{"id":808,"date":"2009-06-29T13:46:00","date_gmt":"2009-06-29T16:46:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2009\/06\/supersticoes-e-crencas-sob-uma-perspectiva-cognitiva\/"},"modified":"2009-06-29T13:46:00","modified_gmt":"2009-06-29T16:46:00","slug":"supersticoes-e-crencas-sob-uma-perspectiva-cognitiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2009\/06\/29\/supersticoes-e-crencas-sob-uma-perspectiva-cognitiva\/","title":{"rendered":"Supersti\u00e7\u00f5es e Cren\u00e7as sob uma Perspectiva Cognitiva!"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"border-color: initial;border-style: initial\" src=\"http:\/\/www.researchblogging.org\/public\/citation_icons\/rb2_large_gray.png\" alt=\"ResearchBlogging.org\" width=\"70\" height=\"85\" \/><\/a>H\u00e1 alguns dias atr\u00e1s, recebi um desses email-corrente pedindo que eu listasse as minhas supersti\u00e7\u00f5es mais comuns. Como o email j\u00e1 havia passado por milhares de pessoas antes de chegar a mim, decidi ler as supersti\u00e7\u00f5es das outras pessoas. S\u00e3o muitas e variadas. E at\u00e9 certo ponto, criativas. Uma as pessoas, por exemplo, disse que n\u00e3o tinha supersti\u00e7\u00e3o alguma, pois isso d\u00e1 azar!<\/p>\n<p>Por muito tempo, o estudo de cren\u00e7as, religi\u00f5es, supersti\u00e7\u00f5es e teorias de conspira\u00e7\u00e3o era da al\u00e7ada de antrop\u00f3logos sociais e estudiosos culturais. No entanto, dos anos 70 pra c\u00e1, um importante movimento nas Ci\u00eancias Cognitivas tem buscado investigar o surgimento de cren\u00e7as e supersti\u00e7\u00f5es de um ponto de vista mais cognitivo. Basicamente, a id\u00e9ia \u00e9 investigar como a mente humana cria cren\u00e7as e supersti\u00e7\u00f5es, quais fatores est\u00e3o implicados nesse processo e como podemos entender essas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Em outubro de 2008, <span style=\"font-style: italic\">Jennifer Whiston<\/span> da Universidade do Texas e <span style=\"font-style: italic\">Adam Galisnky<\/span> da Universidade Northwestern, executaram uma s\u00e9rie de experimentos mostrando que, um dos fatores respons\u00e1veis pela forma\u00e7\u00e3o de &#8220;padr\u00f5es ilus\u00f3rios&#8221; (ver imagens onde n\u00e3o h\u00e1, perceber conspira\u00e7\u00f5es e desenvolver supersti\u00e7\u00f5es) \u00e9 a falta de controle em certa situa\u00e7\u00e3o. Segundo esses pesquisadores, o desejo de combater incertezas \u00e9 uma das for\u00e7as que guiam os serem humanos. Sempre que enfrentamos uma situa\u00e7\u00e3o que n\u00e3o temos controle \u00e9 natural que imediatamente tentemos re-estabelecer o controle da siua\u00e7\u00e3o, de uma maneira ou de outra.<\/p>\n<p>Para esses pesquisadores, quando n\u00e3o conseguimos re-estabelecer o controle da situa\u00e7\u00e3o de maneira objetiva, n\u00f3s o fazemos de forma perceptiva. Assim, quando n\u00e3o temos controle da situa\u00e7\u00e3o, &#8220;vemos&#8221; padr\u00f5es e correla\u00e7\u00f5es que n\u00e3o existem, e atr\u00e1ves dessa vis\u00e3o come\u00e7amos a ter controle da situa\u00e7\u00e3o. Os experimentos executados pelos pesquisadores tinham o objetivo geral de mostrar isso: que a falta de controle de uma situa\u00e7\u00e3o \u00e9 respons\u00e1vel pelo surgimento de padr\u00f5es perceptuais ilus\u00f3rios.<\/p>\n<p>No <span style=\"font-weight: bold\">primeiro experimento<\/span>, os pesquisadores tinham o objetivo de mostrar que a falta de controle cria a necessidade de &#8220;ver&#8221; padr\u00f5es onde n\u00e3o existem. Para controlar &#8220;controle da situa\u00e7\u00e3o&#8221; os pesquisadores utilizaram uma esp\u00e9cie de tarefa de identifica\u00e7\u00e3o conceptual. Nessa tarefa, participantes tinham que explicar conceptualmente uma s\u00e9rie de est\u00edmulos. No grupo &#8220;falta-de-controle&#8221;, o feedback que os participantes recebiam n\u00e3o era consistente com as respostas. No grupo base nenhum feedback era dado aos participantes. Para acessar a necessidade de perceber padr\u00f5es, os pesquisadores utilizaram a escala &#8220;<span style=\"font-style: italic\">Personal Need for Structure Scale<\/span>&#8220;. Os resultados mostraram que os participantes no grupo &#8220;falta-de-controle&#8221; demonstraram uma necessidade maior de perceber padr\u00f5es.<\/p>\n<p>No <span style=\"font-weight: bold\">segundo experimento<\/span>, os pesquisadores utilizaram a mesma tarefa para manipular o &#8220;controle da situa\u00e7\u00e3o&#8221; e verificaram em que medida as pessoas no grupo &#8220;falta-de-controle&#8221; enxergariam padr\u00f5es inexistentes. Para acessar isso, os pesquisadores utilizaram uma vers\u00e3o modificada do &#8220;<span style=\"font-style: italic\">picture snowy task<\/span>&#8220;. Os resultados mostraram que os participantes no grupo &#8220;falta-de-controle&#8221; quando comparados com o grupo base, enxergaram mais padr\u00f5es inexistentes.<\/p>\n<p>No <span style=\"font-weight: bold\">terceiro experimento<\/span>, os pesquisadores manipularam o controle da situa\u00e7\u00e3o pedindo que os participante contassem uma situa\u00e7\u00e3o onde eles tinham total controle ou n\u00e3o tinham controle algum. Ap\u00f3s a recontagem, eles tinham que responder perguntas referentes \u00e0 cren\u00e7as supersticiosas. Os participantes que contaram uma situa\u00e7\u00e3o onde n\u00e3o tinham controle tenderam a adotar uma posi\u00e7\u00e3o muito mais superstisiosa que os participantes que contaram uma situa\u00e7\u00e3o em que tinham controle.<\/p>\n<p>O <span style=\"font-weight: bold\">experimento IV<\/span> teve como objetivo mostrar que n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de &#8220;amea\u00e7a&#8221; que \u00e9 respons\u00e1vel pela vis\u00e3o de padr\u00f5es inexistentes, mas sim a falta de controle. Participantes contaram uma situa\u00e7\u00e3o onde algo amea\u00e7ador aconteceu e ent\u00e3o os pesquisadores manipularam o controle ou n\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m da tarefa de identificar objetos (picture snowy task), os pesquisadores acessaram a percep\u00e7\u00e3o de conspira\u00e7\u00e3o. Assim como nos experimentos anteriores, os participantes do grupo &#8220;falta-de-controle&#8221;, quando comparados com o grupo base, viram mais padr\u00f5es inexistentes e endossaram mais teorias de conspira\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Nos <span style=\"font-weight: bold\">\u00faltimos dois experimentos<\/span>, os pesquisadores testaram a mesma hip\u00f3tese, mas no campo das financias. Eles manipularam controle ou n\u00e3o da situa\u00e7\u00e3o do mercado financeiro e verificaram se participantes tediam a ver duas afirma\u00e7\u00f5es n\u00e3o relacionadas, como relacionadas. Novamente, os resultados mostraram que a falta de controle levou os participantes a julgar frases n\u00e3o-relacionadas como relacionadas.<\/p>\n<p>Esses experimentos em geral s\u00e3o importantes por dois motivos principais: primeiro, eles mostram que \u00e9 poss\u00edvel estudar, sob uma perspectiva experimental, assuntos que antes eram estudados apenas de maneira expeculativa. Segundo, eles mostram que pensar em supersti\u00e7\u00f5es, cren\u00e7as, teorias de conspira\u00e7\u00e3o sob uma perspectiva cognitiva n\u00e3o \u00e9 algo &#8220;sem-no\u00e7\u00e3o&#8221;. Muito pelo contr\u00e1rio, \u00e9 uma \u00e1rea bastante promissora dentro das Ci\u00eancias Cognitivas.<\/p>\n<p>Fique ligado para mais <span style=\"font-style: italic\">posts<\/span>.<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: bold\">Refer\u00eancia:<\/span><\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=Trends+in+Cognitive+Sciences&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1016%2FS1364-6613%2899%2901419-9&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Exploring+the+natural+foundations+of+religion&amp;rft.issn=13646613&amp;rft.date=2000&amp;rft.volume=4&amp;rft.issue=1&amp;rft.spage=29&amp;rft.epage=34&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS1364661399014199&amp;rft.au=Barrett%2C+J.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Barrett, J. (2000). Exploring the natural foundations of religion <span style=\"font-style: italic\">Trends in Cognitive Sciences, 4<\/span> (1), 29-34 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1016\/S1364-6613(99)01419-9\" rev=\"review\">10.1016\/S1364-6613(99)01419-9<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns dias atr\u00e1s, recebi um desses email-corrente pedindo que eu listasse as minhas supersti\u00e7\u00f5es mais comuns. Como o email j\u00e1 havia passado por milhares de pessoas antes de chegar a mim, decidi ler as supersti\u00e7\u00f5es das outras pessoas. 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