{"id":495,"date":"2012-09-23T12:12:02","date_gmt":"2012-09-23T18:12:02","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=495"},"modified":"2012-09-23T12:12:02","modified_gmt":"2012-09-23T18:12:02","slug":"toto-so-ajuda-se-interesse-dele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2012\/09\/23\/toto-so-ajuda-se-interesse-dele\/","title":{"rendered":"O Tot\u00f3 s\u00f3 ajuda se for do interesse dele!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2012\/09\/toto-so-ajuda-se-interesse-dele\/dog\/\" rel=\"attachment wp-att-496\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-496 alignright\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/09\/dog.jpeg\" alt=\"\" width=\"266\" height=\"204\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/09\/dog.jpeg 444w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/09\/dog-300x230.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 266px) 100vw, 266px\" \/><\/a>A cachorrinha da minha m\u00e3e est\u00e1 muito rebelde. Segundo a minha m\u00e3e, de uns dias pra c\u00e1, deu pra fazer xixi onde n\u00e3o deve. Minha m\u00e3e disse que j\u00e1 conversou v\u00e1rias vezes com ela, mas n\u00e3o adianta. &#8220;<em>Ela est\u00e1 com ci\u00fames da Gabriela<\/em>&#8220;, disse minha m\u00e3e. Gabriela \u00e9 a gatinha nova da casa. As duas n\u00e3o combinam de jeito nenhum. Brigam igual <del>gato e cachorro<\/del> dois irm\u00e3os. Seria um caso e tanto para Cesar Millan &#8212; a supernanny do mundo canino &#8212; &#8220;resolver&#8221;.<\/p>\n<p>Tem muita gente que trata cachorros como se eles fossem seres humanos. Brinca, passeia, conversa, ensina coisas novas (e testa o bichinho pra ver se ele aprendeu de verdade), etc. H\u00e1 at\u00e9 quem acredite que cachorros t\u00eam linguagem que nem a gente e entendem perfeitamente tudo que a gente fala e faz. Uma vez, vi uma pessoa perguntar ao cachorro se ele havia visto onde ela havia colocado o CD do Tim Maia. O cachorro latiu e ela agradeceu. Mas ser\u00e1 que \u00e9 assim mesmo? Ser\u00e1 que todo Tot\u00f3 \u00e9 um tipo de\u00a0<em>Perry the Platypus<\/em>\u00a0disfar\u00e7ado de cachorro pra poder dormir o dia inteiro e ainda comer de gra\u00e7a?<\/p>\n<p>O <em>Encantador de C\u00e3es<\/em> n\u00e3o mostra, mas existe muita pesquisa que investiga a cogni\u00e7\u00e3o canina. Apesar de ser mais f\u00e1cil e conveniente pensar que eles pensam como a gente, v\u00e1rias pesquisas mostram que os Tot\u00f3s da vida t\u00eam uma forma muito particular pensar. T\u00e1 certo que eles &#8220;entendem&#8221; certos gestos, olhares e at\u00e9 mesmo comandos de voz. Mas ser\u00e1 que cognitivamente eles organizam esse conhecimento da forma que a gente faz? Uma crian\u00e7a pequena, por exemplo, mesmo antes de falar, \u00e9 capaz de comunicar quando est\u00e1 com fome ou quando quer um brinquedo espec\u00edfico. Ela tamb\u00e9m \u00e9 capaz de identificar quando precisamos de alguma coisa e, geralmente, nos auxilia no que precisamos. Explico: imagina que a crian\u00e7a saiba onde est\u00e1 a tesoura, mas voc\u00ea n\u00e3o sabe. Se a crian\u00e7a percebe que voc\u00ea precisa da tesoura, mesmo sem ainda falar, ela \u00e9 capaz de comunicar com voc\u00ea onde est\u00e1 a tesoura (i.e., ela pode apontar, olhar para o local, ou at\u00e9 mesmo engatinhar em dire\u00e7\u00e3o ao local onde a tesoura se encontra). Ser\u00e1 que um cachorro faria o mesmo?<\/p>\n<p>Na verdade, j\u00e1 existe pesquisa mostrando que cachorros conseguem indicar ao dono (atrav\u00e9s de latidos, olhar, pulos, etc.) onde est\u00e1 escondido um peda\u00e7o de comida ou um brinquedo que o cachorro gosta. No entanto, o que as pesquisas mostram \u00e9 que os cachorros apenas indicam o local quando \u00e9 do interesse deles. Ser\u00e1 que o Tot\u00f3 consegue s\u00f3 &#8220;colaborar&#8221; com o dono? Em outras palavras, ser\u00e1 que ele consegue s\u00f3 avisar ao dono onde alguma coisa est\u00e1, mesmo que essa coisa n\u00e3o seja de interesse direto do cachorro?\u00a0<em>Juliane Kaminski<\/em>\u00a0e uma equipe liderada por\u00a0<em>Mike Tomasello<\/em>\u00a0e\u00a0<em>Josep Call<\/em>\u00a0(do Departamento de Psicologia Comparada do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionista) testaram exatamente isso.<\/p>\n<p>Para isso eles fizeram o seguinte: um pesquisador (ou o dono do cachorro) entrava na sala com um objeto do interesse do cachorro. Depois de alguns minutos, o pesquisador se retirava da sala &#8212; deixando o objeto l\u00e1 &#8212; e um outro pesquisador entrava na sala e escondia o objeto. E o cachorro assistindo tudo. Da\u00ed o primeiro pesquisador voltava para a sala e come\u00e7ava a procurar o objeto. A mesma coisa foi feita com um objeto que n\u00e3o era do interesse do cachorro. Os resultados mostraram que, quando o objeto era do interesse do cachorro, esse mostrava para o pesquisador onde o objeto tinha sido escondido. Quando o objeto n\u00e3o era do interesse do cachorro, ele n\u00e3o mostrava nada. Os pesquisadores fizeram ainda um segundo estudo, onde o pesquisador deixava claro para o cachorro a necessidade de utilizar o objeto escondido (por exemplo, o pesquisador mostrava para o cachorro duas folhas de papel e come\u00e7ava a procurar pelo grampeador escondido &#8212; o cachorro obviamente foi treinado antes para saber como um grampeador \u00e9 utilizado). Mesmo com essa necessidade expl\u00edcita, os cachorros n\u00e3o ajudaram o pesquisador encontrar o grampeador.<\/p>\n<p>Apesar de serem considerados &#8220;o melhor amigo do homem&#8221; e de entenderem muitos dos nossos signos lingu\u00edsticos e n\u00e3o-lingu\u00edsticos, os cachorros parecem n\u00e3o agir de maneira muito cooperativa com a gente. Eles parecem se beneficiar da nossa ferramenta comunicativa apenas quando \u00e9 do interesse deles.<\/p>\n<p>Agora, problemas de ci\u00fames, s\u00f3 mesmo o Cesar Millan para resolver! \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Enquanto isso, sigam o Cognando no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cognando\">Twitter<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cognandoo\">Facebook<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/plus.google.com\/116765862286813546775\/posts\">Google+<\/a><\/p>\n<p>Refer\u00eancia:<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Animal+Behavior&amp;rft_id=info%3A%2F&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Dogs%2C+Canis+familiaris%2C+communicate+with+humans+to+request+but+not+to+inform&amp;rft.issn=&amp;rft.date=2011&amp;rft.volume=&amp;rft.issue=82&amp;rft.spage=651&amp;rft.epage=658&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Juliane+Kaminski&amp;rft.au=Martina+Neumann&amp;rft.au=Juliane+Br%C3%A4uer&amp;rft.au=Josep+Call&amp;rft.au=Michael+Tomasello&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Juliane Kaminski, Martina Neumann, Juliane Br\u00e4uer, Josep Call, &amp; Michael Tomasello (2011). 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