{"id":24,"date":"2009-09-28T20:10:00","date_gmt":"2009-09-28T23:10:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2009\/09\/embodied-cognition-i-a-importancia-do-peso\/"},"modified":"2009-09-28T20:10:00","modified_gmt":"2009-09-28T23:10:00","slug":"embodied-cognition-i-a-importancia-do-peso","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2009\/09\/28\/embodied-cognition-i-a-importancia-do-peso\/","title":{"rendered":"Embodied Cognition I: A Import\u00e2ncia do Peso"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" style=\"border: 0\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" \/><\/a><\/span>Muitas vezes na vida, precisamos tomar decis\u00f5es importantes. Muitas pessoas n\u00e3o gostam de tomar decis\u00f5es sozinhos e acabam pedindo a opini\u00e3o de amigos e parentes. Temos a intui\u00e7\u00e3o, no entanto, que algumas opini\u00f5es t\u00eam mais <span style=\"font-style: italic\">peso<\/span> que outras. Em outras palavras, julgamos as opini\u00f5es de peso como sendo mais importantes que outras.<\/p>\n<p>N\u00e3o estou interessado hoje, na din\u00e2mica de tomada de decis\u00f5es a partir da opini\u00e3o de outras pessoas. Estou particularmente interessado na express\u00e3o &#8220;opini\u00e3o de peso&#8221;. Por que ser\u00e1 que utilizamos tal express\u00e3o para conotar &#8220;opini\u00e3o importante&#8221;? Por que associamos a no\u00e7\u00e3o f\u00edsica de &#8220;peso&#8221; \u00e0 no\u00e7\u00e3o abstrata de &#8220;import\u00e2ncia&#8221;?<br \/>\nUma das correntes te\u00f3ricas recentes da Psicologia Cognitiva, conhecida como <span style=\"font-style: italic\">Embodied Cognition<\/span>, tem tentado explicar esse fen\u00f4meno. NOTA: j\u00e1 encontrei na literatura em l\u00edngua portuguesa v\u00e1rias tradu\u00e7\u00f5es para o termo <span style=\"font-style: italic\">Embodied Cognition<\/span>: Cogni\u00e7\u00e3o Corporificada, Encorpada, Encarnada, Corporizada, e por a\u00ed vai. Como parece n\u00e3o haver consenso no termo em portugu\u00eas, vou utilizar a express\u00e3o em ingl\u00eas mesmo.<\/p>\n<p>De acordo com a posi\u00e7\u00e3o adotada pela <span style=\"font-style: italic\">Embodied Cognition<\/span>, os conceitos que populam o nosso conhecimento, ou seja, nossas representa\u00e7\u00f5es mentais &#8212; por mais abtratas que sejam &#8212; est\u00e3o fundamentadas no nosso sistema sens\u00f3rio-motor. Por exemplo, sabemos que para lidar com objetos pesados precisamos de mais energia, mais esfor\u00e7o f\u00edsico e mais planejamento cognitivo. Assim, as pessoas parecem associar as experi\u00eancias com objetos pesados com maior esfor\u00e7o f\u00edsico e cognitivo. E uma vez que decis\u00f5es importantes, na sua maioiria, requerem maior processamento cognitivo, h\u00e1 a possibilidade de que a nossa concep\u00e7\u00e3o abstrata de import\u00e2ncia esteja ainda fundamentada nas nossas experi\u00eancias sens\u00f3rio-motoras com objetos pesados.<\/p>\n<p>Para testar essa id\u00e9ia, <span style=\"font-style: italic\">Nils Jostmann<\/span> (<span style=\"font-style: italic\">University of Amsterd\u00e3<\/span>), <span style=\"font-style: italic\">Dani\u00ebl Lakens<\/span> (<span style=\"font-style: italic\">Ultrecht University<\/span>) e <span style=\"font-style: italic\">Thomas Schubert<\/span> (<span style=\"font-style: italic\">Instituto Superior de Ci\u00eancias do Trabalho e da Empresa &#8211; Portugal<\/span>) fizeram uma s\u00e9rie de exprimentos super interessantes. O estudo foi publicado no peri\u00f3dico <span style=\"font-style: italic\">Psychological Science<\/span> de Setembro. Basicamente, os pesquisadores estavam interessados em verificar em que medida a no\u00e7\u00e3o de import\u00e2ncia \u00e9 uma no\u00e7\u00e3o corporificada e fundamentada na no\u00e7\u00e3o de peso.<\/p>\n<p>No primeiro estudo, os pesquisadores pediram a um grupo de estudantes que julgassem o valor monet\u00e1rio de v\u00e1rias moedas de v\u00e1rios pa\u00edses. Por exemplo: eles tinham que dizer quantos Euros eram necess\u00e1rios para comprar 200 Ienes, ou 1 Franco Sui\u00e7o, etc.). No entanto, metade dos estudantes responderam ao question\u00e1rio segundo uma prancheta que pesava 675 gramas, enquanto a outra metade segurava uma prancheta pesando 1 quilo.<\/p>\n<p>Surpreendentemente, os pesquisadores encontraram que a m\u00e9dia de valor monet\u00e1rio atribu\u00edda pelos estudantes segurando a prancheta de 1 quilo foi significativamente maior que a m\u00e9dia de valor monet\u00e1rio atribu\u00eddo pelo grupo de estudantes que segurava a prancheta mais leve. Os resultados sugerem que a experi\u00eancia f\u00edsica com a prancheta pesada influenciou o julgamento de valor monet\u00e1rio dos partipantes da pesquisa.<\/p>\n<p>No estudo II, os pesquisadores investigaram a mesma coisa, por\u00e9m com o conceito abstrato de justi\u00e7a. Os participantes tinham que julgar o qu\u00e3o importante eles achavam que era ter a voz ouvida em uma situa\u00e7\u00e3o de tomada de decis\u00e3o. A manipula\u00e7\u00e3o das pranchetas foi a mesma do estudo I. Novamente, os resultados mostraram que o grupo que utilizou a prancheta pesada julgou a participa\u00e7\u00e3o em tomadas de decis\u00f5es como sendo mais importantes que o grupo da prancheta leve.<\/p>\n<p>No estudo III, com a mesma manipula\u00e7\u00e3o, os pesquisadores investigaram em que medida a prancheta pesada influenciaria os participantes a utilizarem estrat\u00e9gias cognitivas mais elaboradas. Para medir o grau de elabora\u00e7\u00e3o, os pesquisadores acessaram o grau de consist\u00eancia entre julgamentos distintos, por\u00e9m relacionados: os participantes tinham que julgar o n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o com (1) administra\u00e7\u00e3o da cidade e (2) n\u00edvel de satisfa\u00e7\u00e3o com o prefeito da cidade.<br \/>\nNovamente, os participantes com a prancheta pesada mostraram uma consist\u00eancia muito maior nos julgamentos do que os participantes da prancheta leve.<\/p>\n<p>O estudo IV foi bem semelhante ao III, no entanto os participantes tinham que indicar o grau de concord\u00e2ncia com uma s\u00e9rie de argumentos relacionados \u00e0 uma constru\u00e7\u00e3o de natureza controversa que estava ocorrendo na cidade na \u00e9poca da coleta de dados. A hip\u00f3tese era de que, os participantes com a prancheta pesada fossem concordar mais com os argumentos &#8220;mais fortes&#8221; e discordar mais dos argumentos &#8220;mais fracos&#8221;. Nesse estudo, os participantes foram entrevistados na rua ao inv\u00e9s do laborat\u00f3rio. Novamente, os resultados foram consistentes com os outros estudantes. Os participantes com a prancheta pesada tenderam a concordar mais com os argumentos positivos mais fortes e discordar mais dos argumentos mais fracos.<\/p>\n<p>Todas as diferen\u00e7as acima foram estatisticamente significativas!<\/p>\n<p>Em conjunto, os resultados sugerem que a experi\u00eancia f\u00edsica com peso parece sim fazer parte da nossa representa\u00e7\u00e3o de conceitos. No final das contas, as for\u00e7as gravitacionais (que t\u00eam papel importante na constitui\u00e7\u00e3o do peso dos objetos) parecem nos afetar muito al\u00e9m das nossas a\u00e7\u00f5es f\u00edsicas. Afetam tamb\u00e9m nossas representa\u00e7\u00f5es mais abstratas.<\/p>\n<p>Nos pr\u00f3ximos <span style=\"font-style: italic\">posts<\/span> vou falar mais de sobre <span style=\"font-style: italic\">Embodied Cognition<\/span> e as pesquisas legais que rolam nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p><span style=\"font-style: italic\">Stay tuned!<\/span> \ud83d\ude09<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold\">Refer\u00eancia:<\/span><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Psychological+science+%3A+a+journal+of+the+American+Psychological+Society+%2F+APS&amp;rft_id=info%3Apmid%2F19686292&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Weight+as+an+embodiment+of+importance.&amp;rft.issn=0956-7976&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=20&amp;rft.issue=9&amp;rft.spage=1169&amp;rft.epage=74&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Jostmann+NB&amp;rft.au=Lakens+D&amp;rft.au=Schubert+TW&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Jostmann NB, Lakens D, &amp; Schubert TW (2009). Weight as an embodiment of importance. <span style=\"font-style: italic\">Psychological science : a journal of the American Psychological Society \/ APS, 20<\/span> (9), 1169-74 PMID: <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/19686292\" rev=\"review\">19686292<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Muitas vezes na vida, precisamos tomar decis\u00f5es importantes. Muitas pessoas n\u00e3o gostam de tomar decis\u00f5es sozinhos e acabam pedindo a opini\u00e3o de amigos e parentes. Temos a intui\u00e7\u00e3o, no entanto, que algumas opini\u00f5es t\u00eam mais peso que outras. Em outras &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2009\/09\/28\/embodied-cognition-i-a-importancia-do-peso\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":552,"featured_media":25,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-24","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/rb2_large_gray9.png","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/552"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=24"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/24\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=24"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=24"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=24"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}