p>\n<p>Apesar de bem delineados, os princ\u00edpios propostos para se alcan\u00e7ar o <em>optimal level of fuzz<\/em> n\u00e3o s\u00e3o f\u00e1ceis de serem postos em pr\u00e1tica. Eles requerem, segundo esses pesquisadores, que as pessoas &#8220;saiam&#8221; da zona de conforto: experimentos mais <em>fuzzy<\/em> e observa\u00e7\u00f5es mais controladas. O ideal \u00e9 investir em colabora\u00e7\u00f5es com pessoas de \u00e1reas distintas. Mas esse \u00e9 um assunto para alguma postagem futura!<\/p>\n<p><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Journal+of+Experimental+and+Theoretical+Artificial+Intelligence+&amp;rft_id=info%3Adoi%2F&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+Optimal+Level+of+Fuzz%3A+Case+Studies+in+a+Methodology+for+Psychological+Research.&amp;rft.issn=&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=&amp;rft.issue=&amp;rft.spage=&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Markman%2C+A.B.&amp;rft.au=Beer%2C+J.S.&amp;rft.au=Grimm%2C+L.R.&amp;rft.au=Rein%2C+J.R.&amp;rft.au=Maddox%2C+Todd+W.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Markman, A.B., Beer, J.S., Grimm, L.R., Rein, J.R., &amp; Maddox, Todd W. (2009). The Optimal Level of Fuzz: Case Studies in a Methodology for Psychological Research. <span style=\"font-style: italic\">Journal of Experimental and Theoretical Artificial Intelligence <\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns meses, eu e alguns colegas de departamento nos reunimos para montar um experimento para investigar alguns aspectos do processo de categoriza\u00e7\u00e3o. A reuni\u00e3o foi basicamente para aparar &#8220;arestas&#8221; nas tarefas que prop\u00fanhamos. 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