{"id":576,"date":"2013-06-20T04:08:33","date_gmt":"2013-06-20T08:08:33","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=576"},"modified":"2013-06-20T04:08:33","modified_gmt":"2013-06-20T08:08:33","slug":"ah-nao-cura-gay-e-o-fim-da-picada-pun-intended","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2013\/06\/20\/ah-nao-cura-gay-e-o-fim-da-picada-pun-intended\/","title":{"rendered":"Ah n\u00e3o! &#8220;Cura gay&#8221; \u00e9 o fim da PICAda (pun intended)"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2013\/06\/ah-nao-cura-gay-e-o-fim-da-picada-pun-intended\/not_gay\/\" rel=\"attachment wp-att-580\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-580\" alt=\"not_gay\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/06\/not_gay.jpg\" width=\"240\" height=\"202\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/06\/not_gay.jpg 400w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2013\/06\/not_gay-300x253.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 240px) 100vw, 240px\" \/><\/a>Imagine que seu filho esteja passando muito mal! Vomitando sem parar, febre alta e fraqueza no corpo. Pra onde voc\u00ea deve seu filho? Duuuh! Hospital! Por que? Porque l\u00e1 est\u00e1 cheio de <em>experts<\/em> em sa\u00fade (i.e., m\u00e9dicos e enfermeiros) e eles certamente ir\u00e3o saber o que fazer com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 situa\u00e7\u00e3o do seu filho.<\/p>\n<p><em>Expertise<\/em> \u00e9 uma caracter\u00edstica importante. N\u00f3s confiamos em <em>experts<\/em>\u00a0quando o assunto \u00e9 algo que n\u00e3o dominamos bem. Contamos com a ajuda de <em>experts<\/em> at\u00e9 mesmo quando o assunto \u00e9 uma coisa que n\u00e3o acreditamos muito. Por exemplo, em um estudo que publiquei em 2011 na revista <a href=\"https:\/\/www.dropbox.com\/s\/j65cgitpvlci2o0\/2011%20Souza%26Legare.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Religion, Brain and Behavior<\/em><\/a>, mostrei que at\u00e9 mesmo quando se trata de um trabalho executado por um pai-de-santo, levamos em considera\u00e7\u00e3o a <em>expertise<\/em> da pessoa e n\u00e3o simplesmente a opini\u00e3o de uma maioria que n\u00e3o entende bem do assunto. Existem v\u00e1rias vantagens em recorrer a <em>experts<\/em> quando precisamos de ajuda ou opini\u00e3o. Nos poupa tempo e at\u00e9 salva vidas (imagine se voc\u00ea tivesse que aprender tudo sobre medicina para ajudar seu filho&#8230;). Em outras palavras, pedir ajuda\/opini\u00e3o de especialistas \u00e9 algo bom e desej\u00e1vel. N\u00e3o precisamos saber tudo o tempo todo.<\/p>\n<p>Imagine agora uma outra situa\u00e7\u00e3o. Ali\u00e1s, imagine n\u00e3o! Recorde. Em 2011, o deputado federal Jo\u00e3o Campos de Ara\u00fajo do PSDB de G\u00f3ias\u00a0escreveu um Projeto de Decreto Legislativo (PDC 234\/2011) que suspende dois trechos da resolu\u00e7\u00e3o do <em>Conselho Federal de Psicologia<\/em> (de 1999). \u00c9 a tal da &#8220;cura gay&#8221; (para saber exatamente <em>o que \u00e9<\/em> o projeto e <em>o que ele significa<\/em> para a pr\u00e1tica psicol\u00f3gica, confira o blog \u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/psicologico\/2013\/06\/o-que-se-conhece-sobre-a-cura-gay\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Psicol\u00f3gico<\/a>\u00a0do colega Felipe Epaminondas). Em outras palavras, um deputado federal <strong>que n\u00e3o \u00e9 psic\u00f3logo<\/strong> prop\u00f5e um projeto que interfere de maneira direta na pr\u00e1tica do profissional de psicologia.<\/p>\n<p>Ok. Tudo bem. Ainda bem que para esses projetos, existem revisores, que<span style=\"line-height: 1.6em\">\u00a0s\u00e3o pessoas que l\u00eaem o projeto e d\u00e3o um parecer (opini\u00e3o) sobre o que \u00e9 plaus\u00edvel e coerente no projeto. O revisor do projeto foi o deputado federal Anderson Ferreira do PR de Pernambuco. Anderson Ferreira tamb\u00e9m <strong>n\u00e3o \u00e9 psic\u00f3logo<\/strong>. Mas deu um parecer favor\u00e1vel ao projeto. Segundo ele, &#8220;<em>a\u00a0Psicologia \u00e9 uma disciplina em constante evolu\u00e7\u00e3o e tem diversas\u00a0<\/em><\/span><em><span style=\"line-height: 1.6em\">correntes te\u00f3ricas, sendo dif\u00edcil determinar procedimentos corretos ou n\u00e3o, metodologias\u00a0<\/span><\/em><span style=\"line-height: 1.6em\"><em>de trabalho apropriadas ou n\u00e3o<\/em>&#8220;. Enfim! Que tal consultar <em>experts<\/em> no assunto? Consultaram. Os profissionais do Conselho Federal de Psicologia n\u00e3o s\u00f3 <strong>n\u00e3o<\/strong> apoiaram o projeto como tamb\u00e9m lan\u00e7aram uma campanha contra a sua aprova\u00e7\u00e3o. De nada adiantou!<\/span><\/p>\n<p><span style=\"line-height: 1.6em\">Deixa eu fazer uma analogia pra hist\u00f3ria mais clara: imagine que seu filho ainda esteja passando mal e um amigo seu <em>advogado<\/em> diz pra voc\u00ea dar suco de laranja pra ele beber que tudo vai ficar bem. Mesmo assim, voc\u00ea resolve consultar um <em>m\u00e9dico<\/em>. Ele examina seu filho e diz que ele precisa ser hospitalizado para fazer alguns exames. Ent\u00e3o voc\u00ea simplesmente ignora a opini\u00e3o do m\u00e9dico e d\u00e1 o suco de laranja pro seu filho beber e pronto. Mais ou menos isso que aconteceu.<\/span><\/p>\n<p>O que mais me surpreende \u00e9 que esse \u00e9 um padr\u00e3o recorrente na formula\u00e7\u00e3o das leis que s\u00e3o propostas no nosso pa\u00eds. Desde leis que pro\u00edbem estrangeirismos na l\u00edngua portuguesa, at\u00e9 leis que obrigam aulas de dire\u00e7\u00e3o durante a noite para que o condutor aprenda a dirigir melhor a noite. S\u00e3o raros os casos em que a opini\u00e3o do profissional, <em>expert no assunto<\/em>, \u00e9 levada em considera\u00e7\u00e3o na formula\u00e7\u00e3o das propostas de leis. \u00c9 \u00f3bvio que mesmo entre os profissionais haver\u00e1 diverg\u00eancia de opini\u00f5es. O besta do <em>Silas Malafaia<\/em> por exemplo, que tamb\u00e9m \u00e9 psic\u00f3logo, certamente seria a favor do projeto de decreto do deputado Jo\u00e3o Campos. Mas \u00e9 exatamente por isso que existem conselhos e organiza\u00e7\u00f5es profissionais. Eles s\u00e3o respons\u00e1veis pela garantia e manuten\u00e7\u00e3o de pr\u00e1ticas que s\u00e3o consensuais entre os profissionais. Um m\u00e9dico que acha que gripe deve ser curada com tapas na cara certamente n\u00e3o ter\u00e1 o ap\u00f3io da maioria dos m\u00e9dicos e, consequentemente, ter\u00e1 que se adequar ao regulamento do Conselho Federal de Medicina.<\/p>\n<p>Em parte do seu parecer, o deputado federal Anderson Ferreira diz que o projeto &#8220;<em>constitui direito do paciente buscar aquele tipo de atendimento que satisfaz seus anseios<\/em>&#8220;. O que o deputado parece n\u00e3o entender \u00e9 que o profissional \u00e9 o psic\u00f3logo e n\u00e3o o paciente. O paciente n\u00e3o pode exigir que psic\u00f3logo trate a homossexualidade do seu filho como se fosse uma doen\u00e7a. Eu n\u00e3o vou chegar no consult\u00f3rio do meu m\u00e9dico e dizer: &#8220;<em>olha doutor, estou com um sangramento no nariz, mas n\u00e3o quero que esse sangramento seja tratado como uma enfermidade. Por favor, trate meu sangramento como uma manifesta\u00e7\u00e3o divina<\/em>.&#8221; N\u00e3o \u00e9 bem assim que a coisa funciona.<\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que ainda existe muita coisa que precisamos entender sobre homossexualidade sob um ponto de vista cient\u00edfico. E estamos caminhando bem nessa dire\u00e7\u00e3o. E todo profissional s\u00e9rio deve expor isso ao paciente. Se a m\u00e3e do Jo\u00e3ozinho chega no consult\u00f3rio chorando por que o Jo\u00e3ozinho \u00e9 gay e ela quer a cura, o papel do profissional \u00e9 auxilia-la na compreens\u00e3o de que esse ainda \u00e9 um assunto\/fen\u00f4meno complexo e que n\u00e3o h\u00e1 evid\u00eancias que corroborem qualquer tipo de tratamento da homossexualidade como se fosse um dist\u00farbio ou doen\u00e7a. E mesmo aqueles psic\u00f3logos que acham que homossexualidade \u00e9 um dist\u00farbio, enquanto isso n\u00e3o for consenso entre os profissionais, ele dever\u00e1 sim agir de acordo com o conselho que rege a profiss\u00e3o. Se n\u00e3o quiser, que v\u00e1 praticar outra coisa que n\u00e3o seja psicologia.<\/p>\n<p>Se o projeto de decreto \u00e9, como diz o outro besta Marco Feliciano, &#8220;<em>um\u00a0projeto [que] protege o profissional de psicologia quando procurado por algu\u00e9m com ang\u00fastia sobre sua sexualidade<\/em>&#8220;, ent\u00e3o o m\u00ednimo que ele deve exigir como presidente da Comiss\u00e3o de Direitos Humanos e Minorias da C\u00e2mara dos Deputados, \u00e9 que os profissionais de psicologia participem de forma mais ativa na discuss\u00e3o do projeto.<\/p>\n<p>Siga o Cognando no <a href=\"http:\/\/www.twitter.com\/cognando\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Twitter<\/a>, <a href=\"http:\/\/www.facebook.com\/cognandoo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Facebook<\/a> e <a href=\"https:\/\/plus.google.com\/u\/0\/b\/116765862286813546775\/116765862286813546775\/posts\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Google+<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Imagine que seu filho esteja passando muito mal! 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