{"id":555,"date":"2013-05-02T03:25:50","date_gmt":"2013-05-02T07:25:50","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=555"},"modified":"2013-05-02T03:25:50","modified_gmt":"2013-05-02T07:25:50","slug":"quem-ganha-o-brasileirao-esse-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2013\/05\/02\/quem-ganha-o-brasileirao-esse-ano\/","title":{"rendered":"Quem ganha o brasileir\u00e3o esse ano?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2013\/05\/quem-ganha-o-brasileirao-esse-ano\/campeonato-brasileiro-2012-serie-a\/\" rel=\"attachment wp-att-557\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-557\" alt=\"Campeonato Brasileiro 2012 serie &quot; A &quot;\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/05\/galo_cruzeiro.jpg\" width=\"347\" height=\"259\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/05\/galo_cruzeiro.jpg 724w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/05\/galo_cruzeiro-300x224.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 347px) 100vw, 347px\" \/><\/a>Eu sou de Belo Horizonte! E pelas bandas de l\u00e1, a &#8220;briga&#8221; entre atleticanos e cruzeirenses \u00e9 acirrada. O que eu acho mais fascinante nessa disputa s\u00e3o as estat\u00edsticas que os torcedores usam para tirar onda com a cara um do outro. Principalmente em dia de cl\u00e1ssico. Voc\u00ea escuta coisas do tipo &#8220;<em>em toda a hist\u00f3ria dos cl\u00e1ssicos, o Atl\u00e9tico venceu X partidas e o Cruzeiro s\u00f3 Y<\/em>&#8220;, ou coisas do tipo &#8220;<em>o Cruzeiro tem X t\u00edtulos enquanto o Galo s\u00f3 tem Y<\/em>&#8220;. No entanto, na vida real, a coisa \u00e9 diferente. Na verdade, qualquer que seja a estat\u00edstica, <em>nunca<\/em>\u00a0vamos saber antes da partida quem vencer\u00e1 um cl\u00e1ssico. E isso ocorre por que, apesar de o resultado de uma partida ser, para n\u00f3s, uma ocorr\u00eancia probabil\u00edstica, a nossa mente opera de maneira estoc\u00e1stica, ou seja, ela seleciona uma parte aleat\u00f3ria das mem\u00f3rias que temos e baseia a nossa decis\u00e3o nessas mem\u00f3rias. Em outras palavras, utilizamos um grupo pequeno de mem\u00f3rias\u00a0relevantes\u00a0(ex.: quantos t\u00edtulos o Galo tem, ou quantos gols o Bernard j\u00e1 marcou em cl\u00e1ssicos) para decidir quem achamos que vai vencer o cl\u00e1ssico. No final das contas, \u00e9 imposs\u00edvel saber com certeza. Mas como podemos pelo menos melhorar nas nossas previs\u00f5es? Como podemos acertar mais vezes quem vai vencer o cl\u00e1ssico?<\/p>\n<p>Uma pesquisa recente publicada no <em>Proceedings of the National Academy of Sciences<\/em> (PNAS) parece ter a resposta: basta basear sua decis\u00e3o em um mundo ideal.\u00a0<em>Gyslain Gigu\u00e8re<\/em>, do Departamento de Psicologia da Universidade de Montr\u00e9al e <em>Brad Love<\/em>, do Departamento de Ci\u00eancias Perceptuais, Cognitivas e do C\u00e9rebro da Universidade <em>College London<\/em>, fizeram um estudo onde os participantes tinham que prever o vencedor de v\u00e1rias partidas de Liga Nacional de Beisebol dos Estados Unidos. No entanto, antes de darem o palpite, esses participantes foram &#8220;treinados&#8221; com base em resultados (estat\u00edsticas) passados. Para metade dos participantes, os pesquisadores forneceram dados reais, ou seja, dados em que o &#8220;melhor time&#8221; ganhou algumas partidas, mas tamb\u00e9m perdeu algumas partidas. Para a outra metade dos participantes, os pesquisadores manipularam os resultados de maneira que o melhor time da liga sempre vencia as partidas. Quando os pesquisadores compararam qual grupo acertou mais quando tinham que adivinhar que time venceria uma partida, o grupo que recebeu treinamento com dados &#8220;ideais&#8221; teve uma performance significativamente melhor do que o grupo que foi treinado com dados reais.<\/p>\n<p>Mas por que isso acontece? Basicamente, os dados reais (com o melhor time vencendo algumas partidas e perdendo outras) traz muitos ru\u00eddos, e esse ru\u00eddos acabam fazendo parte da nossa mem\u00f3ria. E quando selecionamos aleatoriamente mem\u00f3rias para tomar uma decis\u00e3o (ex.: quem vai vencer a partida), esses ru\u00eddos acabam sendo selecionados e influencia a nossa tomada de decis\u00e3o. \u00c9 isso que acontece quando, mesmo jogando contra um time inferior, n\u00f3s sempre temos uma pontinha de medo de que o nosso time vai perder. Essa pontinha de medo \u00e9 causada por esse ru\u00eddo dos dados reais. E esse medo \u00e9 ainda mais forte caso a mem\u00f3ria em que o time inferior vence o nosso time \u00e9 uma mem\u00f3ria recente.<\/p>\n<p>Mas algu\u00e9m pode dizer: &#8220;<em>uai, \u00e9 \u00f3bvio que o grupo que viu as estat\u00edsticas manipuladas vai ser melhor, pois eles t\u00eam dados mais limpos<\/em>&#8220;. Acontece que, estat\u00edsticamente falando, o grupo que viu as estat\u00edsticas reais teria, em termos probabil\u00edsticos, uma vis\u00e3o mais correta da realidade (eles seria capazes de dizer, por exemplo, a probabilidade de um time pequeno ganhar uma partida). No entanto, \u00e9 o <em>uso<\/em> que a nossa cogni\u00e7\u00e3o\/mem\u00f3ria faz dessa estat\u00edstica que est\u00e1 em jogo. \u00c9 a maneira como a nossa mente registra esses ru\u00eddos e como eles atrapalham o nosso processo de tomada de decis\u00f5es.<\/p>\n<p>Para quem trabalha com decis\u00f5es e incerteza o tempo todo (radi\u00f3logos, analistas de intelig\u00eancia, agentes de seguran\u00e7a, etc), treinar a mente com dados ideais pode ser uma boa estrat\u00e9gia para evitar que ru\u00eddos da mem\u00f3ria atrapalhem o processo de tomada de decis\u00e3o (basicamente, eles v\u00e3o acertar mais vezes). Para o resto de n\u00f3s (ou melhor: alguns de n\u00f3s), reles mortais torcedores do <em>Gal\u00e3ooo da Massa<\/em>, nos resta imaginar um mundo em que o Galo ganha tudo. Da\u00ed tudo fica azul&#8230; ou melhor, tudo fica bom!<\/p>\n<p>N\u00e3o deixe de seguir o Cognando no <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cognando\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cognando\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a> e <a href=\"https:\/\/plus.google.com\/u\/0\/b\/116765862286813546775\/116765862286813546775\/posts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Google+<\/a>. Cruzeirense tamb\u00e9m \u00e9 bem vindo! Corinthiano eu tenho que pensar!!! \ud83d\ude42<\/p>\n<p>Refer\u00eancia:<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Proceedings+of+the+National+Academy+of+Sciences+of+the+United+States+of+America&amp;rft_id=info%3Apmid%2F23610402&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Limits+in+decision+making+arise+from+limits+in+memory+retrieval.&amp;rft.issn=0027-8424&amp;rft.date=2013&amp;rft.volume=&amp;rft.issue=&amp;rft.spage=&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Gigu%C3%A8re+G&amp;rft.au=Love+BC&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Gigu\u00e8re G, &amp; Love BC (2013). Limits in decision making arise from limits in memory retrieval. <span style=\"font-style: italic\">Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America<\/span> PMID: <a href=\"http:\/\/www.ncbi.nlm.nih.gov\/pubmed\/23610402\" rev=\"review\">23610402<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sou de Belo Horizonte! E pelas bandas de l\u00e1, a &#8220;briga&#8221; entre atleticanos e cruzeirenses \u00e9 acirrada. 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