{"id":8,"date":"2009-06-30T15:18:00","date_gmt":"2009-06-30T18:18:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2009\/06\/flexibilidade-atencional-e-representacional-em-processos-de-inferencia\/"},"modified":"2009-06-30T15:18:00","modified_gmt":"2009-06-30T18:18:00","slug":"flexibilidade-atencional-e-representacional-em-processos-de-inferencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2009\/06\/30\/flexibilidade-atencional-e-representacional-em-processos-de-inferencia\/","title":{"rendered":"Flexibilidade Atencional e Representacional em Processos de Infer\u00eancia"},"content":{"rendered":"<div><span style=\"float: left;padding: 5px\"><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"border: 0px\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" width=\"70\" height=\"85\" \/><\/a><\/span>H\u00e1 mais ou menos um ano, a Pixar lan\u00e7ava nos cinemas mundiais o filme <em>Wall-e<\/em>. Esse longa-metragem protagoniza um rob\u00f4zinho muito simp\u00e1tico e suas aventuras num planeta Terra destru\u00eddo e abandonado. Em uma das cenas do filme, <em>Wall-e<\/em> chega em sua casa e come\u00e7a a &#8220;guardar&#8221; os objetos que recolheu ao longo do dia. Cada tipo de objeto tem seu lugar espec\u00edfico. Eis que ent\u00e3o, <em>Wall-e<\/em> se depara com a dificuldade de guardar um &#8220;garfo&#8221; que ele encontra. Depois de oscilar entre &#8220;garfos&#8221; e &#8220;colheres&#8221;, <em>Wall-e<\/em> desiste e coloca o objeto em local separado.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Pare um telespectador &#8220;normal&#8221;, essa foi apenas uma cena engra\u00e7ada. No entanto, para &#8220;malucos&#8221; como eu &#8212; que n\u00e3o desliga de &#8216;processos cognitivos&#8217; &#8212; a cena como um todo \u00e9 um exemplo espetacular de um processo cognitivo muito comum ao ser humano: categoriza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os seres humanos s\u00e3o <em>experts<\/em> no processo de categoriza\u00e7\u00e3o. Fazemos isso o tempo inteiro. A partir dos processos de categoriza\u00e7\u00e3o criamos\/aprendemos conceitos acerca dos objetos que nos cercam e com os quais interagimos. O estudo dos processos de categoriza\u00e7\u00e3o s\u00e3o antigos. Datam da d\u00e9cada de 20, com estudos do psic\u00f3logo norte-americano <em>Clark Leonard Hull<\/em>.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Estudos mais recentes incorporaram aos estudos de categoriza\u00e7\u00e3o no\u00e7\u00f5es de aten\u00e7\u00e3o. A id\u00e9ia b\u00e1sica \u00e9 de que, para categorizar, precisamos alocar nossa aten\u00e7\u00e3o para tra\u00e7os que s\u00e3o relevantes no processo em quest\u00e3o. Obviamente, os tra\u00e7os relevantes para um processo de categoriza\u00e7\u00e3o varia de acordo com o contexto. Por exemplo: se precisamos distinguir entre &#8220;cerveja&#8221; e &#8220;refrigerante&#8221;, um tra\u00e7o relevante pode ser o &#8220;teor alc\u00f3olico&#8221; e n\u00e3o o fato de serem l\u00edquidos (j\u00e1 que esse tra\u00e7o n\u00e3o os distingue. No entanto, para distinguir entre &#8220;cerveja&#8221; e &#8220;vinho&#8221;, o tra\u00e7o &#8220;teor alc\u00f3olico&#8221; passa a n\u00e3o ser relevante e a aten\u00e7\u00e3o deve ser alocada para um outro tra\u00e7o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O problema com essa vis\u00e3o \u00e9 que, sempre que engajamos em processos de categoriza\u00e7\u00e3o, precisamos &#8220;re-aprender&#8221; sobre o objeto que categorizamos.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><em>Aaron Hoffman<\/em> do Departamento de Psicologia da Universidade do Texas e <em>Bob Rehder<\/em> do Departamento de Psicologia Universidade de Nova York exploraram, em um experimento muito interessante, os fatores atencionais envolvidos no processo de categoriza\u00e7\u00e3o. Mais especificamente, esses pesquisadores tinham interesse de saber (1) como que as pessoas sabem qual tra\u00e7o\/informa\u00e7\u00e3o \u00e9 relevante para processos de categoriza\u00e7\u00e3o em contextos distintos e (2) e por quanto tempo as pessoas devem alocar a aten\u00e7\u00e3o para diferentes tra\u00e7os.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O experimento consistiu de uma s\u00e9rie de tarefas de classifica\u00e7\u00e3o e infer\u00eancia. Nas tarefas de classifica\u00e7\u00e3o, os participantes foram treinados acerca de duas categorias (A e B) e depois classificavam outros membros de acordo com os tra\u00e7os relevantes para a distin\u00e7\u00e3o entre A e B (no total foram manipulados tr\u00eas tra\u00e7os). Nas tarefas de infer\u00eancia, os participantes tinham que prever os tra\u00e7os que estavam faltando entre duas categorias. Os pesquisadores utilizaram t\u00e9cnicas de rastreamento ocular (eye-tracking) para monitorar a aloca\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o dos participantes durante as tarefas de classifica\u00e7\u00e3o e infer\u00eancia.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os resultados s\u00e3o bem interessantes: apesar de os dois grupos (infer\u00eancia e classifica\u00e7\u00e3o) terem demonstrado aprendizagem nos blocos de treinamento, a classifica\u00e7\u00e3o pareceu mais f\u00e1cil que a infer\u00eancia, com uma propor\u00e7\u00e3o maior de acertos por parte dos participantes. Existe um corpo grande de pesquisas mostrando que, em tarefas de infer\u00eancia, as pessoas s\u00e3o mais sens\u00edveis a tra\u00e7os internos \u00e0s categorias (por exemplo, as pessoas seriam mais sens\u00edveis aos tra\u00e7os que definem &#8220;cerveja&#8221; e n\u00e3o apenas aos tra\u00e7os que distinguem &#8220;cerveja&#8221; de outras bebidas). Assim, uma vez que os processos inferenciais s\u00e3o mais flex\u00edveis que processos de categoriza\u00e7\u00e3o (j\u00e1 que requerem uma aten\u00e7\u00e3o global \u00e0 TODOS os tra\u00e7os de uma categoria), os pesquisadores esperavam encontrar uma aloca\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o mais distribu\u00edda nas tarefas de infer\u00eancia (o olhar estaria mais distribu\u00eddo que nas tarefas de classifica\u00e7\u00e3o), e com isso, teriam uma representa\u00e7\u00e3o mais flex\u00edvel das categorias aprendidas.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>Interessantemente, no entanto, os pesquisadores encontraram que, tanto nas tarefas de classifica\u00e7\u00e3o quanto nas tarefas de infer\u00eancia, os participantes fixaram o olhar em tra\u00e7os espec\u00edficos. Segundo Aaron e Bob, o que distingue as tarefas de classifica\u00e7\u00e3o das tarefas de infer\u00eancia s\u00e3o as demandas atencionais de cada processo e n\u00e3o fatores motivacionais, como afirmam alguns estudiosos. A partir de algumas outras manipula\u00e7\u00f5es, os pesquisadores mostraram que tarefas de classifica\u00e7\u00e3o podem ser mais flex\u00edvel de uma maneira geral. Esse resultado, apesar de n\u00e3o corroborrar a hip\u00f3tese inicial (de que tarefas de infer\u00eancia s\u00e3o mais flex\u00edveis), mostra que a aloca\u00e7\u00e3o da aten\u00e7\u00e3o durante as tarefas de infer\u00eancia \u00e9 mais uma fun\u00e7\u00e3o do que \u00e9 pedido na tarefa do que uma fun\u00e7\u00e3o do processo em si.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>O estudo de processos de categoriza\u00e7\u00e3o que levam em considera\u00e7\u00e3o fatores atencionais s\u00e3o de extrema valia. Eu sei que Aaron Hoffman anda desenvolvendo outros estudos interessantes, assim, fiquem ligados aqui no blog! Logo logo vamos falar mais de aten\u00e7\u00e3o e categoriza\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong><em>Ps.:<\/em><\/strong> <em>O trabalho que comentei aqui n\u00e3o est\u00e1 publicado ainda. Ser\u00e1 apresentado na pr\u00f3xima <a href=\"http:\/\/cognitivesciencesociety.org\/conference2009\/index.html\">CogSci Conference<\/a> em Amsterdam. Agrade\u00e7o ao Aaron Hoffman que n\u00e3o s\u00f3 gentilmente me passou o trabalho como disse que n\u00e3o teria problema algum que eu o comentasse aqui no blog!<\/em><\/div>\n<div><\/div>\n<div><\/div>\n<div><strong>Refer\u00eancia:<\/strong><\/div>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Cognitive+Science+Society&amp;rft_id=info%3Adoi%2F&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Attentional+and+Representational+Flexibility+of+Feature+Inference+Learning&amp;rft.issn=&amp;rft.date=2009&amp;rft.volume=&amp;rft.issue=&amp;rft.spage=&amp;rft.epage=&amp;rft.artnum=&amp;rft.au=Hoffman%2C+A.B.&amp;rft.au=Rehder%2C+B.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Hoffman, A.B., &amp; Rehder, B. (2009). Attentional and Representational Flexibility of Feature Inference Learning <span style=\"font-style: italic\">Cognitive Science Society<\/span><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 mais ou menos um ano, a Pixar lan\u00e7ava nos cinemas mundiais o filme Wall-e. Esse longa-metragem protagoniza um rob\u00f4zinho muito simp\u00e1tico e suas aventuras num planeta Terra destru\u00eddo e abandonado. 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