{"id":546,"date":"2013-04-30T05:11:26","date_gmt":"2013-04-30T09:11:26","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=546"},"modified":"2013-04-30T05:11:26","modified_gmt":"2013-04-30T09:11:26","slug":"por-que-acreditamos-ou-nao-em-deus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2013\/04\/30\/por-que-acreditamos-ou-nao-em-deus\/","title":{"rendered":"Por que acreditamos (ou n\u00e3o) em Deus?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2013\/04\/por-que-acreditamos-ou-nao-em-deus\/god-thinking\/\" rel=\"attachment wp-att-548\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-548\" alt=\"God-thinking\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/04\/God-thinking.jpg\" width=\"206\" height=\"171\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/04\/God-thinking.jpg 430w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/04\/God-thinking-300x248.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 206px) 100vw, 206px\" \/><\/a>Alguns dias atr\u00e1s, a revista <em>Prospect<\/em> da Inglaterra publicou o resultado de uma pesquisa que elegeu os <a href=\"http:\/\/www.prospectmagazine.co.uk\/magazine\/world-thinkers-2013\/\">maiores pensadores do mundo<\/a>. No topo da lista est\u00e1 o bi\u00f3logo e professor da Universidade de Oxford, <em>Richard Dawkins<\/em>. Dawkins \u00e9 popularmente conhecido pela sua posi\u00e7\u00e3o contr\u00e1ria e extremista com rela\u00e7\u00e3o ao te\u00edsmo e\/ou cren\u00e7as em seres sobrenaturais.\u00a0Existe muita gente que acredita em Deus. E isso irrita um pouco o Dawkins. No entanto, para a surpresa de muitos, existe muita gente no mundo que n\u00e3o acredita em Deus. Tal variedade, obviamente, sempre despertou o interesse de cientistas cognitivos (incluindo eu) que buscam entender o que h\u00e1 de cognitivo na cren\u00e7a em Deus (ou na falta dela).<\/p>\n<p>Uma das propostas mais convincentes at\u00e9 o momento diz respeito ao que chamamos na Psicologia Cognitiva de estilos cognitivos (<em>cognitive styles<\/em> ou <em>modes of thinking<\/em>). Em termos gerais, temos dois sistemas de pensamento: um sistema que chamamos de <em>anal\u00edtico<\/em> e um outro sistema que chamamos de <em>intuitivo<\/em>. O sistema anal\u00edtico geralmente requer o uso de mais recursos cognitivos, demanda mais tempo de processamento e \u00e9 associado a uma an\u00e1lise criteriosa do problema em quest\u00e3o. J\u00e1 o sistema intuitivo est\u00e1 relacionado a respostas mais r\u00e1pidas e que demandam menos uso de recursos cognitivos. Todos n\u00f3s utilizamos os dois sistemas de maneira cotidiana. Eles n\u00e3o s\u00e3o mutualmente exclusivos e tampouco associados com intelig\u00eancia ou falta dela.<\/p>\n<p>No entanto, pesquisas t\u00eam apontado que a cren\u00e7a em Deus ou em outros seres sobrenaturais est\u00e1 associada ao sistema intuitivo da nossa cogni\u00e7\u00e3o (<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2011\/11\/intuicao-divina\/\">veja essa postagem do Cognando<\/a>). Muitos desses estudos, na verdade, s\u00e3o estudos de car\u00e1ter correlacional, ou seja, n\u00e3o h\u00e1 como fazer nenhum tipo de infer\u00eancia causal. Um estudo publicado recentemente na revista <em>Science<\/em> buscou preencher essa lacuna. Em uma s\u00e9rie de experimentos, <em>Will Gervais<\/em> e <em>Ara Norenzayan<\/em> mostraram que \u00e9 poss\u00edvel inferir que um modo de pensamento mais anal\u00edtico causa uma descren\u00e7a religiosa.<\/p>\n<p>No estudo, os participantes responderam a uma medida de religiosidade ap\u00f3s serem induzidos a pensar de forma mais ou menos anal\u00edtica. Em um dos experimentos, os participantes foram expostos a obras de arte mostrando pessoas pensando (ex.: <a href=\"http:\/\/upload.wikimedia.org\/wikipedia\/commons\/4\/45\/The_Thinker,_Auguste_Rodin.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">O Pensador<\/a>) ou obras mostrando outros tipos de atividade (ex.: <a href=\"http:\/\/www.myartprints.com\/kunst\/myron\/discobolus_ali194733_hi.jpg\" data-rel=\"lightbox-image-1\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\">O Disc\u00f3bolo de Myron<\/a>). As pessoas expostas \u00e0s obras de pessoas pensando (supostamente induzindo um modo mais anal\u00edtico de pensar) mostraram uma cren\u00e7a religiosa significativamente menor em compara\u00e7\u00e3o ao outro grupo de pessoas expostas \u00e0s obras neutras.<\/p>\n<p>Para induzir um modo de pensamento anal\u00edtico de maneira mais direta, os pesquisadores utilizaram um fen\u00f4meno j\u00e1 bastante conhecido na Psicologia Cognitiva, chamado de flu\u00eancia de processamento. Esse princ\u00edpio postula que informa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis de serem processadas (tipo um texto cinza claro em um fundo branco), induzem um modo de pensamento mais anal\u00edtico. Assim, a medida de religiosidade foi impressa em fontes f\u00e1ceis de serem lidas e em fontes dif\u00edceis de serem lidas. O resultado mostrou que o grupo de pessoas que recebeu a medida de religiosidade impressa em uma fonte dif\u00edcil de ser lida demonstrou uma cren\u00e7a religiosa significativamente menor do que o grupo que recebeu a mesma medida impressa em uma fonte f\u00e1cil de ler. E esse efeito ocorreu mesmo ap\u00f3s o controle de outras vari\u00e1veis tais como intelig\u00eancia e afilia\u00e7\u00e3o religiosa.<\/p>\n<p>O que isso quer dizer? Em termos gerais, isso quer dizer que, dentre os v\u00e1rios fatores que causam a descren\u00e7a em Deus e em outros seres sobrenaturais, o estilo cognitivo \u00e9 um deles. Pensar de maneira mais anal\u00edtica parece deixar pouco espa\u00e7o para cren\u00e7as religiosas. Basta saber at\u00e9 que ponto esse efeito \u00e9 pervasivo em culturas que apresentam v\u00e1rios n\u00edveis de religiosidade, organizamos de maneira complexa. O primeiro passo est\u00e1 dado.<\/p>\n<p>Depois de alguns meses parado, o Cognando volta \u00e0 ativa! 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Analytic thinking promotes religious disbelief. <span style=\"font-style: italic\">Science (New York, N.Y.), 336<\/span> (6080), 493-6 PMID: <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/22539725\" rev=\"review\">22539725<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Alguns dias atr\u00e1s, a revista Prospect da Inglaterra publicou o resultado de uma pesquisa que elegeu os maiores pensadores do mundo. No topo da lista est\u00e1 o bi\u00f3logo e professor da Universidade de Oxford, Richard Dawkins. 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