{"id":310,"date":"2012-01-20T15:18:04","date_gmt":"2012-01-20T18:18:04","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/?p=310"},"modified":"2012-01-20T15:18:04","modified_gmt":"2012-01-20T18:18:04","slug":"o-mundo-depois-do-apocalipse","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2012\/01\/20\/o-mundo-depois-do-apocalipse\/","title":{"rendered":"O mundo depois do Apocalipse"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong><a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/icon.gif\" data-rel=\"lightbox-image-0\" data-rl_title=\"\" data-rl_caption=\"\" title=\"\"><img decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-254\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/icon.gif\" alt=\"\" width=\"30\" height=\"30\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/icon.gif 30w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/icon-24x24.gif 24w\" sizes=\"(max-width: 30px) 100vw, 30px\" \/><\/a>Como o planeta Terra recuperou-se ap\u00f3s o famoso K-Pg (o grande evento de extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros)?\u00a0<\/strong><strong>No Brasil, um importante dep\u00f3sito fossil\u00edfero nos d\u00e1 uma ideia de como o mundo se parecia pouco depois dessa cat\u00e1strofe. Conhe\u00e7a a <span style=\"color: #008000\">Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itabora\u00ed! <\/span><\/strong>O \u00fanico dep\u00f3sito brasileiro que registra a radia\u00e7\u00e3o dos mam\u00edferos ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros.<em><span style=\"color: #888888\">\u00a0<\/span><\/em><\/p>\n<figure style=\"width: 612px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/Bacia_itaborai1.jpg\" alt=\"\" width=\"612\" height=\"395\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">A Bacia de Itabora\u00ed no in\u00edcio do s\u00e9culo XXI<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Sem sombra de d\u00favida os dinossauros sempre foram a grande vedete da paleontologia. A fama deles chega por vezes a ofuscar outros personagens do nosso passado geol\u00f3gico. Todavia, n\u00e3o h\u00e1 momento mais importante para n\u00f3s, mam\u00edferos, do que o per\u00edodo logo ap\u00f3s a extin\u00e7\u00e3o desses gigantes. S\u00e3o as criaturas dessa &#8220;\u00e9poca p\u00f3s-apocal\u00edptica&#8221;, que\u00a0revolucionariam o mundo para que ele, um dia, viesse a se tornar o que \u00e9 hoje.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">O Paleoceno \u00e9 a primeira \u00e9poca do Per\u00edodo Pale\u00f3geno,\u00a0dentro da Era Cenoz\u00f3ica.\u00a0Ele sucede diretamente o Cret\u00e1ceo, o \u00faltimo per\u00edodo da Era Mesoz\u00f3ica. O Paleoceno est\u00e1 compreendido entre 66 e 55 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s,\u00a0aproximadamente, e \u00e9 seguido pelo Eoceno, o Oligoceno, o Mioceno, o Plioceno, o Pleistoceno e o Holoceno (\u00e9poca atual), respectivamente (veja imagem abaixo).<\/p>\n<figure style=\"width: 500px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img decoding=\"async\" src=\"http:\/\/www.google.com.br\/url?source=imglanding&amp;ct=img&amp;q=http:\/\/www.drm.rj.gov.br\/admin_fotos\/lagoa_imboassica\/figura1.gif&amp;sa=X&amp;ei=vGYZT96DPdG2twfq8-SPCw&amp;ved=0CAwQ8wc&amp;usg=AFQjCNFF8fnLSFdXDtC209FlA3nbVwqRuw\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"292\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Escala do tempo geol\u00f3gico enfatizando a Era Cenoz\u00f3ica<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\">Com rela\u00e7\u00e3o ao clima e a geografia, durante o Paleoceno o mundo era muito semelhante \u00e0quele cret\u00e1cico. O clima era relativamente mais quente que o atual &#8211; <em>tendo atingido um pico t\u00e9rmico no final do\u00a0dessa \u00e9poca, leia mais sobre isso em\u00a0<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2011\/11\/terra-febril\/\">&#8220;Terra Febril&#8221;<\/a><\/em>\u00a0&#8211; e os continentes continuavam a sua lenta marcha para a posi\u00e7\u00e3o atual. Biologicamente, no entanto, o planeta estava radicalmente mudado. As criaturas nos mares n\u00e3o eram mais as mesmas\u00a0e os ecossistemas terrestres tamb\u00e9m n\u00e3o. Os\u00a0arcossauros, vertebrados\u00a0que haviam dominado\u00a0o planeta Terra at\u00e9 o final do Cret\u00e1ceo, encontravam-se baqueados. Tinha in\u00edcio a grande revolu\u00e7\u00e3o mamaliana.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os espa\u00e7os ecol\u00f3gicos deixados vagos pelos grandes dinossauros\u00a0com a extin\u00e7\u00e3o do K-Pg\u00a0seriam paulatinamente ocupados por outros grupos de organismos. Entre eles, os mam\u00edferos, que come\u00e7am a assumir algumas posi\u00e7\u00f5es chaves nos ecossistemas a partir do Paleoceno. A origem evolutiva das grandes fam\u00edlias\u00a0mamalianas\u00a0parece ter raiz no Cret\u00e1ceo, mas \u00e9 a partir do Paleoceno\u00a0que ocorre uma grande diversifica\u00e7\u00e3o de formas desse grande grupo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Os dep\u00f3sitos\u00a0do Paleoceno\u00a0s\u00e3o relativamente raros no mundo e os mais estudados est\u00e3o\u00a0na Am\u00e9rica do Norte, como Crazy Montain field, por exemplo, nos Estados Unidos. A raridade desses dep\u00f3sitos \u00e9 apenas o\u00a0primeiro fator que torna a <strong>Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itabora\u00ed<\/strong>\u00a0, no Brasil, t\u00e3o importante. O segundo \u00e9, sem d\u00favida, a qualidade dos seus f\u00f3sseis. O dep\u00f3sito brasileiro, que cont\u00eam f\u00f3sseis com preserva\u00e7\u00e3o excepcional, est\u00e1 localizado no estado do Rio de Janeiro, no munic\u00edpio que lhe d\u00e1 o nome: Itabora\u00ed, mais especificamente, no distrito de S\u00e3o Jos\u00e9. A bacia \u00e9 pequena, uma das menores do Brasil, mas isso \u00e9 inversamente proporcional a sua relev\u00e2ncia cient\u00edfica. Ela \u00e9 reconhecida\u00a0internacionalmente e j\u00e1 recebeu a visita de diversos pesquisadores\u00a0do mundo todo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A surpreendente Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Itabora\u00ed nos d\u00e1 uma id\u00e9ia de como teria sido o mundo pouco tempo\u00a0depois da extin\u00e7\u00e3o que marcou o fim do Cret\u00e1ceo. Se voc\u00ea nunca ouviu falar sobre este patrim\u00f4nio geo-paleontol\u00f3gico brasileiro, aqui vai uma oportunidade de conhec\u00ea-lo:<\/p>\n<p><strong>Convidamos a<\/strong><span style=\"text-align: justify\"><strong>\u00a0<span style=\"color: #008000\"><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?metodo=apresentar&amp;id=K4786758A3\">Dra. Lilian P. Bergqvist<\/a><\/span> e sua aluna\u00a0<span style=\"color: #008000\"><a href=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/visualizacv.do?id=S8429906\">Stella Barbara S. Prestes<\/a><\/span>, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), para nos contar parte da hist\u00f3ria desse importante dep\u00f3sito sedimentar, que tem revelado fragmentos importantes do\u00a0in\u00edcio\u00a0da hist\u00f3ria da fauna neotropical moderna.<\/strong><\/span><br \/>\n<span style=\"color: #333333\">&#8212; <img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"http:\/\/buscatextual.cnpq.br\/buscatextual\/servletrecuperafoto?id=K4786758A3\" alt=\"\" width=\"53\" height=\"64\" \/><em>Dra. Lilian P. Bergqvist <\/em>atualmente \u00e9 professora do Departamento de Geologia da UFRJ, ela\u00a0estuda os mam\u00edferos f\u00f3sseis da Bacia de Itabora\u00ed desde o in\u00edcio de sua carreira acad\u00eamica e, melhor do que ningu\u00e9m, pode nos introduzir \u00e0 hist\u00f3ria e a import\u00e2ncia deste lugar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #333333\">&#8212; <em>Stella Barbara S. Prestes<\/em>\u00a0\u00e9 graduanda em Ci\u00eancias Biol\u00f3gicas pela UFRJ e participa ativamente dos trabalhos realizados na regi\u00e3o, al\u00e9m de atualmente desenvolver um projeto educacional e de divulga\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o ao Parque Paleontol\u00f3gico de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itabora\u00ed.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><strong><span style=\"color: #008000\">A BACIA DE S\u00c3O JOS\u00c9 DE ITABORA\u00cd<\/span><\/strong><br \/>\n<strong><span style=\"color: #008000\"><em><span style=\"color: #000000\">\u00a0Por Stella Barbara S. Prestes e Lilian P. Bergqvist<\/span><\/em><\/span><\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #999999\">A Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itabora\u00ed est\u00e1 localizada no estado do Rio de Janeiro. Trata-se de uma das menores bacias sedimentares brasileiras (cerca de 1.000 metros de comprimento por 500 m de largura), contendo o mais antigo registro continental Cenoz\u00f3ico do Brasil.<\/span><\/p>\n<figure style=\"width: 505px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/mapa.jpg\" alt=\"\" width=\"505\" height=\"364\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Localiza\u00e7\u00e3o da Bacia de Itabora\u00ed<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #999999\">Possui registros de rochas que variam de cerca de 70-65 milh\u00f5es de anos at\u00e9 dep\u00f3sitos recentes relacionados ao homem pr\u00e9-hist\u00f3rico (8.100 anos). Esta bacia sedimentar \u00e9 preenchida principalmente por deposi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de calc\u00e1rios em uma depress\u00e3o associada aos fen\u00f4menos tect\u00f4nicos que originaram a Serra do Mar. Tamb\u00e9m s\u00e3o encontrados dep\u00f3sitos detr\u00edticos. Alguns autores associam a origem do calc\u00e1rio \u00e0 dissolu\u00e7\u00e3o dos m\u00e1rmores do embasamento cristalino por a\u00e7\u00e3o de fen\u00f4menos de vulcanismo. O fato \u00e9 que, em suas bordas, s\u00e3o encontradas lavas vulc\u00e2nicas (rocha denominada ankaramito), cuja idade foi datada como de 52 milh\u00f5es de anos. Esta lava &#8220;fritou&#8221; os sedimentos da base da bacia, carbonizando peda\u00e7os de vegetais, evidenciados pela presen\u00e7a de galhos e troncos f\u00f3sseis.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">\u00a0Desde 1928 a Bacia de Itabora\u00ed vinha sendo explorada como mina de calc\u00e1rio pela Companhia Mau\u00e1 de Cimento, o terreno foi doado ao munic\u00edpio em 1984, quando a empresa encerrou suas atividades na regi\u00e3o. O cimento produzido neste local foi utilizado para a constru\u00e7\u00e3o do est\u00e1dio Maracan\u00e3 e da ponte Rio-Niter\u00f3i. Ao encerrar atividades, a empresa deixou uma cava de 70 metros de profundidade que foi preenchida por \u00e1gua subterr\u00e2nea e das chuvas, criando um lago artificial que atualmente abastece os moradores do bairro S\u00e3o Jos\u00e9.<\/p>\n<p><figure style=\"width: 221px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/sigep.cprm.gov.br\/sitio123\/sitio123_Fig01_mini.jpg\" alt=\"\" width=\"221\" height=\"153\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Bacia de Itabora\u00ed em 1957<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure style=\"width: 448px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"http:\/\/storage.mais.uol.com.br\/183608?ver=1\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"293\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Cimento Mau\u00e1, produzido por meio do calc\u00e1rio da regi\u00e3o de Itabora\u00ed<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure style=\"width: 514px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"http:\/\/www.google.com.br\/url?source=imglanding&amp;ct=img&amp;q=http:\/\/4.bp.blogspot.com\/-8TsSONIfzUc\/TX-jngS8LVI\/AAAAAAAAB7A\/uwFwuAvaXDo\/s1600\/Sandro%2BGiron%2B%25283%2529.JPG&amp;sa=X&amp;ei=M4sZT97IFYLqtgeRnIyYCw&amp;ved=0CAwQ8wc4Qw&amp;usg=AFQjCNFBtn3R-nrXqZ61juhmF9QttdCY9w\" alt=\"\" width=\"514\" height=\"342\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Bacia de Itabora\u00ed em 2010 &#8211; Fonte: Prefeitura de Itabora\u00ed<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #999999\">Dentro das fendas que cortavam os calc\u00e1rios foram encontrados f\u00f3sseis da \u00e9poca Paleoceno do per\u00edodo Paleogeno de Itabora\u00ed, relacionados aos existentes na Patag\u00f4nia e sem outros representantes nas Am\u00e9ricas. Eles s\u00e3o respons\u00e1veis pela defini\u00e7\u00e3o, reconhecida na coluna internacional de tempo geol\u00f3gico, como <strong>andar Itaboraiense<\/strong>.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Esta Bacia \u00e9 ricamente fossil\u00edfera, tendo sido coletados milhares de f\u00f3sseis de animais (gastr\u00f3podes, mam\u00edferos, aves, r\u00e9pteis e anf\u00edbios) e vegetais. Os gastr\u00f3podes e os mam\u00edferos s\u00e3o os f\u00f3sseis mais abundantes. Os primeiros s\u00e3o comuns no calc\u00e1rio argiloso cinzento que formava o assoalho da bacia, enquanto os mam\u00edferos s\u00e3o predominantes nos sedimentos que preenchiam as fendas que cortavam verticalmente os calc\u00e1rios. Restos de pregui\u00e7a gigante, mastodonte e tartaruga foram encontrados em pequeno dep\u00f3sito de cascalho ao sul da bacia.<\/p>\n<p><figure style=\"width: 523px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/ambiente.jpg\" alt=\"\" width=\"523\" height=\"385\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Reconstitui\u00e7\u00e3o art\u00edstica de como a regi\u00e3o da Bacia de Itabora\u00ed seria durante o Paleoceno &#8211; por Wagner Bromerschenkel, 2005<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure style=\"width: 320px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/4246a.jpg\" alt=\"\" width=\"320\" height=\"242\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Reconstitui\u00e7\u00e3o de Protodidelphis, uma das esp\u00e9cies de mam\u00edferos f\u00f3sseis encontrados na Bacia de Itabora\u00ed &#8211; Por Maur\u00edlio de Oliveira<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure style=\"width: 527px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/fossil.jpg\" alt=\"\" width=\"527\" height=\"395\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Reconstitui\u00e7\u00e3o esqueletal de Carodnia vierai, um dos mais ilustres mam\u00edferos f\u00f3sseis paleoc\u00eanicos da Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itabora\u00ed, foto por Paul J\u00fcrgens. Este animal teria 2,20m de comprimento e chegaria a 400kg.<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"color: #999999\">No ano de 1990, a prefeitura municipal de Itabora\u00ed declarou a \u00e1rea antes explorada pela companhia de cimento como utilidade p\u00fablica, e em 1995, finalmente foi criado o Parque Paleontol\u00f3gico de Itabora\u00ed.<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p style=\"text-align: justify\">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bom, quanto ao <span style=\"color: #339966\">Parque Paleontol\u00f3gico de Itabora\u00ed<\/span>, a\u00ed j\u00e1 \u00e9 outra hist\u00f3ria sobre a qual tamb\u00e9m se tem muito para contar! Profa. Lilian e Stella j\u00e1 est\u00e3o convidadas a voltar e escrever mais para os &#8220;Colecionadores de Ossos&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Nos resta exaltar mais uma vez <strong>a import\u00e2ncia dessa \u00e1rea sedimentar brasileira <\/strong>e lembrar que al\u00e9m do registro paleoc\u00eanico,\u00a0 a regi\u00e3o do distrito de S\u00e3o Jos\u00e9, em Itabora\u00ed (RJ), tamb\u00e9m guarda a inestim\u00e1vel evid\u00eancia da presen\u00e7a de megafauna pleistoc\u00eanica no Rio de Janeiro e a ocorr\u00eancia de artefatos arqueol\u00f3gicos. Estes \u00faltimos,\u00a0de idades bem mais recentes&#8230;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Voltando um pouquinho para essa hist\u00f3ria de &#8220;mundo p\u00f3s-apocal\u00edptico&#8221;, o que Itabora\u00ed nos mostra \u00e9 que, mesmo pouco tempo depois da grande extin\u00e7\u00e3o que p\u00f4s fim \u00e0 &#8220;Era dos Dinossauros&#8221;, o mundo j\u00e1 transbordava de vida. Os mam\u00edferos se diversificavam nas ru\u00ednas de outros grandes grupos do passado, e avan\u00e7avam em um planeta quente e \u00famido: uma nova era. O Paleoceno foi um per\u00edodo importante de recoloniza\u00e7\u00e3o e reconquista de espa\u00e7o para os sin\u00e1psidos, que estavam no &#8220;banco de reservas&#8221; biol\u00f3gico desde o Permiano-Tri\u00e1ssico. Mesmo que praticamente toda fauna paleoc\u00eanica tenha sido extinta at\u00e9 o meio do Eoceno, este per\u00edodo de tempo foi estrat\u00e9gico, e funcionou como o gatilho para a franca expans\u00e3o mamaliana e a sua soberania no que diz respeito a ocupa\u00e7\u00e3o de nichos terrestres e aqu\u00e1ticos atuais. A recupera\u00e7\u00e3o foi\u00a0 r\u00e1pida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">A nossa li\u00e7\u00e3o para 2012 e toda essa hist\u00f3ria maluca de &#8220;fim do mundo&#8221; \u00e9:\u00a0a vida sempre volta a florescer, mesmo depois de grandes cat\u00e1strofes. Geralmente o que acontece \u00e9 uma troca de personagens principais. Se ocorresse alguma grande cat\u00e1strofe global agora, que levasse a extin\u00e7\u00e3o da humanidade, rapidamente algum outro grupo de organismos\u00a0tomaria a frente, assim como os mam\u00edferos fizeram logo ap\u00f3s a queda dos dinossauros. Fica a dica do Ian Malcom (personagem criado por Michael Crichton em Jurassic Park): &#8220;Life always finds a way&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><em>Refer\u00eancias<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\">Bergqvist, l.P.; Moreira, a.L. &amp; Pinto, d.R. 2006. Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itabora\u00ed-75 anos de hist\u00f3ria e ci\u00eancia. Rio de Janeiro, CPRM- MMe, p. 81.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><strong>Veja mais informa\u00e7\u00f5es e detalhes sobre a Bacia de Itabora\u00ed no SIGEP &#8211; clique <a href=\"http:\/\/sigep.cprm.gov.br\/sitio123\/sitio123.pdf\">AQUI<\/a>\u00a0&#8211; <em>Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 do Itabora\u00ed, ber\u00e7o dos mam\u00edferos no Brasil<\/em><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Como o planeta Terra recuperou-se ap\u00f3s o famoso K-Pg (o grande evento de extin\u00e7\u00e3o dos dinossauros)?\u00a0No Brasil, um importante dep\u00f3sito fossil\u00edfero nos d\u00e1 uma ideia de como o mundo se parecia pouco depois dessa cat\u00e1strofe. Conhe\u00e7a a Bacia de S\u00e3o Jos\u00e9 de Itabora\u00ed! O \u00fanico dep\u00f3sito brasileiro que registra a radia\u00e7\u00e3o dos mam\u00edferos ap\u00f3s a &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2012\/01\/20\/o-mundo-depois-do-apocalipse\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">O mundo depois do Apocalipse<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":489,"featured_media":254,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[16,46,64],"tags":[],"class_list":["post-310","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cenozoico","category-mamiferos","category-paleogeno"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2012\/01\/icon.gif","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/users\/489"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=310"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/310\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media\/254"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=310"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=310"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=310"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}