{"id":96,"date":"2011-04-22T03:01:00","date_gmt":"2011-04-22T09:01:00","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/cognando\/2011\/04\/supercalifragilisticexpialidocious-ou-dociousaliexpisticfragicalirepus\/"},"modified":"2011-04-22T03:01:00","modified_gmt":"2011-04-22T09:01:00","slug":"supercalifragilisticexpialidocious-ou-dociousaliexpisticfragicalirepus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/cognando2\/2011\/04\/22\/supercalifragilisticexpialidocious-ou-dociousaliexpisticfragicalirepus\/","title":{"rendered":"Supercalifragilisticexpialidocious ou Dociousaliexpisticfragicalirepus?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-Q_0Z3_I_syg\/TbEY4iFgseI\/AAAAAAAACWc\/TvibGjUHhuI\/s1600\/Screen+shot+2011-04-21+at+6.14.19+PM.png\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft\" style=\"border-style: initial;border-color: initial;border-width: 0px\" src=\"http:\/\/1.bp.blogspot.com\/-Q_0Z3_I_syg\/TbEY4iFgseI\/AAAAAAAACWc\/TvibGjUHhuI\/s200\/Screen+shot+2011-04-21+at+6.14.19+PM.png\" alt=\"\" width=\"191\" height=\"200\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p>Vou come\u00e7ar com uma confiss\u00e3o: o cl\u00e1ssico da Disney &#8220;<em>Mary Poppins<\/em>&#8221; \u00e9 sim um dos meus filmes favoritos. Fazer o que? Existe um fato curioso da minha rela\u00e7\u00e3o com o filme: lembro de passar horas e \u00a0horas e horas tentando aprender a falar a palavra <em>supercalifragilisticexpialidoucious\u00a0<\/em>(para quem quiser tentar, <a href=\"http:\/\/www.youtube.com\/watch?v=4b-Z0SSyUcw\">clique aqui<\/a>). Sem saber, eu fazia o que fazem os experimentos cl\u00e1ssicos de mem\u00f3ria. Assistia \u00e0 cena v\u00e1rias vezes, desligava a TV e tentava repetir a palavra. Por meses, sem sucesso!<\/p>\n<p>Palavras longas s\u00e3o mesmo dif\u00edceis de serem lembradas. Lembro que antes de estudar alem\u00e3o, eu tinha a impress\u00e3o de que seria preciso uma mem\u00f3ria extraordin\u00e1ria para lembrar todas aquelas palavras gigantes (<a href=\"http:\/\/de.wikipedia.org\/wiki\/Erfrischungsgetr%C3%A4nk\">erfrischungsgetr\u00e4nk<\/a>\u00a0ainda \u00e9 a minha favorita). No entanto, quem fala alem\u00e3o fluentemente (obviamente incluindo os falantes nativos), sabe que n\u00e3o \u00e9 necess\u00e1rio nenhum esfor\u00e7o sobre-humano para se comunicar em alem\u00e3o.<\/p>\n<p>Em Psicologia Cognitiva, um dos t\u00f3picos mais estudados \u00e9 a mem\u00f3ria humana. Acho que todo mundo, pelo menos uma vez na vida, j\u00e1 ouviu falar nos termos <span style=\"text-decoration: underline\">mem\u00f3ria de trabalho<\/span> (ou <span style=\"text-decoration: underline\">mem\u00f3ria de curto-prazo<\/span>) e <span style=\"text-decoration: underline\">mem\u00f3ria de longo-prazo<\/span>. Sendo bem sucinto, quando se trata de informa\u00e7\u00e3o verbal, a mem\u00f3ria de curto-prazo utiliza um mecanismo (cunhado por <em>Alan Baddeley<\/em> e <em>Graham Hitch<\/em> em 1974) conhecido como &#8220;volta fonol\u00f3gica&#8221; (<em>phonological loop<\/em>) &#8212; segundo Marcus Vin\u00edcius Alves (ver coment\u00e1rio abaixo), o termo em Portugu\u00eas \u00e9 &#8220;al\u00e7a fonol\u00f3gica&#8221;. Basicamente ele diz que a capacidade limitada da mem\u00f3ria de curto prazo est\u00e1 relacionada com a capacidade de reter tra\u00e7os fonol\u00f3gicos. \u00c9 por esse motivo que lembrar palavras longas \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que lembrar palavras mais curtas: simplesmente palavras longas t\u00eam mais sons e consequentemente envolve mais informa\u00e7\u00e3o para ser lembrada.<\/p>\n<p>No entanto, algumas pesquisas t\u00eam sugerido que a representa\u00e7\u00e3o fonol\u00f3gica envolvida na &#8220;al\u00e7a fonol\u00f3gica&#8221; n\u00e3o est\u00e1 totalmente dissociada das representa\u00e7\u00f5es sem\u00e2nticas (de significado) guardadas na mem\u00f3ria de longo-prazo. Em outras palavras, se sabemos o significado da palavra, n\u00e3o importa o tamanho da palavra: vamos lembr\u00e1-la de qualquer maneira. \u00c9 por isso que para mim &#8212; um falante nativo da l\u00edngua portuguesa &#8212; \u00e9 mais f\u00e1cil aprender a palavra &#8220;<em>otorrinolaringologista<\/em>&#8221; do que aprender a palavra &#8220;<em>erfrischungsgetr\u00e4nk<\/em>&#8220;. E aprender &#8220;<em>erfrischunsgetr\u00e4nk<\/em>&#8221; \u00e9 muito mais f\u00e1cil do que aprender &#8220;<em>supercalifragilisticexpialidocious<\/em>&#8220;.<\/p>\n<p>Um estudo recente (e muito bacana) desenvolvido por <em>Liz Jefferies<\/em>, <em>Clive Frankish<\/em> e <em>Katie Nobel<\/em> (todos na Inglaterra) mostrou mais evid\u00eancia em favor disso. Na verdade eles mostraram que, a depender de como voc\u00ea apresenta uma lista de palavras (misturada com pseudo-palavras &#8211; tipo NOGUM) ou associadas semanticamente (tipo: MESA e CADEIRA), palavras longas s\u00e3o lembradas <span style=\"text-decoration: underline\">mais facilmente<\/span> que palavras pequenas. Em outras palavras: no estudo deles, as palavras longas eram lembradas muito mais facilmente do que as pseudo-palavras curtas, mostrando que saber o significado da palavra tem sim um papel super importante em como os tra\u00e7os fonol\u00f3gicos s\u00e3o representados na mem\u00f3ria de curto-prazo.<\/p>\n<p>Com isso em mente, minha meta agora \u00e9 aprender a palavra <em>supercalifragilisticexpialidocious<\/em> ao contr\u00e1rio. Talvez basta eu associar um significado \u00e0 ela???<\/p>\n<p>Refer\u00eancia:<\/p>\n<p><span class=\"Z3988\" title=\"ctx_ver=Z39.88-2004&amp;rft_val_fmt=info%3Aofi%2Ffmt%3Akev%3Amtx%3Ajournal&amp;rft.jtitle=The+Quarterly+Journal+of+Experimental+Psychology&amp;rft_id=info%3Adoi%2F10.1080%2F17470218.2010.495159&amp;rfr_id=info%3Asid%2Fresearchblogging.org&amp;rft.atitle=Strong+and+long%3A+Effects+of+word+length+on+phonological+binding+in+verbal+short-term+memory&amp;rft.issn=1747-0218&amp;rft.date=2011&amp;rft.volume=64&amp;rft.issue=2&amp;rft.spage=241&amp;rft.epage=260&amp;rft.artnum=http%3A%2F%2Fwww.informaworld.com%2Fopenurl%3Fgenre%3Darticle%26doi%3D10.1080%2F17470218.2010.495159%26magic%3Dcrossref%257c%257cD404A21C5BB053405B1A640AFFD44AE3&amp;rft.au=Jefferies%2C+E.&amp;rft.au=Frankish%2C+C.&amp;rft.au=Noble%2C+K.&amp;rfe_dat=bpr3.included=1;bpr3.tags=Psychology%2CCognitive+Psychology+Linguistics\">Jefferies, E., Frankish, C., &amp; Noble, K. (2011). Strong and long: Effects of word length on phonological binding in verbal short-term memory <span style=\"font-style: italic\">The Quarterly Journal of Experimental Psychology, 64<\/span> (2), 241-260 DOI: <a href=\"http:\/\/dx.doi.org\/10.1080\/17470218.2010.495159\" rev=\"review\">10.1080\/17470218.2010.495159<\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Vou come\u00e7ar com uma confiss\u00e3o: o cl\u00e1ssico da Disney &#8220;Mary Poppins&#8221; \u00e9 sim um dos meus filmes favoritos. Fazer o que? 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