{"id":684,"date":"2015-01-24T19:36:28","date_gmt":"2015-01-25T00:36:28","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/?p=684"},"modified":"2015-01-24T19:36:28","modified_gmt":"2015-01-25T00:36:28","slug":"mae-liga-pro-cara-do-ti","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2015\/01\/24\/mae-liga-pro-cara-do-ti\/","title":{"rendered":"M\u00e3e, liga pro cara do TI."},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2015\/01\/mae-liga-pro-cara-do-ti\/kids-and-technology\/\" rel=\"attachment wp-att-685\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft  wp-image-685\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2015\/01\/kids-and-technology.jpg\" alt=\"kids-and-technology\" width=\"222\" height=\"147\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2015\/01\/kids-and-technology.jpg 460w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/wp-content\/uploads\/sites\/221\/2015\/01\/kids-and-technology-300x199.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 222px) 100vw, 222px\" \/><\/a>Eu sei que os profissionais da \u00e1rea de TI ir\u00e3o me odiar pelo que vou dizer agora, mas a impress\u00e3o que tenho \u00e9 que, apesar da boa inten\u00e7\u00e3o, muitas vezes eles mais atrapalham que ajudam. H\u00e1 dois meses, eu enviei um e-mail para o departamento de TI aqui da Universidade do Alabama para reclamar da interface do nosso webmail (sim, restri\u00e7\u00f5es da <a href=\"http:\/\/www2.ed.gov\/policy\/gen\/guid\/fpco\/ferpa\/index.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>Family Educational Rights and Privacy Act<\/em><\/a> n\u00e3o nos permite utilizar interfaces tipo Gmail para acessar nosso e-mail profissional). A resposta foi at\u00e9 r\u00e1pida. Eles conseguiram migrar a minha conta para uma vers\u00e3o mais &#8220;nova&#8221; do Microsoft Outlook Web App (uma <em>m***<\/em>). E como parte do processo de migra\u00e7\u00e3o, eles deveriam fazer toda a configura\u00e7\u00e3o da conta no novo sistema. Esse tipo de configura\u00e7\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil e eu mesmo poderia ter feito. Mas \u00e9 requerimento do trabalho deles que eles fa\u00e7am toda a configura\u00e7\u00e3o. Foi divertido assistir por mais de 25 minutos o show de erros e equ\u00edvocos que o cara cometeu ao tentar configurar a conta. Eu mesmo teria configurado a conta\u00a0em 5 minutos.<\/p>\n<p>Ontem, durante uma reuni\u00e3o do meu grupo de pesquisa, algu\u00e9m mencionou que poder\u00edamos solicitar ajuda ao TI para instala\u00e7\u00e3o de um equipamento novo que adquirimos. Essa instala\u00e7\u00e3o eu n\u00e3o saberia fazer. Mas mesmo assim, fiquei com o p\u00e9 atr\u00e1s com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ideia de chamar o TI. A hist\u00f3ria de erros e equ\u00edvocos me deixaram com a pulga atr\u00e1s da orelha. Mas ser\u00e1 que somos sempre assim?<\/p>\n<p>Uma grande parte do conhecimento que temos das coisas e de como elas funcionam vem do que outras pessoas nos dizem e n\u00e3o necessariamente da nossa experi\u00eancia direta com as coisas. Apesar disso ser uma coisa boa, temos o problema da cren\u00e7a. Que tipo de informa\u00e7\u00e3o devemos ou n\u00e3o acreditar? Se um cientista diz que certos microorganismos (que voc\u00ea nunca viu) podem causar uma certa doen\u00e7a (que voc\u00ea tamb\u00e9m nunca viu) se voc\u00ea n\u00e3o lavar a sua m\u00e3o, como saber se voc\u00ea deve ou n\u00e3o acreditar nesse cientista?<\/p>\n<p>Uma informa\u00e7\u00e3o valiosa que usamos pra saber se acreditamos ou n\u00e3o nas informa\u00e7\u00f5es que outras pessoas nos passam \u00e9 o n\u00famero de vezes que essa pessoa esteve certa ou errada no passado. Por exemplo, se a pessoa sempre te d\u00e1 uma informa\u00e7\u00e3o errada, voc\u00ea tende a n\u00e3o acreditar nas informa\u00e7\u00f5es que essa pessoa te passa. Mas pode acontecer da pessoa estar errada apenas algumas vezes, e outras vezes ela estar certa. E nesse caso? Acreditamos ou n\u00e3o?<\/p>\n<p>Nossa mente tem uma capacidade muito boa de detectar\u00a0padr\u00f5es. E essa capacidade come\u00e7a cedo. Por exemplo, <a href=\"http:\/\/www.human.cornell.edu\/bio.cfm?netid=tk397\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Tamar Kushnir<\/a>\u00a0mostrou em um dos seus estudos que beb\u00eas de apenas 20 meses de idade conseguem detectar padr\u00f5es estat\u00edsticos e utilizam esse conhecimento para inferir se uma pessoa gosta de um brinquedo ou de outro. Mas e com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cren\u00e7a? Ser\u00e1 que detectamos padr\u00f5es de erros e acertos das pessoas tamb\u00e9m? Parece que sim.<\/p>\n<p>Algumas pesquisas mostram que at\u00e9 mesmo crian\u00e7as utilizam o n\u00famero de vezes que voc\u00ea esteve certo no passado pra saber se acreditam ou n\u00e3o em voc\u00ea. Um estudo com crian\u00e7as de 2 a 5 anos mostrou que se uma pessoa est\u00e1 errada 100% das vezes ou certa 100%, as crian\u00e7as usam essa informa\u00e7\u00e3o para saber se acreditam ou n\u00e3o em informa\u00e7\u00f5es que v\u00eam dessa pessoa. A pessoa que esteve 100% certa recebe toda a credibilidade da crian\u00e7a. J\u00e1 a pessoa que esteve 100% errada n\u00e3o tem nem um pingo da credibilidade da crian\u00e7a.<\/p>\n<p>Se a crian\u00e7a tiver que escolher entre uma pessoa que esteve 100% certa e uma outra pessoa que esteve 75% certa, as crian\u00e7as escolhem a que esteve 100% certa. No entanto, quando somos muito novos (2 anos de idade) n\u00e3o toleramos muito o erro. Por exemplo, se uma pessoa esteve certa 75% das vezes e a outra esteve certa 25% das vezes, as crian\u00e7as de 2 anos n\u00e3o acreditam em nenhuma das duas, pois as duas mostraram estar erradas no passado. J\u00e1 as crian\u00e7as de 5 anos preferem a que esteve certa 75% das vezes.<\/p>\n<p>\u00c9 interessante notar que essa habilidade de perceber padr\u00f5es \u00e9 recorrente em v\u00e1rios dom\u00ednios e pode ser observada em v\u00e1rios momentos do desenvolvimento da crian\u00e7a. Ela rastreia o n\u00famero de vezes que o choro dela \u00e9 atendido e cria apego com base nessa informa\u00e7\u00e3o. Ela rastreia o n\u00famero de vezes uma pessoa faz algo ruim e n\u00e3o \u00e9 punida e utiliza essa informa\u00e7\u00e3o pra saber se deve ou n\u00e3o agir da mesma forma. Ela rastreia o n\u00famero de vezes que um certo fen\u00f4meno causa um outro e utiliza essa informa\u00e7\u00e3o para aprender sobre como as coisas funcionam, etc.<\/p>\n<p>Na \u00faltima postagem do <a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2015\/01\/pegue-seu-carrinho-de-rolima-e-corra-pra-aula-de-estatistica\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Cognando<\/a>, falei sobre a import\u00e2ncia de se ensinar estat\u00edstica na educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica. Esse tipo de ensino s\u00f3 serviria para aprimorar ainda mais uma capacidade que j\u00e1 est\u00e1 l\u00e1 na nossa cogni\u00e7\u00e3o desde pequeno. Dif\u00edcil mesmo \u00e9 convencer a crian\u00e7ada a se tornarem bons profissionais de TI. \ud83d\ude42<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eu sei que os profissionais da \u00e1rea de TI ir\u00e3o me odiar pelo que vou dizer agora, mas a impress\u00e3o que tenho \u00e9 que, apesar da boa inten\u00e7\u00e3o, muitas vezes eles mais atrapalham que ajudam. 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