{"id":265,"date":"2012-01-11T18:20:01","date_gmt":"2012-01-12T00:20:01","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=265"},"modified":"2012-01-11T18:20:01","modified_gmt":"2012-01-12T00:20:01","slug":"nao-basta-ser-inteligente-tem-que-saber-pensar-uma-entrevista-com-dr-art-markman","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2012\/01\/11\/nao-basta-ser-inteligente-tem-que-saber-pensar-uma-entrevista-com-dr-art-markman\/","title":{"rendered":"N\u00e3o basta ser inteligente, tem que saber pensar. Uma entrevista com Dr. Art Markman"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2012\/01\/nao-basta-ser-inteligente-tem-que-saber-pensar-uma-entrevista-com-dr-art-markman\/smartthinkingnews\/\" rel=\"attachment wp-att-277\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-277\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews.jpg\" alt=\"\" width=\"151\" height=\"151\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews.jpg 1657w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-1024x1024.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-768x768.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-1536x1536.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-1200x1200.jpg 1200w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 151px) 100vw, 151px\" \/><\/a>No \u00faltimo dia 02 de janeiro, foi lan\u00e7ado nos Estados Unidos o livro <em>Smart Thinking<\/em>. Basicamente um manual de como pensar. O autor do livro, o professor e cientista cognitivo Art Markman, Ph.D., apresenta uma f\u00f3rmula simples que nos ensina a pensar de maneira mais efetiva, produtiva e criativa. O Cognando resolveu bater um papo com o professor Art Markman sobre o livro. Leia na \u00edntegra a entrevista com o professor e concorra a uma c\u00f3pia autografada do livro aqui no Cognando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Cognando:<\/strong> Como surgiu a id\u00e9ia de escrever um livro sobre &#8220;smart thinking&#8221;?<\/p>\n<p><strong>Art Markman:<\/strong> <em>Bom, existe uma gama de aspectos que contribu\u00edram para o livro. Primeiro, faz mais ou menos 10 anos que eu venho tentando trazer a ci\u00eancia cognitiva para o p\u00fablico geral. Nos \u00faltimos 20 anos como pesquisador, eu escrevi uma gama de artigos cient\u00edficos que tem basicamente como p\u00fablico-alvo outros cientistas. No entanto, eu tenho a sensa\u00e7\u00e3o de que nossa \u00e1rea j\u00e1 sabe bastante. O que precisamos fazer agora \u00e9 levar esse conhecimento para o p\u00fablico fora da academia. Assim, eu passei os \u00faltimos 10 anos pensando em maneiras de fazer com que esse conhecimento se difunda mais amplamente. Ent\u00e3o, esse \u00e9 um aspecto que motivou o livro. E na tentativa de difundir esse conhecimento, eu comecei a trabalhar como consultor em algumas empresas. \u00c9 muito claro, no contexto de algumas empresas, que algumas pessoas s\u00e3o pagas para pensar. No entanto, raramente oferecemos \u00e0 essas pessoas as ferramentas que eles precisam para poder pensar de maneira efetiva. Eu ent\u00e3o comecei a oferecer workshops e aulas que ensinavam as pessoas a pensarem de maneira mais efetiva. Grande parte do conte\u00fado desse livro surgiu a partir de uma dessas aulas. Obviamente ele n\u00e3o \u00e9 id\u00eantico \u00e0 aula, mas \u00e9 muito semelhante no seu cerne.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Muita gente acha que &#8220;saber pensar&#8221; e &#8220;ser inteligente&#8221; s\u00e3o a mesma coisa. No livro, voc\u00ea fala que essas s\u00e3o duas coisas diferentes. Voc\u00ea pode falar um pouco sobre essa diferen\u00e7a?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>Sim, s\u00e3o coisas diferentes. Nos \u00faltimos, vamos dizer, 100 anos, o nosso foco tem sido em &#8220;ser inteligente&#8221; ao inv\u00e9s de ser em &#8220;saber como pensar&#8221;. E isso acontece porque a gente sempre quer ser capaz de mensurar as coisas. E se a gente quer ser capaz de medir se as pessoas sabem pensar, sem necessariamente conhecer o que elas j\u00e1 sabem, a \u00fanica forma de fazer isso \u00e9 usando problemas que as pessoas s\u00e3o capazes de resolver sem que o conhecimento e a experi\u00eancia que ela j\u00e1 possui seja relevante. Essa \u00e9, na verdade, a base dos testes de intelig\u00eancias que temos hoje. E quando a gente analisa esses testes, a gente percebe que realmente existe uma variabilidade nas notas que as pessoas tiram nessas tarefas altamente abstratas, que parecem mais um desses jogos de pergunta-e-resposta que jogamos em festas e reuni\u00f5es com amigos. O problema, no entanto, \u00e9 que se voc\u00ea analisar o que realmente significa ser bem-sucedido, criativo e inovador no mundo de hoje, voc\u00ea vai descobrir que as notas que as pessoas tiram nesses testes de intelig\u00eancia s\u00e3o p\u00e9ssimas para prever quem vai ser ou n\u00e3o bem-sucedido, criativo ou inovador. Por a\u00ed, a gente v\u00ea que existe uma distin\u00e7\u00e3o entre essas duas coisas. E ent\u00e3o, a pergunta que nos fazemos \u00e9: o que realmente faz com que as pessoas sejam bem-sucedidas, criativas e inovadoras? E isso tem muito mais a ver com o conhecimento que as pessoas t\u00eam do que com a capacidade de racioc\u00ednio abstrato, que \u00e9 exatamente o que a gente mede nos testes de intelig\u00eancia.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Isso quer dizer ent\u00e3o que qualquer um pode &#8220;aprender a pensar&#8221; de maneira efetiva. E no livro voc\u00ea nos ensina a fazer isso a partir de uma f\u00f3rmula simples. Fale um pouco dessa f\u00f3rmula.<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>A f\u00f3rmula \u00e9 simples e envolve tr\u00eas aspectos. Primeiro: \u00e9 preciso criar h\u00e1bitos inteligentes, segundo: \u00e9 preciso desenvolver conhecimento de alta qualidade e terceiro: \u00e9 necess\u00e1rio usar esse conhecimento sempre que precisarmos. Vamos falar de cada um desses aspectos separadamente. H\u00e1bitos s\u00e3o aquelas coisas que fazemos no nosso dia-a-dia. N\u00f3s passamos grande parte da nossa vida fazendo coisas que n\u00e3o precisamos pensar muito para fazer. E isso \u00e9 uma coisa boa. \u00c9 bom que a gente n\u00e3o tenha que pensar onde est\u00e1 o interruptor da luz do banheiro, onde fica o freio e o acelerador quando dirigimos, o que fazemos geralmente quando acordamos, etc. Todas essas coisas s\u00e3o coisas que queremos fazer automaticamente, sem ter que pensar. E no decorrer da nossa forma\u00e7\u00e3o, n\u00f3s criamos um monte de h\u00e1bitos sobre como pensar. E nem todos esses h\u00e1bitos s\u00e3o bons e efetivos para o nosso dia-a-dia. Assim, o que devemos fazer \u00e9 criar h\u00e1bitos que promovam um pensar que seja efetivo e funcional. O segundo ponto da f\u00f3rmula diz que esses h\u00e1bitos devem nos auxiliar na maximiza\u00e7\u00e3o da qualidade do conhecimento que temos. Todas as pessoas que n\u00f3s consideramos que &#8220;sabem pensar&#8221; t\u00eam uma coisa em comum: eles sabem muito sobre como as coisas no mundo funcionam. \u00c9 imposs\u00edvel resolver um problema quando n\u00e3o sabemos como as coisas funcionam. N\u00e3o importa qual seja o problema. Seja ele consertar seu carro, desenvolver um produto que faz com que nosso cora\u00e7\u00e3o funcione melhor ou at\u00e9 mesmo encontrar uma forma de fazer o consumidor escolher o seu produto. Em todos esses casos, para resolver o problema, voc\u00ea precisa saber bastante coisa sobre a \u00e1rea com a qual voc\u00ea est\u00e1 atuando, e saber como as coisas nesse campo funcionam. Isso \u00e9 o que eu chamo de conhecimento de alta qualidade. O terceiro ponto, tem a ver com o uso desse conhecimento sempre que precisamos. O mais dif\u00edcil dessa parte \u00e9 que, por defini\u00e7\u00e3o, toda vez que a gente est\u00e1 tentando fazer algo inovador, estamos na verdade tentando fazer algo que ningu\u00e9m nunca fez antes. O que quer dizer que ningu\u00e9m nunca resolveu o mesmo problema que voc\u00ea est\u00e1 tentando resolver. Mas o que acontece na maioria das vezes \u00e9 que o problema que est\u00e1 voc\u00ea est\u00e1 tentando resolver j\u00e1 foi resolvido, mas em alguma outra arena. Por exemplo, no livro, eu falo do empreendedor James Dyson. Ele criou uma empresa de aspiradores de p\u00f3 que produz aspiradores que n\u00e3o precisam de um filtro. Dyson estava completamente insatisfeito com a id\u00e9ia de que, com o tempo, os filtros entupiam e a capacidade de suc\u00e7\u00e3o do aspirador de p\u00f3 ca\u00eda consideravelmente. Ao inv\u00e9s de tentar inventar um filtro que funcionasse melhor, ele se perguntou: &#8220;qual \u00e9 o problema que um filtro em um aspirador de p\u00f3 est\u00e1 tentando resolver?&#8221; E a resposta para essa pergunta \u00e9 simples: basicamente, o que o filtro faz \u00e9 separar a sujeira do ar. O aspirador coleta uma combina\u00e7\u00e3o de sujeira e ar, e o filtro deve fazer a separa\u00e7\u00e3o dessa combina\u00e7\u00e3o. Assim, ao inv\u00e9s de tentar inventar um filtro melhor, ele pensou em outras \u00e1reas que supostamente enfrentam o mesmo problema (separar sujeira do ar). Ele ent\u00e3o descobriu que serrarias t\u00eam o mesmo problema. Elas precisam separar a &#8220;serragem&#8221; do ar. E para fazer isso, as serrarias utilizam o que chamamos de &#8220;ciclone industrial&#8221; para fazer essa separa\u00e7\u00e3o. Dyson ent\u00e3o resolveu construir um ciclone industrial em miniatura dentro de um aspirador de p\u00f3. E com isso, ele inventou um novo conceito de aspirador de p\u00f3 e tem hoje um dos neg\u00f3cios mais bem-sucedidos nos Estados Unidos.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Voc\u00ea diz que \u00e9 importante criar h\u00e1bitos inteligentes. Mas muitos de n\u00f3s t\u00eam um monte de h\u00e1bitos ruins. Por que \u00e9 t\u00e3o dif\u00edcil eliminar esses h\u00e1bitos ruins?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>Uma coisa que a maioria das pessoas n\u00e3o sabem \u00e9 que h\u00e1bitos s\u00e3o na verdade parte da nossa mem\u00f3ria. Em outras palavras, seus h\u00e1bitos s\u00e3o mem\u00f3rias de a\u00e7\u00f5es que voc\u00ea executou no passado e que voc\u00ea vai executar novamente no futuro. Essas a\u00e7\u00f5es podem ser a\u00e7\u00f5es f\u00edsicas ou a\u00e7\u00f5es mentais. E uma coisa que \u00e9 imposs\u00edvel de fazer \u00e9 &#8220;parar a nossa mem\u00f3ria&#8221;. Isso quer dizer que \u00e9 dif\u00edcil n\u00e3o executar a\u00e7\u00f5es que executamos no passado. O que voc\u00ea deve fazer para mudar seus h\u00e1bitos \u00e9 &#8220;atrapalhar&#8221; essas mem\u00f3rias de alguma forma. Existem v\u00e1rias maneiras que voc\u00ea pode fazer isso: por exemplo, para evitar que essa mem\u00f3ria venha \u00e0 tona, voc\u00ea pode mudar o seu ambiente, de maneira que as pistas que trazem essas mem\u00f3rias \u00e0 tona sejam eliminadas. Mudando um pouco o seu ambiente, voc\u00ea faz com que certas a\u00e7\u00f5es passem a ser irrelevantes no novo ambiente. Uma alternativa \u00e9 tentar fazer uma nova associa\u00e7\u00e3o entre o seu ambiente e uma nova a\u00e7\u00e3o. Na maioria das vezes, as pessoas t\u00eam dificuldades para mudar um h\u00e1bito ruim, como por exemplo, parar de fumar ou parar de comer muito, simplesmente porque elas tentam substituir o h\u00e1bito ruim por nada. E voc\u00ea n\u00e3o pode substituir alguma coisa por nada. Voc\u00ea deve substituir um comportamento com algum outro comportamento.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Voc\u00ea diz que \u00e9 importante saber como as coisas funcionam. Mas, c\u00e1 pra n\u00f3s, \u00e9 imposs\u00edvel saber tudo sobre tudo. \u00c9 imposs\u00edvel ser <em>expert<\/em> em tudo. Al\u00e9m disso, \u00e9 imposs\u00edvel lembrar de tudo que sabemos o tempo todo. Como lidar com essas limita\u00e7\u00f5es e ainda pensar de maneira efetiva?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>\u00c9 verdade. N\u00e3o tem jeito de ser um expert em tudo. Em contrapartida, \u00e9 poss\u00edvel aumentar a quantidade de conhecimento que voc\u00ea extrai das suas experi\u00eancias. Por exemplo, todos n\u00f3s assistimos aulas, participamos de reuni\u00f5es, assistimos programas de TV que tem algum valor educativo ou lemos revistas e artigos para saber das coisas. E em cada um desses exemplos, se voc\u00ea n\u00e3o presta aten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o l\u00ea cuidadosamente, ou n\u00e3o tenta explicar para voc\u00ea mesmo aquilo que voc\u00ea acabou de aprender, voc\u00ea simplesmente perde uma oportunidade de aprender alguma coisa que voc\u00ea pode vir a precisar mais tarde, em alguma outra situa\u00e7\u00e3o. Ou seja, apesar de n\u00e3o ser poss\u00edvel ser um expert em tudo, voc\u00ea pode sim maximizar as oportunidades de aprendizado presentes nas situa\u00e7\u00f5es que voc\u00ea encontra. Uma das maneiras mais fac\u00e9is de fazer isso \u00e9 evitar fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo Evitar o que a gente chama de multitasking. Um dos h\u00e1bitos ruins que muitos de n\u00f3s temos, especialmente agora com a presen\u00e7a de smartphones, iPads, bate-papos, emails ou qualquer aparelho que nos conecta \u00e0 Internet, \u00e9 que n\u00f3s n\u00e3o maximizamos o tempo que a gente gasta para aprender coisas novas. Isso por que estamos constantemente dividindo nossa aten\u00e7\u00e3o entre o que estamos tentando aprender e todas essas outras coisas que sempre parecem importantes para n\u00f3s. Para melhorar a qualidade do conhecimento que adquirimos basta evitar fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo. Se est\u00e1 em uma reuni\u00e3o, desligue o celular, desconecte o iPad da Internet, n\u00e3o responda \u00e0 nenhuma mensagem de texto, etc. S\u00f3 assim voc\u00ea vai ser capaz de aumentar a qualidade do conhecimento que adquire.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Eu quero voltar nesse ponto sobre &#8220;fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo&#8221;, mas antes quero te perguntar sobre a import\u00e2ncia de sempre fazer analogias. Voc\u00ea fala sobre isso no livro. Por que \u00e9 importante sempre buscar analogias para explicar as coisas?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>Imagine que voc\u00ea esteja querendo resolver um problema. Se alguma outra pessoa j\u00e1 tiver resolvido exatamente o mesmo problema que voc\u00ea est\u00e1 tentando resolver, ent\u00e3o voc\u00ea n\u00e3o tem nenhum problema. Basta que voc\u00ea repita a solu\u00e7\u00e3o que a pessoa tem. E muita coisa na nossa vida \u00e9 assim. A gente n\u00e3o precisa descobrir como limpar os nossos dentes, pois algu\u00e9m j\u00e1 descobriu. Existe um procedimento para isso. At\u00e9 mesmo para coisas mais complicadas isso acontece. Se voc\u00ea n\u00e3o estiver se sentindo bem, simplesmente v\u00e1 ao m\u00e9dico que ele certamente vai reconhecer os sintomas e oferecer uma solu\u00e7\u00e3o para o seu problema. No entanto, quando o conhecimento que as pessoas t\u00eam sobre um determinado problema acaba, de maneira que n\u00e3o temos uma solu\u00e7\u00e3o para o problema, existem apenas duas maneiras de resolver o impasse. Voc\u00ea desenvolve uma pesquisa espec\u00edfica sobre o problema. Muitas empresas fazem isso. Grandes empresas t\u00eam equipes respons\u00e1veis em pesquisar e desenvolver solu\u00e7\u00f5es para determinados problemas. Mas esse \u00e9 um processo demorado, que consome muita energia. E \u00e0s vezes voc\u00ea tem que fazer isso mesmo, pois o conhecimento necess\u00e1rio para resolver o problema simplesmente n\u00e3o existe. Mas, para resolver um problema de maneira mais r\u00e1pida, \u00e9 preciso reconhecer que provavelmente algu\u00e9m, em algum lugar e em um outro dom\u00ednio, j\u00e1 resolveu um problema parecido. E o que voc\u00ea precisa fazer \u00e9 encontrar essa solu\u00e7\u00e3o, mesmo que ela seja superficialmente diferente do que voc\u00ea procura. Por exemplo, se voc\u00ea est\u00e1 tentando criar uma maneira de acabar com as pestes da seu jardim sem no entanto matar tamb\u00e9m a grama, as flores, etc. e j\u00e1 n\u00e3o tem mais nenhuma id\u00e9ia de como fazer isso, o que voc\u00ea precisa fazer \u00e9 se perguntar: &#8220;qual \u00e9 realmente o problema que eu estou tentando resolver?&#8221;. Assim, voc\u00ea vai come\u00e7ar a perceber que o que realmente voc\u00ea est\u00e1 tentando fazer \u00e9 evitar o que a gente chama de &#8220;efeito colateral&#8221;. Basicamente a id\u00e9ia \u00e9 que voc\u00ea quer evitar destruir as coisas boas junto com as coisas ruins. Se voc\u00ea pensa no problema nesses termos, voc\u00ea vai logo perceber que muita gente, em outros dom\u00ednios, j\u00e1 teve que lidar com essa quest\u00e3o de &#8220;efeito colateral&#8221;. O pr\u00f3prio termo vem de um dom\u00ednio diferente. Pessoas que pintam cabelo, por exemplo, enfretam o problema de pintar o cabelo sem pintar a pele da pessoa, ou o ch\u00e3o. Em medicina, os m\u00e9dicos enfretam o problema de como criar um mecanismo que destr\u00f3i tecidos cancerosos sem destruir os tecidos n\u00e3o-cancerosos. Basicamente, esses grupos est\u00e3o tentando resolver o mesmo tipo de problema. \u00c9 poss\u00edvel que se voc\u00ea analisar o estilo das solu\u00e7\u00f5es que essas pessoas chegaram para o problema delas, voc\u00ea tenha algum insight sobre como resolver o seu problema.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Voltando \u00e0 quest\u00e3o de &#8220;fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo&#8221;, voc\u00ea diz que isso \u00e9 ruim. Eu, particularmente, acho que esse \u00e9 o h\u00e1bito ruim mais dif\u00edcil de ser eliminado. Ainda mais hoje em dia com toda essa gama de informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na Internet. A Internet \u00e9 altamente atrativa para esse tipo de coisa. Voc\u00ea est\u00e1 lendo um texto, da\u00ed chega um email com um link para um v\u00eddeo do YouTube, voc\u00ea assiste ao v\u00eddeo, e esse v\u00eddeo te leva a assistir outro que te leva a pesquisar sobre algum assunto tratado no v\u00eddeo, etc. Quando voc\u00ea percebe, j\u00e1 gastou 30 minutos fazendo mais de 10 coisas ao mesmo tempo. Como lidar, de maneira inteligente, com essa tenta\u00e7\u00e3o que \u00e9 a internet?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>\u00d3tima pergunta! Voc\u00ea est\u00e1 certo. A Internet est\u00e1 cheia de armadilhas que nos distraem o tempo todo e acabamos fazendo mais coisas do que t\u00ednhamos planejado. Mas existem algumas coisas que voc\u00ea pode fazer para evitar isso. A primeira \u00e9 simples: fique longe da Internet quando voc\u00ea n\u00e3o precisa de Internet. Por exemplo, se voc\u00ea precisa ler um artigo, fa\u00e7a isso em um lugar onde Internet n\u00e3o esteja dispon\u00edvel. Se voc\u00ea precisa escrever alguma coisa, desconecte seu email, feche os navegadores de Internet, desligue seu smartphone. Assim, voc\u00ea n\u00e3o ser\u00e1 tentado a checar seu email ou a usar a Internet. Crie um o\u00e1sis onde voc\u00ea n\u00e3o tem nenhuma tecnologia por perto. Isso \u00e9 uma coisa que voc\u00ea pode fazer. Se por algum motivo, voc\u00ea se for sugado por um tanto de emails &#8212; que te levam a checar o seu Facebook e que ent\u00e3o te leva a assistir um punhado de v\u00eddeos de gatos na Internet, etc. &#8212; uma coisa que eu sempre sugiro \u00e0s pessoas \u00e9: coloque um cron\u00f4metro na sua mesa. Toda vez que precisar procurar alguma coisa na Internet, coloque o cron\u00f4metro para contar 5 minutos. Quando o alarme do cron\u00f4metro disparar, se voc\u00ea estiver lendo algo relevante ao que estava procurando, \u00f3timo. Caso contr\u00e1rio, o que o cron\u00f4metro fez foi lembr\u00e1-lo de que est\u00e1 na hora de voltar ao trabalho. E com o tempo, voc\u00ea vai come\u00e7ar a desenvolver um &#8220;cron\u00f4metro interno&#8221; que mesmo quando voc\u00ea esquecer de programar o cron\u00f4metro externo, voc\u00ea vai perceber mais rapidamente que precisa voltar ao trabalho.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Parece que a gente tem todas as ferramentas necess\u00e1rias para saber pensar. Ainda assim, n\u00e3o o fazemos. Por que somos t\u00e3o incompetentes nessa tarefa?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>Eu n\u00e3o acho que sejamos incompetentes nessa tarefa. Mas eu acho sim que podemos melhorar. E talvez a gente seja sim incompetentes, mas apenas por que sabemos muito pouco sobre o funcionamento da nossa mente. \u00c9 imposs\u00edvel ser um bom cozinheiro sem saber sobre como os diferentes sabores dos alimentos se misturam. \u00c9 imposs\u00edvel construir uma ponte confi\u00e1vel sem saber alguma coisa sobre f\u00edsica. Voc\u00ea n\u00e3o vai conseguir consertar um carro se n\u00e3o souber nada sobre como um motor de carro funciona. Mas a gente est\u00e1 sempre pedindo \u00e0s pessoas que elas &#8220;pensem&#8221;, sem ensinar qualquer coisa sobre como a mente funciona. Sempre temos que confiar nas coisas que as outras pessoas nos dizem. Ent\u00e3o, saber como a mente funciona pode sim nos ajudar a pensar de maneira mais efetiva. Uma das coisas que eu tento fazer no livro \u00e9 promover o &#8220;pensar&#8221; ao te &#8220;ensinar a pensar&#8221;. O livro est\u00e1 dividido em uma parte que te ensina sobre a ci\u00eancia por tr\u00e1s de como a mente funciona e uma outra parte que te d\u00e1 dicas de como utilizar essa ci\u00eancia e esse conhecimento para pensar de maneira mais efetiva. A id\u00e9ia \u00e9 que voc\u00ea pode utilizar essas dicas e, se voc\u00ea entender como a mente funciona, voc\u00ea pode adptar essas dicas de forma que elas funcionem para voc\u00ea particularmente.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Voc\u00ea acha que Psicologia deveria fazer parte do curriculum da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>Sim. Acho que sim. Parte do curriculum que utilizamos at\u00e9 hoje na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica foi criado no final do s\u00e9culo XIX. Nessa \u00e9poca, as ci\u00eancias que decidimos que teriam que ser ensinadas foram Biologia, Qu\u00edmica e F\u00edsica. Essas s\u00e3o disciplinas importantes. Eu adoro e acho que n\u00e3o dever\u00edamos parar de estuda-las nas escolas. Mas, 120 anos atr\u00e1s, Psicologia ainda n\u00e3o era uma ci\u00eancia madura. Ela estava apenas come\u00e7ando a sua jornada como ci\u00eancia. Cento e vinte anos depois, no entanto, j\u00e1 sabemos muito sobre o funcionamento da mente, e as pessoas devem come\u00e7ar a tirar proveito desse conhecimento. Eu sou sim a favor da integra\u00e7\u00e3o da Psicologia no curriculum da educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> E o livro vai sair no Brasil?<\/p>\n<p><strong>AM:<\/strong> <em>Isso seria fant\u00e1stico. Eu adoraria.<\/em><\/p>\n<p><strong>C:<\/strong> Obrigado, Art!<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2012\/01\/nao-basta-ser-inteligente-tem-que-saber-pensar-uma-entrevista-com-dr-art-markman\/art_markman\/\" rel=\"attachment wp-att-282\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-282\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/Art_Markman.jpg\" alt=\"\" width=\"94\" height=\"113\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/Art_Markman.jpg 619w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/Art_Markman-248x300.jpg 248w\" sizes=\"(max-width: 94px) 100vw, 94px\" \/><\/a>Art Markman \u00e9 professor de Psicologia e Marketing na Universidade do Texas em Austin. Art j\u00e1 publicou mais de 125 artigos cient\u00edficos e \u00e9 o editor-chefe do peri\u00f3dico <em>Cognitive Science<\/em> desde 2006. Art atua tamb\u00e9m como consultor em empresas como Procter &amp; Gamble, faz parte do comit\u00ea cient\u00edfico do programa de televis\u00e3o Dr.Phil e tem um blog no site <a href=\"http:\/\/www.psychologytoday.com\/blog\/ulterior-motives\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Psychology Today<\/a>. Voc\u00ea pode acompanhar os trabalhos do professor Art Markman pelo seu <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/abmarkman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/artmarkman\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a>.<\/p>\n<p>O Cognando, agora oficialmente parte do <a href=\"http:\/\/www.scienceblogs.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">ScienceBlogs Brasil<\/a>, ir\u00e1 sortear uma c\u00f3pia autografada do livro <em>Smart Thinking<\/em>. Para concorrer, basta seguir o Cognando pelo <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cognando\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cognando\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a> ou <a href=\"https:\/\/plus.google.com\/b\/116765862286813546775\/116765862286813546775\/posts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Google+<\/a> e preencher o seguinte <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/spreadsheet\/viewform?formkey=dG82QWtDQVNHVHRPM3M5c3pBcmFBTmc6MQ\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">formul\u00e1rio online<\/a>. O sorteio ser\u00e1 realizado no dia 4 de fevereiro de 2012. Participe!<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No \u00faltimo dia 02 de janeiro, foi lan\u00e7ado nos Estados Unidos o livro Smart Thinking. Basicamente um manual de como pensar. O autor do livro, o professor e cientista cognitivo Art Markman, Ph.D., apresenta uma f\u00f3rmula simples que nos ensina &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2012\/01\/11\/nao-basta-ser-inteligente-tem-que-saber-pensar-uma-entrevista-com-dr-art-markman\/\">Continue lendo <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":552,"featured_media":277,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"class_list":["post-265","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/01\/SmartThinkingNews.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/users\/552"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=265"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/265\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/media\/277"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=265"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=265"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=265"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}