{"id":505,"date":"2012-09-25T11:09:48","date_gmt":"2012-09-25T17:09:48","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=505"},"modified":"2012-09-25T11:09:48","modified_gmt":"2012-09-25T17:09:48","slug":"celular-ao-volante-viva-voz-pode","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2012\/09\/25\/celular-ao-volante-viva-voz-pode\/","title":{"rendered":"Celular ao volante: Viva-voz pode?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2012\/09\/celular-ao-volante-viva-voz-pode\/rick_perry\/\" rel=\"attachment wp-att-509\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-509\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/09\/Rick_Perry.jpeg\" alt=\"\" width=\"270\" height=\"211\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/09\/Rick_Perry.jpeg 450w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2012\/09\/Rick_Perry-300x234.jpeg 300w\" sizes=\"(max-width: 270px) 100vw, 270px\" \/><\/a>Conversar no celular e dirigir ao mesmo tempo n\u00e3o pode. Certo? Depende. Morei muitos anos no estado do Texas nos Estados Unidos e, pelas bandas do <em>Rick Perry<\/em>, a coisa \u00e9 no m\u00ednimo esquisita. Conversar no celular enquanto dirige pode. S\u00f3 n\u00e3o pode se:\u00a0(1) voc\u00ea estiver dirigindo pr\u00f3ximo a alguma regi\u00e3o escolar em hor\u00e1rio de entrada e sa\u00edda de alunos,\u00a0(2) se voc\u00ea tiver menos de 18 anos de idade e\u00a0(3) se voc\u00ea for motorista de \u00f4nibus escolar carregando algu\u00e9m menor de 17 anos de idade. A mesma lei impera para quem manda mensagens de celular enquanto dirige (apesar de que algumas cidades do estado t\u00eam leis mais espec\u00edficas). No Brasil, conversar no celular enquanto dirige n\u00e3o pode. Por esse motivo, muita gente utiliza o chamado viva-voz. Da\u00ed, voc\u00ea n\u00e3o precisa ocupar as m\u00e3os segurando o celular e, com isso, dirige com mais seguran\u00e7a. Certo? Hmmm. Parece que n\u00e3o.<\/p>\n<p>Um estudo realizado na Universidade de Utah nos Estados Unidos investigou os efeitos de conversas ao telefone celular &#8212; utilizando viva-voz &#8212; na aten\u00e7\u00e3o do motorista enquanto dirige. Estudos desse tipo geralmente utilizam um paradigma que chamamos de <em>Incidental Recognition Memory. <\/em>Nesse tipo de procedimento, os pesquisadores apresentam ao motorista v\u00e1rios objetos no simulador de dire\u00e7\u00e3o (caminh\u00f5es, pedestres, sinais, etc.) e testam a mem\u00f3ria deles com rela\u00e7\u00e3o a esses objetos. O estudo de Utah mostrou que os motoristas que estavam conversando no celular via viva-voz apresentaram uma mem\u00f3ria de reconhecimento dos objetos bem menor. E para se certificarem de que os motoristas pelo menos &#8220;viram&#8221; os objetos, os pesquisadores utilizaram t\u00e9cnicas de rastreamento ocular (e.g., uma m\u00e1quina que consegue detectar a dire\u00e7\u00e3o do seu olhar). Mesmo &#8220;vendo&#8221; os objetos, os motoristas conversando no celular n\u00e3o prestaram aten\u00e7\u00e3o \u00e0 eles.<\/p>\n<p>Mas conversar no viva-voz n\u00e3o seria a mesma coisa de conversar com algu\u00e9m sentado no banco do passageiro? Na verdade, n\u00e3o. Esse estudo mostrou ainda que quando o motorista conversa com uma pessoa presente no carro, esse problema da mem\u00f3ria acaba, ou seja, ele consegue lembrar perfeitamente dos objetos que viu durante a tarefa de dirigir. E por que isso acontece? Geralmente, a pessoa que est\u00e1 no carro conversando com o motorista est\u00e1 tamb\u00e9m atenta ao tr\u00e2nsito e \u00e0s demandas da dire\u00e7\u00e3o de maneira que, mesmo sem querer, ela acaba adaptando a troca de turnos para momentos que demanda menos aten\u00e7\u00e3o do motorista. Essa adapta\u00e7\u00e3o \u00e9 obviamente imposs\u00edvel em uma conversa de celular, mesmo que via viva-voz.<\/p>\n<p>O mais interessante, no entanto, \u00e9 que algu\u00e9m pode falar: de que adianta lembrar de objetos <em>depois<\/em> de dirigir? O importante \u00e9 a aten\u00e7\u00e3o na hora do ato. Faz sentido. Para abordar essa quest\u00e3o, os pesquisadores mediram respostas cerebrais dos motoristas durante o ato de dirigir. Utilizando eletroencefalogramas, os pesquisadores mostraram que durante o ato de dirigir, os participantes dividem a aten\u00e7\u00e3o entre o monitoramento da conversa ao celular e aos sinais que v\u00ea no tr\u00e2nsito. E isso s\u00f3 ocorre em conversas ao celular. Se o interlocutor est\u00e1 presente, esse desvio de aten\u00e7\u00e3o n\u00e3o ocorre.<\/p>\n<p>Apesar de parecer \u00f3bvio que dirigir e conversar ao celular \u00e9 uma idiotice, muita gente (tipo o tio <em>Perry<\/em>) precisa de evid\u00eancias emp\u00edricas para mostrar que essa mistura \u00e9 desastrosa (se bem que nem em ci\u00eancia o <em>Rick Perry<\/em> acredita. <em>Oh well<\/em>&#8230;) Ah, vale ainda lembrar que n\u00e3o houve diferen\u00e7a significativa entre as idades dos motoristas testados no experimento, ou seja, essa lei que pro\u00edbe somente menores de 18 anos de conversar ao telefone enquanto dirigem\u00a0<em>is just dumb<\/em> (com sotaque bem texano).<\/p>\n<p>E o Cognando continua no\u00a0<a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cognando\">Twitter<\/a>,\u00a0<a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cognandoo\">Facebook<\/a>\u00a0e\u00a0<a href=\"https:\/\/plus.google.com\/116765862286813546775\/posts\">Google+<\/a><\/p>\n<p>Refer\u00eancia<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=CURRENT+DIRECTIONS+IN+PSYCHOLOGICAL+SCIENCE&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1111%2Fj.1467-8721.2007.00489.x&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Cell-Phone%E2%80%93Induced+Driver+Distraction&amp;rft.issn=&amp;rft.date=2007&amp;rft.volume=16&amp;rft.issue=3&amp;rft.spage=128&amp;rft.epage=131&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=David+L.+Strayer&amp;rft.au=Frank+A.+Drews&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">David L. 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