{"id":4871,"date":"2021-09-24T13:32:20","date_gmt":"2021-09-24T16:32:20","guid":{"rendered":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/?p=4871"},"modified":"2021-09-24T13:32:24","modified_gmt":"2021-09-24T16:32:24","slug":"a-separacao-dos-continentes-em-uma-visao-historica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2021\/09\/24\/a-separacao-dos-continentes-em-uma-visao-historica\/","title":{"rendered":"A separa\u00e7\u00e3o dos continentes em uma vis\u00e3o hist\u00f3rica"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Texto por M\u00e1rio G. F. Esperan\u00e7a J\u00fanior<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As paisagens que reconhecemos \u00e0 nossa volta possuem uma hist\u00f3ria bastante din\u00e2mica. Por exemplo: rios mudam de curso, lagos secam, mares retraem e avan\u00e7am sobre os continentes&#8230; Em um intervalo de tempo mais amplo, montanhas s\u00e3o formadas e erodidas, oceanos se fecham, novas esp\u00e9cies de organismos surgem enquanto outras s\u00e3o extintas. Evid\u00eancias geol\u00f3gicas mostram que esses processos s\u00e3o recorrentes e se sucederam por todo o planeta desde seus prim\u00f3rdios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No sul do Brasil, afloram rochas do per\u00edodo Permiano, intervalo que compreende de 298 a 252 milh\u00f5es de anos atr\u00e1s. Essas rochas s\u00e3o ricas em f\u00f3sseis da extinta Flora <em>Glossopteris<\/em>, plantas as quais tamb\u00e9m s\u00e3o encontradas em dep\u00f3sitos sedimentares da \u00c1frica, Ant\u00e1rtida, Austr\u00e1lia e \u00cdndia. Atualmente, estas regi\u00f5es est\u00e3o separadas por extensos oceanos, que s\u00e3o barreiras intranspon\u00edveis para grande parte dos organismos terrestres, incluindo as plantas. Sendo assim, pode-se deduzir que tais \u00e1reas estiveram unidas durante o Permiano, e mais tarde se afastaram at\u00e9 chegarem em suas localiza\u00e7\u00f5es atuais. Dessa forma, as floras e faunas que antigamente colonizaram regi\u00f5es cont\u00edguas, passaram a ser encontradas na forma de f\u00f3sseis em lugares distantes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A evolu\u00e7\u00e3o desse pensamento cient\u00edfico levou muitos anos at\u00e9 chegar aos moldes que hoje conhecemos. Mas para entendermos a sucess\u00e3o dos fatos que nos levam a resposta acerca de tais semelhan\u00e7as fossil\u00edferas, precisamos voltar alguns s\u00e9culos atr\u00e1s&#8230;<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>As primeiras ideias<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Com a chegada dos europeus ao continente americano no s\u00e9culo XV e com a confec\u00e7\u00e3o dos primeiros mapas em escala global, notou-se que a costa oeste da \u00c1frica e leste da Am\u00e9rica do Sul possuem contornos semelhantes, assim sugerindo que tais continentes estivessem em algum momento unidos. \u00c0quela \u00e9poca, contudo, perduravam as ideias b\u00edblicas de que a Terra seria jovem, e o conhecimento cient\u00edfico limitava-se \u00e0 observa\u00e7\u00e3o direta do meio devido \u00e0 aus\u00eancia de tecnologia capaz de comprovar tais fen\u00f4menos. Somente no s\u00e9culo XVII \u00e9 que surgiram as primeiras evid\u00eancias acerca de uma idade para a Terra. Ao observar intrus\u00f5es de granitos, bem como o ciclo de eros\u00e3o e deposi\u00e7\u00e3o de sedimentos, o naturalista escoc\u00eas James Hutton deduziu que havia muito tempo envolvido nesses processos, concluindo que a Terra seria muito antiga, \u201csem vest\u00edgio de um come\u00e7o, nem perspectiva de um fim\u201d (Hutton, 1788). D\u00e9cadas mais tarde, o matem\u00e1tico irland\u00eas Lord Kelvin calculou a idade do planeta, que estaria entre 20 e 400 milh\u00f5es de anos, dado o presente equil\u00edbrio t\u00e9rmico e fluxo de calor da superf\u00edcie. Esse c\u00e1lculo foi posteriormente refinado, mas somente no final do s\u00e9culo XIX, com a descoberta da radioatividade por Henri Becquerel e o subsequente desenvolvimento das t\u00e9cnicas de data\u00e7\u00e3o radiom\u00e9tricas, \u00e9 que se chegou \u00e0 atual idade de 4,56 bilh\u00f5es de anos. Essa escala de tempo \u00e9 grande o suficiente para explicar processos naturais muito lentos para a humanidade, por\u00e9m recorrentes na hist\u00f3ria da Terra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A comprova\u00e7\u00e3o da exist\u00eancia de um tempo profundo talvez tenha sido um dos principais fatores para o estabelecimento de uma teoria que explicasse o encaixe dos continentes percebido s\u00e9culos antes. Tais ideias foram fomentadas no in\u00edcio do s\u00e9culo XX com o trabalho do ge\u00f3logo austr\u00edaco Eduard Suess (Fig. 1), ao notar a presen\u00e7a das folhas f\u00f3sseis do tipo <em>Glossopteris<\/em> na Am\u00e9rica do Sul, \u00c1frica e \u00cdndia. A coocorr\u00eancia das mesmas plantas em \u00e1reas distantes e separadas por oceanos \u00e9 um indicativo de que essas massas de terra j\u00e1 estiveram conectadas, por fim denominando essa antiga regi\u00e3o como <em>Terra de Gondwana<\/em> (Suess, 1885). A fim de explicar tal observa\u00e7\u00e3o, Suess deduziu que o resfriamento do planeta causaria o adensamento de certas \u00e1reas que consequentemente afundariam formando os oceanos. Entre essas regi\u00f5es, haveria pontes de terra permitindo o interc\u00e2mbio da fauna e flora, sendo que estas conex\u00f5es mais tarde submergiriam resultando no padr\u00e3o geogr\u00e1fico atual. Essa teoria, no entanto, n\u00e3o foi bem aceita por n\u00e3o existirem evid\u00eancias f\u00edsicas de tais fen\u00f4menos. Nos anos subsequentes, propuseram-se, ainda, que uma massa de terra prim\u00e1ria poderia ter sido partida em continentes menores devido \u00e0 expans\u00e3o volum\u00e9trica do planeta (Mantovani, 1889), e tamb\u00e9m que a movimenta\u00e7\u00e3o das mesmas seria fruto da for\u00e7a das mar\u00e9s \u2013 hip\u00f3teses que foram rejeitadas por f\u00edsicos e matem\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"246\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-1-1024x246.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4873\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-1-1024x246.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-1-300x72.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-1-768x185.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-1-1536x369.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-1-2048x493.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fig. 1. Autores de importantes trabalhos na constru\u00e7\u00e3o da geologia moderna. Da esquerda para a direita: James Hutton, Eduard Suess, Alfred Wegener, Arthur Holmes e John Tuzo Wilson. Modificado de <em>commons.wikimedia.org<\/em>.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Foi assim que, em 1915, o meteorologista alem\u00e3o Alfred Wegener prop\u00f4s que as massas continentais outrora estivessem amalgamadas no supercontinente <em>Pangeia<\/em> (Fig. 2), dadas semelhan\u00e7as n\u00e3o somente entre os f\u00f3sseis, mas tamb\u00e9m com as rochas e estruturas geol\u00f3gicas encontradas nos dois lados do Atl\u00e2ntico (Wood, 1980). Por exemplo, a presen\u00e7a de f\u00f3sseis de Mesossauros, antigos r\u00e9pteis marinhos encontrados na Am\u00e9rica do Sul e \u00c1frica, tamb\u00e9m apontavam para tal proximidade. Al\u00e9m disso, a ampla presen\u00e7a de rochas glaciais, denominadas de tilitos, sugeria uma uni\u00e3o de diversas \u00e1reas pr\u00f3ximo ao polo sul. Com essas e outras evid\u00eancias, prop\u00f4s-se a teoria do afastamento, ou <em>deriva dos continentes<\/em>, fen\u00f4meno que seria decorrente da rota\u00e7\u00e3o da Terra (Wegener, 1915). Contudo, a explica\u00e7\u00e3o de Wegener sobre o motor respons\u00e1vel pela deriva n\u00e3o foi bem aceita pela comunidade cient\u00edfica. O verdadeiro mecanismo respons\u00e1vel pela afastamento dos continentes s\u00f3 foi estabelecido anos mais tarde pelo ge\u00f3logo ingl\u00eas Arthur Holmes. Conforme a ideia apresentada, existiriam fluxos convectivos verticais abaixo dos continentes, constantemente alimentados pelo calor gerado por elementos radioativos do interior da Terra. Tais fluxos arrastariam as massas continentais continuadamente, ocasionando na forma\u00e7\u00e3o de assoalho oce\u00e2nico nas regi\u00f5es em que as correntes quentes sobem, e na cria\u00e7\u00e3o de montanhas na borda em que o fluxo frio desce (Holmes, 1931). Entretanto, as evid\u00eancias do processo descrito por Holmes surgiram somente anos depois com a amplia\u00e7\u00e3o do conhecimento sobre o fundo oce\u00e2nico.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"280\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-2-1024x280.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4874\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-2-1024x280.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-2-300x82.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-2-768x210.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-2-1536x421.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-2-2048x561.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fig. 2. Configura\u00e7\u00e3o atual dos continentes (\u00e0 esquerda) e uma defini\u00e7\u00e3o atual\u00edstica da Pangeia durante o per\u00edodo Permiano, com os contornos dos continentes modernos (\u00e0 direita).<br>&nbsp;<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Nesse sentido, o conhecimento a respeito da Dorsal Mesoatl\u00e2ntica exerceu um papel fundamental no entendimento da deriva continental. Esta cadeia de montanhas submarina foi inicialmente identificada em 1872, em uma expedi\u00e7\u00e3o liderada pelo naturalista escoc\u00eas Charles W. Thomson com o objetivo de investigar a \u00e1rea por onde passariam cabos submarinos de tel\u00e9grafo, ligando a Europa \u00e0 Am\u00e9rica do Norte. Mas foi somente ap\u00f3s a Segunda Guerra Mundial que realmente se intensificaram as pesquisas sobre o assoalho marinho, o que incluiu os primeiros mapeamentos do fundo oce\u00e2nico realizados por sonar (Heezen et al., 1959). Com isso, constatou-se que a Dorsal Mesoatl\u00e2ntica, em quase sua totalidade, inclui um vale em rifte \u2013 regi\u00f5es de vulcanismo intenso em que terremotos s\u00e3o frequentes. Al\u00e9m disso, data\u00e7\u00f5es do assoalho marinho mostraram que o mesmo \u00e9 composto por rochas vulc\u00e2nicas jovens. Dessa maneira, a forma\u00e7\u00e3o da litosfera oce\u00e2nica \u00e9 o resultado da atividade vulc\u00e2nica recente desses riftes, que pouco a pouco afastam por\u00e7\u00f5es mais antigas, expandindo o oceano (Heezen, 1960; Dietz, 1961). Assim, ao menos parte das ideias de Holmes j\u00e1 possu\u00eda alguma comprova\u00e7\u00e3o no in\u00edcio da d\u00e9cada de 60.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">O nascimento de uma teoria unificadora<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, existia uma interessante quest\u00e3o em aberto: j\u00e1 que o assoalho dos oceanos \u00e9 criado ao longo das dorsais, haveria algum mecanismo capaz de destru\u00ed-lo? Com o avan\u00e7o do mapeamento do fundo marinho durante a d\u00e9cada de 60, o ge\u00f3logo canadense John Tuzo Wilson constatou que certas falhas geol\u00f3gicas, dorsais e fossas submarinas se interconectam formando grandes placas. Assim, a litosfera seria dividida em diversas placas r\u00edgidas que se movimentam e submergem sob os arcos vulc\u00e2nicos ao envelhecerem e resfriarem. \u00c0 medida que o oceano \u00e9 destru\u00eddo, os continentes circundantes se aproximam e eventualmente colidem formando cadeias de montanhas, a exemplo dos Himalaias (Wilson, 1963; 1965; 1966). Dessa forma, a abertura e fechamento dos oceanos seria um encadeamento c\u00edclico, e portanto, repetitivo ao longo da hist\u00f3ria da Terra (Fig. 3). Mais tarde, esse processo foi denominado, em sua homenagem, de <em>Ciclo de Wilson<\/em> \u2013 uma importante contribui\u00e7\u00e3o ao que hoje conhecemos por <em>Teoria da Tect\u00f4nica de Placas<\/em> (Fig. 4).<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"464\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-3-1024x464.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4875\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-3-1024x464.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-3-300x136.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-3-768x348.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-3-1536x695.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-3-2048x927.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fig. 3. O Ciclo de Wilson. 1 \u2013 Desenvolvimento de rifte sobre um continente est\u00e1vel; 2 \u2013 Com a continuidade do processo, surge um oceano com uma dorsal entre duas massas de terra; 3 \u2013 O oceano se expande afastando os continentes; 4 \u2013 A litosfera oce\u00e2nica esfria e adensa, afundando na astenosfera e resultando numa fossa adjacente a um arco vulc\u00e2nico; 5 \u2013 O oceano \u00e9 consumido, reaproximando os continentes; 6 \u2013 Os continentes colidem formando uma \u00fanica massa de terra com uma cadeia montanhosa; 7 \u2013 As montanhas s\u00e3o erodidas.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, o avan\u00e7o tecnol\u00f3gico permite inferir temperaturas para o interior da Terra atrav\u00e9s de tomografia s\u00edsmica. Com isso, comprovou-se a exist\u00eancia de regi\u00f5es quentes pr\u00f3ximas \u00e0s dorsais, enquanto que as temperaturas s\u00e3o mais baixas onde antigas placas oce\u00e2nicas afundaram. Essa ascens\u00e3o de material quente e descida de rochas frias demonstra o processo de convec\u00e7\u00e3o proposto por Holmes no come\u00e7o do s\u00e9culo passado. O desenvolvimento da tecnologia permitiu, tamb\u00e9m, mensurar com grande precis\u00e3o a taxa de afastamento dos continentes (e portanto, a taxa de expans\u00e3o do assoalho oce\u00e2nico). No caso do Atl\u00e2ntico, o afastamento varia de 1,8 cent\u00edmetro por ano, pr\u00f3ximo \u00e0 Isl\u00e2ndia; at\u00e9 3,5 cent\u00edmetros ao ano, entre o Brasil e o sul da \u00c1frica (Grotzinger e Jordan, 2013), velocidades realmente lentas para a percep\u00e7\u00e3o da humanidade. Entretanto, dist\u00e2ncias consider\u00e1veis podem ser alcan\u00e7adas, levando-se em considera\u00e7\u00e3o o amplo intervalo de tempo que compreende a fascinante hist\u00f3ria da Terra.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"922\" src=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-4-1024x922.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-4876\" srcset=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-4-1024x922.jpg 1024w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-4-300x270.jpg 300w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-4-768x691.jpg 768w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-4-1536x1383.jpg 1536w, https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-content\/uploads\/sites\/243\/2021\/09\/fig.-4-2048x1844.jpg 2048w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption>Fig. 4. As placas tect\u00f4nicas e alguns exemplos dos est\u00e1gios do Ciclo de Wilson (conforme fig. 3). 1 \u2013 Grande Vale do Rifte (\u00c1frica); 2 \u2013 Mar do Jap\u00e3o; 3 \u2013 Oceano Atl\u00e2ntico (fotografia da por\u00e7\u00e3o emersa da Dorsal Mesoatl\u00e2ntica, Isl\u00e2ndia); 4 \u2013 Andes (Vulc\u00e3o El Cotopaxi, Equador); 5 \u2013 Mar Mediterr\u00e2neo; 6 \u2013 Himalaias (\u00c1sia); 7 \u2013 Eur\u00e1sia central. Modificado de <em>commons.wikimedia.org<\/em> (autores: \u00c6var Arnfj\u00f6r\u00f0 Bjarmason, peterhartree, David Ceballos, Shivam Maini).<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Refer\u00eancias<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Dietz, R.S. 1961. Continent and ocean-basin evolution by spreading of the sea floor. <em>Nature<\/em> 190, 854-857.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Grotzinger J., Jordan T.H. 2013. <em>Para entender a Terra<\/em>. 6. ed. Porto Alegre: Bookman.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Heezen, B.C., Tharp, M., Ewing, M. 1959. <em>The floors of the ocean, I. The North Atlantic<\/em>. Geological Society of America, Special Paper 65.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Heezen, B.C. 1960. The rift in the ocean floor. <em>Scientific American<\/em> 203, 98-110.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Holmes, A. 1931. XVIII. Radioactivity and Earth Movements. <em>Transactions of the Geological Society of Glasgow<\/em> 18(3), 559\u2013606.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Hutton, J. 1788. X. Theory of the Earth; or an Investigation of the Laws observable in the Composition, Dissolution, and Restoration of Land upon the Globe. <em>Earth and Environmental Science Transactions of The Royal Society of Edinburg<\/em>h 1(2), 209 \u2013 304.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mantovani, R. 1889. Les fractures de l&#8217;\u00e9corce terrestre et la th\u00e9orie de Laplace. <em>Bulletin de la Soci\u00e9t\u00e9 des sciences et arts de l&#8217;Ile de la R\u00e9union<\/em>, 41\u201353.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Suess, E. <em>Das Antlitz der Erde<\/em>. 1885. Leipzig: Freytag.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wegener, A. 1915. <em>Die Entstehung der Kontinente und Ozeane<\/em>. Braunschweig: Vieweg.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wilson, J.T. 1963. A possible origin of the Hawaiian islands. <em>Canadian Journal of Physics<\/em> 41, 863-870.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wilson, J.T. 1965. A new class of faults and their bearing on continental drift. <em>Nature<\/em> 207, 343-347.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wilson, J.T. 1966. Did the Atlantic close and then re-open? <em>Nature<\/em> 211, 676-681.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Wood, R.M. 1980. Coming Apart at the Seams. <em>New Scientist<\/em> 85, 252-254.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por M\u00e1rio G. F. Esperan\u00e7a J\u00fanior As paisagens que reconhecemos \u00e0 nossa volta possuem uma hist\u00f3ria bastante din\u00e2mica. Por exemplo: rios mudam de curso, lagos secam, mares retraem e avan\u00e7am sobre os continentes&#8230; Em um intervalo de tempo mais amplo, montanhas s\u00e3o formadas e erodidas, oceanos se fecham, novas esp\u00e9cies de organismos surgem enquanto &hellip; <a href=\"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/2021\/09\/24\/a-separacao-dos-continentes-em-uma-visao-historica\/\" class=\"more-link\">Continue lendo <span class=\"screen-reader-text\">A separa\u00e7\u00e3o dos continentes em uma vis\u00e3o hist\u00f3rica<\/span> <span class=\"meta-nav\">&rarr;<\/span><\/a><\/p>\n","protected":false},"author":616,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_monsterinsights_skip_tracking":false,"pgc_sgb_lightbox_settings":"","_vp_format_video_url":"","_vp_image_focal_point":[],"footnotes":""},"categories":[138,176,177,69],"tags":[217,139,216,215],"class_list":["post-4871","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-geologia","category-gondwana","category-laurasia","category-permiano","tag-deriva-continental","tag-geologia","tag-gondwana","tag-pangeia"],"jetpack_featured_media_url":"","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4871","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/users\/616"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=4871"}],"version-history":[{"count":7,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4871\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":4892,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/4871\/revisions\/4892"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=4871"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=4871"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.blogs.unicamp.br\/colecionadores\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=4871"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}