{"id":3873,"date":"2017-04-19T12:06:45","date_gmt":"2017-04-19T15:06:45","guid":{"rendered":"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/?p=3873"},"modified":"2017-04-19T12:06:45","modified_gmt":"2017-04-19T15:06:45","slug":"ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2017\/04\/19\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/","title":{"rendered":"Ilustrando Ci\u00eancia: a hist\u00f3ria da Ilustra\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify\"><strong>Artigo de Pedro H. Morais<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o \u00e9 de hoje que os desenhos e ilustra\u00e7\u00f5es est\u00e3o no cotidiano do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Homo sapiens<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. Desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria biol\u00f3gica dessa esp\u00e9cie, a ilustra\u00e7\u00e3o tem sido usada para contar uma hist\u00f3ria, retratar um fato, expressar uma ideia, mostrar algo que, de outra forma, n\u00e3o seria t\u00e3o simples de se transmitir. A necessidade (ou admira\u00e7\u00e3o) fez com que nossos ancestrais utilizassem da ilustra\u00e7\u00e3o para demonstrar o que viam no seu cotidiano, usando como tela as paredes de cavernas e como tinta o que dispunham na natureza. Nesse momento, a tentativa de se retratar com detalhes a fauna local, ou fatos do cotidiano, ou at\u00e9 mesmo contar uma hist\u00f3ria, fez (por assim dizer) nascer a ilustra\u00e7\u00e3o, que no futuro teria diversas vertentes, sendo uma delas a ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica. <\/span><span style=\"font-weight: 400\">As primeiras ilustra\u00e7\u00f5es datam de 30.000 anos a.C. (Paleol\u00edtico Superior), e ficam nas <\/span><span style=\"font-weight: 400\">Cavernas de Chauvet, na Fran\u00e7a. Essas, chamadas de pinturas rupestres, foram estrelas de um document\u00e1rio (<\/span><span style=\"font-weight: 400\">A Caverna dos Sonhos Esquecidos de 2010 &#8211; dispon\u00edvel no Netflix!). N\u00e3o s\u00f3 restrito a Fran\u00e7a, mas pelo mundo se encontram outras dessas ilustra\u00e7\u00f5es, como na Gruta de Rod\u00e9sia, na regi\u00e3o central da \u00c1frica, na caverna de El Castillo, no norte da Espanha, no Brasil, como as encontradas na Serra da Capivara em no parque nacional que leva o mesmo nome, no Piau\u00ed (entre outros pelo mundo a fora).<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_3875\" aria-describedby=\"caption-attachment-3875\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/618-pt\/\" rel=\"attachment wp-att-3875\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3875\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/618.pt_-620x411.jpg\" alt=\"Caverna de Chauvet, na Fran\u00e7a\" width=\"620\" height=\"411\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3875\" class=\"wp-caption-text\">Caverna de Chauvet, na Fran\u00e7a<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_3876\" aria-describedby=\"caption-attachment-3876\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/2014-745177217-2014-744055489-serra-da-capivara-2-jpg_20140820-jpg_2014082\/\" rel=\"attachment wp-att-3876\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3876\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/2014-745177217-2014-744055489-serra-da-capivara-2.jpg_20140820.jpg_2014082-620x373.jpg\" alt=\"Pinturas rupestres na Serra da Capivara, Piau\u00ed, Brasil\" width=\"620\" height=\"373\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3876\" class=\"wp-caption-text\">Pinturas rupestres na Serra da Capivara, Piau\u00ed, Brasil<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Apesar desse contexto hist\u00f3rico, podemos chamar a ilustra\u00e7\u00e3o rupestre de &#8220;ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica&#8221;? Bom, segundo Araujo, 2009, \u201cA Ilustra\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica \u00e9 um trabalho que consiste na representa\u00e7\u00e3o fiel de um material biol\u00f3gico determinado, respeitando-se todas as medidas, propor\u00e7\u00f5es e contraste de cores, mesmo que em preto e branco.\u201d De certa forma, se considerarmos que as pinturas rupestres visam demonstrar, com certa fidelidade (para a \u00e9poca) a fauna e seu comportamento, consideramos estas como \u201cas primeiras ilustra\u00e7\u00f5es cient\u00edficas\u201d. A necessidade de se conhecer a fauna e a flora era uma quest\u00e3o de sobreviv\u00eancia e, transmitir esse conhecimento, era crucial para a sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o. Passando da hist\u00f3ria muito antiga, para uma \u00e9poca um pouco mais nova, chegamos as ilustra\u00e7\u00f5es medievais, que tinha um cunho de admira\u00e7\u00e3o e religioso (talvez filos\u00f3fico) pela natureza, tratando-a em muitas culturas como divindades. As primeiras ilustra\u00e7\u00f5es com cunho realmente cient\u00edfico filos\u00f3fico viriam a surgir a partir de pensadores que ilustravam animais baseados em descri\u00e7\u00f5es feita por fil\u00f3sofos e n\u00e3o no contato com os exemplares, n\u00e3o sendo t\u00e3o realista, uma vez que tem um toque da imagina\u00e7\u00e3o do autor. Por volta do s\u00e9culo 2 ou 3 o manuscrito <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Physiologus<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\"> que, juntamente com outros manuscritos, em principal <\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Etymologiae<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, deram origem aos primeiros Besti\u00e1rios, livros que carregavam n\u00e3o somente textos religiosos, mas tamb\u00e9m ilustra\u00e7\u00f5es e descri\u00e7\u00f5es das faunas, carregadas de conceitos fantasiosos e moral religiosas (por exemplo: o mau agouro das corujas, relacionadas a bruxaria e magia negra).<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3877\" aria-describedby=\"caption-attachment-3877\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/76-fisiologo_di_berna_-_pantera\/\" rel=\"attachment wp-att-3877\"><img decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3877\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/76-Fisiologo_di_Berna_-_Pantera-620x829.jpg\" alt=\"P\u00e1gina do Physiologus, baseado em descri\u00e7\u00f5es anteriores ao ilustrador.\" width=\"620\" height=\"829\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3877\" class=\"wp-caption-text\">P\u00e1gina do Physiologus, baseado em descri\u00e7\u00f5es anteriores ao ilustrador.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Passando dessa \u00e9poca, chegamos ao Renascimento (s\u00e9culo XV), onde a natureza \u00e9 retratada com fidelidade pelos cientistas da \u00e9poca, uma vez que a Raz\u00e3o se torna alvo destes, e a arte toma seu lugar na sociedade. Nessa \u00e9poca temos o famoso Leonardo da Vinci e suas obras de cunho anat\u00f4mico (muitas delas dispon\u00edveis na internet). Avan\u00e7ando mais um pouco na hist\u00f3ria (s\u00e9culo XVII) chegamos a inven\u00e7\u00e3o do microsc\u00f3pio composto, por Robert Hooke, que revolucionou a ci\u00eancia, podendo descrever e estudar materiais inacess\u00edveis aos olhos nus. Este teve sua contribui\u00e7\u00e3o as ilustra\u00e7\u00f5es cient\u00edficas. Avan\u00e7ando mais na Hist\u00f3ria chegamos aos avan\u00e7os biol\u00f3gicos proporcionados por Charles Darwin e a teoria da Sele\u00e7\u00e3o Natural. Com suas viagens rendendo alguns manuscritos e, claro, ilustra\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, algumas delas bem conhecidas aos leitores de \u201cA Origem das Esp\u00e9cies\u201d.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_3878\" aria-describedby=\"caption-attachment-3878\" style=\"width: 510px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/homemvitruviano2\/\" rel=\"attachment wp-att-3878\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3878\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/homemvitruviano2.jpg\" alt=\"Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci descrevendo as propor\u00e7\u00f5es do corpo humano.\" width=\"510\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/homemvitruviano2.jpg 510w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/homemvitruviano2-255x300.jpg 255w\" sizes=\"(max-width: 510px) 100vw, 510px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3878\" class=\"wp-caption-text\">Homem Vitruviano de Leonardo da Vinci descrevendo as propor\u00e7\u00f5es do corpo humano.<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_3879\" aria-describedby=\"caption-attachment-3879\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/d9f44ba7f6adcee495b6c0e44a63701c\/\" rel=\"attachment wp-att-3879\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3879\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/d9f44ba7f6adcee495b6c0e44a63701c-620x457.jpg\" alt=\"Pulga desenhada a partir das observa\u00e7\u00f5es de Robert Hooke, no primeiro microsc\u00f3pio tamb\u00e9m criado por ele.\" width=\"620\" height=\"457\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3879\" class=\"wp-caption-text\">Pulga desenhada a partir das observa\u00e7\u00f5es de Robert Hooke, no primeiro microsc\u00f3pio tamb\u00e9m criado por ele.<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_3880\" aria-describedby=\"caption-attachment-3880\" style=\"width: 560px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/_80981743_darwin_s_galapagos_finches\/\" rel=\"attachment wp-att-3880\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-3880\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/80981743_darwin_s_galapagos_finches.jpg\" alt=\"Tentilh\u00f5es de Gal\u00e1pagos ilustrados por Darwin.\" width=\"560\" height=\"315\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/80981743_darwin_s_galapagos_finches.jpg 560w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/80981743_darwin_s_galapagos_finches-300x169.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3880\" class=\"wp-caption-text\">Tentilh\u00f5es de Gal\u00e1pagos ilustrados por Darwin.<\/figcaption><\/figure><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">J\u00e1 em tempos mais pr\u00f3ximos, temos grandes ilustradoras, como Maria Sibylla Merian (1647 \u2013 1717), naturalista e ilustradora alem\u00e3 que ilustrava principalmente insetos e plantas e Margaret Mee (1909 \u2013 1988), ilustradora bot\u00e2nica que tinha foco na flora e era apaixonada pelo Brasil, em principal a Amaz\u00f4nia. Em tempos atuais, temos ilustradores como Pedro Salgado, ilustrador portugu\u00eas com enfoque em peixes; os brasileiros Rogerio Lupo, bi\u00f3logo e ilustrador; Leandro Lopes, professor e ilustrador; Diana Carneiro, artista pl\u00e1stica e ilustradora bot\u00e2nica (aluna da Margaret Mee); Bem como muitos outros (Ines Castineira, Vanessa Seiko, Paulo Presti, Fatima Zagonel, Iriam Starling, Marcos Silva), que tamb\u00e9m merecem estar aqui citados nesse texto.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_3881\" aria-describedby=\"caption-attachment-3881\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/margaret-mee-1958\/\" rel=\"attachment wp-att-3881\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3881\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/006-620x835.jpg\" alt=\"Pitcairnia flammea, ilustra\u00e7\u00e3o de Margaret Mee.\" width=\"620\" height=\"835\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3881\" class=\"wp-caption-text\">Pitcairnia flammea, ilustra\u00e7\u00e3o de Margaret Mee.<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<figure id=\"attachment_3882\" aria-describedby=\"caption-attachment-3882\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/gafanhoto2\/\" rel=\"attachment wp-att-3882\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3882\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/gafanhoto2-620x354.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o de Leandro Lopes.\" width=\"620\" height=\"354\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3882\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o de Leandro Lopes.<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<b>A ilustra\u00e7\u00e3o \u00e9 coisa do Passado?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Com o surgimento de novas t\u00e9cnicas de se registrar imagens, \u00e9 f\u00e1cil imaginar que a ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica seria rapidamente descartada. Por\u00e9m, isso n\u00e3o aconteceu. A\u00a0fotografia s\u00f3 se tornou poss\u00edvel em 1827. Nessa \u00e9poca, cada\u00a0foto levava at\u00e9 8 horas para ser conclu\u00edda, o que n\u00e3o era muito eficiente, uma vez que um animal, por exemplo, n\u00e3o ficaria parado para isso tanto tempo. Mesmo com a fotografia, o uso de ilustra\u00e7\u00f5es nunca foi deixado de lado pela ci\u00eancia. As ilustra\u00e7\u00f5es em artigos cient\u00edficos permitem um maior detalhamento, que, em muitas das vezes, somente a fotografia n\u00e3o seria capaz. Por mais que nos tempos atuais a fotografia e qualidade de imagem vem sendo cada vez mais avan\u00e7ada, a necessidade de determinados planos e detalhes s\u00f3 s\u00e3o alcan\u00e7ados por meio de uma ilustra\u00e7\u00e3o complementar.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o somente a fotografia, como novas t\u00e9cnicas de ilustra\u00e7\u00e3o foram surgindo ao longo da hist\u00f3ria, entre elas a aquarela, o nanquim, o\u00a0<\/span><i><span style=\"font-weight: 400\">Scratch Board<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">, o Estereomicrosc\u00f3pio com c\u00e2mara clara (todas essas e mais informa\u00e7\u00f5es no link) e, claro, na era do computador, n\u00e3o poderia faltar a ilustra\u00e7\u00e3o digital. Para cada t\u00e9cnica tem-se um uso e uma finalidade dependendo do que se deseja ilustrar. Para isso \u00e9 muito importante que a ilustra\u00e7\u00e3o e o artigo sejam complementares.<\/span><\/p>\n<p><figure id=\"attachment_3883\" aria-describedby=\"caption-attachment-3883\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/attachment\/06977141700\/\" rel=\"attachment wp-att-3883\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3883\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/06977141700-620x382.jpg\" alt=\"Ilustra\u00e7\u00e3o em aquarela de Dulce Nascimento.\" width=\"620\" height=\"382\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3883\" class=\"wp-caption-text\">Ilustra\u00e7\u00e3o em aquarela de Dulce Nascimento.<\/figcaption><\/figure><br \/>\n<b>Paleoarte \u00e9 a mesma coisa que ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica?<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\"> Certamente voc\u00ea deve ter se perguntado se esse texto n\u00e3o falaria sobre &#8220;Paleoarte&#8221;&#8230; mas \u00e9 claro que sim!<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_3884\" aria-describedby=\"caption-attachment-3884\" style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignleft\"><a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/e99fac06f2b9f4bd0a9dd6b17b1d158d\/\" rel=\"attachment wp-att-3884\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-3884\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/e99fac06f2b9f4bd0a9dd6b17b1d158d-620x243.jpg\" alt=\"Exemplo de paleoarte. Arte de Andrey Atuchin.\" width=\"620\" height=\"243\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-3884\" class=\"wp-caption-text\">Exemplo de paleoarte. Arte de Andrey Atuchin.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Uma pergunta bastante pol\u00eamica \u00e9 se &#8220;Paleoarte&#8221; poderia ser considerada &#8220;ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica&#8221;. Bem, teoricamente n\u00e3o. A &#8220;paleoarte&#8221; tem o intuito de reconstruir ambientes, faunas e floras baseados no registro fossil\u00edfero, juntamente com o a compara\u00e7\u00e3o\/ estudo de ambientes, faunas e floras atuais. A partir disso, podemos concluir que,\u00a0pelo menos uma parte\u00a0do trabalho do paleoartista depende de dedu\u00e7\u00f5es interpretativas. &#8220;Ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica&#8221;, por sua vez, em sua defini\u00e7\u00e3o formal, visa a reprodu\u00e7\u00e3o exata de um modelo em quest\u00e3o, sendo respeitadas as cores, escalas, texturas e o volume, n\u00e3o se acrescendo nenhum fator que n\u00e3o esteja representado no modelo. Considerando essa defini\u00e7\u00e3o, os trabalhos de paleoarte <em>sensu lato<\/em> n\u00e3o poderiam ser consideradas ilustra\u00e7\u00f5es cient\u00edficas.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">Ainda\u00a0assim, como a ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, a &#8220;paleoarte&#8221; tem o rigor cient\u00edfico e visa passar algo fidedigno para os interessados. E agora?! Bom, certamente existe um ponto de intersec\u00e7\u00e3o entre as duas. Dentro das v\u00e1rias formas de &#8220;paleoarte&#8221;, a que poderia ser seguramente classificada como ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica seriam as ilustra\u00e7\u00f5es fidedignas dos f\u00f3sseis em si. As reconstitui\u00e7\u00f5es art\u00edsticas de organismos e ambientes pr\u00e9-hist\u00f3ricos, por mais bem-fundamentadas e embasadas que sejam, n\u00e3o poderiam ser classificadas como ilustra\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, por assim dizer.<\/span><\/p>\n<p><b>Voc\u00ea pode ser um ilustrador<\/b><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A arte ou ci\u00eancia (ou os dois) da ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica \u00e9 uma profiss\u00e3o bem reconhecida nos Estados Unidos, bem como na Europa. Por\u00e9m, infelizmente, esta realidade ainda n\u00e3o alcan\u00e7ou o Brasil. No nosso pa\u00eds, a profiss\u00e3o ainda n\u00e3o \u00e9 regularizada e, diferente dos lugares citados anteriormente, o Brasil ainda n\u00e3o possui\u00a0escolas de gradua\u00e7\u00e3o e\/ou p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o bem-estabelecidas focadas exclusivamente nessa \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o. Isso, todavia, n\u00e3o impede as\u00a0pessoas de\u00a0se tornarem ilustradores cient\u00edficos. Apesar dos caminhos tortuosos, diversos pesquisadores e profissionais brasileiros\u00a0atuam como ilustradores cient\u00edficos e t\u00eam sua compet\u00eancia reconhecida internacionalmente. A grande\u00a0maioria, todavia, ainda exerce a atividade como uma profiss\u00e3o secund\u00e1ria. Muitos cientistas (incluindo a criadora desse Blog, Aline Ghilardi) fazem as ilustra\u00e7\u00f5es de seus pr\u00f3prios artigos e trabalhos cient\u00edficos, por exemplo. <\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">A aus\u00eancia da regulamenta\u00e7\u00e3o implica em diversos problemas para o ilustrador. O mais s\u00e9rio deles fica evidente\u00a0na hora de valorar o\u00a0seu trabalho. Sem um piso ou uma tabela de refer\u00eancia, a profiss\u00e3o do ilustrador acaba por ser desvalorizada e sua atividade desprestigiada.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify\"><span style=\"font-weight: 400\">\u00c0 parte disso, \u00e9 muito importante dizer que a ilustra\u00e7\u00e3o \u00e9 algo que depende de esfor\u00e7o, estudo, paci\u00eancia, treino e perseveran\u00e7a. Na humilde opini\u00e3o desse que vos escreve, existe uma maior rela\u00e7\u00e3o com esfor\u00e7o pr\u00f3prio do que &#8220;dom&#8221; em si. Ent\u00e3o pegue seus l\u00e1pis, cadernos e folhas e comecem a rabiscar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Bibliografia\u00a0citada:<\/span><br \/>\n<span style=\"font-weight: 400\">ARAUJO, Andrea Mendez. Aplica\u00e7\u00f5es da ilustra\u00e7\u00e3o cient\u00edfica em ci\u00eancias biol\u00f3gicas. 2009. 48 f. Trabalho de conclus\u00e3o de curso (bacharelado e licenciatura &#8211; Ci\u00eancias biol\u00f3gicas) &#8211; Universidade Estadual Paulista, Instituto de Bioci\u00eancias de Rio Claro, 2009. Dispon\u00edvel em: &lt;<\/span><a href=\"http:\/\/hdl.handle.net\/11449\/118088\"><span style=\"font-weight: 400\">http:\/\/hdl.handle.net\/11449\/118088<\/span><\/a><span style=\"font-weight: 400\">&gt;.<\/span><br \/>\nP<a href=\"http:\/\/scienceblogs.com.br\/colecionadores\/2017\/04\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n\/\" rel=\"attachment wp-att-3874\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-3874 alignleft\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n.jpg\" alt=\"10500275_4567619606096_6721616458316674469_n\" width=\"158\" height=\"158\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n.jpg 530w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n-300x300.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/10500275_4567619606096_6721616458316674469_n-96x96.jpg 96w\" sizes=\"(max-width: 158px) 100vw, 158px\" \/><\/a>edro \u00e9 bi\u00f3logo e atualmente desenvolve o seu mestrado em\u00a0Geoci\u00eancias pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Pedro t\u00eam experi\u00eancia em Zoologia de Vertebrados, com especialidade em mam\u00edferos, e atualmente estuda biologia e evolu\u00e7\u00e3o de cinodontes mammaliformes.<br \/>\n&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo de Pedro H. Morais N\u00e3o \u00e9 de hoje que os desenhos e ilustra\u00e7\u00f5es est\u00e3o no cotidiano do Homo sapiens. Desde o in\u00edcio da hist\u00f3ria biol\u00f3gica dessa esp\u00e9cie, a ilustra\u00e7\u00e3o tem sido usada para contar uma hist\u00f3ria, retratar um fato, expressar uma ideia, mostrar algo que, de outra forma, n\u00e3o seria t\u00e3o simples de se &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2017\/04\/19\/ilustrando-ciencia-a-historia-da-ilustracao-cientifica\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Ilustrando Ci\u00eancia: a hist\u00f3ria da Ilustra\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":489,"featured_media":3875,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[38],"tags":[],"class_list":["post-3873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geral"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2017\/04\/618.pt_.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/users\/489"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=3873"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/3873\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media\/3875"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=3873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=3873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=3873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}