{"id":430,"date":"2012-03-22T20:00:07","date_gmt":"2012-03-23T02:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=430"},"modified":"2012-03-22T20:00:07","modified_gmt":"2012-03-23T02:00:07","slug":"o-efeito-qwerty-na-versao-da-psicologia-cognitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2012\/03\/22\/o-efeito-qwerty-na-versao-da-psicologia-cognitiva\/","title":{"rendered":"O &#8220;Efeito QWERTY&#8221; na vers\u00e3o da Psicologia Cognitiva."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2012\/03\/o-efeito-qwerty-na-versao-da-psicologia-cognitiva\/type\/\" rel=\"attachment wp-att-432\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-432 alignleft\" alt=\"\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/03\/type.jpg\" width=\"242\" height=\"282\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/03\/type.jpg 302w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/03\/type-257x300.jpg 257w\" sizes=\"(max-width: 242px) 100vw, 242px\" \/><\/a>Ontem eu estava conversando com uma amiga via bate-papo do Gmail quando ela me fez a seguinte pergunta: &#8220;<em>Andr\u00e9, voc\u00ea ainda escreve, assim, com l\u00e1pis\/caneta e papel?<\/em>&#8221; Fiz cara de<a href=\"http:\/\/omgface.com\/verysad\/Will%20Smith%20wtf1.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"> what??<\/a>, mas logo entendi o que ela quis dizer. Na verdade, quase n\u00e3o escrevo mais. A maior parte da minha produ\u00e7\u00e3o ling\u00fc\u00edstica \u00e9, sem d\u00favidas, &#8220;digitada&#8221;. E isso \u00e9 verdade para um tanto de gente. Com a prolifera\u00e7\u00e3o absurda de <em>smartphones<\/em>, <em>tablets<\/em> e coisas do g\u00eanero, as intera\u00e7\u00f5es se d\u00e3o cada vez mais em meio virtual. Observe, por exemplo, a agilidade com a qual as pessoas geralmente digitam tanto no computador, quanto no celular (ou <em>tablets<\/em>).<\/p>\n<p>Eu sou do tempo que se fazia aula de datilografia. Lembro de &#8220;datilografar&#8221; <em>ASDFG<\/em>, <em>\u00c7LKJH<\/em> umas 300 vezes (e sem olhar para as teclas). Quem usou m\u00e1quinas de escrever (que por sinal \u00e9 uma inven\u00e7\u00e3o simplesmente fant\u00e1stica) sabe que, quando se digitava muito r\u00e1pido, algumas letras se &#8220;engastalhavam&#8221; e era preciso separar essas letrinhas manualmente. Logo quando inventaram a m\u00e1quina de escrever, a coisa era bem pior. As teclas eram organizadas de maneira alfab\u00e9tica o que facilitava (e muito) o <em>engastalhamento<\/em> das letras. Da\u00ed Remington, uma empresa que produzia m\u00e1quinas de escrever, comprou um novo modelo de disposi\u00e7\u00e3o das teclas que foi feito exatamente para separar aqueles pares de letras que ocorriam com muita frequ\u00eancia. Esse novo modelo de disposi\u00e7\u00e3o das teclas \u00e9 utilizado at\u00e9 hoje e \u00e9 chamado de QWERTY (o nome vem das seis primeiras letras da primeira fileira de letras do seu teclado). Aposto que voc\u00ea parou a leitura s\u00f3 pra conferir&#8230; \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Mas o que esse modelo QWERTY tem a ver com Psicologia Cognitiva? Bom, senta que l\u00e1 vem a hist\u00f3ria: <em>Daniel Casasanto<\/em> e <em>Kyle Jamin,\u00a0<\/em>quando estavam ainda no <a href=\"http:\/\/www.mpi.nl\/deutsch\/wer-sind-wir\">Instituto Max Planck de Psicoling\u00fc\u00edstica<\/a>, observaram que o modelo QWERTY \u00e9 assim\u00e9trico e tem mais letras do lado esquerdo do que do lado direito. Assim, as chances de se &#8220;errar&#8221; ao digitar \u00e9 muito maior do lado esquerdo do que do lado direito (mais letras, mais chances de acertar a letra que voc\u00ea n\u00e3o quer). E por isso, segundo eles, existe uma disflu\u00eancia maior do lado esquerdo do teclado do que do lado direito do teclado. Existem v\u00e1rios estudos mostrando que informa\u00e7\u00f5es processadas com menos flu\u00eancia s\u00e3o vistas mais negativamente pelas pessoas (se voc\u00ea mostrar pra algu\u00e9m uma foto de um carro preto em um fundo branco e uma outra foto do mesmo carro preto em um fundo cinza escuro, as pessoas ir\u00e3o preferir o carro preto em um fundo branco, pois o contraste \u00e9 maior o que faz a percep\u00e7\u00e3o visual ser melhor).<\/p>\n<p>Assim, <em>Daniel<\/em> e <em>Kyle<\/em> resolveram ver se as palavras que t\u00eam mais letras do lado direito do teclado (consequentemente digitadas com mais flu\u00eancia) s\u00e3o vistas pelas pessoas como palavras mais positivas. Para isso, eles utilizaram mais de 1000 palavras de um banco de dados conhecido como ANEW (<em>Affective Norms for English Words<\/em>) e que tem vers\u00f5es em espanhol (SPANEW) e em dinamarqu\u00eas (DANEW). Eles deram essas palavras para um grupo de pessoas para que elas julgassem se as palavras eram &#8220;positivas&#8221; ou &#8220;negativas&#8221;. Os resultados mostraram que as palavras que t\u00eam mais letras do lado direito s\u00e3o vistas mais positivamente do que as palavras que t\u00eam mais letras do lado esquerdo. O mais interessante \u00e9 que esse efeito foi mais forte quando eles fizeram a mesma coisa com palavras que foram cunhadas ap\u00f3s a inven\u00e7\u00e3o desse modelo de teclado. E mais forte ainda para termos t\u00edpicos da internet como ttyl (<em>talk to you later<\/em>), brb (<em>be right back<\/em>) e lol (<em>laughing out loud<\/em>). O mesmo efeito foi encontrado tamb\u00e9m quando eles fizeram o mesmo teste com pseudo-palavras (palavras inventadas, tipo: <em>pleek<\/em>, <em>pook<\/em>, <em>plake<\/em>).<\/p>\n<p>Obviamente n\u00e3o se pode tirar nenhum tipo de conclus\u00e3o sobre a causa desse efeito a partir desse estudo somente. Os resultados sugerem que a val\u00eancia das palavras tem uma correla\u00e7\u00e3o grande com a posi\u00e7\u00e3o das letras no teclado do modelo QWERTY, o que supostamente pode afetar o significado que atribu\u00edmos \u00e0s palavras, e que quando cunhamos palavras novas, a depender de onde a maioria das letras dessa palavra se encontram no teclado, elas ter\u00e3o sua val\u00eancia modificada. Se isso \u00e9 um resultado convincente ou n\u00e3o, eu n\u00e3o sei. A \u00fanica coisa que eu sei \u00e9 que o termo que eles utilizaram para nomear o efeito &#8212; QWERTY Effect &#8212; tem 12 letras: 11 do lado esquerdo e 1 do lado direito.<\/p>\n<p>N\u00e3o deixe de acompanhar o Cognando pelo <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cognando\">Facebook<\/a>, <a href=\"https:\/\/plus.google.com\/u\/0\/b\/116765862286813546775\/116765862286813546775\/posts\">Google+<\/a> e <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cognando\">Twitter<\/a>.<\/p>\n<p><em>Refer\u00eancia<\/em><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Psychonomic+Bulletin+%26+Review&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.3758%2Fs13423-012-0229-7&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=The+QWERTY+Effect%3A+How+typing+shapes+the+meanings+of+words.&amp;rft.issn=1069-9384&amp;rft.date=2012&amp;rft.volume=&amp;rft.issue=&amp;rft.spage=&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.springerlink.com%2Findex%2F10.3758%2Fs13423-012-0229-7&amp;rft.au=Jasmin%2C+K.&amp;rft.au=Casasanto%2C+D.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Jasmin, K., &amp; Casasanto, D. (2012). The QWERTY Effect: How typing shapes the meanings of words. <span style=\"font-style: italic\">Psychonomic Bulletin &amp; Review<\/span> DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.3758\/s13423-012-0229-7\" rev=\"review\">10.3758\/s13423-012-0229-7<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ontem eu estava conversando com uma amiga via bate-papo do Gmail quando ela me fez a seguinte pergunta: &#8220;Andr\u00e9, voc\u00ea ainda escreve, assim, com l\u00e1pis\/caneta e papel?&#8221; Fiz cara de what??, mas logo entendi o que ela quis dizer. 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