{"id":4280,"date":"2020-04-16T16:44:40","date_gmt":"2020-04-16T19:44:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/?p=4280"},"modified":"2020-12-09T15:27:43","modified_gmt":"2020-12-09T18:27:43","slug":"krakatoa-em-atividade-e-o-fim-do-mundo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2020\/04\/16\/krakatoa-em-atividade-e-o-fim-do-mundo\/","title":{"rendered":"Krakatoa em atividade: \u00e9 o fim do mundo?"},"content":{"rendered":"\n<p>Texto de <strong>Let\u00edcia Freitas Guimar\u00e3es<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-green-color has-text-color\"><strong>A erup\u00e7\u00e3o do <em>Anak Krakatau<\/em> na noite de 10 de abril causou alvoro\u00e7o nas redes sociais. Not\u00edcias falsas, alarmistas, v\u00eddeos de erup\u00e7\u00f5es passadas e at\u00e9 apofenia astrol\u00f3gica inundaram as redes. Mas por que <em>esta<\/em> erup\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria nos espantar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>O <strong>Anak Krakatoa <\/strong><em>(Anak Krakatau, <\/em>em Indon\u00e9sio) localiza-se no estreito de Sunda, entre as Ilhas de Sumatra e Java, uma regi\u00e3o com <strong>centenas de vulc\u00f5es ativos<\/strong> relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre as placas tect\u00f4nicas Australiana e de Sunda (Figura 1). Este sistema faz parte do chamado <strong>C\u00edrculo de Fogo do Pac\u00edfico<\/strong>, uma regi\u00e3o geologicamente muito ativa, que se estende por cerca de 40.000 km e \u00e9 delimitada por zonas de converg\u00eancia de <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Placa_tect%C3%B3nica\" target=\"_blank\">placas tect\u00f4nicas<\/a> (Figura 2). <strong>Cerca de 75% dos vulc\u00f5es ativos e 90% dos terremotos do planeta est\u00e3o localizados nesta \u00e1rea.<\/strong> N\u00e3o \u00e9 de se espantar, ent\u00e3o, que o <em>Anak Krakatau<\/em> seja um dos vulc\u00f5es mais ativos do mundo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"698\" height=\"459\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/placas.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4282\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/placas.png 698w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/placas-300x197.png 300w\" sizes=\"(max-width: 698px) 100vw, 698px\" \/><figcaption>Figura 1 &#8211; Imagem do Google Earth mostrando a localiza\u00e7\u00e3o do vulc\u00e3o Anak Krakatau (destacado no c\u00edrculo rosado) e alguns outros vulc\u00f5es do arco magm\u00e1tico de Sunda, relacionado \u00e0 subduc\u00e7\u00e3o da Placa Australiana sob a Placa de Sunda (linha dentada amarela). A velocidade do deslocamento da Placa Australiana \u00e9 informada pelas setas brancas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"634\" height=\"447\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/placas2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4283\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/placas2.png 634w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/placas2-300x212.png 300w\" sizes=\"(max-width: 634px) 100vw, 634px\" \/><figcaption>Figura 2 &#8211; Mapa esquem\u00e1tico com as principais fei\u00e7\u00f5es geol\u00f3gicas relacionadas ao <strong>C\u00edrculo de Fogo do Pac\u00edfico.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>As erup\u00e7\u00f5es mais antigas registradas em observa\u00e7\u00f5es hist\u00f3ricas do sistema vulc\u00e2nico de<em> Krakatau<\/em> datam do ano de 250 e, desde ent\u00e3o, este sistema apresenta-se bastante ativo, alternando <strong>fases efusivas<\/strong>, isto \u00e9, com derramamento de lava, e <strong>fases explosivas<\/strong>, com <em>erup\u00e7\u00f5es freatomagm\u00e1ticas<\/em>, <em>fluxos pirocl\u00e1sticos<\/em> e <em>queda de cinzas<\/em> (<strong>veja o Gloss\u00e1rio no final do texto para  ficar por dentro dos termos da vulcanologia<\/strong>). <\/p>\n\n\n\n<p>A <strong>maior erup\u00e7\u00e3o deste sistema ocorreu em 1883<\/strong>, com um <em><a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/%C3%8Dndice_de_Explosividade_Vulc%C3%A2nica\" target=\"_blank\">\u00edndice de explosividade vulc\u00e2nica (VEI)<\/a><\/em> igual a 6 (de uma escala vai at\u00e9 8). Para se ter uma id\u00e9ia da grandiosidade deste evento de 1883 em compara\u00e7\u00e3o a outros importantes eventos eruptivos do mundo veja a Figura 4b. Durante o evento de 1883, o estratovulc\u00e3o<strong> <em>Krakatau<\/em><\/strong> chegou a ter tr\u00eas condutos ativos, ou seja, tr\u00eas aberturas na superf\u00edcie durante sua fase mais violenta (chamada de <em>fase paroxysmal<\/em>) e, ap\u00f3s tr\u00eas meses deste cl\u00edmax, o edif\u00edcio vulc\u00e2nico colapsou. Este colapso gerou um enorme <em>fluxo pirocl\u00e1stico<\/em> que, ao atingir o oceano, gerou <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Tsun%C3%A2mi\" target=\"_blank\">tsunamis<\/a> nas costas de Sumatra e Java, <strong>matando mais de 36 mil pessoas<\/strong>. Alguns anos depois, dentro da caldeira formada pelo colapso do <em>Krakatau<\/em>, surgiu o cone vulc\u00e2nico batizado de <em>Anak Krakatau<\/em> (filho de <em>Krakatau<\/em>, em indon\u00e9sio), ativo desde 1927.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"459\" height=\"745\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/erupc\u0327a\u0303o.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4284\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/erupc\u0327a\u0303o.png 459w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/erupc\u0327a\u0303o-185x300.png 185w\" sizes=\"(max-width: 459px) 100vw, 459px\" \/><figcaption>Figura 3 &#8211; Sequ\u00eancia de fotos de atividades hist\u00f3ricas do vulc\u00e3o Anak Krakatau. A) Erup\u00e7\u00e3o freatomagm\u00e1tica de 1927; B) Erup\u00e7\u00e3o freatomagm\u00e1tica de 1930; C) Atividade eruptiva de 1979, &nbsp;incluiu fase explosiva (coluna eruptiva observada na foto) e fase efusiva (derrames de lava); D) Atividade fumar\u00f3lica em 1979. Os derrames de lava de colora\u00e7\u00e3o negra no canto direito inferior na foto s\u00e3o de 1975. As fotos A, B e D s\u00e3o do Servi\u00e7o Vulcanol\u00f3gico da Indon\u00e9sia (VSI) e a foto C \u00e9 de Katia e Maurice Krafft.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"631\" height=\"380\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/eruptividade.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4285\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/eruptividade.png 631w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/eruptividade-300x181.png 300w\" sizes=\"(max-width: 631px) 100vw, 631px\" \/><figcaption>Figura 4 &#8211;  A) Maior erup\u00e7\u00e3o j\u00e1 ocorrida no Krakatau, em 1883. Foto cortesia da fam\u00edlia de R. Breon; B) Diagrama comparativo entre os volumes de material vulc\u00e2nico ejetado pelos grandes eventos eruptivos da hist\u00f3ria da Terra. A erup\u00e7\u00e3o de 1883 do Krakatau corresponde ao cubo amarelo.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>As imagens que circularam na internet no dia 11 de abril correspondem, em sua maioria, \u00e0 erup\u00e7\u00e3o de dezembro de 2018. <\/strong>Este evento correspondeu a uma <em>erup\u00e7\u00e3o do tipo Vulcaniana<\/em> de VEI 3, que gerou uma coluna eruptiva de 15 km de altura e um novo colapso do edif\u00edcio vulc\u00e2nico que, de novo, gerou tsunamis nas ilhas de Sumatra e Java, vitimizando mais de 400 pessoas. <strong>O sistema vulc\u00e2nico mant\u00e9m-se ativo desde ent\u00e3o<\/strong>, com intermitente atividade s\u00edsmica (terremotos), fumar\u00f3lica e erup\u00e7\u00f5es explosivas. A <strong>figura 5 <\/strong>apresenta uma sequ\u00eancia de imagens das <strong>atividades registradas no <em>Anak Krakatau<\/em> desde o final de 2018 at\u00e9 o come\u00e7o de 2020<\/strong>. Nelas \u00e9 poss\u00edvel ver a varia\u00e7\u00e3o no relevo causada pelo colapso do edif\u00edcio vulc\u00e2nico em decorr\u00eancia da erup\u00e7\u00e3o de 22 de dezembro de 2018. <\/p>\n\n\n\n<p>Dentre as diversas erup\u00e7\u00f5es do <em>Anak Krakatau<\/em> em 2020, a erup\u00e7\u00e3o de 10 de abril (figura 6) foi apenas mais uma dentro deste per\u00edodo de atividades. Ela correspondeu \u00e0 uma <em>erup\u00e7\u00e3o do tipo Stromboliana<\/em> (tipo de erup\u00e7\u00e3o de explosividade moderada), com coluna eruptiva que atingiu cerca de 500 m de altura. Segundo informa\u00e7\u00f5es de <strong>Servi\u00e7o Vulcanol\u00f3gico da Indon\u00e9sia<\/strong>:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>&#8220;&#8230;<strong>os gases emitidos comp\u00f5em-se majoritariamente de vapor d\u2019\u00e1gua, os terremotos e deforma\u00e7\u00e3o no solo s\u00e3o insignificantes, indicando que ainda existe suprimento de material magm\u00e1tico em reservat\u00f3rios rasos e<\/strong> <strong>n\u00e3o h\u00e1 altera\u00e7\u00e3o (aumento) de amea\u00e7as<\/strong>&#8220;.<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p><strong>A Institui\u00e7\u00e3o manteve o alerta de risco no n\u00edvel II<\/strong> de uma escala que varia de I a IV, sendo IV o n\u00edvel de maior risco. O acesso em um raio de 2 km do vulc\u00e3o est\u00e1 proibido por enquanto.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"856\" height=\"551\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/krakatau.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4286\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/krakatau.png 856w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/krakatau-300x193.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/krakatau-768x494.png 768w\" sizes=\"(max-width: 856px) 100vw, 856px\" \/><figcaption>Figura 5 &#8211; A) Sequ\u00eancia de fotos mostrando a atividade vulc\u00e2nica e a varia\u00e7\u00e3o do relevo do Krakatau entre Dezembro de 2018 e Janeiro de 2019. B) Vista do Krakatau em Outubro de 2018. O sombreado vermelho corresponde \u00e0 forma do vulc\u00e3o em Novembro de 2019, ap\u00f3s o colapso do edif\u00edcio vulc\u00e2nico em decorr\u00eancia da erup\u00e7\u00e3o de 22 de dezembro de 2018. C) Imagem do GFZ Potsdam mostrando o formato do Krakatau ap\u00f3s a erup\u00e7\u00e3o de 22 de dezembro de 2018. A linha tracejada preta mostra a antiga forma do edif\u00edcio vulc\u00e2nico enquanto a linha tracejada branca indica o plano de deslizamento do edif\u00edcio durante o colapso.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"838\" height=\"236\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/anak.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-4287\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/anak.png 838w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/anak-300x84.png 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/anak-768x216.png 768w\" sizes=\"(max-width: 838px) 100vw, 838px\" \/><figcaption>Figura 6 &#8211; Imagens do Servi\u00e7o Vulcanol\u00f3gico da Indon\u00e9sia (VSI) da erup\u00e7\u00e3o da noite de 10 de abril de 2020.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Outros vulc\u00f5es tamb\u00e9m encontram-se em atividade na regi\u00e3o, como o <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Karangetang\" target=\"_blank\">Karangetang<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Monte_Merapi\" target=\"_blank\">Merapi<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Kerintji\" target=\"_blank\">Kerinci<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Sangeang_Api\" target=\"_blank\">Sangeang Api<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/pt.wikipedia.org\/wiki\/Monte_Semeru\" target=\"_blank\">Semeru<\/a>, <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Mount_Ibu\" target=\"_blank\">Ibu<\/a> e o <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"https:\/\/en.wikipedia.org\/wiki\/Dukono\" target=\"_blank\">Dukono<\/a>. Alguns destes vulc\u00f5es (como o Merapi, o Kerinci e o Sangeang Api) est\u00e3o relacionados ao <strong><em>arco vulc\u00e2nico<\/em> de Sunda<\/strong>, o mesmo arco vulc\u00e2nico onde se localiza o <em>Anak Krakatau<\/em> (representado na figura 1). Deste modo,<strong> a erup\u00e7\u00e3o destes vulc\u00f5es est\u00e1 associada, uma vez que a gera\u00e7\u00e3o do magma que os alimenta deve-se ao mesmo processo geol\u00f3gico ocorrendo no mesmo contexto<\/strong>. O magma gerado em zonas vulc\u00e2nicas \u00e9 armazenado em grandes reservat\u00f3rios chamados de c\u00e2maras magm\u00e1ticas, que podem ter tamanho e forma bastante variados. Estes grandes reservat\u00f3rios s\u00e3o significativamente mais volumosos do que sua express\u00e3o em superf\u00edcie (os vulc\u00f5es). Em zonas de regime tect\u00f4nico convergente (isto \u00e9, onde as placas tect\u00f4nicas se chocam) com forma\u00e7\u00e3o de arcos vulc\u00e2nicos, um mesmo reservat\u00f3rio\/<strong>uma mesma c\u00e2mara magm\u00e1tica pode alimentar diferentes vulc\u00f5es<\/strong> ou, ainda, diferentes reservat\u00f3rios podem estar interconectados. <strong>Processos de recarga do reservat\u00f3rio magm\u00e1tico e abalos s\u00edsmicos s\u00e3o alguns dos fatores que atuam como gatilhos de erup\u00e7\u00f5es. Sendo tais processos recorrentes em regi\u00f5es tectonicamente ativas, \u00e9 comum que diversos sistemas vulc\u00e2nicos estejam ativos simultaneamente. <\/strong>O vulc\u00e3o Karangetang localiza-se no arco Sangihe, enquanto que os vulc\u00f5es Ibu e Dukono localizam-se no arco Halmahera. Embora n\u00e3o estejam geneticamente vinculados aos vulc\u00f5es do arco de Sunda, todos estes sistemas s\u00e3o gerados pelo mesmo processo geol\u00f3gico, apenas ocorrendo em diferentes localidades. Que tal navegar pelo Google Earth e descobrir os v\u00e1rios sistemas vulc\u00e2nicos da regi\u00e3o? Basta clicar <a rel=\"noreferrer noopener\" href=\"http:\/\/Krakatoa - Google Earthearth.google.com \u203a web\" target=\"_blank\">AQUI<\/a>.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p><strong>GLOSS\u00c1RIO<\/strong> <strong>GEOL\u00d3GICO E<\/strong> <strong>VULCANOL\u00d3GICO<\/strong> &#8211; Entenda os termos utilizados pelos vulcan\u00f3logos:<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Arco vulc\u00e2nico:<\/strong> cadeia de vulc\u00f5es que pode se estender por centenas a milhares de quil\u00f4metros cuja forma\u00e7\u00e3o est\u00e1 relacionada a uma zona de subduc\u00e7\u00e3o. O arco se desenvolve acima desta zona e pode ser do tipo oce\u00e2nico (onde ocorre intera\u00e7\u00e3o entre duas placas oce\u00e2nicas; ex: Ilhas Aleutas, Antilhas) ou continental (intera\u00e7\u00e3o em margem continental onde uma placa oce\u00e2nica, por ser mais densa, \u00e9 empurrada por debaixo de uma placa continental menos densa; ex: Andes)<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Cone vulc\u00e2nico:<\/strong> monte c\u00f4nico \u00edngreme formado pela acumula\u00e7\u00e3o de material vulc\u00e2nico ejetado em (sucessivas) erup\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dep\u00f3sito de queda de cinzas:<\/strong> dep\u00f3sitos formados pela queda de material vulc\u00e2nico finamente particulado (cinzas vulc\u00e2nicos). As cinzas s\u00e3o ejetadas na atmosfera e, por serem pouco densas, sobrem formando uma coluna eruptiva que se dispersa.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Erup\u00e7\u00e3o freatomagm\u00e1tica:<\/strong> erup\u00e7\u00e3o explosiva que ocorre devido a intera\u00e7\u00e3o do magma com \u00e1gua.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Erup\u00e7\u00e3o Stromboliana:<\/strong> tipo eruptivo de explosividade moderada onde gases e \u201cco\u00e1gulos\u201d de lava incandescente de baixa viscosidade s\u00e3o ejetados. Recebe este nome por ser a erup\u00e7\u00e3o t\u00edpica do vulc\u00e3o Stromboli, na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Erup\u00e7\u00e3o Vulcaniana:<\/strong> tipo eruptivo de explosividade moderada a alta onde gases e cinzas vulc\u00e2nicas s\u00e3o ejetados e formam colunas eruptivas que se expandem rapidamente. Recebe este nome por ter sido primeiramente descrita na ilha de Vulcano, na It\u00e1lia.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Estratovulc\u00e3o:<\/strong> Cone vulc\u00e2nico de relevo bastante \u00edngreme formado pela altern\u00e2ncia de, majoritariamente, dep\u00f3sitos pirocl\u00e1sticos (provenientes de erup\u00e7\u00f5es explosivas) e, subordinadamente, derrames de lava viscosa. A composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica destes dep\u00f3sitos pode variar, sendo as composi\u00e7\u00f5es mais sil\u00edcicas (mais viscosas) mais comuns. Comumente, o formato c\u00f4nico torna-se mais \u00edngreme em dire\u00e7\u00e3o ao cume, onde encontra-se uma cratera. Correspondem ao tipo mais comum de vulc\u00e3o (cerca de 60% dos vulc\u00f5es terrestres) e ocorrem principalmente nos limites convergentes de placas.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fase paroxysmal:<\/strong> est\u00e1gio mais violento (cl\u00edmax) do ciclo eruptivo, no qual toda a cavidade da cratera encontra-se aberta, proferindo uma erup\u00e7\u00e3o particularmente violenta.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Fluxo Pirocl\u00e1stico:<\/strong> produto mais perigoso e destrutivo do vulcanismo explosivo. Formam avalanches de gases e material vulc\u00e2nico de tamanho variado (desde muito fino \u2013 cinzas \u2013 at\u00e9 blocos de rocha em escala m\u00e9trica) que resultam em um fluxo de baixa viscosidade e altas temperaturas (podendo variar de 100\u00b0C a 700\u00b0C) que se move muito r\u00e1pido<\/p>\n\n\n\n<p><strong>\u00cdndice de Explosividade Vulc\u00e2nica (VEI):<\/strong> escala num\u00e9rica (logar\u00edtmica) que mede a explosividade de erup\u00e7\u00f5es vulc\u00e2nicas. Varia de 0 (eventos n\u00e3o explosivos, menos de 10000 m<sup>3<\/sup> de material vulc\u00e2nico ejetado) a 8 (eventos muito grandes ou mega-colossais, com volume de material vulc\u00e2nico ejetado superior a 1000 km<sup>3<\/sup> e altura da coluna eruptiva acima de 25 km.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Zona de subduc\u00e7\u00e3o:<\/strong> regi\u00e3o de tect\u00f4nica convergente onde uma placa (mais densa) \u00e9 empurrada por debaixo de outra.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/volcano.si.edu\/volcano.cfm?vn=262000\">https:\/\/volcano.si.edu\/volcano.cfm?vn=262000<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>https:\/\/vsi.esdm.go.id\/index.php\/gunungapi\/aktivitas-gunungapi\/3038-press-release-aktivitas-gunungapi-anak-krakatau-11-april-2020 <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/volcano.si.edu\/gvp_currenteruptions.cfm\">https:\/\/volcano.si.edu\/gvp_currenteruptions.cfm<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-thumbnail is-style-rounded\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"150\" height=\"150\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/Leticia-1-1-150x150.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4289\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/Leticia-1-1-150x150.jpg 150w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/Leticia-1-1-24x24.jpg 24w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/Leticia-1-1-48x48.jpg 48w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/Leticia-1-1-96x96.jpg 96w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/Leticia-1-1-300x300.jpg 300w\" sizes=\"(max-width: 150px) 100vw, 150px\" \/><figcaption><br><strong>Let\u00edcia Freitas Guimar\u00e3es<\/strong> \u00e9 ge\u00f3loga, PhD em Petrologia pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). Desenvolveu sua pesquisa nas rochas vulc\u00e2nicas sil\u00edcicas da Prov\u00edncia Magm\u00e1tica do Paran\u00e1, trabalhando com an\u00e1lises geoqu\u00edmicas e texturais quantitativas. Atualmente colabora na elabora\u00e7\u00e3o de um ranking de risco vulc\u00e2nico para os vulc\u00f5es da Am\u00e9rica Latina. \u00c9 co-fundadora e diretora de rela\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas na Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Mulheres nas Geoci\u00eancias (ABMGeo) e colabora na p\u00e1gina de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica dos p\u00f3s-graduandos do IGc-USP (Instagram @divulgageologia).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Gostar\u00edamos de agradecer sinceramente a Let\u00edcia por ter disponibilizado o seu tempo e aceitado o convite de escrever para o nosso blog. Como voc\u00eas puderam ver, n\u00e3o \u00e9 &#8220;o fim do mundo&#8221;&#8230; Pelo menos por enquanto ;).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto de Let\u00edcia Freitas Guimar\u00e3es A erup\u00e7\u00e3o do Anak Krakatau na noite de 10 de abril causou alvoro\u00e7o nas redes sociais. Not\u00edcias falsas, alarmistas, v\u00eddeos de erup\u00e7\u00f5es passadas e at\u00e9 apofenia astrol\u00f3gica inundaram as redes. Mas por que esta erup\u00e7\u00e3o n\u00e3o deveria nos espantar? O Anak Krakatoa (Anak Krakatau, em Indon\u00e9sio) localiza-se no estreito de &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2020\/04\/16\/krakatoa-em-atividade-e-o-fim-do-mundo\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">Krakatoa em atividade: \u00e9 o fim do mundo?<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":489,"featured_media":4406,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[138,91],"tags":[139,140,141],"class_list":["post-4280","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-geologia","category-vulcanologia","tag-geologia","tag-vulcanologia","tag-vulcoes"],"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2020\/04\/1024px-Krakatoa_NasaWorldWind_2000.jpg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4280","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/users\/489"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4280"}],"version-history":[{"count":8,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4280\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4357,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4280\/revisions\/4357"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media\/4406"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4280"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4280"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4280"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}